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13/03/04
- Swift - São José do Rio Preto - SP
Bandas: Garotos Podres - Blind Pigs - Inocentes - Ratos de Porão
Abertura: Atestado de Óbito - No Trust - Mansão
dos Mortos - Pão com Cebola
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Quando
eu poderia imaginar ver Garotos Podres, Inocentes e Ratos de Porão
tocando no mesmo palco e no mesmo dia??? É meus amigos,
essa foi a primeira vez na história dessas três lendárias
bandas do punk rock nacional que isso aconteceu. E olha que eles
estão na estrada há bem mais que 20 anos!!!

Só mesmo uma cidade do interior de São Paulo, onde
o couro come forte quando o assunto é punk rock, pra armar
uma tríplice aliança dessas. São José
do Rio Preto fica há umas 5 horas de São Paulo e
foi o palco de um dos melhores e mais bem organizados festivais
de rock que eu já vi neste Brasil. Falo do Estou Rock,
que em sua segunda edição, contou com as três
lendas aqui citadas, juntamente com Blind Pigs e as bandas locais
Atestado de Óbito, No Trust, Mansão dos Mortos e
Pão Com Cebola. O objetivo principal deste festival era
angariar fundos para o asilo da cidade, lar dos velhinhos, que
neste país são os mais injustiçados e deixados
de lado. Ótima iniciativa da galera de SJ do Rio Preto!!!
Numa tarde de muito sol e clima agradável, as bandas locais
fizeram a abertura do festival, detonando e agarrando a oportunidade
de tocar ao lado de seus "ídolos", num palco
super bem montado e com um som animal! Cada uma dessas bandas
teve cerca de 15 minutos para apresentar seu trabalho fazer parte
da história.
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Passada
essa fase de abertura, era chegada a vez dos famigerados
Garotos Podres subirem ao palco do festival, para o delírio
da galera e para o meu próprio delírio, tocando
o que é sem dúvida nenhuma o melhor street
punk da América Latina! Estes caras sabem mesmo como
levar um som, puta que o pariu! Começaram o set com
"Garoto Podre", música que retrata um pouco
o perfil da banda.
Na seqüência detonaram músicas do seu
mais recente disco, Garotozil de Podrezepam, como "Vomitaram
No Trem", "Agente Secreto", "Ditador"
e "Alistamento Militar".
A galera de Rio Preto ainda não está ligada
nessas novas porradas da banda, mas mesmo assim pulavam
o tempo todo e o pogo foi geral! E foi só começar
os primeiros acordes de guitarra de "Johnny" pro
bicho pegar de vez. Tocaram ainda "Aos Fuzilados da
CSN", outras novas como "A Internacional"
(essa que é uma versão do clássico
hino vermelho), "Ainda Vamos Tocar Bossa Nova",
"O Ocidente é Um Acidente", "O Adventista"
(versão do clássico do Camisa de Vênus)
e "Nasci Para Ser Selvagem", essa uma versão
hilária de "Born to Be Wild", de Steppenwolf.
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Mas
foram realmente as clássicas que levantaram e agitaram
mais a galera. Músicas como "Papai Noel Velho Batuta",
a belíssima "Rock de Subúrbio", o hino
"Subúrbio Operário" e a matadora "Anarkia
Oi!".
Fechando o set tocaram ainda "Escolas" (uma das letras
mais legais da banda), "Verme" e "Vou Fazer Coco"
- sátira em forma de punk rock que fez a galera cantar
junto em coro. E assim terminou o show destes quatro sobreviventes
do front, Mauro (guitarra), Mau (vocal, gaita e pança),
Caverna (bateria) e Sucata (baixo). Foda! Anarkia Oi! Oi!
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Com
o clima quente e a galera fervendo, era chegada a vez da
galera do Bling Pigs tomar de assalto o palco, agora para
o deleite das fãs, carinhosamente por mim apelidadas
de "piguetes", que não paravam de gritar
e uivar a cada passo dado, principalmente por Henrike (vocal)
e Mauro (baixo). Claro que sobrou uns gritos também
pro Gordo (guitarra) Kleber (bateria) e pro novo guitarrista,
mas em bem menor escala (hahahaha!)
O show da banda foi como todos os outros shows do Blind
Pigs, cheios de energia e muita adrenalina, porém
neste tinha um diferencial, como bem observado pelo vocalista
Henrike: a distância entre o palco e a galera era
muito grande, o que impossibilitou a interação
da banda com seu público, tão comum nos shows
dos caras.
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O
set dos Pigs foi baseado no mais recente CD, Blind Pigs, lançado
em 2002. Deste disco tocaram músicas como "Amanhã
Não Vai Mudar", "O Idiota", "Homem
Sem Pátria", "Av. São João",
aqui com Henrike dando uma aula pra galera do interior a respeito
dos "pontos de diversão" da capital paulista.
Tocaram
também músicas dos outros discos, o que foi
igualmente bem apreciado pela galera presente, principalmente
pelos adolescentes, o que prova que a banda está
bem sedimentada neste público.
Passada
a histeria do show dos Pigs, era então a vez da banda
Inocentes entrar no palco. Sou suspeito para falar dessa
banda, pois sou fã de carteirinha deles não
é de hoje. Vocês conhecem certamente aquela
velha e batida frase que diz: assim como vinho, quanto mais
velho melhor. Pois é, no caso do punk rock nacional
essa frase foi feita para os Inocentes! Clemente (vocal/guitarra),
Anselmo "Sham 69" (baixo), Ronaldo (de volta na
guitarra) e o novo baterista Fred, deixaram todos de boca
aberta com o peso e com o conteúdo de seu som. Punk
rock de primeiríssima qualidade, tocado com garra,
energia e muito talento. Não canso e nunca cansarei
de elogiar o show destes caras!
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Eles
abriram o set com "Eu Tenho Medo", música inédita
e que fará parte do novo disco Labirinto, que será
lançado em breve pelo selo Ataque Frontal. Depois da novidade
foi a vez da velharia, "Medo de Morrer", dos velhos
tempos da banda. O show segue vibrante e non-stop, com petardos
como "4 Segundos", "Miséria e Fome",
"Garotos do Subúrbio", "Desequilíbrio"
(essa da banda Hino Mortal), "Rotina" e "A Cidade
Não Para".
O tempo passa, o tempo voa e a galera do punk rock canta junto
numa boa! Mais novidade em "Amanha Será Tarde Demais",
outra que sai no disco novo. Momento de nostalgia e saudosismo
com "São Paulo", cover da banda 365. Em show
do Inocentes claro que não poderia faltar "Expresso
Oriente", "Pátria Armada" e "Pânico
em SP", para perpetuar de vez a marca registrada do melhor
punk rock nacional! Fodasso!
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Já
passava da meia noite e a galera toda gritava e não
arredava o pé. Eis que adentram ao palco João
Francisco, Maurício Alves, João Carlos e Paulo
Sergio Jr. Não meus amigos, não era o Dominó
ou muito menos o Broz! Estou falando de João Gordo,
Boka, Jão e Juninho, respectivamente vocal, bateria,
guitarra e baixo, do Ratos de Porão - a mais foda
banda de hardcore do planeta! Falo isso sem medo de me enganar
e com propriedade. Já me cansei de comparar o RDP
com dezenas de bandas de HC gringas que já vi aqui
e lá fora, mas não adianta: eles são
imbatíveis nos quesitos caos e destruição
sonora. O
set começa forte, com "Terror Declarado"
e "Engrenagem", as duas primeiras faixas do mais
recente álbum da banda, o Onisciente Coletivo (2003),
seguidas de "Toma Trouxa" e "Necrochorume",
essa também do novo play.
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Depois
veio "Agressão Repressão", clássica
do disco Crucificados pelo Sistema, discoteca básica do
punk rock brasileiro. Quem tem este disco sabe do que estou falando
e sabe mais ainda quem tem essa música ao vivo no LP verde,
aquele famoso split com o Cólera! Fodasso!!!
O RDP fez um set com mais de 25 músicas, o que deu cerca
de uma hora de show, com uma porrada atrás da outra, cobrindo
todas as fases da carreira da banda. Outros destaques ficaram
para musicas como "Pobreza", "FMI", as maravilhosas
"Beber Até Morrer", "Aids, Pop, Repressão"
e "Crise Geral". Gostei muito da levada ao vivo de "Velhus
Decreptus", do disco Descanse em Paz. Quem tem este LP vai
poder reparar no visual dos caras no encarte do disco. Já
naquele ano (1986) eles eram os visionários e pioneiros
do hardcore mundial, misturando elementos de thrash metal e porque
não dos headbangers. Lembro bem que naquela época
eles eram bastante criticados pelos "panques", que insistiam
em afirmar que eles estavam "virando casaca" e se convertendo
ao metal. Depois então, quando veio o disco Cada Dia Mais
Sujo e Agressivo (1987), foi que a implicância da galera
do punk com a banda pegou de vez. Acho que o RDP era ultra avançado
demais para algumas cabeças. Mas hoje todo mundo tem mesmo
é que abaixar a cabecinha e respeitar os caras, porque
eles conquistaram o espaço deles na cena mundial, com trampo
e dignidade, não se deixando abater por pensamentos menores.
Daquela fase de 86 pra cá, 18 anos se passaram e muita
coisa mudou. O RDP também mudou, mas mesmo assim eles continuam
cada vez mais sujos e agressivos!
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Bom,
voltando ao show, eles tocariam ainda uma música comédia
chamada "Fuma Bebe", cantada pela banda em ritmo
de baladinha popular, com a participação do
velho Clemente no vocal com João Gordo. Muito legal
essa música, que conseguiu fazer com que os ânimos
da galera fossem jogados lá pra cima! Em termos gerais
foi isso que rolou nesse grande festival realizado em SJ do
Rio Preto.
Estar junto nessa balada com Garotos Podres, Inocentes e Ratos
de Porão foi uma experiência única e inesquecível
pra mim. Presenciar as três bandas que mais admiro e
curto deste país, tocando juntas no mesmo palco foi
realmente foda! |
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Quando
eu poderia imaginar que aos meus 32 anos de idade, vindo de uma
minúscula cidade de onde vim, pudesse estar ao lado dos
meus ídolos (desde os meus 14 anos), participando desta
super balada?
Já cobri vários festivais, inclusive internacionais,
como o Holidays in The Sun na Inglaterra. Mas nada se comparou
à emoção que tive neste festival, porque
pra mim estes caras são a REALIDADE! Valeu mesmo e obrigado
por continuarem firmes, levando a bandeira do punk rock adiante!!!

Fotos e Texto
Marcio Faveri - da redação
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