Baladas
  Festival
"A um Passo do
Fim do Mundo"
24-25/11/2001- Tendal da Lapa - São Paulo - SP

O Portal do Rock esteve cobrindo o festival punk "A Um Passo Do Fim Do Mundo", que rolou nos dias 24 e 25 de novembro, no espaço cultural Tendal da Lapa, em São Paulo.
 
 
 
 
Organizado pelo escritor e estudioso do movimento punk Antonio Bivar, em conjunto com o movimento Ação & Anarquia, liderado por Ariel, velho defensor dos ideais punks no Brasil e vocalista das bandas Invasores de Cérebro e Restos de Nada (essa última tida como a primeira banda punk brasileira), o festival teve como enfoque principal promover a cultura punk, através de exposições de fotos, fanzines, poesias, barracas com produções punks, como CDs, livros e acessórios, além dos shows, que foram sem dúvida as atrações principais do evento, com 54 bandas se revezando nos dois palcos montados.




O Festival "A Um Passo do Fim do Mundo" aconteceu também dentro das comemorações dos 25 anos de punk no mundo e dos 20 anos do levante "Punk's Not Dead", a grande virada radical do punk rock.

Este festival teve também um gostinho de segunda edição do festival "O Começo do Fim do Mundo", que foi organizado em 1982, no SESC Pompéia em São Paulo e que revelou bandas como Cólera, Ratos de Porão, Inocentes e Olho Seco, entre outras dezenas de bandas punks de São Paulo.

Porém, destas 4 bandas acima, todas em atividade, somente o Cólera e o Olho Seco carregam o respeito e a admiração do movimento punk, sendo que Inocentes e Ratos de Porão são bandas consideradas e que também se consideram "traidoras do movimento punk" (se é que isso é mesmo verdade...afinal, até hoje discute-se quem traiu quem?) Talvez por apenas esse motivo, neste festival estas 2 bandas não tocaram, o que é uma pena, pois mesmo com toda a polêmica em torno delas e o chamado "movimento", seria um grande prazer ver estas duas lendas do rock nacional detonando nos palcos, ao lado de bandas recém nascidas.

 
 
 
 
 
 
Bom, falando dos shows, no sábado o público compareceu em massa. Estima-se que cerca de 3 mil pessoas tenham passado pelo Tendal da Lapa desde às 14h30min até às 22h30min, quando os shows terminaram.

Os destaques no palco 1 ficaram por conta das bandas Pátria Armada, que abriu o dia de shows, Kolapso 77, Deserdados, Underboyz e Olho Seco, que realmente fizeram shows quentes e empolgaram a galera. Neste palco 1 o "bicho" realmente pegou! A localização do palco, no final de um extenso, porém estreito, corredor, fez com que a galera ficasse espremida na frente do palco e quem se atrevia a entrar na roda dos punks tomava muita porrada e coturnada, tudo na maior harmonia, é claro!

Ainda neste dia, tocou no palco 1, que batizei de "palco do corredor da morte", a banda de hardcore Blind Pigs, que foi recebida com agressão e repulsa por meia dúzia de elementos que estavam ali somente para atrapalhar a festa e agredir as pessoas. O vocalista da banda foi atingido com uma pedrada e um princípio de tumulto foi iniciado. Isso é uma pena e uma prova de ignorância, mas prefiro não falar sobre isso, pois no Portal do Rock não existe espaço para a intolerância.
 
Quanto ao show dos caras, fora os apuros que passaram para encarar a galera inflamada, foi muito bom e com muita energia, pelo menos no tempo que conseguiram tocar. Valeu galera!
Já no palco 2, que prefiro chamar de "palco light", os destaques ficaram por conta das bandas FDS (que recentemente fez uma turnê com 30 shows pela Europa), Atitude, 88 Não!, Excluídos e Condutores da Revolta.

Também detonaram neste palco, debaixo de uma grande tempestade de verão que despencou em SP, os mestres do rock de horror no Brasil, os terríveis Zumbis do Espaço, liderados pelo chegado e vocalista Andrezão.

A banda proporcionou um dos melhores momentos de todo o festival, levando a galera à loucura com chuva e tudo, com todos cantando ao lado da banda e agitando sem parar. Valeu galera, vocês realmente vieram do inferno!!!
 
 
 
 
 
Outra banda que detonou muito neste palco foi o Lambrusco Kids, que mesmo eu sendo suspeito para falar, merece todos os créditos, por estar cada vez mais se firmando como uma das principais bandas de street rock do Brasil, ao lado de Deserdados, Flicts e Excluídos (se é que estas bandas me permitem classificá-las assim). O Lambrusco Kids detonou algumas músicas de seu repertório e que farão parte do primeiro CD que a banda começa a gravar dia 15 de dezembro (com 14 faixas). Além dessas, a banda também levou fez a galera viajar até os idos de 1977, tocando clássicos de bandas como Cock Sparrer, Sham 69, Buzzcocks, The Clash, Ramones e Toy Dolls. Foi mesmo um grande show!!!

Ainda rolou o show da legendária banda Restos de Nada, pioneira do punk rock no Brasil, que encerrou a noite de shows do primeiro dia de festival no Tendal da Lapa.


Já no domingo, segundo dia de festival, as destaques foram das bandas Cólera, Calibre 12, Agrotóxico, Ulster, Invasores de Cérebro e Sick Terror, que tocaram no "palco corredor da morte". Tivemos momentos de muita energia e atitude, principalmente embalados pelas palavras sempre conscientes e experientes de Ariel, vocal dos Invasores.
 
 
 
 
 
Mas neste dia o melhor ainda estava por vir e seria no "palco light", onde destaco os shows das bandas Lokaut, Senso Crítico e Flicts, essa última apresentando um street rock com muita personalidade e originalidade, no melhor estilo das bandas inglesas, só que cantando no melódico e agradável português, língua que devemos nos orgulhar!

Mas o "melhor" a que me refiro foi a performance dos paulistanos do Holly Tree, que dispensam apresentações e que sempre fazem shows históricos.
  Chamados de "playboys", "traidores" e "filhinhos de papai", por aquela mesma meia dúzia de "panques" que tentaram tumultuar o festival no sábado, agredindo o pessoal do Blind Pigs, os "meninos de ouro" do punk rock nacional provaram que estes adjetivos injustos a que foram submetidos não conseguiram ofuscar todo o brilhantismo e garra que eles sempre demonstram em seus shows. Para esta meia dúzia de desinformados e para cerca de 500 pessoas que se esbarravam na frente do palco, o Holly Tree tocou grandes clássicos do punk rock 77, com músicas das bandas Rezillos, 999, Adicts, Buzzcocks, Stiff Little Fingers, entre outros petardos.
 
 
 
 
Duvido que qualquer um destes ignorantes que tentaram agredir os caras da banda e tumultuar o show, não tenha ficado com a maior vontade de entrar no meio da galera e pogar até morrer! É isso, o Holly Tree provou que punk rock na maioria das vezes é muito mais que uma cara feia e atitudes agressivas, o punk rock pode ser simpático e gentil, como todo ser humano deve ser! Valeu George e Trees, vocês detonaram!

Fechando o último dia de festival, rolou no "palco corredor da morte" o show da também legendária banda Condutores de Cadáver, que matou saudades dos velhos de guerra!
 
 
 
 
 
O Portal do Rock gostaria de parabenizar toda a organização do festival e todas as bandas que detonaram, sem cachê, de forma espontânea e humilde, tocando até para aqueles que mesmo sem pagar um centavo para vê-los, muitas vezes tentaram tumultuar. Parabéns Pátria Armada ,Voz Ativa, Indigesto, FDS, Narcose, Fecaloma, Zumbis do Espaço, Food For Life, Blind Pigs, General Bacon, Kolapso 77, Stoosh, DZK, Atitude, Phobia, Lambrusco Kids, Deserdados, Underboys, Hino Mortal, Excluídos, Olho Seco, Condutores da Revolta, Grinders, 88 Não!, Colisão Social, Subexistência, Restos de Nada, Cólera, Mandrovás, Disritmia, Histeria Coletiva, RRRaict Tuff, Contraversão, Calibre 12, Lixo Suburbano, Ação Direta, Esgoto, Agrotóxico, Infect, Ulster, Cosmogonia, Armagedon, Lokaut, Invasores de Cérebros, Senso Crítico, Suco Gástrico, Ácratas, Sick Terror, Holly Tree, Excomungados, Flicts, Autogestão, Passeatas e Condutores de Cadáver.
 


Para pensar na cama...

Haverá um tempo em que a intolerância fará com que os seres humanos não consigam se olhar de frente, dizer um simples bom dia e jogar conversa fora. Se as pessoas que estão no chamado "movimento" não pararem para pensar e começar rápido uma reação contra essa intolerância e ignorância, os punks serão dignos de adjetivos até pouco tempo aplicados a roqueiros com bem menos cabelo, ou seja, sem cabelo algum na cabeça (se é que vocês me entendem). Respeito e companheirismo cabem em qualquer lugar. Já somos poucos e se não nos unirmos logo seremos nada! "If the kids are united they will never be divided!" Salve o punk rock!!!


Marcio Faveri
especial para o Portal do Rock

Arte
Paulo Vinicius

 
 
 
 
 

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