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Comovidos
pelo sentimento de tristeza que pairava no ar naquela noite, em
virtude da perda do grande mestre Joey Ramone, as pessoas que
praticamente lotaram a casa puderam ter a certeza de que o estilo
e a originalidade dos velhos Ramones ficarão eternizados para
sempre, graças ao som de bandas como The Queers e Carbona (esta
do Brasil), que aprenderam muito bem a lição do 1,2,3,4.
A primeira banda a se apresentar foi os Muzzarelas, banda da cidade
de Campinas, que fez um show um tanto quanto técnico, mais preocupados
em não errar do que com a energia que uma banda de punk rock deve
passar para a galera. A banda pode até ter fortes influências
dos Ramones, o que não é exclusividade das bandas punks hoje em
dia, mas o vocal dos Muzzarelas tinha um "q" de metal inegável,
destoando um pouco na noite punk rock. Impressão minha? Pode ser,
mas essa não é a primeira vez que os vejo tocando e é o que realmente
penso. Não posso negar que o som da banda teve peso e consistência
e que tenha empolgado a galera, esta composta por várias pessoas
de Campinas.
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Carbona
A segunda banda a se apresentar, bem antes do The Queers,
foi o Carbona, banda do Rio de Janeiro, que a cada show
me surpreende pela competência com que eles captaram o estilo
Ramones de tocar rock and roll. Em um show talvez comparável
ao da atração principal da noite, os brothers cariocas conseguiram
tirar a galera do chão e detonaram em músicas como "3 Years
Fuckin' Live" e "Straight Out the Bayley Show".
Também souberam emocionar e cativar o público fazendo um
cover da música "Love Kills", dos Ramones, que foi composta
por Dee Dee Ramone em 1986 e está no álbum Animal Boy dos
Ramones. Teve ainda a participação especial do vocalista
André, da banda Zumbis do Espaço, que agitou ainda mais
a apresentação do Carbona. Eu tinha visto uma excelente
apresentação da banda alguns anos atrás, quando eles abriram
para o Marky Ramone & Intruders, na Broadway em São Paulo,
mas achei que eles estão bem melhores agora. Parabéns Carbona,
Vocês honraram bem o estilo!
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The
Queers
O show mais aguardado pelos bubblegumers de plantão e pelas punkskatesurf
girls presentes naquele domingão.
Ressalva: quando entrevistei os caras, achei Joe Queer um tanto
quanto arrogante, lembram? Quero fazer um comentário. Eu realmente
não curti o que ele falou sobre o punk rock inglês, o qual ele
despreza, mas também tenho que esclarecer que o som que o The
Queers faz nunca teve e nunca vai ter nada a ver com o punk inglês.
É bubblegum mesmo, som muito influenciado (para não dizer copiado)
dos Ramones, com pitadas de surf music e alguns acordes de Black
Flag.
Analisando por este lado, ou seja, classificando-se a banda de
forma correta, tenho que admitir que os caras detonam ao vivo.
Foi um show de rock profissionalíssimo, do começo ao fim, sem
pausas, só na base do 1,2,3,4. Eles tiveram a manha de tocar um
show de quase 1 hora, com uma música grudada na outra, sem pausas
para discursos ou ajustes de qualquer natureza. Nem os próprios
Ramones eu vi fazendo isso! Para não dizer que eles não pararam,
eles pararam uma vez, para falar qualquer coisa sobre a satisfação
de estarem tocando no Brasil e que querem voltar ano que vem.
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Eles
tocaram várias músicas sem set list, tudo na cabeça dos caras
e no comando de Joe, o que fica muito difícil para quem não
conhece o som dos caras mencionar quais as músicas que rolaram.
Vou destacar algumas, que realmente foram as que mais empolgaram
o público. Destaque para "Punk Rock Girls", "Teenage Gluesniffer",
"Surf Goddess", "Fuck You", "Tamara is a Punk" e "This Place
Sucks", que eles tocaram duas vezes, uma no meio do show e
outra no final do bis. Será que eles acharam que "this place
sucks"???
Surpresa da noite, a cover de "If the Kids are Allright",
originariamente do The Who, mas conhecida pelos punk rockers
na versão da banda punk inglesa Eddy and The Hotrods (pioneira
no punk rock, formada em 1976). |
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Tocaram
ainda dois covers dos Ramones: a clássica "Rockway Beach", do
álbum Rocket to Russia, de 1977 e a lendária "You're Gonna Kill
that Girl" do álbum Leave Home, também de 1977. Esta música foi
a que mais me emocionou naquela noite e me fez ficar paralisado,
olhando para o enorme poster dos Ramones pendurado na parede do
Hangar (ampliação da capa do Rocket to Russia), pensando...será
mesmo verdade que nunca mais vamos ver Joey à frente dos Ramones,
à frente do punk rock e à frente de seu tempo. À frente dos Ramones
outros poderão estar, mas o punk rock e a história nunca terá
outro Joey Ramone. Valeu The Queers, vocês conseguiram nos fazer
acreditar mais uma vez naquela famosa máxima: "o artista pode
morrer, mas sua obra é eterna". Vocês são a prova viva disso!
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Marcio
Faveri - da redação
Se você foi ao show e quer fazer uma resenha ou fazer um
comentário, mande um e-mail para
baladas@portaldorock.com.br
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