Baladas Americanas
Abril/2001 - San Francisco e Nova York - EUA

Na semana em que o Joey Ramone faleceu eu estava em Nova York. Várias lojas estavam homenageando Joey em suas vitrines.

A Trash & Vaudeville, uma loja de roupas punks e andrógenas, que fica na Rua St. Marks, fez uma vitrine super legal com um display enorme do Joey e várias capas de discos com frases em sua homenagem.
 
 
 

Encontrei por acaso com a Patti Smith no bairro Soho, no domingo (22 de abril).
Disse que éramos do Brasil e que assistimos a um show dela no Bowery Ballroom dois anos atrás, no aniversário dela. Ela foi super gente fina e ficamos uns 15 minutos numa esquina batendo papo.

 

Patti disse que para o Joey foi melhor assim, devido ao seu sofrimento. A propósito, o guitarrista que toca com a Patti Smith, Lenny Kaye, escreveu uma excelente matéria para o jornal Village Voice, dois dias após a morte de Joey Ramone, em uma espécie de homenagem emocionada a um velho amigo.

 
 


Fui para o show do Billy Idol no Botton Line na terca-feira (24). Os ingressos já estavam esgotados há quase um mês e eram dois shows na noite, Fiquei quatro horas esperando para conseguir assistir ao segundo show e dei sorte. O show foi excelente, melhor do que eu esperava, pois Billy detonou músicas da época do Generation X, tais como: "Kiss me Deadly" e "Ready Steady Go", ambas do primeiro disco.

O guitarrista Steve Stevens toca pra caramba e o show foi bem sujo e pesado, para uma platéia de mais ou menos 400 pessoas. Do meu lado estava o ex-vocalista do D-Generation, que agora é vocalista da banda Bellvue.

 

Haviam muitas garotas, várias subiram ao palco e protagonizaram umas baixarias com o Billy Idol, que tocou todos os seus hits sem exceção. Rolaram músicas como "Dancing With Myself", "Rebel Yell" e "Eyes Without a Face".

A Liv Tyler, atriz e filha do vocalista do Aerosmith, estava no programa de TV do David Letterman um dia antes do show e quando o Letterman anunciou o Billy Idol ela falou que era apaixonada por ele e suas músicas. Billy atacou de "Rebel Yell" no encerramento do programa.

Em San Francisco, Califórnia, no dia 25 de abril, assisti ao show da Nikka Costa no Bimbo's, no pré-lançamento do seu CD, que sai dia 22/05. Como o Barcinski e Álvaro Pereira Jr. haviam me falado, ela está fazendo um show com muita sensualidade, com o corpo todo a mostra. Ela virou um mulherão e agora tem 28 anos. O som dela lembra um funk pesado dos anos 70, tipo Parliament, Funkadelic, com um toque de soul music, tipo Sly & Family Stone. Muito competente!

No dia 27 assisti ao show histórico no Great American Music Hall de San Francisco, com lotação esgotada. O encontro de Ron Ashton dos Stooges com J. Mascis do Dinossaur Jr, Mike Watt do Minutemen e Firehose e mais o batera do Dinossaur Jr. Metade do show com músicas dos dois CDs do J. Mascis, que são pesados pra caramba, com influências de Neil Young, como na ótima música "Wastin", do seu novo disco. A outra metade do repertorio foi com clássicos dos dois primeiros discos dos Stooges, com músicas como "Looser", "Dirty", "I Wanna be your Dog", "No Fun", "1969", "Down on Street", etc.

A casa veio abaixo! Quem cantou as músicas dos Stooges foi o Mike Watt e outras duas o vocalista do Love As Daughter, que foi a banda de abertura, com o cara imitando os trejeitos do Iggy Pop. Esse show foi descrito como histórico pela imprensa musical de San Francisco.

No domingo dia 29 fui para o lendário Fillmore, para conseguir assistir ao Iggy Pop. O preço original do ingresso era de 25 dólares e na porta o preço mínimo era de 100 dólares!!! Tive que ficar parando as pessoas que iam ao show para conseguir meu ingresso e o de minha esposa. Enfim, em cima da hora consegui os 2 ingressos por 60 dólares, o que devido às circunstâncias foi de graça. Uma vez lá dentro, fui para frente do palco. Bastou começar o show para eu ser jogado uns 5 metros para trás. Vieram grupos de loucos de toda espécie para a frente do palco. O Iggy e o publico descontrolados. O show foi punk pra cacete. Começou com "Search & Destroy" e aí foram "Pretty Things Are Going To Hell", "Cold Metal", "1969", etc.

No total Iggy tocou 6 músicas que farão parte de seu novo álbum. Ele detonou ainda "Death Trip", que não é muito comum ele tocar ao vivo, além de "I Got Right", em versão hardcore. Quando ele tocou "Passenger", ele pediu para o pessoal subir ao palco. Subiram muitas garotas, um rapaz com uma camiseta do Le Tigre deu um beijo nele, foi muito engraçado!. Aliás, o que tinha de garotas com camiseta dos Ramones e Cramps era brincadeira. A banda do Iggy é a mesma que o tem acompanhado nos últimos tempos desde a turnê "Naughty Little Dog". Ele voou do palco por duas vezes, queria derrubar o equipamento no chão e os roadies contendo a fúria dele. O show demorou exatos 90 minutos. Iggy é amado por toda a garotada e tinha gente da Alemanha, França, Croácia e vários lugares do mundo para ver este show. Foi imperdível! Valeu a pena ter ido ate lá para ver este show. Quando ele entrou no palco, foi logo descendo a lenha nos polítocos da Califórnia e acabou sendo ovacionado pela galera.

Walter Thiago - especial para o Portal do Rock

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