Baladas - Grave Digger

04/10/03 - Directv Hall - São Paulo - SP
Abertura: Harpia - Dragonheart - Avalanch

A noite começou zoada para a imprensa no DirecTV Music Hall no sábado 4 de Outubro. Avisaram por e-mail que o credenciamento seria a partir das 21hrs, mas começou as 21h15min. Quando conseguimos entrar (eu pelo menos) o Harpia estava nos acordes da penúltima música. Lamentável. Logo o bom e velho Harpia, repaginado mas mantendo a lenda do metal nacional Jack Santiago nos vocais e Ricardo Ravache no baixo, da velha formação de 85 (que ainda trazia Hélcio Aguirra e Marcos Patriota nas guitarras, mais Tibério Correia na bateria).

 

Um dos primeiros grupos do metal brasileiro lançou em 85 um disco clássico, que eu não posso ouvir mais porque é 45 RPM e a minha "vitrola" não tem essa opção (mas saiu em CD e espero comprar em breve!). Ouvi o finzinho da faixa "Vampiros", que eu não conhecia e o hit "Salém: (A Cidade das Bruxas)", do "A ferro e Fogo" (bolachão citado ainda agora), com um gigantesco coral formado por bangers das antigas e a molecada mais nova, sintonizada com o que é bom! Os cabelos já meio embranquecidos de Jack não atrapalharam a sua performance e ele dominou literalmente o palco, além do line-up novo ser também muito foda! Valeu e muito, vida longa ao Harpia! Quem sabe, da próxima vez, eu consiga ver o show inteiro.

Predominavam camisetas de bandas seminais do metal mundial - SAXON, VENON, MANOWAR, etc. e, claro, da banda mais esperada da noite, a alemã GRAVE DIGGER! Mas antes, mais duas bandas subiriam ao palco: a curitibana Dragonheart, com o seu metal épico e com um público que surpreendeu e a espanhola (?) AVALANCH, o maior engano da noite e eu explico já o porque. Do Dragonheart, a primeira coisa que mereceu atenção foi o belíssimo banner pendurado, como é de praxe, atrás do baterista. Depois, a música, off course! Com um set bem curto (seis músicas, igual ao Harpia), "Underdark" e "Blacksmith" levantou a galera, que cantou junto. Finalizaram com "Into the Storm", do BLIND GUARDIAN. Um senão para o guitarrista/vocalista, que deu umas enroscadas feias no seu instrumento. Banda de presente e de futuro, saiba mais no site www.dragonheart.com.br.

Bem, o engano da noite e o porque. Corro o risco de falar merda, mas rock em língua espanhola (uma pena), não agrada os brasileiros apreciadores do gênero. Algumas bandas nessa língua têm um certo público no Brasil, bandas como BRUJERIA, RATA BLANCA, ATTAQUE 77, mesmo assim, um tanto restrito. Na década de 80 tinha um grupo espanhol bem fudido chamado BARON ROJO (ainda em atividade!), mas nem sei se alguém ainda se lembra dos caras. A banda AVALANCH que subiu antes do GD é formada por ótimos músicos e faz um, digamos, metal romântico, uma espécie de Julio Iglesias turbinado. Não, eu não estou sendo irônico e eles são bons mesmo, mas não para tocar antes, depois, no meio, sei lá, do GRAVE DIGGER!! E eles foram xingados, insultados, levaram copos de papelão na cabeça, mas seguraram a onda e tocaram o set de 11 músicas gigantescas e infindáveis!!

 
  Dei um rolê no meio da galera e fiquei sabendo que eles são empresariados por Chris Boltendahl, que vem a ser o vocalista do GRAVE DIGGER, que teria feito uma única exigência para se apresentar no Brasil: que os seus protegidos também tocassem. Tiro no pé com certeza. Fazer o que!?

Os pobres fãs suavam espremidos na grade próxima ao palco. É aquela velha história de todo show: se sair perde o lugar e teve quem ficou cinco horas grudado naquela cerca maldita! Fui ao show com o Tito, que é meu camarada e toca na minha banda (Pátria Armada). Estou citando isto (ele foi me ajudar com as fotos e ficamos na frente do palco depois da barreira de contenção) só pra dizer que, atendendo desesperados pedidos, nós fizemos várias correrias para comprar água para quem se esfolava na frente, a ponto de passar mal. Ai entra outra sacanagem: um copo d'água (400 mls) custava vergonhosos R$ 2,50 no DirecTV! Não tem um bebedouro pra quem já morreu com R$ 45,00 pra ficar na pista. Um copo de cerveja (equivalente a uma long neck) R$ 4,00! Fala a verdade, roubo, falta de respeito, sacanagem no sentido pleno da palavra!!! Código do consumidor no Brasil é código para otários.

Apagam-se as luzes, hora de GRAVE DIGGER! Não sei se é a mascote da banda, mas é a capa do "Knights Of The Cross", disco de 1998, uma caveira (ou seria a morte?), quem entra antes da banda. No fundo do palco, um banner gigante retratando o mesmo. Entra a banda. De um set list de quase 20 músicas e quase duas horas de show, a primeira da noite é "Rheingold", do último CD que leva o mesmo nome. Antes de qualquer coisa, da formação do primeiro disco, "Heavy Metal Breakdown" de 1984, só sobrou o vocalista, já citado, Chris Bolthendhal. Fecham o line-up atual - Manni Schimdt na guitarra, Jans Becker no baixo, Stefan Arnold na bateria e H.P. em eventuais teclados. Chris se veste como os bangers oitentistas - jeans, couro e metal! Com certeza ela já passou do 40, mas mantém a agilidade e o fôlego de quem gosta do que faz e não tem idade!

 
  Duas músicas é tudo que o batalhão de fotógrafos, jornalistas, no qual eu me incluo, têm para fotografar os caras, e eu faço o que eu posso. "The Dark of the Sun", segunda música da noite é minha last chance de clicar alguma coisa de qualidade. Em seguida, somos gentilmente espantados pelos seguranças da frente do palco, para que outro batalhão entre (fomos divididos em dois grupos). E as músicas continuam - "Son of Evil", "Lion Heart", "Circle of Witches", "The Reaper", "Walhalla" (que também é do disco novo), a bela "Ballad of Mary", o tipo da balada muito fudida que só banda de metal (das antigas) sabe fazer. Chega uma hora em que a boca não sente mais gosto de nada, as costas doem, o volume detona as suas orelhas, mas ninguém demonstra cansaço ou vontade de ir embora. A décima musica da noite é "Scotland United", numa levada que foge um pouco do que a banda faz e lembra um pouco SAXON.

Confesso que fiquei um tanto quanto desligado do que o GRAVE DIGGER andou fazendo ultimamente. Tenho os dois primeiros vinis da banda, o "Heavy" citado de 84, vinil pirataço feito por uma lendária e pioneira loja especializada em metal de São Paulo, numa época que conseguir uma fitinha K7 era uma vitória. "Witch Hunter" de 85, é o segundo disco da banda e completa a minha "coleção", dessa vez, vinil legalizado! Andei ouvindo algumas coisas mas não tudo. Mas la estava eu. E a décima primeira música é justamente "Witch Hunter", seguida de "Morgane Le Fay", a bela "Excalibur". Inútil dizer que a audiência cantou quase tudo com os caras. Chris diz em um determinado momento (super simpático, sem nada daqueles pau no cu que não se dirige à platéia) que havia tocado em um festival na Alemanha em um determinado ano para 30 mil pessoas, mas que o publico presente no Directv conseguia fazer mais barulho do que os 30 mil citados. Não sei se todos entenderam, mas realmente, fizeram mais barulho ainda!

 
"Knight of the Cross", outra do disco novo, é recebida com euforia não esperada de quem já estava de pé por mais de quatro horas (passa e muito da uma da madrugada e quem tinha que catar buzão, já era!). Não menos apoteótica é a recepção da fudida "Rebellion", com um gigantesco coral que canta o refrão a todo pulmão!!

Maravilhoso! A banda sai, claro, vai rolar o bis, na verdade, dois. Demorou, mas alguém da banda aparece com uma camisa da seleção brasileira de futebol. Nóis é besta e gosta dessas gentilezas! Eu dei uma viajada e perdi a seqüência, mas as duas últimas (tocaram mais umas quatro) foram "Grave Digger" e, claro - disse Chris, "essa música fala sobre heavy metal - "Heavy Metal Breakdowm", a quinta faixa do lado um do vinil de 84. Duas e quinze da madrugada, eu e o Tito estamos estrategicamente próximos da saída, cansados, contentes, com a língua formigando de vontade de tomar uma breja. Até a próxima!



DISCOGRAFIA
1984 - Heavy Metal Breakdown
1985 - Witchhunter
1986 - Wargames
1993 -The Reaper
1994 - Symphony Of Death
1995 - Heart Of darkness
1996 -Tunes Of war
1996 - Dark Of The Sun
1998 - Knights Of The Cross
1999 - Excalibur
2001- The Grave Digger

2003 - Rheingold

Fotos e Texto: Niva dos Santos
especial para o Portal do Rock