Show
- Bad Religion
Abertura: Inocentes
14/03/2001 - Credicard Hall - São Paulo - SP
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| Digo
que a idéia foi excelente porque o show dos Inocentes é sempre repleto
de muita energia e vibração positiva. Clemente (vocal/guitarra),
Anselmo (baixo), Ronaldo (guitarra) e Nonô (bateria), conseguiram
esquentar a molecada que estava ansiosa, enquanto não começava o
show do Bad Religion. |
| Abrindo
a seleção de porradas politizadas e conscientes, a banda
foi logo tocando "Garoto do Subúrbio", música das antigas,
da época que Clemente ainda tinha cabelo! Na seqüência,
veio a música "Desequilíbrio", cover da banda Hino Mortal,
pioneira do movimento punk paulista. |
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| Ainda
no repertório da banda, grandes músicas como "Cala a Boca", "São
Paulo" (cover da banda 365), "Verme" (cover dos Garotos Podres),
além de outras músicas próprias da banda e covers. Eles tocaram
também duas músicas dos Ramones, numa tentativa de atender aos apelos
insistentes da galera, que gritava o tempo todo "hey, ho, let's
go!". As músicas foram "Surfin' Bird" e "Blitzkrieg Bop". |
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Bom,
passado o furacão Inocentes, era a vez da banda de punk rock californiana,
mais precisamente da cidade de Los Angeles, tomar conta do palco
do Credicard Hall.
Mas antes de comentar o show desta grande banda, vale frisar que
eles estiveram fazendo um chat (bate-papo) via internet, pela
AOL Brasil, no dia 13 de março, véspera do show. Bem humorados
e simpáticos, responderam várias perguntas de fãs de todo o Brasil
e foram muito espontâneos também.
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A
banda, que consegue manter há 21 anos uma legião de fãs, que
vai de pessoas que apenas curtem rock até punks mais radicais,
é formada por Greg Graffin (vocal), Jay Bentley (baixo) Greg
Hetson (guitarra), Brian Baker (guitarra) e Bobby Schayer
(bateria).
Eles já haviam tocado em São Paulo em outras três ocasiões,
mas este show foi algo inédito, pois a banda tem hoje milhares
de fãs por todo o Brasil e eram a atração principal da noite,
o que nem sempre rolou das outras vezes que tocaram por aqui. |
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| Logo
de cara, eles mandaram a última faixa do mais recente CD The New
America, chamada "Don't sell me short". Com muita energia e muita
garra no palco, o vocalista Greg Graffin cantava como se estivesse
conversando com as pessoas, passando suas mensagens, buscando uma
conscientização. Na seqüência, vieram a música "Recipe for Hate"
e o grande sucesso da banda no momento, "New America", estourada
em todas as paradas mundiais e hit do mais recente CD. |
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Apesar
desta música falar de uma utopia, que seria um novo Estados
Unidos, quero aqui ressaltar um trecho desta música e fazer
um comentário, pois acho que a utopia desta música serve para
todo o planeta. |
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| "We
don't have to be afraid of re-invent. We have got to start to build,
progress and implement. For when we take our fill, and never pay
the price. We only build ourselves a fleeting, false paradise".
(Não devemos ter medo de reinventar. Temos que começar a construir,
progredir e implementar. Enquanto persistirmos no erro e não pagarmos
o pato, estaremos construindo uma falsa e vaga ilusão de paraíso). |
| Estes
ideais punks estão cada vez mais contemporâneos nesta nossa
sociedade, onde os políticos brincam com vidas e negociam
com a miséria e a fome. Por isso é fundamental que bandas
como o Bad Religion, que tem um renome internacional e consegue
passar sua mensagem para milhões de pessoas em todo o mundo,
continuem batendo na tecla da CONSCIENTIZAÇÃO. Acho a atitude
deles digna de uma grande banda de rock e merecedora de nossos
aplausos. |
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Falando
em conscientização, fiquei muito feliz ao ver que a molecada
do Brasil não se liga apenas em pagode, axé ou nesta merda
de "fanque" que assola o país atualmente. A média de faixa
etária da galera que esteve no show do Bad Religion devia
estar por volta dos 17 anos, o que foi uma grata surpresa
para mim, que sempre tive receio de que a juventude pudesse
se perder de vez no meio dos modismos musicais.
Mas nem tudo está perdido, pois ainda existem muitos jovens
que sabem bem o que querem e possuem o senso crítico bem apurado.
Pelas camisetas, pude ver que a galera curte Sex Pistols,
Ramones, Green Day, Offspring, Dead Kennedys e outras bandas
de rock, o que é um incentivo para continuarmos fazendo nosso
trabalho em prol do rock and roll. |
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Voltando
ao show, o Bad Religion ainda tocou músicas como "Stranger
Than Fiction", "Atomic Garden", "Change of Ideas", "1000
Memories", o single "Fast Life", "Do What you Want", "Skyscraper",
"No Control", entre outras, fechando o primeiro set com
a clássica "American Jesus".
Quando
eles voltaram para o bis e estavam tocando "Generator",
os fãs foram mais espertos que a segurança e subiram ao
palco, obrigando a banda a parar o show sem mesmo se despedir
do público.
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Até
os microfones da bateria foram roubados, como se fossem
lembrancinhas da banda. O vocalista Greg Graffin comentou
após o show que achou tudo normal para um show punk rock.
Segundo ele "os brasileiros também têm direito de ficarem
loucos de vez em quando". |
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Depois
do tumulto e da invasão de palco, ficou inviável o retorno
ao palco para o término do repertório original, previsto
para contar ainda com mais duas músicas, "We're Only Gonna
Die" e "21st Century Digital Boy ".
Muitas pessoas sairam chateadas e frustradas, não entendendo
a atitude daqueles que subiram ao palco e interromperam
o show antes do previsto. |
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Mas talvez haja uma explicação para o que ocorreu: o Bad Religion
conseguiu passar sua mensagem de indignação e revolta contra
tudo o que está errado, pois os fãs levaram estes ideais e mensagens
ao pé da letra e fizeram o que acharam que deveriam ter feito.
É isso ai galera, vocês fazem parte da história do rock and
roll!!!
Marcio
Faveri - da redação
Se
você foi ao show e quer fazer uma resenha ou fazer um
comentário, mande um e-mail para
baladas@portaldorock.com.br
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