Baladas

Show - UK Subs
São Paulo - 15/09/2001
Abertura: Cólera - Kollapso 77

A banda UK Subs esteve fazendo sua primeira e memorável turnê pelo Brasil neste mês de setembro, a convite do selo/produtora Ataque Frontal. Estivemos no show da banda em São Paulo e descrevemos abaixo, com exclusividade, tudo o que rolou naquela grande noite.

 
 
 
 
 
Bandas de Abertura

A primeira banda da noite foi o Kollapso 77, que aproveitou a presença do UK Subs, para lançar em grande estilo seu mais recente CD, chamado Cheiro de Sangue, disponível no catálogo do selo Ataque Frontal. A banda faz um punk rock, digamos, raíz, básico, ou seja, bem ao estilo da maioria das bandas punks paulistas da década de 80. Muita energia no palco, baladas boas para agitar e serviço bem feito.
  A segunda banda a se apresentar foi a lenda Cólera, orgulho do punk rock nacional e sobrevivente de uma leva de milhares de bandas do rock nacional, que sucumbiram ao longo dos anos 80 e 90. O Cólera continua lá, firme, como um monumento cravado no coração de São Paulo, patrimônio mesmo saca?

O show da banda é sempre excelente. Redson (vocal/guitarra) sabe muito bem como conduzir o trio, formado ainda por Pierre (bateria) e Fábio (baixo). No repertório da banda não faltaram as clássicas "Pela Paz", "É Natal", "Palpebrite", "Direitos de Viver", entre outras, bem como novos hits, como "Qual Violência", do último CD da banda. Era apenas um presságio do que a noite ainda reservava para os presentes!
 
 
 
 
 
UK Subs

Quando Charlie Harper apareceu no palco, praticamente se escorando nos microfones, amparado por uma lata de cerveja, perguntei-me: "Caralho! Será mesmo que o UK Subs vai tocar aqui???" Pois é, eles estavam lá, no palco, como se tivessem sido extraídos de um pub inglês do final da década de 70. Basicamente a mesma formação original, ou seja, a formação que esteve no Brasil é a considerada "clássica". Além de Charlie nos vocais, o mestre Nick Garrat (guitarra), Alvin Gibbs (baixo) e o novato Jason (bateria).
Abrem-se as porteiras e começa o espetáculo. O primeiro touro, ou seja, a primeira música é "CID", uma das primeiras músicas gravadas pela banda e um clássico do punk rock. Nick (o guitarrista) está maluco, ensandecido mesmo!  
 
 
 
 

O cara pula como um macaco e cai no chão o tempo todo com sua guitarra Golden Smith, a mesma usada por Buzzcocks, Stiff Little Fingers e a maioria das bandas punks inglesas. Porque? Diz a lenda que os caras de Londres, lá pelos idos de 1976, queriam uma guitarra que tivesse o mesmo timbre da guitarra de Johnny Ramone. Então como a Gibson e a Fender não conseguiam aquele som tão desejado, um "tiozinho" chamado Mr. Smith, que até hoje possui uma fabriqueta artesanal de guitarras, projetou e fabricou este modelo de guitarra, Golden Smith, atendendo aos pedidos dos punks locais.

História da Música à parte, o show rolaria muito bem se não fosse o péssimo ajuste do som da casa, que fez com que nas primeiras 5 músicas, o vocal de Charlie fosse abafado pelos demais instrumentos, deixando muito a desejar tecnicamente. Demorar mais de 4 músicas para encontrar a equalização ideal para um show deste porte é no mínimo amadorismo forte!
  Passado este começo de penumbra, o show segue com mais clássicos como "Party in Paris", "Endangered Species" (preferida de Charlie), "Warhead", que tem uma letra super atual, falando das guerras no Oriente Médio e Ásia. Teve também a polêmica "Organised Crime", que mete o pau nos fiscais do imposto de renda da Inglaterra, com trechos como "tem um cara que confisca seu dinheiro, tem um cara que confisca seu carro, tem um cara que confisca seu cigarro, tem um cara que confisca sua mulher. Ele é um fiscal do governo, batendo à sua porta. Ele é um fiscal do governo, sempre querendo mais". Acho que pelo visto estes fiscais só mudam de endereço, pois tanto lá como aqui, fazem a mesma coisa, talvez com a única diferença: lá o dinheiro é revertido para o povo e aqui a grana escoa no ralo da corrupção!
 
 
 
 
 
Rolaram ainda outras baladas clássicas da banda como "Teenage", "B1C" "I Live In A Car", "Emotional Blackmail", " New York State Police", "All I Want To Know", "Crash Course", "Tomorrow´s Girls" e "Stranglehold on Me", matando as saudades dos "punks véios" que estavam presentes em massa no show.
O UK Subs é realmente uma das poucas e autênticas bandas punks que eu já vi ao vivo. Tive o prazer de conhecer pessoalmente os integrantes da banda e percebi que eles levam ao pé da letra os ideais punks.  
 
 
 
 
 
Bom, assim foi o show da lenda britânica, que como um grande amigo meu disse "quem viu, viu, quem não viu, compre passagem e vá ver na Europa!". Provavelmente estes caras nunca mais voltem a tocar por aqui, o que é uma pena, pois a molecada teria muito o que aprender com dinossauros como eles.
 
"Terrorismo e terrorismo de estado, não podem ser toledados jamais!". Valeu UK Subs!!!

Marcio Faveri - da redação

Fotos & Arte- Paulo Vinicius
 
 
 
 
 

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