Baladas
Show - Dead Kennedys
Abertura: Grinders - Gritando HC
06/12/2001 - Broadway - São Paulo - SP

Fomos conferir o segundo show da banda americana Dead Kennedys em São Paulo, que esteve pela primeira vez tocando em terras brasileiras, com shows também nas cidades de Curitiba, Santos, Rio de Janeiro e Porto Alegre, além de duas noites em Sampa.

Ainda não foi dessa vez que os fãs brasileiros do DK puderam ver a banda na sua plenitude, com seu vocalista, alma e líder absoluto Jello Biafra, que está "de mal" com os demais integrantes da banda, pelo visto por causa do maldito dinheiro!

Então, para tentar substituir Biafra, a banda recrutou Brandon Cruz, que é vocalista da banda de hardcore Dr. Know, que faz bastante sucesso em uma cidadezinha chamada Oxnard, que fica próxima de Los Angeles, na Califórnia americana. Pelo menos nesta apresentação de SP, Brandon segurou bem a responsabilidade de corresponder a toda a expectativa de uma platéia que talvez possa ser considerada a mais exigente do mundo em termos de punk rock, ou seja, a platéia de São Paulo.

Abrindo a noite sonora, tivemos os veteranos da banda Grinders, com seu skate-punk visceral e raiz, bastante pesado e redondo. A banda está com seu novo CD gravado e pronto para ser lançado, provavelmente no começo de 2002. Além das músicas novas que tocaram neste show, os caras mandaram também clássicos que consagraram a banda como "Ande de Skate ou Morra!", "Puta Vomitada", "Skate Gralha", "Como é que Pode?" e "Ser ou não Ser".  
 
 
Acredito que para o Grinders deve ter sito uma honra abrir o show para uma banda que pelo visto teve bastante influencia sobre eles. Se eu pudesse dar um conselho para o Grinders, na boa mesmo, diria para eles se preocuparam um pouco mais com a performance no palco e com o contato e comunicação com o público durante o show. A banda está em ótima fase agora, mas está faltando aquele toque de empatia com o público, para que ele pegue fogo ao som da banda. Fora isso, parabéns pelo show!
 

Passada a abertura avassaladora do Grinders, era chegada a vez do público de SP matar a saudade da banda Gritando HC, verdadeira febre entre os amantes do hardcore de S. Paulo. Existe uma química talvez no nome ou no logo da banda, na atitude ou mesmo nas músicas, que por incrível que pareça faz com que toda a molecada que vai aos shows dos caras, saia comentando a mesma coisa: "Gritando é dez!".

Particularmente gosto muito da vocalista Lê, que recentemente sofreu muito com a perda de seu companheiro e vocalista do Gritando HC, Donald, que faleceu depois de alguns dias em coma. Não pela forma como canta ou pelo talento que tem no palco, mas pela sua postura e pela sua forma humana e gentil de tratar as pessoas.

 
 
 
 
 
Devo dizer que o som da banda deixa a desejar, não apresenta criatividade e inovação alguma, comparando-se com as centenas de outras bandas de hardcore que existem no Brasil. Mas eles têm o que muito poucos têm: empatia e vontade de vencer. Isso faz a diferença sim e faz com que tudo o que é negativo no som da banda seja minimizado pela performance no palco. Ninguém gosta de ver um show de uma banda que não fala com a platéia, que não protesta, que não grita, que não agita e que não ERRA! Enfim, quem gosta de banda técnica que vá freqüentar rave, onde quem comanda são as pick-ups e os DJs. Nosso apoio e aplausos para a energia do Gritando HC!

Dead Kennedys

Tudo pronto para a entrada do DK no palco da Broadway. Bom, quase tudo, pois logo no começo da primeira música, falhas no sistema de cabeamento do som, fizeram com que o show fosse interrompido por cerca de 10 minutos, esfriando um pouco os ânimos da galera.
 
 
 
 
 
Agora sim, tudo em cima, começa o show do DK. Enquanto que na platéia as pessoas se batiam e se acotovelavam para ver quem agitava mais ao som dos caras, mesmo com todo o calor de mais de 40 graus dentro da Broadway, no piso superior da casa, no famoso "camarote vip", com ar-condicionado e tudo, estrelas do rock nacional, como Digão e Fred dos Raimundos, João Gordo do RDP e da MTV, a galera toda do CPM 22 e mais uma dezena de repórteres e fotógrafos, também disputavam, de forma mais "light", um espaço que propiciasse uma melhor visão do show do DK.
  Abrindo o set, o DK mandou logo a clássica "Forward to Death", que é a segunda faixa do primeiro disco da banda Fresh Fruit For Rotting Vegetables (1980).

Ainda deste clássico e essencial disco para os amantes do punk rock, a banda tocou as faixas "Kill The Poor", "Let's Lynch The Landlord", "Chemical Warfare", "Viva Las Vegas", entre outras.
 
 
 
 

Este show do DK foi realmente um dos momentos mais marcantes para mim, dentre tantos que já vivi em shows de outras dezenas de bandas do estilo. Praticamente cresci e formei minha preferência musical ouvindo Dead Kennedys, banda que sempre me chamou muito a atenção por sua originalidade e atitude.

E este show não foi diferente, os caras são mesmo tudo aquilo que sempre pensei. Mesmo Brandon Cruz, o vocalista que substituiu Biafra, demonstrou ter absorvido toda a garra e energia da banda e do próprio Biafra. Brandon se relacionou muito bem com o público, foi receptivo e foi bem recebido.

Elogiou São Paulo e foi muito ovacionado. Ele soube cativar a galera e tornou-se o centro das atenções durante todo o show. Os veteranos East Bay Ray e Klaus Floride pareciam brincar com seus instrumentos, enquanto o batera DH Peligro se concentrava nas batidas fortes que marcam o compasso da banda. Se Biafra pretende um dia voltar a ser o vocalista do Dead Kennedys, é melhor ele se apressar antes que perca a vaga, pois Brandon está detonando no comando dos vocais!  
 
 
 
 
Ainda tocaram outros clássicos como "Nazi Punks Fuck Off", protesto contra os punks nazistas e fascistas, que está no disco da banda chamado In God We Trust (1981). Ponto alto do show, pelo menos para mim, foi quando tocaram a bela balada punk rock "Moon Over Marin", última faixa do disco Plastic Surgery Disasters (1982). Essa música é excelente e brilhante. Sempre sonhei um dia ouvir esta música ao vivo. A letra diz mais ou menos assim: "the crowded future stings my eyes, I still find time to exercise, in uniform with two white stripes…on my beach at night, bathe in my moonlight…". Ela faz uma crítica ao serviço militar, relatando a vida e a rotina de um marinheiro.
  Tocaram também o grande sucesso "Califórnia Übber Alles", que é sem dúvida o hino de todas a bandas californianas. O Dead Kennedys é uma banda como poucas, pois dentre suas músicas, são poucas aquelas que a platéia não canta junto.
 
 
 
 
Depois de uma pausa, eles voltaram para o bis, tocando uma música bem brasileira, por incrível que pareça tocaram "Aquarela do Brasil", num tom de homenagem e reconhecimento à maneira com que o público brasileiro recebeu a banda.
Fechando a noite, para o delírio de todos, mandaram "Holliday in Cambodia", maior sucesso de todos os tempos na carreira da banda e principal motivo do rompimento da banda com Biafra. Sim, pois depois que Biafra recusou ceder a música para um comercial do jeans Levi´s, os demais integrantes da banda se rebelaram e começaram a se desentender pra valer!  
 
 
 
 
Essa música arrepiou com certeza os pelos de muita gente e todos cantavam em coro com a banda, principalmente a parte onde chamam pelo nome do ditador cambodiano: "Pol Pot, Pol Pot, Pol Pot, Pol Pot!!!"

Puta show! Valeu mesmo e esperamos que mais shows como este possam rolar em 2002.
Estamos precisando!!!

Marcio Faveri - da redação

Fotos e Arte - Paulo Vinicius

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