Ian McCulloch

22/07/04 - Directv Hall - São Paulo - SP

O lendário e eterno vocalista do Echo & The Bunnymen, banda inglesa muito cultuada nos anos 80, esteve novamente fazendo um som em terras brasileiras, agora mostrando seu talento e brilho em carreira solo.



Digam o que quiserem dizer, esbravejem oh críticos de plantão, mas Ian McCulloch é foda, seja à frente do peso e obscuridade da banda Echo & The Bunnymen, seja apenas empunhando um violão, uma taça de vinho e um cigarro pra acompanhar.

 

Ao lado dos companheiros de longa data Paul Fleming (teclados) e Goudie Gordon (guitarra), além dos brasileiros Da Lua (percussão) e Sílvio Mazzuca (baixo acústico), Ian fez um show intimista, mas como toda aquela atmosfera “Londres” (se é que vocês me entendem...)


Abrindo o set veio a bela canção “Playgrounds and City Parks”, que faz parte do mais recente álbum solo do cantor, chamado Slideling. Ainda deste disco veio na seqüência a faixa “Arthur”. Até esta hora a platéia, bem acomodada no Directv em formato de teatro (com cadeiras e mesas comportadas), assistia a tudo com certa hesitação, pois essas canções ainda são bem desconhecidas por aqui. O disco novo de Ian saiu em 2003 e foi muito pouco divulgado no Brasil.

Mas Ian demonstrou ser antes de tudo um crooner perfeito e experiente, fazendo a galera cantar com ele mesmo sem saber a letra, como em “Start Again”, que faz parte de seu outro álbum solo, o Candleland.

O show seguiu com Ian alternando várias de suas canções obscuras, desconhecidas, porém belíssimas, com os grandes sucessos do Echo & The BunnyMen, como “The Killing Moon”, essa cantada junto com o roqueiro brasileiro Supla, que longe das correntes e roupas de couro que o tornaram famoso, trajando um terninho preto básico, chegou a empolgar a platéia com sua participação inusitada ao lado de Ian, que permaneceu sentado e plugado ao seu violão o tempo todo.

 
  Ian ainda presenteou os pouco mais de 800 espectadores que estavam na casa naquela noite fria paulistana, com clássicos da música pop, como “Heroes” de David Bowie e “Walk On The Wild Side” e “Waiting For The Man”, ambas de Lou Reed, que definitivamente ~e uma grande influência para Ian e para toda a geração de bandas inglesas do começo dos 80.

Sem dúvida um ponto alto do show de Ian foi mesmo a participação de Léo Jaime. Agora você me pergunta: que Léo Jaime? É sim o Léo Jaime que você está pensando, aquele mesmo de “Sonia”, “O Pobre”, “Solange”, “As Sete Vampiras” e “Amor Colegial”. Lembra dele? Pois é, ele entrou para cantar com Ian o grande clássico do Echo, a musica “Lips Like Sugar”. E com sua guitarra Fender ele detonou um som que realmente ficará guardado em sua memória e na memória de todos que presenciaram este curto, porém inesquecível momento! Valeu Léo!

Tem uma música do Echo, que se chama “Nothing Last Forever”, que eu realmente acho uma das mais belas baladas já compostas em todos os tempos. E Ian tocou esta neste show solo. Mas uma coisa me intriga. Tanto na última apresentação do Echo em 2003 no Brasil, como agora neste show solo de Ian, eles não tocam as músicas do mais recente CD de estúdio da banda, o Flowers. Este disco tem várias músicas que emplacariam sucessos com facilidade e ao meu ver foi muito mal trabalhado pela divulgação da banda, o que é uma pena. Fica aqui o recado, se é que alguém se importa. No final do set do show, Ian voltou a tocar a clássica “The Killing Moon”, agora sem a “ajuda” de Supla.

 

Vale lembrar que o Echo & The Bunnymen surgiu na cidade inglesa de Liverpool, em 1978, no auge do punk. Ian McCulloch montou a banda ao lado do eterno companheiro e guitarrista Will Sergeant. Ian chegou a deixar o Echo em 1988 e a banda resolveu seguir em frente sem ele, gravando o disco Reverberation, de 1990. Claro que não deu certo sem Ian e eles resolveram parar. Apenas em 1997, com Ian reassumindo os vocais, eles voltaram com tudo à cena rock mundial, lançando o maravilhoso CD Evergreen. Echo & The Bunnymen é discoteca básica para quem curte o bom e verdadeiro rock inglês.



Fotos e Texto
Marcio Faveri - da redação