Show - Hammerfall
22.03.2001 - DirecTV Music Hall - São Paulo - SP

METAL, O QUÊ?- Dizem que os Alemães inventaram o "Metal Melódico". Para ser mais preciso, dizem que ele foi inventado pelo HALLOWEEN, banda daquele que os fãs já transformaram em mito, o guitarrista e vocalista KAI HANSEN (que hoje faz parte do GAMMA RAY), no disco que é uma espécie de bíblia para todas as bandas que escolheram esse caminho. Esse disco é o grande WALLS OF JERICHO de 1983. Na verdade esse disco está mais para o NWOBHM , sigla em inglês que no bom Português significa "a nova onda do metal Britânico", que teve/tem no IRON MAIDEN o seu maior representante, do que para uma nova invenção musical. Entretanto, pelo menos em três músicas desse disco, são encontrados todos os elementos do "MM" que, apesar das variações acrescentadas pelas bandas que vieram em seguida, continuam praticamente iguais, quase vinte anos depois. São elas: "Heavy Metal (Is The Law)", "Guardians" e "Ride The Sky".
  Essa coisa de rotular tudo é meia odiosa. Na verdade o rótulo serve para dividir aquilo que deveria ser unido. Mas como a merda já esta feita, vamos lá. Eu acredito que o "Metal Melódico" é na verdade uma espécie de continuidade do "Metal Épico" iniciado pelo grandioso MANOWAR e também por bandas como SAXON e SAVATAGE. A temática nos dois "estilos" é igual. Aliás, se dependesse dessas bandas, viveríamos todos sob regime monárquico, tantos são os reis e rainhas professados em suas letras (não estou criticando rapaziada). As armas de fogo seriam banidas (alias, para que servem essas merdas?), e toda peleja seria resolvida em confrontos com espadas. Outra temática é o próprio Metal pelo Metal, ou seja, letras que "glorificam" o grande Heavy Metal.
 
 
 
 

No quesito banda, uma característica muito importante é a grande extensão vocal "exigida" do vocalista, muitas vezes com resultados catastróficos para a garganta do mesmo. Os demais músicos também precisam ser excepcionais, não podem ser mais ou menos, têm que ser virtuoses. Dessa forma, é exigido do guitarrista, velocidade supersônica e precisão Suíça nos solos, de preferência, dois por banda para que possam "duelar" em solos às vezes exageradamente longos. O baterista, além de ser exímio no seu instrumento, também deve dominar o difícil ofício de pilotar um Pedal Duplo e, se o bumbo também for duplo, melhor ainda. Do baixista, destreza num baixo de cinco cordas ou mais é desejável.

HAMMERFALL- Banda sueca fundada pelo guitarrista OSCAR DRONJAK em 1993. O grupo tem três álbuns e alguns EP's. Os álbuns são os seguintes: "Glory To The Brave", "Legacy Of The Kings" e "Renegade". O HammerFall já passou por diversas formações sendo que o seu fundador é o único remanescente da formação inicial. No último álbum, RENEGADE , a formação é a seguinte: JOACIM CANS no vocal (repare nas fotos com ele se parece muito com o Adrian Smith, um dos guitarristas do Iron Maiden); OSCAR DRONJAK, ele mesmo, em uma das guitarras; STEFAN ELMGREN na segunda; MAGNUS ROSEN no baixo e, ANDERS JOHANSSON na bateria.

Mesmo sendo o guitarra fundador da banda, Oscar não é o solista principal, papel desempenhado com muita competência pelo cabeça raspada Stefan Elmogren. Anders Johanssom, que é filho de Jan Johansson, um famoso pianista Suiço de Jazz é o mais novo na banda mas, tem no seu curriculum, nada mais do que a banda RISING FORCE, do exímio e chato guitarrista Yngwie Malmsteen. Mesmo tendo apenas três álbuns, o HammerFall é uma banda muito conhecida pelos fãs do estilo em escala mundial, tendo participado dos principais festivais Europeus de Heavy Metal, ao lado de feras como SAXON, DEEP PURPLE, TANK, JAG PANZER, RAVEN, GAMMA RAY, DREAM THEATRE, STRATOVARIUS, entre muitos outros. O show apresentado no Brasil foi parte da tour promocional do disco RENEGADE. O HammerFall já esteve por aqui em 1999, com duas apresentações, sendo uma acústica. O baixista participou de um "Workshop", na cidade de Catanduva, interior de São Paulo, levado pelo incansável CARIOCA, que é o proprietário da APACHE , uma loja de discos, referência na região, para os apreciadores da boa música pesada. bateria.

O SHOW- A minha noite, a caminho do show, começou toda errada. Esse que vos escreve não dirige e faz tudo na base do metro-ônibus-carona-lotação. Até que eu acertei o ônibus mas, errei de lugar. Fui parar no VIA FUNCHAL, onde estava rolando uma colação de grau! Uma ligação depois e o Paulo, aqui desse seu Portal, fez uma correria e foi me buscar. Chegamos no DirecTV Music Hall (daqui para frente DTMH) com tempo de sobra. Um "guardador" de carros queria morder cinco paus da gente mas não pagamos mesmo. Ao invés disso, convertemos essa grana em cerveja. Quando finalmente entramos DELPHT, a banda de abertura, estava nos últimos acordes. Não é preciso dizer que estava quente feito o inferno. O DTMH, antigo PALACE, não é um lugar grande e estava abarrotado. Uma ninfa do mal com um escorpião tatuado próximo ao seio esquerdo me deixou desconcertado. 22:20. Tá embaçado. Será que vai demorar?  
 
 
 
 
 
10:30. Não entendo muito a cabeça de parte do pessoal que curte Metal. Alguns insistem naquela saudação que vem da idade média, quando adoradores de cultos satânicos se identificavam através de um sinal imitando um cão/besta. É esse mesmo que você está pensando, aquele sinal de mão que imita chifrinhos e blá-blá-blá. Mesmo porque o conteúdo desse estilo de Metal não tem nada de "satânico" nas suas letras, como já foi dito. Mas, vamos ao que interessa.

10:35. Excitação entre os fãs, neon atrás das cortinas que, finalmente abertas, mostram um palco sem frescuras onde se vê apenas pinturas de castelos (não falei) sobre um fundo preto. "Templars Of Steel" , primeira faixa do CD "Renegade" é a primeira da noite. E, é claro, loucura. Não sei se eu estou ficando surdo, mas eu sempre acho que os caras da mesa estão pisando na bola e o som está muito baixo. Joacim Cans, o vocal, é um camarada muito carismático. Tem uma forte presença de palco e uma ótima comunicação com os fãs. E parece que a banda não vai deixar ninguém respirar direito. A segunda paulada é "Metal Age". Em seguida o atencioso Joacim fala com a galera dizendo que era "Bom estar de volta após dois anos na capital Brasileira do Heavy Metal". Se todos entenderam o Inglês do Suiço Joacin eu não sei, mas sua fala foi muito aplaudida, gritada, etc. Afinal, somos ou não somos a platéia mais fudida do planeta!
  Uma rapaziada próxima de onde eu estava comentou que a banda ainda ia crescer muito devido a sua qualidade e humildade. Confesso que eu não conhecia grande coisa da banda então, procurei me informar mais a respeito numa pesquisa na internet (visite o site oficial em www.hammerfall.net ) e principalmente ouvindo mais o trabalho do grupo. Melhorei um pouco meu lado musical através do excelente "LEGACY OF THE KINGS". A terceira da noite é dele, a oitava faixa "Stronger Than All" ("Mais forte do que tudo (ou todos)"). O baterista prova ser um verdadeiro animal no seu instrumento. Paulo, o desse Portal que me deu a carona e estava fotografando a banda, também é baterista e ficou abestalhado com a técnica de Anders Johansson. O cara, além de ter uma batida pesada e precisa, gira as baquetas o tempo todo. "Steel Meet Steel",
 
 
 
 
 
 

uma das primeiras músicas do HF tem backing vocals dos dois guitarristas. Como eu já comentei, Stefan Elmogren é praticamente o maior responsável pelos solos da banda e nessa música em particular ele faz a sua FENDER cuspir fogo.

A maior parte do repertório da noite pertence ao "Legacy", como é o caso da sexta, "At The End Of The Rainbow" e também, uma das mais "aplaudidas" da noite, a épica "Let The Hammer Fall" ("Deixe o martelo cair") que é, afinal de contas, com alguns "descontos", o nome da banda! "Hammer" ("martelo") é uma imagem poderosa e muito usada no Heavy Metal. Quando eu disse que o poderoso MANOWAR deve ter sido e ainda é uma influência muito forte entre os adeptos do "Metal Melódico" eu não estava brincando. "SIGN OF THE HAMMER" ("Marca/sinal do martelo"), é simplesmente um dos mais fudidos disco dessa banda. Acredito que a grafia/imagem "martelo" não são usadas por acaso pelo HF, mesmo porque, dentro dos temas comuns que eu já mencionei, THOR, o mitológico Deus Nórdico do trovão e o seu "Hammer" encantado, ocupa um lugar de destaque. A letra dessa música (sinceramente falando, de um modo geral, acredito que as bandas de MM deveriam colocar um pouco mais de substância nas suas letras) não é grande coisa ("Tudo está mais próximo agora/o relógio bate meia noite/é o badalar do sino do julgamento/Você teme a morte na noite/não existe lugar para se esconder/é um ponto sem retorno/Agora nós estamos prontos para atacar novamente/a distância aumente muito lentamente, meu amigo/Deixe o martelo cair.), mas o som é poderoso e o refrão cola na cabeça da gente: "Let the hammer fall". Grande música.

Um teclado bem usado dá uma textura fantástica em uma música que pede esse instrumento. "Mr Crowley" do OZZY OSBOURNE talvez seja o melhor exemplo do que eu estou dizendo. O Hammerfall quase que não usa teclados. Nesse show, foi utilizado apenas em uma música, só na introdução e era sampler (gravado). Sabemos também, que a guitarra é a alma de toda banda de rock e que a bateria está pau a pau com esse instrumento, sem menosprezar o baixo, com certeza. E é justamente o baterista quem é "largado" pras feras logo depois da "Let The Hammer Fall" e, não decepciona. Quando o Hard Rock estava no auge nas décadas de setenta e metade dos oitenta, eram comuns solos longuíssimos de bateria e muitas vezes aborrecidos. "Anders" deve conhecer esse tempo e não recai no mesmo erro. Seu desempenho leva uns três minutos e é perfeito. Logo os seus companheiros de banda se juntam a ele na baladaça "Nothingh Its Last Forever" ("Nada dura para sempre", a que usa teclados no início), lembrando muito os alemães do ACCEPT e, é outra do "Legacy". "Dreamland" ("Terra dos sonhos"), se você disse do "Legacy", acertou em cheio é o que se pode chamar de pedrada sincronizada. A costura que os manos suíços conseguiram nessa música é extraordinária . Lembra um pouco o Iron Maiden, principalmente a estrutura da música e os solos de guitarra no esquema primeiro eu solo, depois você, depois os dois juntos. Uma das minhas músicas preferidas do CD e do show.

"Nós estamos em tour a dois meses pela Europa e América Latina. Tocamos no Chile, Uruguai, Argentina e finalmente nós estamos de volta ao lar, o Brasil". Essas são palavras textuais do grande Joacim, o vocal. Ele pode até ter repetido esse discurso em todos os países por onde passou, mas foda-se, é ou não é? Um estrangeiro chega na sua terra, roubada e espoliada pelos locais, dizendo que é a casa dele! Tem que pegar o cara no colo e dar três voltas no quarteirão!  
 
 
 
 
 


Joacim é um bom vocalista sem ter "aquela" extensão vocal já citada. Antes que alguém me xingue, devo dizer que essa característica só ajuda a banda, uma vez que ficamos livres de um cacoete muito comum em vocalistas com maior extensão que é o de "gritar" de forma exagerada. E, enquanto a rapaziada gritava "HAMMERFALL, HAMMERFALL", tinha como resposta do grande Joacim "SAUN PAOLO, SAUN PAOLO". Eu falei três voltas? Acho melhor dar mais três de bônus!

Durante a musica "Legacy Of The Kings" ("Legado dos reis"), a que dá nome ao petardo já citada várias vezes, Joacim aparece no palco com um decibelímetro, propondo uma brincadeira para a galera . Essa coisa de nome feio não é nada mais do que um medidor de decibéis, ou barulho como queiram e a brincadeira foi a seguinte: lado direito e lado esquerdo repetiam, a mando do 'frontman", o refrão "Legacy Of The Kings", separadamente enquanto o tal aparelho fazia a medição para ver que lado "cantava" mais alto. No final, com todos juntos, a coisa bateu em quase 130 decibéis!! Mais um ponto para a banda pela inovação que agradou em cheio.

Quase meia noite e, como é do conhecimento de todos, tudo o que é bom dura pouco. Um ruído de motor anuncia o quase fim do espetáculo. É a introdução de "Renegade", faixa título do álbum homônimo, como todos vocês sabem. Mesmo cansados, acredito que muitos daqueles que estavam no DTMH naquela quinta memorável, agüentariam mais uma meia horinha pelo menos. Eu e o Paulo, como sempre fazemos quando cobrimos algum show, enquanto a banda toca o ultimo bis, nos dirigimos para a saída ,fugindo da muvuca que é todo final de espetáculo. Nos ouvidos, os últimos acordes misturados com a gritaria da audiência e, a certeza que o HAMMERFALL ganhou mais um fã naquela noite. Ou dois (certo Paulo!). LET THE HAMMER RULES!

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Niva dos Santos - especial para o Portal do Rock