Show - Rasta Knast
06.06.2001 - Black Jack Bar - São Paulo - SP
Abertura: Flicts - Nitrominds

A banda alemã RASTA KNAST foi criada por dois fãs da banda Sueca de Punk Rock ASTA KASK, Martin K. e Höhnie. Depois de algumas mudanças na formação, a banda conta atualmente com Florentin na guitarra e nos vocais; Phill na bateria; Thomas no baixo e Martin K., único remanescente da formação original, na segunda guitarra e vocais. A banda canta em alemão e foi com esse line up que a ela se apresentou no Black Jack Bar.

Dos três grupos que se apresentaram, o único que eu já conhecia de longa data era o Nitrominds. Coube a rapaziada do Flicts abrir a noite. Tocando um Street Punk ou Punk de Cervejeiro, como eles se auto-definem, conseguiram esquentar aqueles que se atreveram sair de casa naquela quarta-feira. Na verdade o som dos caras, muito competente por sinal, tem uma "audível" influência da banda TOY DOLLS. Num set de mais ou menos quarenta minutos, o trio mostrou que tem futuro, numa perfeita sintonia com a audiência. A banda Flicts é formada pelos irmãos Rafael e Artur, respectivamente baterista e guitarra/vocal, mais Daniel no baixo e esporadicamente também vocalista. Tem um split (CD com a participação de dois grupos) com a banda "Excluídos". O nome do CD é "Apostando Tudo".

Os já meio veteranos do Nitrominds subiram logo em seguida. A banda, que canta em inglês e tem no seu currículo apresentações na Europa e se definem como Hardcore Melódico, fez uma apresentação absurdamente rápida e pesada. Mesclando música do trabalho novo ("Time To Know") e, composições dos dois primeiros álbuns, entre as quais "Policeman" e "Authoritarism". Se por um lado a banda conseguiu contentar os fãs mais novos de Punk/HC, por outro, houve uma certa antipatia por parte de Punks mais "das antigas", escaldados nos velhos estilos.  

Mas foi um show competente e, se não conseguiu agradar a todos, mostrou que os anos de estrada ensinaram muito à banda, que conta com Edú na bateria, um dos mais técnicos bateristas da cena Punk Brasileira, com a precisão de André na guitarra e no vocal, mais o confiante Lalo no baixo.

Finalmente os "Alemães Assassinos" (conforme a publicidade no panfleto do show), do Rasta Knast. Como eu já disse, eu não conhecia o RK e confesso que fiquei surpreso com a receptividade que os caras tiveram, inclusive com alguns cantando algumas músicas juntos com o grupo e, como eu já disse, eles cantam em alemão! Relativamente nova, é incrível a quantidade de registros colecionados por essa banda. São três CDs e três mini EPs, coisa inimaginável para bandas brasileiras com o mesmo tempo de existência, além de singles, coletâneas, etc.

 

Numa conversa com o vocalista Florentin e também conforme o site oficial (www.rastaknast.com), ficamos sabendo que o estilo da banda é Hardcore Melódico. Mas, eu acho que é mais que isso, inclusive com algumas pitadas de OI (do bem). Caso o prezado Punk internauta não saiba, quando o movimento OI começou, era uma coisa mais misturada, inclusive com a participação de Punks anarquistas e Punks de esquerda.

 
 

A organização na banda também é muito grande. Eles sobem ao palco sob a trilha sonora do filme 2001, UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO. A total sincronia do quarteto mostra muito bem as horas de ensaio gastas por eles. O baixista (que usava um "kilt" - espécie de saiote escocês), desceu durante algumas músicas para o meio da rapaziada, sem deixar cair o pique. Não existe aquele costumeiro embaço de algumas bandas entre uma música e outra, o que faz o show fluir sem cansar. Alem do mais, os caras são super simples e demostraram um respeito muito grande com público e com as bandas que se apresentaram antes deles. Martin K. e Florentin até cantaram juntos com o pessoal do Flicts, diferentes de algumas pessoas que transitam entre nós, com a ridícula pose de estrela, como se essa besteira pudesse existir no meio Punk.

Uma hora ou mais de show depois, o relógio que não para nunca, marcava 1h30min da madrugada de uma quinta-feira relativamente quente. Hora de rapar fora, dormir algumas horas e encarar o trampo, pois afinal de contas, por menos atrativo que seja, trabalhar é preciso. E eles disseram que voltariam no próximo ano. Estaremos lá para conferir de novo os "alemães assassinos" que na verdade são memo é "sangue bom". PROUST!  

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Niva dos Santos - especial para o Portal do Rock