Show - Bad Religion
Abertura: Inocentes
14/03/2001 - Credicard Hall - São Paulo - SP

 

A banda de punk rock Bad Religion esteve no Brasil pela quarta vez, trazendo na bagagem o repertório de uma banda com mais de 20 anos de carreira, sendo considerada hoje um clássico do punk rock mundial.

Para abrir a noite do show do Bad Religion em São Paulo, os promotores tiveram a excelente idéia de escolher a banda paulistana Inocentes, patrimônio do punk rock nacional e também com cerca de 20 anos de carreira.

 
 
 
 
 
Digo que a idéia foi excelente porque o show dos Inocentes é sempre repleto de muita energia e vibração positiva. Clemente (vocal/guitarra), Anselmo (baixo), Ronaldo (guitarra) e Nonô (bateria), conseguiram esquentar a molecada que estava ansiosa, enquanto não começava o show do Bad Religion.
Abrindo a seleção de porradas politizadas e conscientes, a banda foi logo tocando "Garoto do Subúrbio", música das antigas, da época que Clemente ainda tinha cabelo! Na seqüência, veio a música "Desequilíbrio", cover da banda Hino Mortal, pioneira do movimento punk paulista.  
 
 
 
Ainda no repertório da banda, grandes músicas como "Cala a Boca", "São Paulo" (cover da banda 365), "Verme" (cover dos Garotos Podres), além de outras músicas próprias da banda e covers. Eles tocaram também duas músicas dos Ramones, numa tentativa de atender aos apelos insistentes da galera, que gritava o tempo todo "hey, ho, let's go!". As músicas foram "Surfin' Bird" e "Blitzkrieg Bop".
 

A banda conseguiu levar muito bem os covers dos Ramones, principalmente no som e na levada punk rock, faltando apenas um pouco de conhecimento das letras. Mas até aí tudo bem, pois o que vale mesmo é a intenção. A galera se amarrou nestes covers. O show dos caras rolou sem nenhum problema ou interrupção, com muita gente "pogando" e agitando o tempo todo.

Eles fecharam o show com a música "Pânico em SP", que já virou clássico do rock nacional, só que com um detalhe: as pessoas insistem em cantar o reflão de formas diferentes como "Punk em SP", "Punk LSD" ou "Pânico LSD". Vai entender?!?

Parabéns Inocentes, vocês representaram muito bem o punk rock nacional nesta noite!

 
 
 
 
 

Bom, passado o furacão Inocentes, era a vez da banda de punk rock californiana, mais precisamente da cidade de Los Angeles, tomar conta do palco do Credicard Hall.

Mas antes de comentar o show desta grande banda, vale frisar que eles estiveram fazendo um chat (bate-papo) via internet, pela AOL Brasil, no dia 13 de março, véspera do show. Bem humorados e simpáticos, responderam várias perguntas de fãs de todo o Brasil e foram muito espontâneos também.

A banda, que consegue manter há 21 anos uma legião de fãs, que vai de pessoas que apenas curtem rock até punks mais radicais, é formada por Greg Graffin (vocal), Jay Bentley (baixo) Greg Hetson (guitarra), Brian Baker (guitarra) e Bobby Schayer (bateria).

Eles já haviam tocado em São Paulo em outras três ocasiões, mas este show foi algo inédito, pois a banda tem hoje milhares de fãs por todo o Brasil e eram a atração principal da noite, o que nem sempre rolou das outras vezes que tocaram por aqui.
 
 
 
 
 
 
Logo de cara, eles mandaram a última faixa do mais recente CD The New America, chamada "Don't sell me short". Com muita energia e muita garra no palco, o vocalista Greg Graffin cantava como se estivesse conversando com as pessoas, passando suas mensagens, buscando uma conscientização. Na seqüência, vieram a música "Recipe for Hate" e o grande sucesso da banda no momento, "New America", estourada em todas as paradas mundiais e hit do mais recente CD.
  Apesar desta música falar de uma utopia, que seria um novo Estados Unidos, quero aqui ressaltar um trecho desta música e fazer um comentário, pois acho que a utopia desta música serve para todo o planeta.
 
 
 
"We don't have to be afraid of re-invent. We have got to start to build, progress and implement. For when we take our fill, and never pay the price. We only build ourselves a fleeting, false paradise". (Não devemos ter medo de reinventar. Temos que começar a construir, progredir e implementar. Enquanto persistirmos no erro e não pagarmos o pato, estaremos construindo uma falsa e vaga ilusão de paraíso).
Estes ideais punks estão cada vez mais contemporâneos nesta nossa sociedade, onde os políticos brincam com vidas e negociam com a miséria e a fome. Por isso é fundamental que bandas como o Bad Religion, que tem um renome internacional e consegue passar sua mensagem para milhões de pessoas em todo o mundo, continuem batendo na tecla da CONSCIENTIZAÇÃO. Acho a atitude deles digna de uma grande banda de rock e merecedora de nossos aplausos.  
 
 
 
 
 
  Falando em conscientização, fiquei muito feliz ao ver que a molecada do Brasil não se liga apenas em pagode, axé ou nesta merda de "fanque" que assola o país atualmente. A média de faixa etária da galera que esteve no show do Bad Religion devia estar por volta dos 17 anos, o que foi uma grata surpresa para mim, que sempre tive receio de que a juventude pudesse se perder de vez no meio dos modismos musicais.

Mas nem tudo está perdido, pois ainda existem muitos jovens que sabem bem o que querem e possuem o senso crítico bem apurado. Pelas camisetas, pude ver que a galera curte Sex Pistols, Ramones, Green Day, Offspring, Dead Kennedys e outras bandas de rock, o que é um incentivo para continuarmos fazendo nosso trabalho em prol do rock and roll.
 
 
 
 

Voltando ao show, o Bad Religion ainda tocou músicas como "Stranger Than Fiction", "Atomic Garden", "Change of Ideas", "1000 Memories", o single "Fast Life", "Do What you Want", "Skyscraper", "No Control", entre outras, fechando o primeiro set com a clássica "American Jesus".

Quando eles voltaram para o bis e estavam tocando "Generator", os fãs foram mais espertos que a segurança e subiram ao palco, obrigando a banda a parar o show sem mesmo se despedir do público.

 
 
 
 
 
 
 
  Até os microfones da bateria foram roubados, como se fossem lembrancinhas da banda. O vocalista Greg Graffin comentou após o show que achou tudo normal para um show punk rock. Segundo ele "os brasileiros também têm direito de ficarem loucos de vez em quando".
 
 
 
 
 
Depois do tumulto e da invasão de palco, ficou inviável o retorno ao palco para o término do repertório original, previsto para contar ainda com mais duas músicas, "We're Only Gonna Die" e "21st Century Digital Boy ".

Muitas pessoas sairam chateadas e frustradas, não entendendo a atitude daqueles que subiram ao palco e interromperam o show antes do previsto.
 
 
 
 
 
 

Mas talvez haja uma explicação para o que ocorreu: o Bad Religion conseguiu passar sua mensagem de indignação e revolta contra tudo o que está errado, pois os fãs levaram estes ideais e mensagens ao pé da letra e fizeram o que acharam que deveriam ter feito. É isso ai galera, vocês fazem parte da história do rock and roll!!!

Marcio Faveri - da redação

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