Sampoerna Australian Surf Music
07.02.2001 - Via Funchal - São Paulo - SP

Opa! Onde estou? Será que em São Paulo, a selva de pedra, capital do concreto e dos engravatados? Ou será que estou em alguma praia do Guarujá ou em Maresias? Ficou difícil responder a esta pergunta estando dentro do Via Funchal nesta noite recheada de loirinhas, moreninhas e outras "inhas", no que poderia ter sido a Convenção Nacional das Gostosas do Brasil. PQP! o país para ter mulher gostosa! Temos que organizar mais shows como estes onde o público feminino lota!
 
Teve também muitos "surfistas", calhordas, de pinico e aqueles realmente interados, da velha guarda (o que era minoria). Mas nada de surf music, pois este rótulo é coisa de crítico brasileiro que insiste em rotular tudo o que vê pela frente.
 
 
A surf music de verdade tem mais a ver com os Beach Boys e os Trashmen, bandas americanas que estouraram nas décadas de 50/60. As bandas que se apresentaram por aqui, representaram muito bem o rock and roll da Austrália, país que também produziu bandas como INXS, Midnight Oil, AC/DC, e Silverchair, pesos pesados do rock mundial.

A primeira banda da noite foi o Spy vs Spy, que se apresentou pela sétima vez no Brasil. A banda fez um rock bem australiano, com letras que falam de racismo e são fortemente politizadas.

A segunda banda da noite foi o The Chevelles, que surpreendeu pela qualidade do rock básico que fazem, ao bom estilo das bandas de indie rock britânicas, com muito rock and roll na veia. Eles são considerados uma lenda na história do Indie Pop mundial.

Sua música fala sobre carros e garotas, o que tem muito a ver com a essência da surf music. O som é carregado de muita guitarra e energia.

 
 
 
 
 
 
Em seguida, foi a vez da excêntrica banda Yothu Yiundi, formada por músicos aborígenes (nativos típicos da Austrália) e não aborígenes.


A apresentação da banda se parece muito com um ritual tribal, mas eles misturam elementos primitivos e instrumentos dos aborígenes, como o Bilma e Didgeridu, com o som eletrônico e dance music, produzindo um balanço difícil de resistir. Todo mundo caiu na dança ao som destes verdadeiros alienígenas.

Segundo consta, o nome Yothu Yindi significa "criança e mãe", um termo que se refere à conexão que as tribos do nordeste da Austrália têm entre elas. Suas danças imitam quase sempre os trejeitos de aves e outros animais selvagens.

 
 
 
 
 
 

Fechando a noite em grande estilo, foi a vez da banda Gang Gajang, cujo nome vem do som de uma guitarra sendo tocada (gajang), combinado com a palavra gang.

Quando a banda veio ao Brasil pela primeira vez em 1985, eles tocaram para um público de aproximadamente 30 mil pessoas, muito superior aos cerca de 3 mil fãs presentes no Via Funchal, o que não ofuscou a apresentação da banda, que esteve bem à vontade e detonou com seu som bem original, que é certeza de sucesso em todas as rádios rock do mundo.

 

Esta noite foi bem interessante para se conhecer o rock que vem da Austrália, país que fala inglês (língua oficial do rock). Mas serviu principalmente para concluirmos mais uma vez que o rock produzido por bandas brasileiras pode ser tão bom quanto ou até mesmo melhor, em termos de qualidade e criatividade, do que o rock feito por bandas como estas quatro australianas que se apresentaram por aqui.

Na verdade, o show mesmo ficou por parte da Convenção Nacional das Gostosas do Brasil!

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baladas@portaldorock.com.br

Marcio Faveri - da redação