Sampoerma Surf Music
TSOL - Agent Orange - Boom Shaka - Tribo de Jah
09/11/2001 - Credicard Hall- São Paulo - SP

O Portal do Rock esteve cobrindo o evento patrocinado pela Sampoerma, marca tradicional de cigarros de cravo, que trouxe para o Brasil grandes nomes da música jovem mundial como TSOL, Agent Orange e Boom Shaka, que ao lado da banda brasileira Tribo de Jah, percorreram diversas cidades do país com o que eles chamaram de Sampoerma Surf Music.

Ao todo foram 12 shows que aconteceram em Vitória, São Paulo, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Juiz de Fora, Brasília, Maresias, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba.

Este show que comentamos aqui é o que rolou em São Paulo, no Credicard Hall, que contou com público fraco (algo em torno de 1000 pessoas), mas que com muita empolgação curtiram todas as atrações.

Além dos shows destas quatro bandas, o pessoal da Sampoerma também presenteou a galera com sorteios de pranchas de surf. Pena que a gente não teve sorte e não faturou as pranchas, pois pareciam ser bem legais!

  A primeira banda a se apresentar foi o Boom Shaka, que faz um reggae tradicional, bem ao estilo de Bob Marley, mas com muita modernidade e sonoridade, comparáveis até mesmo ao reggae man Jimmy Cliff. Muito divertido e alegre, mas nada a ver com nossa praia rock and roll!
 
 
 
Dando seqüência às atrações da noite, foi a vez dos californianos do Agent Orange subirem ao palco do Credicard Hall, para colocar um pouco de rapidez e agressividade no som da casa.  
 
 
 
 
Começaram bem, com a belíssima instrumental "Miserlou", que ficou imortalizada pelas guitarras do velho roqueiro e surfista Dick Dale, mas que segundo conta a lenda, foi composta por Dan Winslow e Steve Wahrer, da banda americana do Minnesota, chamada The Trashmen, que sem dúvida é a maior referência em termos de surf music tradicional para todas as gerações de bandas do estilo, inclusive outros estilos como o punk rock. Tanto é verdade que até os Ramones regravaram o grande clássico da banda, chamado "Surfing Bird".
  O Agent Orange ainda tocou vários de seus clássicos como "El Dorado", "Breakdown", "América", "It's All A Blur", "Bloodstains" entre outras.

A banda foi muito prejudicada no começo de sua apresentação, pois nas duas primeiras músicas o microfone de Mike Palm estava desligado e ninguém conseguiu ouvir o cara cantar. Que pena que uma casa com o nome que tem o Credicard Hall, possa ter deixado passar esta mancada!
 
 
 
 
 
Passado estes primeiros momentos de rock de verdade, chegava a vez da outra banda de hardcore/pop da Califórnia se apresentar. Estou falando do TSOL, que trouxe nos vocais Joe Wood, que não é da formação original da banda.

Porém, vale ressaltar que depois do lançamento do álbum "Beneath The Shadows", de 1982, o TSOL se dissolveu, sendo que aquela formação original, com Jack Grisham, Ron Emory, Mike Roche e o finado baterista Todd Barnes, perdeu todos os direitos pelas músicas e pelo uso do nome TSOL, depois da saída de Jack e Todd.
Então surgia assim um novo TSOL, ainda com Ron na guitarra e Mike no baixo, porém agora com este Joe Wood nos vocais (que aliás é cunhado de Jack) e um tal de Mitch Dean na batera. Com certeza este TSOL nada tem a ver com o TSOL dos velhos tempos. Esta banda tornou-se uma coisa mais comercial e mais voltada para a surf music, não a surf music propriamente dita, mas o som que os surfistas curtem, muito pop mesmo!  
 
 
 
 

Com esta formação, eles lançaram o disco que mais fez sucesso na carreira da banda, o "Change Today?" em 1984, que cujo o próprio nome pergunta, "Mudar Hoje?". E eles mudaram mesmo, para a banda foi para melhor, mas para os fãs do punk rock/hardcore, foi uma péssima atitude. Com Joe Wood nos vocais, lançaram ainda os discos "Revenge" (1986), "Hit and Run" (1987), TSOL Live (1988) e uma coletânea dos melhores sucessos da banda, chamada Hell And Back Together, que era uma versão do disco "Best Of - 1984-1990".

Este disco foi lançado em 1991 e traz no encarte, explicações do porque a formação original do TSOL acabou e porque eles venderam todos os direitos de uso do nome TSOL. Estas explicações são escritas pelo próprio Joe Wood e por Mitch Dean.

Neste meio tempo, de 1983 até 2000, Jack, o vocalista original, esteve tocando com outras bandas, dentre elas a de mais destaque foi o Tender Fury. Os integrantes originais do TSOL ainda se reuniram algumas vezes para alguns shows, adotando o nome de TSOL - The Original Members.

  Mas por incrível que pareça, o TSOL original voltou à ativa e agora em 2001, com Jack Grisham (vocal), Ron Emory (guitarra), Mike Roche (baixo) e Jay O'Brien (bateria), gravou seu mais recente e inédito CD, chamado Disappear, que saiu pela Nitro Records.

Portanto, lamentamos informar que o TSOL que esteve tocando no Brasil não é a formação original. Mas não se pode dizer que se trata de uma farsa, pois Joe Wood e os demais integrantes que estiveram tocando por aqui, detém todos os direitos de uso do nome e das músicas da banda.
 
 
 
 

Este é um caso muito interessante de banda que conseguiu o impossível e inusitado, virar duas bandas e agradar a gregos e troianos, ou seja, punks e surfistas. Quem sabe um dia possamos ter o TSOL com sua formação original no Brasil!

Mesmo com esta nova formação, o show dos caras neste Sampoerma Surf Music foi excelente! Muito bom mesmo!

Realmente, a galera que tava lá queria ver JOE WOOD e nem sabe dessa história de formação original, etc. Todos queriam ouvir os sucessos da banda, como "Flowers by The Door", "Black Magic" e "This is Your Life", do disco Change Today? E ouviram, pois o TSOL mandou esses e muitos outros de seus inesquecíveis clássicos, que com certeza embalaram as ondas de muita gente, de gerações diferentes, em todo o planeta, inclusive no Brasil.

Este disco Change Today? foi relançado em 1999, com várias faixas bônus. Posso afirmar sem medo de errar que ninguém esteve neste show para ver o JACK GRISHAN, porque apesar dele e os integrantes originais do TSOL terem influenciado bandas como Offspring, Pennywise e Bad Religion, ele pulou do bonde na hora errada e acabou desconhecido do grande público!

Encerrando a noite, foi a vez da banda brasileira Tribo de Jah, que colocou a galera pra dançar ao som de seu reggae raiz, que agora está um pouquinho mais comercial que no começo de carreira, mas sem dúvida feito com muita qualidade e dedicação. Salve Jah!

Marcio Faveri - da redação

Ilustração e fotos - Paulo Vinicius


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