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Baladas
- Pixies
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08/05/04
- Curitiba Pop Festival - Curitiba - PR
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Mesmo
o Portal do Rock não tendo sido credenciado oficialmente
para a cobertura do Curitiba Pop Festival, o que é realmente
um absurdo e uma demonstração de falta de conhecimento
da cena rock nacional por parte da organização do
evento, exemplificada inclusive desde o anúncio conturbado
da vinda do Pixies ao Brasil, passando pela desorganizada comercialização
de ingressos, absoluta falta de clareza nas informações
aos milhares de fãs, etc., NÓS ESTIVEMOS BEM REPRESENTADOS
por grandes amigos nessa super balada.
Amigos de verdade e "das antigas", como o super Quéops
Machado (autor da resenha do show), Marcelo Villa, Dante Dirty
Jobs, Zé El Nino e suas respectivas escudeiras.
O Portal do Rock agradece a eles todos que captaram o espírito
do Pixies e fizeram desta balada inesquecível. Agradecimentos
especiais ao Quéops, pelas brilhantes palavras. Valeu!!!
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...e
começou! Começou o show do Pixies!!!
Para os mal humorados era o começo do fim de uma
verdadeira epopéia, que foi barra, mesmo: da desorganização
na venda dos ingressos ao frio desconcertante da Pedreira
Paulo Leminski, já que a maior parte de quem tava
lá não era de Curitiba e não costuma
ver o termômetro descer ao nível de freezer.
Mas
para os bem humorados, que noite aquela! Choveu a semana
inteira, mas na sexta e no sábado São Pedro
deu trégua e a maioria dos presentes nem se lembrou
do tempo ou das outras aflições, omo boatos
de que o Frank Black não viria, ingressos, antes
vendidos por mais de "um barão" em sites
de leilão, despencando para míseros "vintinhos"
na calçada, que a área reservada aos primeiros
3 mil felizardos a comprar seus ingressos só existiu
na cabeça dos organizadores do II Curitiba Pop Festival,
que algumas das bandas trazidas pelo evento nem se comparavam
à qualidade das escolhas da edição
anterior... o que interessava era admirar o lindo lugar
do show (só podia ser Curitiba, um lugar como esse)
, agradecer às estrelas por elas ocuparem o lugar
das nuvens, já que 100% de área eram ao ar
livre e esperar até a hora marcada, que aliás
seria respeitada à risca.
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Mas
começou. É verdade, começou!!! Pode
parecer coisa de fã achar isso incrível, mas
vai dando licença à emoção de
quem escreve, porquê nem o mais profissional jornalista
economizou durante estes dias adjetivos como " histórico",
"épico", etc. E quando finalmente começou
não tinha fumaça, música de suspense
nem bandeira da banda por traz da bateria...tinha David,
Joey, Kim e Frank. Mas "ele" voltou a ser Black
Francis ou continua sendo Frank Black? Mas porquê
ele e a Kim engordaram tanto? Mas como o Joey está
careca... não deu tempo de pensar muito e lá
vinha "Bone Machine", conforme previsto no set
list divulgado no site oficial. E é o fim do raciocínio
para todos. O décimo quinto show depois do retorno,
o primeiro e até a presente data, único fora
da América do Norte, mostrava que os anos foram gentis
com o vigor e o perfeccionismo das execuções
ao vivo. Era umaatrázdaoutrasemintervalo, a não
ser para trocar de instrumentos.
Estranhamente houve uma enorme concentração
de músicas extraídas dos primeiros álbuns,
incluindo 7 das 8 músicas que compõe o EP"Come
on Pilgrim", o que significou barulho extra e da melhor
qualidade, já que no início da banda as letras
indecifráveis (quem já tentou encontrar sentido
nas traduções sabe do que eu tô falando)
se juntavam ao melhor do punk, indie, guitar band, (sei
lá, quem se propôs a rotular o som da banda
só caiu no ridículo) . Técnico, mas
agressivo.
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Todo
mundo tem o direito de sentir falta de "Havalina"
, "All Over The World" ou "Motorway to Roswell",
não importa; o negócio é torcer para
que o motivo da quase exclusão das músicas dos
dois últimos trabalhos signifique reservar emoções
nobres para a próxima turnê... fã é
fã, sempre querendo mais.
Mas todas as músicas que tornaram a banda conhecida
nos foram presenteadas: Tinha "Gigantic", "Here
Comes Your Man", "Monkey..."Where is my mind?",
que embalou o Edward Norton no apoteótico fim do "Clube
da Luta" , "Gouge Away", "Velouria"
, "Debaser"... tava tudinho lá, fazendo alternar
o humor dos presentes: Ora era cara de "eles voltaram
mesmo", ora era todo mundo pulando. |
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Joey
Santiago não arriscou profanar sua obra e foi preciso
na função de deixar claro que nem o carisma
da baixista e nem o autoritarismo do antigo colega de
quarto da época da faculdade são suficientes
para a formação do Pixies. Sem ele nada
funciona e eu tô na espera de algum guitarrista
que me explique como ter aquela calma, esperando que cada
noooooooota emitida atinja o ápice antes de fazer
mais sonzeira.
David Lovering, não bastasse a apresentação
perfeita, foi o que mais interagiu com a platéia,
função antes reservada à Kim. Sorridente
e em ótima forma, se mostrou bastante impressionado
com o coro formado pelos fãs de terras tão
distantes.
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O
sorriso de Kim não saiu do rosto, a não ser
no início de "Into the White" , já
no bis. Ela tinha voltado do backstage há alguns
poucos minutos e depois de tocar - e cantar - "Gigantic",
de forma impecável, iria cometer uns errinhos na
segunda e última música de sua autoria, executada
na noite. Na verdade parecia até que ela ia cair,
de tão "maus" (cansou? desconcentrou? tava
zoró? ninguém se importa!), mas daí
voltou aquele sorriso e tudo voltou ao normal. Alguns, principalmente
os que viram o Breeders no mesmo festival um ano antes,
esperavam mais interação dela com o público,
mas quem acompanhou a banda desde antigamente sabe que alguns
espaços precisam ser preservados para o bem de todos.
Aliás, não faltaram comentários antes
ou depois do show, quanto à distâcia que existe
entre a simpatia dela e o destempero de um tal Sr. Charles
Thompson, o nome verdadeiro do líder inconteste da
banda. |
E falta fôlego para falar "nele", cujo vocal sai
fácil do sussurro para alcançar agudos mais potentes
do que do vocalista do Massacration.
Como falar sem cair no fanatismo? Pernas dobradas para alcançar
posição na hora dos berros - já que o microfone
jamais sai do pedestal - personalidade de deixar sem ar quem está
por perto, mais interação com o público do
que nos shows dos anos 90, apesar disso significar apenas umas
olhadas, sorrisos e balançadas de cabeça.. enfim:
dá pra entender o porquê de tanto "entendido"
do assunto admirar este louco. De junkies como Kurt Cobain a megastars
como David Bowie, muitos vêem neste cara e sua banda a maior
fonte de influência do rock da década passada. E
estes são em grande parte os responsáveis pelo sucesso
tardio da banda.
Mr. Frank tem a mão pesada no controle do grupo; limita
demais a inspiração da Kim, nos privando de obter
ainda mais participação daquela que já é
tão essencial; ele decepciona jornalistas e fãs
com sua falta de comunicação e sua carreira solo
virou um monte de desacertos, após os primeiros discos..
mas não adianta. Nem mesmo toda má vontade do mundo
supera suas músicas, sua genialidade e muito menos sua
presença.
E no fim de tudo, quando "In Heaven" foi preterida no
set list por "Planet Of Sound" como encerramento, eu
fico com os dizeres de um cara que berrou e trouxe comoção
aos fãs que dividiam com ele aquele espaço sagrado:
"Já posso morrer!!!"
Mas morro torcendo pra renascer bem na hora em que eles voltarem
e assim farão de novo todos os que se deslocaram do Chile,
Argentina, Sampa, Rio, Recife (o avião tava lotado de louco)
ou outro lugar qualquer onde seja possível a propagação
do som. De preferência...o som do Pixies!

Texto:
Quéops
Machado
especial para o Portal do Rock
Fotos: CPF
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