Baladas - Dezembro Negro

21-22/12/02 - Praia Grande - SP
A historiografia do rock não existiria sem um filme como "200 MOTELS", uma experiência consagrada de Frank Zappa ! Também The Cramps , começaram tocando em motéis grandes , todos com grandes pistas de dança, palcos razoáveis e ótimos bares com bebidas de 1.a linha para manter o tônus e a performance naturais aos músicos de rock. É o rock à beira da estrada!  
Aproximemos agora essa cena de S.P., mais justamente na baixada Santista e descobriremos um local como esses aqui na Praia Grande e, foi onde aconteceu esse DEZEMBRO NEGRO 2002; antigo grill foi transformado em casa de shows e abrigou performance de 11 bandas durante a noite de 21 de Dezembro até a manhã do dia 22.
  Com iluminação e som bem razoáveis , boa engenharia acústica, operadores de áudio e vídeo bastante conscientes, energia, chope e adrenalina, a noitada começou às 21 horas em ponto, com o hardcore rápido e nervoso da banda estreante, nativa da própria Praia Grande, OVERBOARD, que deixou boa impressão pelo menos com a faixa de despedida "União", que lembrou o clássico "Kuolema", da finlandesa MASSACRE, ideal para deixar o palco e agradecer introduzindo a banda oi de Curitiba, Paraná, estreante em S. P.
RUEIROS, lançando seu cd "Espírito 69", desejando a todos um movimento forte e de valor para apagar as impressões desagradáveis que a imprensa tem transferido para a imagem dos skinheads, foi assim que assistimos apresentação de "Cabeça Oca", desejando o fim dos white power , e seguindo-se numa declaração de amor às "Minas Carecas", faixa título e homenagem à HISTERIA OI, banda antiga de S.P. que os influenciou no começo e foi "Não Me Prenda", alem de um medley de oi britânico de primeira linha.  
  Logo , depois , subia ao palco a 3.a banda da noite, a VIRUS 27, marcante fez presença do seu primeiro cd "Parasitas Obrigatórios", e Longa Vida Oi, foi um retorno às raízes desse oi nacional.
O público agitou muito, pogo e mosh à vontade , e aí então entrou em cena "PATRIA ARMADA", que introduziu um hardcore clássico com muita influência de GAROTOS PODRES e já se soltou, mostrando personalidade e um estilo próprio, pesado e consistente, de conteúdo social e massivo. Estávamos por volta da meia-noite e o público sentia bem.  
  Seguiu-se o hardcore do SOCIEDADE ARMADA, que está lançando seu primeiro cd. É uma banda de Santos e o repertório ainda é pouco conhecido, mas, mesmo assim conseguiu uma boa resposta do publico.
A sexta banda da noite foi GRINDERS, o skate punk fundamental, com Pobreza, mostrando o skate punk nas veias, Homem Aranha, e Dynamite ou Die, isto é Skate Punk que está no sangue, conferindo com o visual, muita adrenalina como sempre, "Skate Gralha" e "Minha Vida" do "Vivos".  
 
Em seguida tivemos o hardcore do ABC, AÇÃO DIRETA, que entrou com o seu Hit "Fábrica de Ilusões", e algo mais como "Pesadelo".
Aí subiu ao palco INOCENTES, com "Garotos do Subúrbio", saudando a massa e "Desequilíbrio", com resultado bem conhecido faixas rápidas e fáceis já aprendidas e na balada "Sou de S.Paulo", alem de "Não enche o Saco" e o clássico "Miséria e Fome", finalizando com "Pânico em SP".  
  Foi a vez dos KRAPPULAS, do Paraná se introduzirem também lançando trabalho recente "Escape from Hell", eram 4 horas, depois de um breve solo do baixo Caveira do Manolo, a faixa título e esses breves momentos registrados para a posteridade foram um verdadeiro "Aloha from Hell", de suas majestades satânicas, metendo a bengala no microfone. Aloha e So Long Mike!!
Aí veio o NO MILK TODAY, também paranaense com seu punk rock and roll, já tradicional, lançaram o trabalho de estréia "Devolvam o meu Vinil", e no horário já avançado, rechearam os ouvidos de todos no seu tom sempre entre o irônico e o trágico, citando em despedida a última "Acabou"; agradecendo a TROPA SUICIDA, pelo convite e o particular "Apocalipse", foi pura emoção!  
  TROPA SUICIDA subiu ao palco às 5:10 e às 5:20 começou a tocar o "Apocalipse", sempre ultra pesada e a pedidos fez duas vezes "As Cores do meu Time", com "Rockaway Beach" na seqüência e finalizou com "União e Força".
A aurora vermelha já nos envolvia a todos como uma bandeira que seguia à nossa frente mesmo sendo levada pelas mais belas mulheres, que voltavam para casa com a satisfação advinda desse solstício de verão, consagrado no DEZEMBRO NEGRO, a antiga gig , transformada em festival, pelo trabalho bem profissional de um músico da antiga, que não aceitou nunca nenhuma pecha ou rótulo, punk, ou skin, careca, nueva hola, Wagueta Ferrari, fez uma reformulação perfeita no DEZEMBRO NEGRO, sem perder nenhuma das características originais, assimilando e repercutindo num alinhamento bem equalizado e racional. Respeito do Movimento será sempre a resposta para todos que fazem um trabalho bem feito e profissional. Continuando assim como nosso perfeito front line man, um sempre do lado certo!

E o melhor de tudo, agora: o trabalho será lançado em CD e Video DVD, para aqueles que não puderam estar lá, poderem também conhecer e desfrutar desse já devidamente consagrado festival.

Dru Macchione - especial para o Portal do Rock