Show
SHAME - SUGAR KANE - A-OK - DEAD FISH
19/04/2002 - Hangar 110 - São Paulo - SP

Shows com as bandas do selo Terceiro Mundo Produções fonográficas. O selo Terceiro Mundo é capitaneado pela banda DEAD FISH. Das quatro bandas que se apresentaram no Hangar, só a SHAME não esta com disco novo na praça. SUGAR KANE, banda paranaense esta lançando o CD "Por Nossa Paz"; A-OK, também do Paraná, "Aprecie Com Moderação e o DEAD FISH , do Espírito Santo, "Afasia".

Cheguei no Hangar antes das nove da noite, mas infelizmente a banda SHAME estava nos últimos acordes. Deu pra sacar que era HC Melódico, assim como as demais bandas da noite. Duzentas (talvez um pouco mais) pessoas, na sua maioria adolescentes, ocupavam os espaços do Hangar 110, onde era possível até caminhar, quando o SUGAR KANE subiu ao palco. A banda paranaense mostrou estar muito bem ensaiada e muito bem entrosada no palco. É interessante ressaltar esses aspectos, para mostrar que a "molecada" não esta para brincadeiras. O publico reagiu muito bem ao repertório antigo e às musicas do novo álbum.

O SUGAR KANE tem um excelente trampo de guitarra, lembrando em algumas musicas o HC da velha escola. Capilé segura legal na guitarra e nos vocais, que não tem, desculpem, aquela "choradeira", meia tradicional de muitos vocalistas desta vertente.

 

Vinil, na segunda guitarra também não decepciona, enquanto Katatau na bateria, toca como "gente grande". A cozinha se completa com Junior no baixo. Das musicas do CD novo que a banda apresentou naquela noite, destaco duas (e a rapaziada presente, pelo comportamento demonstrado, acredito que também): "Contra Todos" e "As Vezes Penso". Uma característica comum à maioria das bandas, o SUGAR KANE rende muito mais ao vivo. Se um dia a grande mídia escrota esquecer o jabá e começar a valorizar aqueles que realmente merecem, antevejo um brilhante futuro para os manos do SK.

A-OK (de Curitiba tal qual o SK) foi a terceira da noite. Com certeza, o vocalista Daniel, foi quem conseguiu uma melhor sinergia com os presentes. O Cara tem uma postura muito boa de palco alem de ser super simpático com todo mundo. Alias, não rolou nenhuma estrelinha e todos estão de parabéns. Musicas nas pontas dos dedos e entrosamento idem (ai veiarada de vinte anos de estrada, nesse quesito a molecada bate "nóis" fácil!), o A-OK também botou todos pra pular com musicas das demos e coletâneas antigas mais aquelas do CD novo.



Escrevi no review do CD novo que a voz do Daniel é meia chorona . Continuo achando que ele precisa dar uma trabalhada nesse lado mas, no palco, pra variar, as coisas funcionam melhor, rolam mais naturalmente, sem a escravidão do estúdio, da fita que esta gravando tudo do outro lado do vidro na mesa do técnico de som e, gostei do que ouvi. O trampo solo do guitarrista Ricardo é bem profissional. Mega na guitarra base, Raphael no baixo e R. Hayden na bateria, complementam com qualidade a proposta do grupo. Não conheço nada da banda anterior ao novo CD mas, parece que era em inglês, porque eles cantaram muita coisa nesse idioma. Desse novo, as que fizeram o povo pogar com mais vontade foram as faixas "Preconceito", "Cativeiro" e "Um Motivo Para Sangra".

Fechando a noite, os "veteranos" do DEAD FISH. Pode-se dizer que o coro comeu durante as apresentações de todas as bandas que eu assisti mas, talvez pelo CV mais antigo, o DEAD foi a banda responsável pelo fogo/rescaldo mais intenso da Sexta 19. Entremeando musicas do CD anterior "Sonho Médio" com as do novo "Afasia", com um discurso político, importante diferencial entre as demais bandas de HC Melódico, que tem letras direcionadas mais para o mundo adolescente, o DEAD FISH fez uma apresentação memorável.  

Nô é um dos baterista mais fodidos da chamada "New School" e tocou de forma alucinada e muito técnica. Rodrigo nos vocais, sempre na beirada do palco, deu fim à timidez de alguns que ainda não haviam se aventurado no meio do agito. Giuliano e Murilo também comprovaram que os anos de estrada não foram em vão. Alyand no baixo também não deixou por menos., provando que o baixista não é um mero adereço de palco. Como eu não conheço quase nada do CD novo, das musicas que os caras tocaram, as que eu mais gostei foram "Modificar", "Sonho Médio" e "Por Paz", do CD "Sonho Médio".

Acabou. Ainda bem que ainda era Sexta com o Sabadão e o Domingo pela frente. Os horários foram cumpridos, provando que não existe mais espaço para amadorismo na cena Punk Hardcore. Alias, o selo Terceiro Mundo tem mostrado que é possível trabalhar com honestidade nesse nosso underground que, devido às proporções atingidas, já passou da hora de deixar de ser como tal.

Um entrosamento entre o "velho" e o "novo", com mais espaços para tocar, banimento definitivo de qualquer resquício de panelas e preconceitos musicais, deveriam ser as próximas metas de todos os envolvidos nessa nossa efervescente cena . Uma invasão na marra no podre universo dos detentores de permissão para operacionalizar os meios de comunicação também se faz necessária. Mas, essa é outra historia e devera ser contada em breve.


Niva dos Santos - especial para o Portal do Rock
Fotos: Niva dos Santos

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