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Baladas
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06.09.2001
- Credicard Hall
São Paulo - SP
Abertura: Andralls
O
DIA - O Credicard Hall (Avenida Nações Unidas, 17955 - Fone
(11) 5643-25000) é o que se pode chamar de casa de espetáculo
de última geração. Pena que fica longe pra caramba para quem
mora na Zona Leste como eu. Véspera de feriado e São Paulo
não anda. Quando chegamos lá, eu e o Marcio, que estava fotografando
naquele dia, já passava das dez da noite. Infelizmente perdemos
o show da banda Paulista ANDRALLS, que toca um HM de primeiríssima
qualidade, como eu pude verificar depois, ouvindo o CD "Massacre,
Corruption, Destruction..." (veja em nossa seção reviews). |
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Com
capacidade para 7000 pessoas, o CH deveria estar com um pouco mais
da metade da sua capacidade. Os preços dos ingressos (pista, R$60,00!),
com dólar acima de R$2,50, mais o feriado do dia seguinte, com certeza,
foram fatores decisivos para que a casa não estivesse lotada. Vi
o JUDAS PRIEST no Rock In Rio II, ainda com o poderoso ROB HALFORD
e estava ansioso para saber como seria a recepção dos fãs brasileiros
para com o novo vocalista RIPPER OWENS. Esse show do JP era parte
da tour do disco novo "DEMOLITION", o segundo de Ripper com a banda,
sendo que o primeiro foi "JUGULATOR". Nunca é demais lembrar que
"Jugulator", foi lançado a mais de quatro anos.
A BANDA - Formado por operários das siderúrgicas de Birminghan,
não por acaso, a cidade natal do BLACK SABBATH, o núcleo daquilo
que viria a ser o Judas Priest foi formado em 1973, com ROBERT HALFORD
nos vocais, IAN HILL no baixo, K.K. DOWNING e GLEN TIPTON na guitarra
mais, JONH HINCH na bateria, instrumento que teve uma grande rotatividade
de músicos no seu comando nesses quase trinta anos de banda. "Demolition"
é 0 14° álbum de estúdio do Judas Priest, saga que começou com "Rocka
Rolla" de 74 e tem em "British Steel" de 1980, um dos maiores clássicos
do metal de todos os tempos e, pertence a esse trabalho duas das
musicas mais amadas por Headbangers em todo o mundo: "Breaking The
Law" e "Grinder". Em sua passagem pelo Brasil no Rock In Rio III,
Rob Halford proporcionou um dos momentos mais fantásticos daquele
festival, quando "regeu" um gigantesco coral de milhares de pessoas,
que cantou com a banda de Rob, sem que ele pronunciasse uma única
palavra, a citada "Breaking The Law". Realmente um fato histórico
que provou o quão poderosa é essa canção! A pisada na bola do Judas
na minha opinião foi o "Turbo", onde a banda tentou soar mais comercial,
desagradando uma grande massa de fãs. |
| O
SHOW - 22h40min. Luzes apagadas. Num palco de mais de 25 metros
de largura, do lado direito ,Glen Tipton no comando da sua
Fender Strato, mais o baixista Ian Hill, um pouco mais ao
fundo. No esquerdo, K.K. Downing, mais chegado às Gibson Flying
V. No meio, Scott Travis, fantástico baterista e que também
faz malabarismo com as baquetas, lançando-as intermitentemente
para o alto sem perder o ritmo nem por um instante. Num traje
meio "metálico", Ripper Owens, que numa pesquisa pela internet
feita pela rádio inglesa TOTAL ROCK, no sentido de medir a
sua aceitação pelos fãs do JD, obteve 55% da votação contra
45% de Halford. Sabemos muito bem que esse tipo de pesquisa
tem que ser vista com uma série de ressalvas, como por exemplo,
nem todos os fãs têm acesso a internet, etc., mas, não deixa
de ser uma referência. |
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Falei
da minha curiosidade no início dessa matéria com respeito ao tipo
de recepção que Ripper teria dos fãs brasileiros. Como a primeira
impressão é muito importante numa avaliação geral, não poderia
ter sido melhor, a que ele obteve, durante a canção que abriu
a noite, "Metal Gods" e não deixou nenhuma dúvida, durante as
outras dezoito músicas, que fizeram parte do set list da banda,
que os fãs brasileiros haviam sido conquistados pelo carismático
front man do Judas. Geralmente, quando existe a substituição de
um vocalista em uma banda, a preocupação é tornar a mudança menos
traumática possível. É claro que ninguém em sã consciência vai
procurar um clone "vocal" como substituto, mas também, não vai
querer um que não mantenha as linhas mais importantes do substituído
já que, o vocalista é a impressão digital de um grupo. Confesso
a vocês que eu não acreditava que existisse alguém que pudesse
tomar o lugar de Halford. Mas eu me enganei. Em determinadas musicas,
se o ouvinte estiver a fim de um exercício de faz de conta, é
possível fechar os olhos e imaginar que é Rob Halford quem está
cantando. Tive essa nítida impressão durante a clássica "The Green
Manalish (With Two Pronged Crown)"do citado "British Steel" e
também, durante os agudos de Ripper. Então, pode-se dizer que
Owens foi uma excelente escolha, uma vez que não descaracterizou
o estilo do Judas Priest e também acrescentou novas nuances ao
trabalho do grupo.
O segundo número da noite foi "Heading Out To The Higway", seguido
de "Touch Of Evil" e "Bloodstained" . "Touch Of Evil" mostrou
ser uma das mais esperada da noite. Do disco novo teve "One On
One" e "Machine Man". Como era de se esperar, a banda deu prioridade
aos sons já consagrados, mesmo porque, é isso o que espera um
público que não tem muitas chances de ver a banda ao vivo. Um
dos momentos mais emocionantes da noite foi a versão quase acústica
da cover "Diamonds And Rust", música de JOAN BAEZ. "Breaking The
Law", aquela que não pode faltar em nenhuma apresentação do Judas,
arrebatou corações, corpos e mentes de todos os presentes. O Judas
não é uma banda que toca rápido, mas sim pesado e arrastado, no
bom sentido é claro. Nas faixas mais aceleradas, o batera Scott
Travis, que toca forte e seco, não decepcionou. A maioria dos
solos de guitarra da noite esteve por conta de Glen Tipton e,
quando as duas guitarras solavam juntas sobre um mesmo riff, criavam
uma enorme comoção nos fãs, que tiveram uma participação fantástica
durante o show que transcorreu sem nenhum incidente. É por isso
que os rockers brasileiros são considerados os mais "hot" do mundo.
Ian Hill, o baixista, talvez o mais tímido da banda, permaneceu
inabalável agitando no seu canto, mandando muito bem no seu instrumento.
A última musica antes do bis foi "Painkiller", não sem antes uma
entrada triunfante de Ripper ao palco, montado em uma HARLEY!
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"Live In Menphis 83 - Screaming For Vengeance Tour", é um
pirata de excelente qualidade gravado no dia 22 de Janeiro
no "Midsouth Coliseum". São dois CDs com 17 músicas no total.
Dezoito anos e picos depois, o repertório da noite do dia
6 de Setembro de 2001 em São Paulo, tinha 11 músicas do repertório
daquele distante 83.
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Cito
esse fato apenas como curiosidade e também como prova de que certas
coisas não envelhecem. Pra não deixar nenhum de vocês morrendo
de curiosidade, as músicas em comum são: "The Hellion/Electric
Eye", "Heading Out To The Highway", "Metal Gods", "Breaking The
Law", "The Ripper", "Diamonds And Rust", "You've Got Another Thing
Coming", "Victim Of Changes", "Living After Midnight", "The Green
Manalish (With Two Pronged Crown)" e "Hell Bent For Leather".
Mas voltemos ao show.
Um pouco mais de 11:30 da noite e o Judas Priest está de novo
no palco para o esperado bis, que vai ser de três músicas. A primeira
é também uma das mais esperadas "Hellion/Electric Eye", novamente
com enorme participação do público que não desaponta. Creio não
ser muito necessário dizer que entre os presentes haviam pais
e filhos, duas gerações curtindo com a mesma intensidade aqueles
que se atreviam em desafiar o tempo! A segunda é "United", com
Ripper gritando no final "Judas Priest is United!!" ("Judas Priest
é Unido!!"). Alguma dúvida?! Passava da meia noite, então, nada
melhor do que "Living After Midnight" ("Vivendo depois da meia
noite"), como gran finale! Mas todos estavam com fome de mais.
Minutos depois, agora sim, a última: "Hell Bent For Leather" (curiosamente,
no citado pirata, também a última daquela noite). Faltou alguma?
Yes man, faltou um monte né, mas são quase 30 anos de estrada!
Eu gostaria de ter ouvido, "Grinder", "Tyrant", "Exciter", etc.
Por outro lado, muitas das que eu esperara foram tocadas e, acredito
que o set de muito gente seria bem parecido com o escolhido pela
banda. Também, queem imaginava o Judas no Brasil com o nosso dinheiro
quase sendo vendido por quilo, ainda mais depois que foi cancelado
o show com o AC/DC. E, vocês não acham muita sorte ter no mesmo
ano no Brasil, Rob Halford e Judas Priest? Então amigos, um bride
a nós mesmos! Um brinde a um ano que musicalmente tem nos oferecido
boas surpresas! Um brinde a uma GLORIOSA noite, um brinde ao GRANDE
JUDAS PRIEST!
A seguir, o set list completo: METAL GODS - HEADING OUT TO THE
HIGWAY - TOUCH OF EVIL - BLOODSTAINED - VICTIM OF CHANGES - ONE
ON ONE - RIPPER - DIAMONDS AND RUST - MACHINE MAN - THE GREEN
MANALISHI (WITH THE TWO PRONGED CROWN) - BEYOND THE REALMS OF
DEATH - BURN IN HELL - BREAKING THE LAW - ANOTHER THING COMING
- PAINKILLER - HELLION/ELECTRIC EYE - UNITED - LIVING AFTER MIDNIGHT
- HELL BENT FOR LEATHER.
Niva
dos Santos - especial para o Portal do Rock
Fotos - Marcio Faveri
Arte - Paulo Vinicius
Se
você foi ao show e quer fazer uma resenha ou fazer um comentário,
mande um e-mail para
baladas@portaldorock.com.br
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