The Toy Dolls
25
/10/04 - Little Vega - Copenhagen - Dinamarca

Faz frio em Copenhague, mas não tanto. Chego ao Little Vega, anexo de uma casa de shows com cara de clubinho. Um pequeno cartaz na porta anuncia: “The Toy Dolls”. Bom, estou no lugar certo.



Pego na bilheteria meu ingresso comprado pela internet e vou direto para a banca de camisetas administrada pelo simpático Koen. Não resta muita coisa, apesar da turnê ter começado há apenas dez dias.

 

Compro uma camiseta grande demais para mim, mas que tem um grande “Procurados: por shows de punk rock” estampado na frente. Guardo minhas coisas na chapelaria e subo uma escada cinematográfica em direção à sala principal.

Parece um pub inglês, com alguns bancos altos e um grande balcão de madeira escura de onde saem incontáveis copos de cerveja. Como bebem esses dinamarqueses!



As luzes se apagam e a pequena multidão se aglomera à beira do palco. Ao som de “The Final Countdown”, do grupo oitentista Europe (alguém ainda se lembra?), Tommy Goober e Dave the Nut se posicionam no baixo e bateria, ao lado do próprio Yul Brynner, que monta guarda em tamanho natural. Onde está Olga, o motor e gênio criativo dos Toy Dolls, a guitarra mais rápida do norte da Inglaterra?

A resposta, um tanto óbvia: uma grande caixa onde se lê “Our Last Tour?” se abre de repente e dela pula o incansável vocalista, no melhor estilo Tex Avery.

 
  A Telecaster amarela começa “Dig That Groove”, o que causa uma verdadeira comoção e logo só se vê gente pulando e cantando junto. E haja fôlego, porque o que se segue é uma verdadeira lista de greatest hits, todos devidamente acompanhados em coro pela platéia.

“Tommy Kowey’s Car”, “Fisticuffs in Fredericks Street”, “Dougy Giro”, “Firey Jack”, “Lambrusco Kid”,“She Goes To Finos”, “Idle Gossip” e tantas outras velhas conhecidas vão sendo disparadas.

Olga toca de cabeça pra baixo, montado nos ombros do baixista, de pé, sentado, com a habilidade de sempre. Toca Mozart e toca Beach Boys. Bem acompanhado por essa nova formação, que participa do novo álbum e treinou incansavelmente as 25 músicas que fazem parte do show. Nada deixam a desejar em relação a Marty, K’Cee, Happy Bob, Flip e outros que fizeram parte do universo Toy Dolls, tanto musicalmente como na aparência única.



Dave the Nut, careca e vermelho como um tomate espanca a bateria com um vigor e potência notáveis. E Tommy, que tem cabelo vermelho e uma barriga que tem vida própria, acompanha os ziguezagues de Olga com facilidade. Os dois arriscam até uma versão a dois violões de “The Entertainer”, de Scott Joplin e que foi tema do filme “The Sting” nos anos 70. É o momento “relax” do show, onde a adrenalina baixa um pouco.

Olga volta contando a história de Kendra em “Olga I Cannot” e emenda com uma música do novo disco, “The Death of Barry the Roofer With Vertigo”, que inexplicavelmente é acompanhada pela platéia - apesar de, na época, o disco nem ter sido lançado ainda. Bem, coisas de fãs.

 


Seguem “Back in 79”, “Bless You My Son”, “My Girlfriend´s Dad´s a Vicar”, ”Glenda and the Test Tube Baby” e “Alec’s Gone”, todas cantadas e dançadas em uníssono por punks, alguns carecas pacíficos, velhos fãs, adolescentes e barbudos, até o último acorde.



Mas como assim? Acabou? Não, e começa a gritaria pedindo bis. Eles voltam e em grande estilo. O bis não é um bis, são vários. E “Nellie the Elephant” nos avisa que é hora de ir pra casa, pois é o grand finale.


na foto: Olga com Annix

Mas ninguém vai. As luzes se acendem, os bêbados são recolhidos, as últimas rodadas de cerveja rolam e eu fico um tempinho à espera da banda, que prometeu descer após cada show para falar com os fãs. Afinal, pode ser a última vez. Ou não?

Texto e Fotos: Annix - especial para o o Portal do Rock