Show
- The Vibrators
27.01.2001 - Hangar 110 - São Paulo - SP
Abertura: Underboyz e Holly Tree
O
passagem da banda inglesa The Vibrators pelo Brasil no mês de
janeiro foi muito semelhante à passagem de um cometa por
um planeta desabitado. Assim como o cometa, a banda é brilhante
e atravessa várias gerações do rock, mantendo a originalidade
e a competência, que lhe garantem o título de mais antiga banda
de punk rock do mundo, em atividade ininterrupta.
Quanto ao Brasil, ele se assemelha muito aquele planeta desabitado,
por onde passou o cometa Vibrators. A total falta de conhecimento
e memória musical da maioria dos críticos de música tupiniquins,
renderam pouquíssima repercussão à presença da banda inglesa por
aqui e até mesmo as consideradas "rádios rock" e outros orgãos
da mídia televisiva e escrita que se propõem a falar sobre música,
sequer mencionaram o nome da banda em suas pautas, numa absoluta
prova de ignorância musical.
Bom, vamos ao que realmente interessa, os shows!
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A
primeira banda a subir no palco do Hangar foi a paulistana
Underboyz, que faz um punk rock competente, com composições
próprias em inglês e que está prestes a lançar seu CD pelo
selo Ataque Frontal.
E energia e a garra do trio são a marca registrada da banda.
O público sentiu este "punch" e agitou muito, principalmente
quando tocaram o cover dos Ramones "53rd and 3rd", que deve
fazer parte do CD Rock and Roll Radio - Tributo aos Ramones,
que será lançado também pelo Ataque Frontal. |
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A
segunda banda a se apresentar na noite foi o Holly Tree. A banda
já é conhecida do público e é presença garantida na maioria dos
shows e festivais onde se apresentam grandes bandas de punk rock.
Recém chegada do Rock in Rio 3, onde juntamente com Supla, versão
brasileira do Billy Idol e ícone dos Piores Clipes do Mundo da MTV,
se apresentou na Tenda Brasil, o Holly Tree é o tipo da banda 8
ou 80.
Existem aqueles que curtem muito o som da banda e aqueles que detestam.
Musicalmente falando, eles são impecáveis, possuem muito sincronismo
e boa presença de palco. Quanto à atitude, que supõe-se deva ser
punk, fica difícil analisar, pois também cantam em inglês, o que
dificulta a sinergia com o público punk rock, que no Brasil adora
acompanhar músicas como "isto é olho seco, seco, seco, seco", "pela
paz, pela paz em todo o mundo", "anarquia oi, oi, anarquia oi, oi",
e por ai a fora, se é que vocês me entendem. |
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Genericamente
falando, pode-se dizer que o público mais jovem, até os 21
anos, curte muito o som dos caras, pela semelhança e inevitável
comparação com a banda americana Green Day e pela competência
já mencionada. Já a maioria dos nascidos antes de 1980, tem
outra opinião sobre a banda e acham que apesar de representarem
bem o punk rock nacional, pecam por não cantarem em português,
sendo que para uma banda punk brasileira, daquelas que existiam
entre os anos 1981 e 1985, cantar em português era fator de
sobrevivência.
A banda fez uma boa apresentação e marcou mais um ponto na
carreira com a vinda dos Vibrators ao Brasil, pois gravaram
junto com os caras a música "Judy Says", que deve fazer parte
da coletânea Punk 77, que será lançada este ano pelo Ataque
Frontal, contando com 5 bandas brasileiras tocando covers
de bandas punks do final dos anos 70. |
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Sobre
a produção do show, mais uma vez nossos parabéns ao Renato do selo
Ataque Frontal, que segue firme na luta para trazer mais e mais
bandas de renome no estilo punk rock ao Brasil, assim como ao Hangar
110, que vai se firmando como o CBGB brasileiro, sempre hospedando
as grandes feras do rock "underground" internacional e nacional.
Uma ressalva: cada vez mais bandas internacionais estão vindo para
o Brasil e estão se apresentando com freqüência por nossas terras.
Assim como o Vibrators, a maioria cantam em sua língua, o que é
uma forma de difundirem a cultura de seus países. Não estaria na
hora de darmos mais espaço à bandas brasileiras que cantam em português
e que realmente tem algo a mostrar de tipicamente nacional, até
mesmo para as bandas que vem de fora. Tenho certeza que Knox (Vibrators)
gostaria muito de saber o que se faz por aqui no punk rock brasileiro,
principalmente cantado em português. No show da banda, aposto que
eles se sentiram em casa (na Inglaterra), pois todas as bandas cantavam
em inglês. Não se trata de crítica, mas sugestão, de quem acompanha
os shows junto da galera e se liga no que a maioria das pessoas
estão comentando. |
The
Vibrators!
Quando Knox (vocal/guitarra), Eddie (bateria) e RobbieTart
(baixo), subiram ao palco do Hangar 110, marcando a primeira
apresentação da banda na cidade de São Paulo em 25 anos de
carreira, a emoção tomou conta deste que vos escreve e com
certeza de muitos que estavam por lá e que esperavam por aquele
momento há muitos anos.
Foi um momento realmente mágico, ver ídolos que influenciaram
gerações de roqueiros por todo o mundo e que juntos com bandas
como Ramones, The Clash, Sex Pistols e Buzzcocks, mudaram
os rumos do rock mundial, adotando uma nova conduta, uma nova
e simples maneira de fazer valer as diretrizes básicas do
bom e velho rock and roll, que na sua essência foi criado
principalmente para divertir as pessoas e revolucionar o mundo. |
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A
primeira música do show foi "Pure Mania", que também é o título
do primeiro álbum lançado pela banda e que fez um enorme sucesso
em todo o mundo. Logo de cara, fica clara que a banda é daquelas
típicas bandas punks inglesas, que agitam muito com o público. Destaque
para o baixista Robbie que tinha uma presença de palco muito chamativa
e ficava fazendo poses inusitadas e lembrando muito o falecido Sid
(aquele que era baixista daquela banda que tinha um vocalista que
se chamava Johnny Rotten, lembra?).
O show segue e os caras tocam uma seqüência de clássicos como "Wrecked
on You", "Kid", "Lean" e "Tired of Living With You". |
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Em
um determinado momento o baterista Eddie se levanta e começa
a tocar a batera em pé e fala muito com a galera, dando um
show à parte. Knox, líder e cabeça da banda, é também o mais
comportado e compenetrado. Pouco se mexe e tem muita concentração
em sua guitarra. Por falar em guitarra, Knox é considerado
um dos magos da guitarra entre as bandas punks, tocando muito. |
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| A
banda está incendiando o palco e chega a hora em que eles tocam
a música que serviu de inspiração para o título de um dos discos
do The Exploited, "Troops Of Tomorrow", que pode ser encontrada
no CD "Rip Up the City - Live" dos Vibrators. Foi um dos grandes
momentos do show e a galera agitou muito. |
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O
show dos Vibrators foi uma espécie de lição de punk rock
para a galera mais jovem que estava por lá, principalmente
para alguns integrantes de bandas brasileiras que acompanharam
o show.
Na
seqüência tocaram as músicas "No Heart", "Na Na Na" e "Juice",
abrindo o caminho para o grande e melhor momento do show,
a clássica "Baby Baby". Neste momento, um idiota da pláteia
sobe ao palco e acerta uma porrada no microfone de Knox,
que bate fortemente no rosto do vocalista. Eu senti a porrada
até em mim, de tão estúpida que foi a atitude deste ignóbio
que estava lá só para beber e encher o saco. Resultado,
o show foi interrompido. Eddie, o batera, vai a frente do
palco e, com uma atitude bem punk, aponta o dedo na cara
do idiota e diz "if you jump up the stage again I will shit
you motherfucker", algo do tipo: "se você subir no palco
de novo eu vou te foder seu filho da puta".
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| O
show continuou e os caras começaram a música "Baby, Baby" novamente,
desta vez com uma introdução bem maior que o normal, numa espécie
de protesto silencioso. Isto é que é atitude! |
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Depois
deste inconveniente, tudo se normalizou e os caras tocaram
"Disco In Mosco" e "Enough", que seria a última música do
set list.
Mas que nada, depois de muito insistir, eles retornam para
o delírio da galera e no bis tocam as clássicas "Whips And
Furs (dance to the music)", "Yeah Yeah Yeah" e "Into The Future",
fechando a noite em grande estilo. |
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| Teve
ainda a participação do vocalista/guitarrista do Holly Tree na música
"Judy Says", como eu já havia dito. Acabava assim a aparição do
cometa chamado Vibrators, para a tristeza dos fãs. |
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Se
você foi ao show e quer fazer uma resenha ou fazer um comentário,
mande um e-mail para
baladas@portaldorock.com.br
Marcio
Faveri - da redação
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