Baladas

Ratos de Porão
13/09/2003 - Hangar 110 - São Paulo - SP
Abertura: Ação Direta - CVOD - Inkognita

Porrada da grossa, hardcore sem sobrenome, foi o que rolou no sábado, 13 de setembro, no Hangar 110, em São Paulo (perto da estação Armênia do Metrô). Numa semana muito fria (oito graus ao meio dia da quinta-feira na Avenida Paulista, coração de Sampa), deu uma esquentadinha pra rapaziada sair de casa (sai de qualquer jeito, mas sem frio é melhor) e ver um encontro de bandas (CVOD e Incógnita eu não conhecia), que prometia aumentar muito mais a temperatura. Quem subiu primeiro foi a banda INKÓGNITA, que mandou muito bem e colocou a platéia no clima, casa praticamente lotada, pros brother do CVOD (Cabeça Vazia Oficina do Diabo), que são de Assis, interior de São Paulo, uns 400 km da Capital. HC com gosto dos anos 80, mas com as afinações e as nuances desse século caos que começou. Essa banda promete e muito!

 

AÇÃO DIRETA no palco, banda que comemora 16 anos ininterruptos de estrada (e põe estrada nisso), com um guitarrista novo, Gil, que era da banda FODA-C, do ABC Paulista, no lugar de Pancho, que resolveu sair da banda. Gil assumiu com muito profissionalismo o posto e tem feito um excelente trabalho. O AD mescla sons dos trabalhos anteriores com músicas do mais recente CD, "Repúdio, Revolta, Confronto, Resistência", e a platéia responde prontamente ao chamado do velho frontman, Gepeto. Marcão, um dos bateristas mais fudidos da cena HC, não demora pra tirar a camisa; Galo, o baixista, idem. Só pra lembrar, o set começa com "Pesadelo", depois, "Nunca Mais", do ótimo "Intervenção". Duas músicas e a temperatura já cola nos mil graus!!

Stage dive rola solto, mas a negada não salta, não pula de verdade, quase que deita no braço de quem esta em baixo. Assim não vale porra! Tem que correr o risco. Gepeto cola na beirada do palco e divide o microfone com a rapaziada. "A inveja é o sentimento mais filho da puta que existe no ser humano, CORPO FECHADO", grita Paulo Rogério (he,he..., esse é o nome do Gepeto), seguido de "Um Novo Grito", também do CD "Intervenção". Nessas alturas do show, já rolaram mais de dez músicas. Uns dois cachaceiros dormem ao lado do banheiro masculino. Cada um com o seu "pobrema", mas se é para encher o cu de pinga, não é mais fácil fazer isso perto de casa, ao invés de gastar com busão e entrada, além de passar mal? Porém, "o caminho do inferno é pavimentado com boas intenções", diz um ditado gringo.

"Entre a Benção e o Caos" é a próxima, seguida de "Irreversível". Saideira, não sem antes Gepeto dizer - "Vou deixar bem frizado um lance aqui: foda-se a guerra e o imperialismo americano!! "Rules of Tragedy"!!! Gordo, vocalista dos RATOS DE PORÃO, aparece várias vezes na escada que da para os camarins, próximo do palco, curtindo e muito o som do Ação Direta, assim como todos os presentes. É assim que deve ser, uma banda só espera do público uma resposta aos seus esforços, ou seja - VAMOS AGITAR CACETE!!! E foi assim que aconteceu.

 
  RATOS DE PORÃO no palco, como diz o meu amigo Marcio Faveri aqui do Portal, a banda punk mais fudida do Brasil! Assino embaixo, apesar de colocar outras grandes bandas do mesmo nível junto com os caras, muito embora eles tenham a vantagem do pioneirismo e da longevidade. Esse é o último show do Fralda, o baixista, com os Ratos. Ele vai ficar tocando apenas no Forgotten Boys (vai tarde!). O RDP mudou os arranjos das músicas antigas e o Gordo canta quase que inteligível, então, fica meio complicado saber o que eles estão tocando.

Porém, e daí??!! Três músicas depois, "é isso aí São Paulo, valeu!", a primeira de muitas intervenções do Gordon, agora uma pá de quilos mais magro, depois da cirurgia de redução de estômago. Não sei se alguém falou alguma pro Jão, o guitarrista, mas ele ficou meio puto e disse - "aqui é Ratos de Porão, não é comédia não! To a vinte e tanto anos aí, morou?! Já vi uma pá de nego passá, subi aí, ó! To aí mano!!". E o Gordo repete o "aqui é Ratos de Porão, não é comédia não", em tom de galhofa.

E a porrada continua, a rapaziada vai a loucura com "Agressão Repressão" do primeiro, "Crucificados Pelo Sistema": "qual será o próximo alvo da Amérikka", canta Gordo, refrão da música "Próximo Alvo", que ganhou como o melhor clipe independente no VMB 2003. A noite vai, o Hangar ferve e ninguém arreda pé. Tinha que ser, todos queriam e "Crucificados Pelo Sistema" é a próxima. Gordo pede pra rapaziada "rodar". "Pobreza", seguida de "FMI", músicas feitas há muitos anos e atualíssimas. "Caos", "Sofrer", o massacre continua. E por aí foi.

Gordo comenta a saída de Fralda da banda, em tom de sarro é claro - "tocar no Forgotten Boys, comer muitas mulheres, cheirar muita farinha. É burro pra caralho esse cara, não é não?". Bom, é, com certeza! Boka, o baterista do RDP, dono da Pecúlio Discos, reclama de um(a), pilantra que roubou um disco duplo do "Heresy".

 


Gordo joga uma praga no/na FDP e diz que "praga de gordo pega". Detona em seguida uma música do DRI. Teve ainda "Beber Até Morrer", "Igreja Universal", entre outros muitos "crássicos".

Caros amigos, resumindo, foi uma noite muito foda! Veteranos, rapaziada mais nova, mostraram que o HC das "antigas" continua mais vivo do que nunca e, o que é melhor ainda, continua sendo levado não só pelas bandas "véias". Fralda, no final, tomou umas esguichadas de extintor de incêndio (hahaha!!!). Esperemos que o alemão do Hangar promova mais noites semelhantes. Certo alemão?!



Texto: Niva dos Santos - especial para o Portal do Rock
Fotos: Marcio Faveri - da redação

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