| Show
- Buzzcocks
01.07.2001 - Olympia - São Paulo - SP
Abertura: Holly Tree e CPM 22
A
banda inglesa Buzzcocks, pioneira no punk rock e responsável por
uma legião de bandas que hoje estão com seus sucessos nas paradas
mundiais, vide Blink-182, Offspring, Green Day, entre outras,
fez seu segundo show na cidade de São Paulo, desde de seu surgimento
em 1976, para uma platéia no mínimo estranha.
Estranha porque esteve dividida entre duas vertentes: a primeira
formada por aqueles que talvez não tenham a menor idéia do que
representa o Buzzcocks para o rock mundial e estava lá mais para
ver a banda de abertura CPM 22; e a segunda formada por pessoas
que não estavam lá para ver a banda de abertura CPM 22, mas sim
para curtir o bom e velho punk rock representado por Pete Shelley
(vocal/guitarra), Steve Diggle (vocal/guitarra), Tony Barber (baixo)
e Phil Barker (bateria), formação atual do Buzzcocks.
Portanto, duas platéias distintas e estranhas entre si.
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A primeira banda da noite foi a paulistana Holly Tree, que
com muita competência detonou o seu punk rock, também muito
parecido com o dos americanos do Green Day (como todos dizem),
mas deixando claro sua reverência ao punk rock clássico, não
só pelo seu som, mas principalmente por sua postura no palco
e pelos covers que tocaram. |
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| Dentre
as músicas do Holly Tree destaque para "Glad Boys", que inclusive
tem um videoclipe passando atualmente na MTV Brasil. A banda mandou
muito bem nos covers de "Viva La Revolution" da banda punk rock
The Adicts, em "I Remember You" dos Ramones (esta do álbum Leave
Home lançado em 1977), além de "I Don't Mind" do próprio Buzzcocks,
numa verdadeira homenagem, como eles próprios disseram, ao punk
rock e a uma das maiores bandas de todos os tempos. Foi sem dúvida
um show muito bom e um marco importante na carreira do Holly Tree,
que a cada show conquista mais e mais fãs. Parabéns galera! |
| Passado
este começo com muita energia e vibração, chegava a vez da
banda CPM 22 subir ao palco do Olympia para o delírio de centenas
de pessoas que estavam lá especialmente para vê-los. A banda
faz um som bem pop, a la Blink-182, melódico para não dizer
"meloso" ao extremo, mas com letras fáceis de memorizar, cantadas
em português (importante), fazendo a base do sucesso dessa
banda que logo logo deve estourar em todo Brasil. |
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| Talvez
não tenha sido apropriado escolher o CPM 22 para tocar ao lado de
uma banda como o Buzzcocks, haja vista a total falta de tradição
que o CPM 22 tem no punk rock nacional, que poderia ter sido muito
bem representado por bandas como Cólera, Inocentes, Plebe Rude e
até mesmo o excelente 365. Mas como o negócio é garantir o público,
a escolha pelo CPM 22 foi acertada, pois com certeza cerca de 30%
dos pagantes eram fãs da banda. |
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Por
volta das 10 horas da noite, começava o que podemos descrever
como clímax da música punk rock, em evidente mutação e transformação
para o que se convencionou chamar de "Indie Rock". Abrindo
com "I Don't Mind", o Buzzcocks começava sua apresentação
deixando claro que seria a grande atração da noite, para o
despeito dos teenagers fãs do CPM 22, que em sua maioria desconhecem
o som e a importância destes quatro rapazes de Manchester,
inclusive para a música que seus ídolos atuais fazem. |
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| Após
este início triunfante, foi a vez da primeira escorregada da banda
protagonizada pelo seu baixista Tony Barber, que vacilou na música
"Love You More". Quase ninguém percebeu, mas este deslize custou-lhe
um esporro de Pete Sheley. Na seqüência vieram as músicas: "Totaly
From The Heart", "You Know You Can't Help It" e a belíssima "Promisses".
Então, era chegada a vez de Steve Diggle assumir o vocal para cantar
a clássica "Autonomy", com uma guitarra bem pesada e com a frase
final da música alterada para "some reality", que é o nome do novo
CD solo de Steve. |
| Em
uma sucessão de clássicos do começo da carreira da banda,
eles emendaram "Get On Our Own" e "Breakdown", sendo que esta
foi a que mais me emocionou e me fez voltar ao passado, lembrando
daqueles tempos que a gente ficava deslumbrado ao ouvir aquelas
gravações em fita cassete, copiadas umas trezentas vezes.
Dentre elas uma fitinha do primeiro EP do Buzzcocks chamado
"Spiral Scratch", onde há uma versão de "Breakdown". Vieram
ainda: "Nothing Left", "Noise Annoys", "Fast Cars", "Look
At You", "Fiction Romance", "Time's Up" (uma das primeiras
músicas do Buzzcocks), fechando a primeira parte do show com
a apoteótica e existencialista "I Believe", que no Brasil
foi copiada e adaptada pela banda Camisa de Vênus, na música
"Eu Acredito". |
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| Era
hora de uma pausa para troca das camisetas suadas e para que os
fãs, que agitavam sem parar, pudessem recuperar o fôlego para a
parte mais aguardada do set list da banda. Voltando ao palco para
o bis, a primeira música foi "Harmony In My Head", composta exclusivamente
por Steve Digle (música e letra) e cantada por ele, é claro.
A essas alturas, ninguém mais segurava o entusiasmo da platéia,
que cantava em coro ao som de "Orgasm Addict" e praticamente colocava
o Olympia abaixo ao som de "What Do I Get". Foi o máximo! Animal
mesmo! |
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Bocas abertas e queixos caídos à parte, o Buzzcocks encerrou
sua apresentação em grande estilo, com as clássicas "Ever
Fallen In Love?" e "Boredom". Que pena, foram só 20 músicas
no total apresentado pela banda, que deixou o gostinho de
quero mais na boca de seus fãs e reavivou uma velha frase:
"Punk's Not Dead". |
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A banda fala pouco no palco e interage muito raramente com
seu público, em uma óbvia preocupação com a qualidade e com
a precisão de seu som. Não fosse pelo show à parte dado pelo
guitarrista Steve Diggle, que chutou sua guitarra e tocou-a
em forma de violino, com uso do pedestal de microfone, poderíamos
dizer que a banda é um tanto quanto apática no palco. Mas,
talvez seja essa a chave de seu sucesso e seu grande diferencial:
suas músicas fazem seu show, sem a necessidade de malabarismos,
caretas ou revoltas fabricadas. |
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Parabéns
Buzzcocks pelos 25 anos de carreira! Parabéns punk rock!
Marcio
Faveri - da redação |
| Se
você foi ao show e quer fazer uma resenha ou fazer um comentário,
mande um e-mail para
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