Baladas

Show Riistetyt
Abertura: Ulster, Brigada do Ódio e QI?
06/12/2001 - Capone´s Bar - São Bernardo do Campo - SP

O CAPONE'S BAR, fica na rua Azevedo Marques, 251 em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. O nome tem a ver com o mafioso notório, até uma pintura com o tradicional chapéu existe numa das paredes. O preço da entrada foi R$8,00 e a cerveja de 600ml, só R$ 2,00, um bom preço, considerando que esse é o preço de uma latinha na maioria das casas onde rola shows de Punk. A casa não é muito grande, mas cabe uns 200 neguinhos meio no aperto. A primeira banda estava escalada pra subir às 20:00 horas. Subiu era quase 21:00. Sem problemas se considerarmos os atrasos costumeiros que sempre acontecem em shows desse naipe.

Os veteranos da BRIGADA DO ÓDIO foram os primeiros da noite. A banda começou em 83 e esteve em atividade até 87/88. A volta é bem recente e, estavam se apresentando pela primeira vez depois do retorno. O som da "Brigada" é porrada pura. Grind Core ou qualquer coisa fudida na mesma linha. Como eu já escrevi várias vezes, rotular é foda, porem, fica difícil situar uma banda dentro desse imenso caldeirão sonoro, sem apelar para um nome. Sou amigo do Wilson (baixo e vocais eventuais) há muito tempo e estava mais do que curioso para ouvir a banda. Muitos também estavam que, como eu, só tinham ouvido os manos tocarem em registros sonoros da década de 80. Além do Wilson, o Magrão (guitarra) também fazia parte da primeira formação. O time se completa com Vlad (guitarra do Ulster) nos vocais e Sartana (lenda no Punk Brasil, ex OLHO SECO ) na batera.

  A banda começou a se apresentar com a casa quase vazia. À medida que eles iam tocando, começou a aparecer gente de tudo quanto era lado. Um vigoroso set com 13 musicas provou definitivamente como é necessário resgatar todas as bandas que iniciaram o Punk no Brasil. Alguns chamam os retornos de oportunismo pero, hermanitos, tocar Punk no Brasil só dá gastos. Ninguém ganha porra nenhuma em termos monetários tocando Punk no Brasil! Onde está o oportunismo e porquê? E a BRIGADA não é um caso isolado. Voltaram pelo tezão de tocar, por amor ao Punk Rock, pela necessidade de gritar contra as injustiças do Brasil e do mundo. E eles mandaram muito bem não só pela música, mas também pela atitude no palco. Algumas das musicas tocadas: "Termos De Ódio", "Até O Fim", "Seu Canalha", "Escrita De Guerra" e "Brigada Do ódio". Em tempo, os caras estão mixando material para um CD. (Leia entrevista com Wilson).
QI? e ULSTER- A segunda banda a se apresentar foi a QI?. Formada em 97 é composta por Vinício na bateria, Fábio na guitarra e nos vocais e André no baixo. Eles disseram ter influências de Punk 77 e também da banda brasileira SUBVIVENTES. Na verdade o QI? faz um Street Punk de boa qualidade. Exageraram um pouco no tempo de palco, mas mostraram que têm qualidades e muito entrosamento . Em seguida foi a vez de outra banda veterana. É claro que eu estou falando do ULSTER, outra banda seminal do movimento Punk no Brasil. Os integrantes se apresentam de máscaras, o que cria uma certa áurea de mistério e ao mesmo tempo de subversão. Vlad na guitarra (vocal na BRIGADA DO ÓDIO) é o único remanescente da formação original. A banda se completa com Fábio (que também faz parte do SICK TERROR) nos vocais, Borela no baixo (vocal no FDS, entrou recentemente no ULSTER) e Junior na bateria.
O ULSTER tem uma legião razoável de fãs. Alguns deles também usam máscaras durante a apresentação da banda. O ULSTER toca um HC poderoso e a performance de palco é de tirar o fôlego. Muitas das musicas do set foram acompanhadas pelos presentes, corroborando o que foi dito acima. Quanto uma banda volta a tocar, dificilmente isso acontece com a formação original. Esse detalhe cria um interessante mix de "molecada" e "veios" das antigas, demonstrando o quão poderosa é a musica, que o cronológico nada influencia quando a vontade e os interesses dão a Tonica. Alguma das musicas tocadas pelos ULSTER: "Noite Gelada", "Células Vermelhas", "Aperte O Gatilho", "Bandeiras Vermelhas", "Ignorante" e "Ulster". (Leia entrevista com Vlad).  
RIISTETYT - Pode soar meio bocó dizer uma coisa dessas mas, parece um sonho poder assistir uma das bandas que influenciaram muitas das bandas nacionais de HC. A Finlândia sempre foi um celeiro fudido de bandas extremas. RISTETYT faz um som arregaçado na linha de um VARUKERS, GBH e EXPLOITED, só para citar alguns exemplos de bandas da velha escola do HC. Confesso que eu conhecia mais a banda de nome do que de repertoria, quer dizer, conhecia no máximo um ou dois CDs dos caras e, fiquei impressionado com o poder de fogo dos finlandeses. Principalmente o baterista com quem eu troquei umas idéias (leia entrevista) e, é o único da banda que fala um inglês mais ou menos fluente. E o cara bebe pra caralho, principalmente caipirinha, bebida que parece enlouquecer os que vêem de fora do Brasil.
 
Bebe pra caralho, sobe no palco e arregaça. E essa característica parece comum com os que chegam de outros paises. Com o VARUKERS aconteceu a mesma coisa, quando eles estiveram no Brasil, eles também bebiam muito, subiam no palco e faziam o "trabalho" sem pisar na bola. E foi o que o RIISTETYT fez. Detonaram um set de 13 musicas e não deixaram pedra sobre pedra. Mas os brota são meio folgados. Não trouxeram nem baquetas na excursão e ainda estragaram, não de propósito, é claro, tarraxas e afins dos instrumentos emprestados. Mas, são detalhes que parece não ter incomodado ninguém. Foda foi a treta que rolou no show do dia anterior, na Cohab Carapicuíba, também em São Paulo, com o ferimentos de alguns, criando mais uma péssima imagem desse país repleto de péssimas imagens.

Criada em 81, apenas Lazze (40 anos), o vocal, fez parte da primeira formação. Os demais membros são os seguintes: Perttu na bateria, Nappi no baixo e Vege na guitarra. O repertório da banda é na língua pátria. Mesmo assim eu vi uns caras cantando com eles meus camaradas! Quando a vontade predomina não existem fronteiras! Javier, guitarrista da banda ARMAGEDOM, teve participação em alguns vocais e se saiu muito bem. É isso ai Javier, quebra tudo veio! Cerveja a dois reais, negada turbinada, uma banda há muito tempo esperada, só podia render um puta show! Mais de onze da noite, se é que alguém estava olhando para o relógio, fim de show. A rua lotada (esse bar fica perto de um shopping e de vários outros bares), mostrava que ninguém estava muito preocupado em voltar para a casa.

Pra não sacanear vocês, pra que vocês não fiquem curiosos quanto as musicas tocadas pelos caras, veja abaixo, copia escaneada do set list do RISTETYT. E antes que eu me esqueça, LONGA VIDA AO PUNK/HARDCORE! Que mais bandas venham ao Brasil. Que mais "veios" voltem a tocar. Que mais "moleque" descubra o poder da verdadeira musica.  

Niva dos Santos - especial para o Portal do Rock
agradecimentos especiais pelas fotos cedidas por Viviane


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Entrevista com Perttu, baterista do Riistetyt

Entrevista com Wilson, baixista do Brigada do Ódio

Entrevista com Vlad (Ulster e Brigada do Ódio)

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