Show
- Sepultura
Abril/2002 - Abril Pro Rock - Recife - PE
Sepultura em noite antológica!
Na sua décima edição o Abril pro Rock 2002 não teve o público
esperado pela produção do evento, mas o sábado - dia tradicional
das bandas pesadas - passou batido com 5000 headbangers enlouquecidos
por Metal. Aquecidos pelo Krisiun - que mandou muito bem por
sinal - o show mais aguardado da noite era dos reis do metal
brasileiro: Sepultura.

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Com a platéia na mão, cantando as músicas em uníssono, os
caras colocaram o Centro de Convenções de Pernambuco pra
baixo com muito peso e competência, o vocal de Derrick ecoava
nas paredes acompanhado pela avalanche sonora produzida
por Igor, Andreas e Paulo.
Com um setlist muito bem elaborado, passeando por toda discografia
da banda, a paulada começou com Troops of Doom deixando
os veteranos em lágrimas, para dar sequência com músicas
do Chaos A.D., Against e Nation. Ninguém parado, nada de
respirar, era metal puro e o público respondeu à altura
com muito pogo e braços levantados acompanhando as músicas,
tudo num clima de muita paz e diversão.
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O
Sepultura não fez por menos e presenteou o Abril pro Rock com
uma inédita, até então chamada Corrupted, e como se não bastasse
a noite, chamam Alex Camargo, baixista do Krisiun, pra tocar Iron
Fist do Motorhead e finalizam com Roots Bloody Roots deixando
a marca de melhor show do festival. Sorte dos fãs que voltaram
satisfeitos pra casa com aquela zoeira gostosa de show bom na
cabeça. Grande noite!
Juca
Rocha
- especial para o Portal do Rock
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Show
- Textículos de Mary
Abril/2002 - Abril Pro Rock - Recife - PE
Tapa na cara com luva de veludo ao vivo!
Quem senta no Bar Boratcho, localizado na famosa Galeria do
Pina em Recife, nem imagina que aquele garçon com nome de
machão "o Fábio", altão com jeito estranho, óculos pretos
grossos, magricela e cara de tímido intelectual faz parte
de uma banda que atende pelo nome de Texticulos de Mary é
formada por mais três seres extraterrenos com alcunhas de
Chupeta, Pixota, Cilene Lapadinha e o nome dele na verdade
é Lollypop. Plumas, maquiagens e vibradores misturados com
punk rock fazem da apresentação desta banda colocar por terra
qualquer conceito de show ao vivo. Os caras assumem que são
gays e intitulam-se os defensores dos excluídos da sociedade,
dos travestis, michês, putas e são curiosamente repugnados
pelo público GLS e cultuados por roqueiros.

Antes de começar o show, o lendário Roger de Renor, produtor
e dono do Pina de Copacabana - bar antológico localizado no
Recife Antigo - avisa que vai entrar no palco do Abril pro
Rock 2002 a banda mais original de Pernambuco nos últimos
tempos, as cenas que se seguem são pra deixar o mais desavisado
totalmente sem ação, o vocalista Chupeta mal inicia a cantar
se joga no chão e simula um felatio com Lollypop. Lá pelas
tantas ele/ela pede pra que a platéia comece a xingar a banda
de tudo que é palavrão, (na maioria chamam de viado é lógico),
daí todos da banda enlouquecem de prazer, pedindo pra gritarem
mais alto dizendo que estão adorando. Como se não bastasse,
insatisfeitos, as bibas dantêscas pegam uma boneca daquelas
chuquinhas adaptada com um cacete de borracha enorme e culminam
mordendo até esguichar sangue falso pelo palco todo.
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Isso
tudo rolou com o som pesado por trás movimentando as
rodas de pogo na frente do segundo do palco do Centro
de Convenções, enquanto que os fãs do Pato Fu - banda
que ia entrar logo após - aguardavam atônitos assistindo
este circo do horror. O figurino da banda é um show
a parte, parece ter sido tirado de um armário de uma
prostituta velha adepta de sadomasoquismo, com botas
de cano alto brilhantes, calcinhas de renda vestidas
na cara, cintas liga, correntes e armas de brinquedo
fariam qualquer produtor de moda ter um enfarto. New
York Dolls é fichinha pra essas drags revoltadas, que
enquanto trocentas bandas da cena tentavam fazer igual
a Chico Science ou tocando cover em boates da moda,
os Texticulos mandavam ver com muito som pesado, fazendo
show em tudo que é canto do underground.
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Na apresentação do ano passado, simplesmente tiraram eles
do ar cortando o som das caixas, resultando numa vaia furiosa
do público que pedia mais e mais. As gravações dos Texticulos
são raras e disponíveis apenas para colecionador, espera-se
que depois de dois Abril pro Rock alguma gravadora tenha coragem
de colocar estes caras no circuito nacional, todos integrantes
dependem de outras atividades pra sobreviver, mas marketing
não falta pra fazer desta banda um tapa de luvas de veludo
na cara do marasmo produzido pela era pós - mangue, que teimava
em impregnar a cidade. O punk está ressurgindo na cena recifense,
outras bandas apostam no ritmo e principalmente na atitude,
os Texticulos de Mary demonstram que vinheram pra ficar, e
irritando seja quem for com muita irreverência e rock, que
venham mesmo, com muito luxo e riqueza como diz o Fábio, aliás,
Lollypop.
Juca
Rocha
- especial para o Portal do Rock

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