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Show
- The Lurkers
24.03.2001 - Hangar 110 - São Paulo - SP
Abertura: Cólera - Grinders - Forgotten Boys
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a mídia em geral desprezou a passagem desta grande banda pelo Brasil,
não dando uma nota sequer sobre a turnê brasileira do Lurkers. As
fantásticas "rádios rock" também nem veicularam nada sobre os caras,
com exceção do programa Garagem, da Rádio Brasil 2000 FM, talvez
o único programa de rádio de São Paulo que conhece, respeita e divulga
o punk rock. A gente não pode exigir muito conhecimento musical
dessas rádios rock e de outros órgãos da imprensa que se dizem "rock",
pois na maioria das vezes eles somente abordam assuntos como a turnê
do Lurkers no Brasil ou outros eventos ligados ao rock alternativo,
quando existe grana envolvida. São os verdadeiros exploradores do
rock and roll! |
Deixando o desabafo de lado, vamos saber o que rolou nesta
noite de punk rock, que somente pode ser realizada graças
ao trabalho árduo de Renato Martins (Ataque Frontal), grande
incentivador da cena punk rock brasileira e responsável pelos
melhores shows de bandas clássicas em nossos palcos. |
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Forgotten
Boys
Abrindo a noite, tivemos o som da banda paulistana Forgotten
Boys, com seu som já conhecido e consagrado pelos admiradores
do pré-punk rock estilo final dos anos 60, com fortes influências
de Stooges, MC5, New York Dolls, etc. O show da banda em si
foi muito bom, apesar de terem aberto a noite, ainda com pouco
público na casa. Também devo ressaltar que as poucas pessoas
que estavam presentes no início do show do Forgotten Boys
não se empolgaram muito com o som da banda, que se mostrou
um tanto quanto apática em relação ao público. |
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Grinders
A banda patrimônio dos skatistas do Brasil, subiu ao palco do Hangar
110 para uma demonstração de fidelidade e compromisso com o mesmo
estilo de som que faziam há mais de 15 anos, quando começaram no
cenário punk/hardcore de São Paulo. Com músicas como "Ande de Skate
ou Morra!" e "Puta Vomitada", eles empolgaram boa parte do público,
que naquelas alturas já estava com os ânimos mais quentes e cantavam
juntos os clássicos da banda, colados ao palco. Dentre outras porradas
da banda, eles tocaram ainda "Skate Gralha", "Como é que Pode?"
e "Ser ou não Ser". |
Cólera
Antecedendo o grande show da noite, sobe ao palco uma verdadeira
lenda do punk rock nacional - Cólera. Foi gratificante ver
Redson (guitarra/voz), Pierre (bateria) e Fábio (baixo), abrindo
o show para uma grande banda punk rock internacional, depois
de muito tempo tocando em shows menores e somente com banda
nacionais. |
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todos sabem, o Cólera dispensa apresentações. A banda costuma arrebentar
em todos os seus shows, mas neste a aparelhagem, principalmente
o amplificador de guitarra usado por Redson, não estava nada bom,
deixando o som com pouco peso e bem diferente do que se costuma
ouvir nos shows do Cólera. Outra falha de equipamento foi no baixo
reserva de Fábio, que teve que ser usado no lugar do baixo original
e estava completamente desafinado. Tudo bem que o show é punk e
que poucas pessoas notaram esses problemas, mas seria legal se estes
deslizes pudessem ser evitados, para que a banda não fizesse feio
na frente de seu público, que respeita a banda e que pagou para
assistir ao show e também na frente dos gringos, que adoram este
tipo de falha para menosprezar nosso som. |
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| Ainda
bem que pelo menos o problema com o baixo foi logo resolvido e a
banda detonou em quase uma hora de apresentação. Dentre o repertório
da banda, destaque para "1992", "Palpebrite", "Funcionários", "Pela
Paz" e mais cerca de 20 músicas destes heróis do rock nacional,
que servem de exemplo de dedicação e dignidade para várias gerações
de roqueiros. |
The
Lurkers
Comentar o show do The Lurkers é uma honra para mim, que há
muito tempo conheço o trabalho da banda e sei o quanto eles
foram e são importantes para o punk rock mundial. |
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Formado em 1976, na cidade de Londres, o Lurkers teve em sua primeira
formação Pete Stride na guitarra, Pete Haynes na bateria, Pete Edwards
no vocal e Nigel Moore no baixo, sendo que Nigel foi logo substituído
por Arturo Bassick, que é o único integrante da banda que está firme
até hoje, comandando também os vocais do Lurkers. Detalhe: Arturo
é também o baixista da clássica banda 999 e já tocou no The Business. |
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A
diferença do Lurkers de 1976 com o Lurkers de 2001 é muito
pouca, ou seja, quase nenhuma. Apesar da evolução musical
da banda e dos 25 anos de estrada, eles conseguem manter o
bom e verdadeiro punk rock estilo 77, o que é raro hoje em
dia. Com fortes influências de Ramones, mas com sua originalidade
própria, a banda deve ser considerada discoteca básica para
todos os amantes do verdadeiro punk rock. |
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Na
nova formação, com o velho Arturo Bassick no vocal/baixo, os novatos
Damon Waters na bateria e Rabid Kemp na guitarra, a banda detonou
nesta que foi sua segunda passagem pelo Brasil, principalmente neste
show de São Paulo, onde foram gravadas músicas que farão parte de
um CD ao vivo oficial da banda, que deverá ser lançado ainda este
ano pelo Selo Ataque Frontal.
Começando a noite em grande estilo, o Lurkers mandou logo um de
seus primeiros singles, lançado em 1977, chamado "Freak Show", que
dava o tom da noite. Muita alegria rolava nesta hora e a certeza
de que o show seria "fudido" estava no ar! |
| O
trio punk rock rolou várias outras preciosidades, compostas
no final da década de 70, como "Take me Back do Babylon",
"Pills", "Ain't Got a Clue", "I'm on Heat", o primeiro single
lançado pela banda - "Shadow" e a maravilhosa e clássica "New
Guitar in Town", considerada por muitos como o hino do punk
rock 77. |
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| Do
repertório mais recente da banda, destaque para "One Day", "Misery",
"Gotta Go" e o mais recente sucesso da banda, "Go Ahead Punk, Make
my day", que também é título de um single lançado em vinil pela
banda em 1999. Esta música é excelente, com muita energia punk rock,
com a letra falando sobre uma possível história envolvendo a banda
e Dirty Harry, personagem do cinema western, interpretado em 1972,
por Clint Eastwood. Segundo trechos da letra desta música, o Lurkers
ensaiava em uma casa que era vizinha da casa de Dirty Harry e o
cara vivia ameaçando a banda, dizendo que não gostava do som e pedindo
para que eles parassem de tocar. Mas eles não estavam nem aí e as
discussões eram constantes! |
A
banda teve que repetir algumas músicas cerca de duas vezes,
o que fez com que o show se esticasse, obrigando a banda a
cortar algumas músicas que seriam executadas naquela noite.
Arturo se desculpava o tempo todo, mas dizia: "Vocês não querem
o CD ao vivo em São Paulo? Então terão que agüentar!"
Com o maior prazer Arturo, ouvir suas músicas duas ou dez
vezes não é sacrifício nenhum para um punk rocker que se preze. |
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Após
uma pausa, eles voltaram para o bis, com outras excelentes músicas
como "Furry Face", "Just Thirteen" e com aquela que eu considero
uma das melhores músicas de punk rock que eu já ouvi até hoje, chamada
"Lucky John". Segundo Arturo, esta música conta a história de John,
que era um cara muito mentiroso e estava sempre se safando dos perigos,
arranjando uma desculpa para tudo. Mas no final da música John não
teve tanta sorte assim e morre.
Para você que não conhece o som da banda e tem curiosidade de conhecer,
sugiro que você adquira o CD "Greatest Hit - Last Will and Testament...",
que pode ser encontrado em qualquer loja virtual de CD, que trabalhe
com CDs importados. Também não deixe de conseguir o CD ao vivo deste
show, que será lançado em breve pelo Selo
Ataque Frontal. Vale a pena este investimento, pois se você
curte punk rock ou rock and roll e nunca ouviu um CD do Lurkers,
está meio por fora meu amigo!!!
Valeu Lurkers e continuem mantendo o que vocês têm de mais precioso:
originalidade e humildade.
Marcio
Faveri - da redação |
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Se
você foi ao show e quer fazer uma resenha ou fazer um comentário,
mande um e-mail para
baladas@portaldorock.com.br
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