Wacken Open Air
04 a 06/08/2005
- Wacken - Alemanha

Com certeza não me intimido de falar que o Wacken é hoje o maior festival de metal do Mundo, substituindo o finado e pioneiro Monster of Rock na Inglaterra, que chegou a ter quatro edições no Brasil. São três dias, cerca de 80 bandas, as pessoas que vão ao festival acampam, e uma cidade afastada que fica uma hora de Hamburgo, e tem palcos gigantescos, os dois principais se chamam True Metal e Blackstage, e dois menores com os nomes de Party Stage e Wet Stage.


O local tem muitas opções de alimentações e de compras de acessórios, camisetas e cds, mais campo de futebol, onde o St Pauli(time da segunda divisão alemã) jogou contra uma seleção de músicos e organizadores do evento, uma tenda com shows eróticos, onde a imprensa entrava de graça(que bom), entre outras coisas que transforma a cidade num Woodstock alemão, era muito legal conversar com pessoas do mundo inteiro como Noruegueses, Finlandeses, Suecos, Romenos, Japoneses e até Mexicanos e El Salvadorenhos.

Talvez o maior problema do festival foi que na edição passada o calor chegou a 42 graus, e ninguém estava preparado para o frio desse ano, que a noite chegou a 10 graus isso misturado com chuva(deu para sentir), ah estava me esquecendo o banho do camping era gelado. Mas tudo bem valeu a pena, eu passaria tudo de novo se fosse possível. Eu estava acompanhado da galera da revista Roadie Crew e conheci o colaborador da revista Valhalla na Alemanha, ou seja, brasileiro aparecendo sempre. Vamos aos shows!

Quinta feira dia 04/08

banda norueguesa Tristania foi encarregada de abrir o festival, eu para ser sincero achei que o Tristania merecia mais tempo, pois 45 minutos era muito pouco, e também que o show foi um pouco fraco, a voz de Vibeke não estava boa, o grupo tentava agitar a platéia e Vibeke como sempre cantou com sua dança sensual, eles tocaram musicas de todos os seus cds, com destaques para os cds World of Glass e Beyond of Veil, show curto e sem muita emoção, confesso que os shows no Brasil foram mais emocionantes.



Em seguida vieram uma das bandas de maior respeito no metal Sueco, O Candlemass, liderada pelo vocalista Messiah Marcolin que entra vestido de frade, eles abrem o show com a música Black Dwarf do novo álbum(que está ótimo), o palco do Candlemass estava muito louco com o símbolo da banda(caveira com uma cruz atrás) bem grande no palco, não tem como negar a influência de Black Sabath e também que a banda manda muito bem ao vivo, eles tocaram musicas do ultimo e dos antigos trabalhos. Em seguida veio à banda alemã Oomph que mistura Industrial, metal e Hardcore, eu para sem sincero achei o som deles bem pop e muito cansativo, eles cantam em alemão e só agradou mesmo aos alemães, o que mais se ouvia das pessoas de outros países era, “Nossa que coisa chata” sem contar o visual viadesco.



O encerramento ficou por conta dos Finlandeses do Nightwish, a banda que em menos de cinco anos cresceu muito, era os mais aguardado da noite, o palco estava lindo com a capa do ultimo trabalho o Nemo, durante o show foram feitas varias explosões com fogos no palco, a sempre bela Tarja falou em alemão com o publico, e as musicas que mais levantaram foram Wishmaster, The Kinslayer e Nemo, o show foi bom, mas eu preferia o Nightwish no começo da carreira, tinha mais cara de rock, apesar de Tarja não parar de agradecer o publico ela não perde a pose de dondoca que adquiriu nos últimos dois anos.

Sexta-Feira Dia 05/08

Acordar as 11:00 e correr para assistir ao show de Marky Ramones no Party Stage, e uma sensação que não tem como escrever, vários punks moicanos celebrando talvez a única banda do estilo a tocar no Wacken, mas o legal e que muito Headbanger estavam no local para reverenciar o musico de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, o grande problema e que a banda que o acompanhava era ruinzinha, mas tudo bem eles tinham o espírito punk/rock n roll dos Ramones, as musicas que mais agitaram foram Sheena is a Punkrocker, Rock n Roll Highschool, Pet Semetary e Blitzkrieg Pop, no final entra um cabeludo com a placa Gabba-Gabba-Hey, grito de guerra dos Ramones, foi muito bom ver Marky e no Backstage ele me disse O Brasil e o número 1.



O palco Blackstage abriu com duas bandas que não consegui assistir o Nagifar e o Illdisposed, lembrando que nesses tipos de festivais e quase impossível assistir todos os shows, o Morgana Lefay entrou com seu Power Metal as 11:50, o som dos Suecos apesar de ser bom não chega a empolgar, eles tocaram musicas como Hollow, Maleficium, The Boon he Gives entre outras, agora eu não acreditei como O Sonata Ártica tem publico na Alemanha, o som melódico dos Finlandeses tenta imitar o Helloween, ficando um pouco longe disso, até porque eles usam teclados demais, apesar de toda empolgação do publico, a maioria dos críticos no Backstage achou o show fraco(inclusive eu), os Suecos do Bloodbath entraram arregaçando com seu Death-Metal Old Scholl, o publico extremo estava adorando, eles entraram com a cara manchada de vermelho, simbolizando sangue(que legal né), mas o show chamou atenção apenas dos fãs do estilo, destaque para as músicas Like Live, Drain You Out, Eaten e o cover do Entombed, Left Hand Path. Os veteranos do Metal Church estão bem gordos e tiveram apenas uma hora, mais deram uma aula de Heavy Metal, a banda de Seattle tocou Ton of Bricks, Start the Fire, Watch the Children Pray além de músicas do novo álbum, eles foram sem dúvida um dos melhores shows do dia, o Obituary mostrou que ao vivo tem mais haver com hardcore do que com heavy metal, pois seu som é mais rápido do que pesado, aprova disso e que o guitarrista estava usando a camisa do Black Flag, o vocal continua Death, mas o som rápido da banda deve ao baterista que toca com uma velocidade fora do normal, o show do Obituary foi muito bom, o único problema e que eles param demais de uma música para outra, destaque para as músicas Frozen in Time e Slowly We Rot, o que deu para perceber e que todos estão muito felizes com a volta da banda.



Novamente o melódico volta a cena o Edguy que é liderado pelo maluco vocalista Tobias Sammet, na hora do show começou a chover e Tobias Sammet disse não é justo vocês se molharem e eu ficar seco, ele pegou um copo de água e jogou em sua cabeça, depois ele subiu nas armações do palco ficando numa altura absurda, correndo risco de vida(a mesma brincadeira tola que o vocalista do Marilion fez no Brasil no Holliwood Rock 1990), o Show levantou bastante o público, como eu já disse o melódico e querido na Alemanha, mas o Tobias imita o Bruce Dickinson descaradamente, a música que mais chamou a atenção foi Land of The Miracle do Álbum Mandrake, o Within Temptation além de ter uma vocalista linda(mais do que Tarja e Vibeke), estava sem duvida com o palco mais bonito do festival, dois anjos enormes, a bateria no alto e de lado, o símbolo da banda bem no meio, e labaredas e explosões enfeitavam o palco, na minha opinião o palco só não ganha de dois que eu já vi, o do AC/DC e do Rolling Stones em shows realizados no Brasil, o show foi contagiante, todos que estavam assistindo agitavam sem parar, isso sem dizer da técnica e do carisma dos músicos, o publico aplaudiu e muito.

Se eu falar que o show que mais atraiu público foi o do Machine Head, será que vão acreditar? O Machine Head na Alemanha é uma espécie de Linkin Park no Brasil, adolescentes sem esmagavam e gritavam sem parar MA-CHI-NE, pois bem eles entraram e levaram o publico a loucura, eu sei que muitos fãs não aceitam mais eles possuem muita influencia de New-Metal, apesar de Rob Flynn anunciar as musicas do ultimo álbum, o que mais agitava a galera eram as musicas do melhor cd da banda o Burn my Eyes, no final eles fizeram um medley Iron Maiden-Sepultura-Pantera-Metallica, fim do show e todo mundo feliz. Era a hora da surpresa e o Stratovarius tinha 20 minutos para dar o seu show, tocaram apenas três musicas entre elas Black Diamond, missão comprida, agora vamos voltar aos shows de verdade, no mesmo palco o Apocalyptica entrou em cena, confesso que fiquei boquiaberto com a banda, apenas com covers de Metallica, com três violoncelos e um baterista o grupo hipnotizou a todos, na verdadeira mistura de Metal com musica clássica, a influencia e tão forte que um dos músicos toca com o bracelete do Misfits(banda preferida do baixista falecido Cliff Borton). Ainda tivemos outro show de musica clássica o Corvus Corax, eles interpretaram Carmina Burana, entre outras musicas medievais e operas, o palco ficou lotado de músicos competentes, alem de performances teatrais, o show foi bom, mas começou a ficar cansativo nas últimas músicas, afinal queríamos era barulho.



Eram 2:15 da madrugada quando o Samael entrou e deu um show simplesmente maravilhoso, radicais reclamam que a banda colocou elementos eletrônicos no seu som, mas para quase todos que estavam no Wacken à fusão Death-eletronico ficou muito boa, era impressionante como os Suíços que só tiveram 45 minutos foram aplaudidos, destaque para o batera que leva o seu instrumento e com muita precisão o teclado com programações(na verdade ele toca bem pouco batera) as musicas foram quase todas do ultimo cd Reign of Light. Os Outros shows de destaque nas tendas menores foram DoomFox a banda e da Austrália e faz um rock à lá Backyard Babies e Jet, eles entraram no lugar do Hanoy Rock que não apareceu, o Gorefest que agradou aos fãs de Black Metal e o Turisas com seu FolkMetal foi muito bom também, no palco Wet os espanhóis do Gorilla Monsoon que com seu Heavy Metal tradicional venceram o concurso das bandas menores, a banda japonesa Saeko que tem uma vocalista engraçada que cantou com uma espada de samuray e faz um rock n roll pesado, o Metallium muito se falou mais o show não agradou a quase ninguém, fim do dia, amanhã tinha mais.



Sábado dia 06/08

O Sábado acordou barulhento, o metal extremo iria dominar o cenário, o Zyklon começou logo cedo com seu Death/Black moderno sem um visual agressivo como de costume dessas bandas, o som deles agitou aos fãs, o problema e que era muito cedo e ainda estava vazio, no outro palco o True era a vez do Dragonforce, que deu um show bem chatinho, a banda é inglesa mas tem um japonês e um africano. Essa banda que uma vez falou mal do Dragonheart(banda paranaense) dizendo que era muito ruim perder o nome para uma banda do terceiro mundo(já que o Dragonforce chamava-se Dragonheart), agora eles provaram que ao vivo são ruins, Dragon toquem mais e falem menos.

O Suffocation deu um show impressionante, o vocalista Frank Mullen que tem cara de Playboi de academia, comandou um dos shows mais técnicos do festival, os guitarristas do Suffocation tocam de forma excepcional, poderiam até participar do G3, destaque também para o baterista Mike Smith que depois de muito tempo voltou para o Suffocation, foram tocadas as clássicas Breeding the Spawn e Catatonia, o nosso Tuatha de Danann tocou no palco Wet, os mineiros mostraram o seu rock celta/metal, o público vibrou com o som das flautas, e com o vocalista Bruno levando de forma segura o show, isso tudo com a bandeira do Brasil na bateria, valeu Tuatha, o problema e que na hora do show dos brasileiros a banda Overkill estava no palco True, eles que sem duvida são uma das mais importantes bandas de Thrash Metal mundial, como sempre deram um grande show, o vocal Bobby Blitz que canta como um Junkie, sem camisa, com um cigarro na mão, eles tocaram varias músicas antigas e
algumas novas, e mais os Novaiorquinos ficaram devendo o clássico Thunderhead, méritos ao baixista D.D.



Verni eterno companheiro de Bobby, voltamos para o palco Black, o Dissection entrou no palco para delírio dos fãs do estilo, Jon realmente tem cara de poucos amigos, você pode ate não gostar de filosofias satânicas, o que envolvem o mundo do Dissection, mas o show foi maravilhoso, Jon tem uma voz perfeita, canta com vontade, sem contar a técnica dos músicos que desciam as palhetas sem dó, as musicas que mais levantaram o publico foram Where Dead Angels Lie, Bombing e Thorn of Crimson, o som deles ao vivo não chega a ser tão pesado e que o show foi muito bom, isso ninguém pode negar.

o Rock é uma coisa maravilhosa por causa de seus contrastes, o show do Dissection estava terminando quando no True metal o Axel Rudi Pell estava entrando, com seu estilo poser, e com músicos fora de forma, Axel mostrou ser muito bom com sua guitarra e ele não e tão reconhecido por isso, a única coisa chata foi um solo de teclado, baixo e guitarra com todos os músicos se esmagando entre eles, o tecladista levantava o instrumento e tocava no ombro, tudo muito exótico, a estava me esquecendo do grande batera Myke Terrana, que também como o resto da banda é um bom musico e muito exótico, destaque para as musicas Nasty Reputation e Tear Down the Walls, os extremos estão de volta o Marduk sobe ao palco com suas corpse-paint, e com seu show teatral, o Marduk tocou com muita velocidade, o que é legal nos shows europeus é justamente o ecletismo, garotos com camisas de bandas de hard rock assistiam e vibravam junto com outros com camisas de bandas extremas(igual no Brasil né), ainda no final do show o vocalista tomou um cálice de sangue, que escorria da boca até o pescoço para delírio dos fãs, as musicas que mais agitaram foram Azrel, Burn my Coffin e Slay the Nazarene, o Hammerfall estava com um palco bem louco, varias geleiras no fundo enfeitavam o palco, apesar do ultimo cd ser bem fraquinho, os suecos sempre dão um grande show e muitos vibraram na platéia, o baixista Magnus como sempre entrou com suas roupas cafonas, o feioso Oskar e sem duvida o mais performático do grupo, eles tinham o publico na mão, o melódico ainda domina na Europa como eu já disse, Renegade, Blood Bound e Hammer of Justice foram às músicas mais aplaudidas, eles foram ovacionados.




Mas a Alemanha fica feliz mesmo e de ver suas bandas tocarem, e muito engraçado ver o Kreator falando em Alemão, Mille Petrozza, estava endiabrado, como sempre apavorou com sua guitarra e seu vocal, Pleasure to Kill, Suicide Terrorist, Extreme Aggression, Phobia, ficaram devendo Terrorzone, o show foi igual ao da turnê do ultimo cd Kreator Live, se o show foi bom? Quando foi que o Kreator deu algum show ruim. Agora eram eles, os mais aguardados do festival, que infelizmente brasileiros ainda não tiveram o prazer de assistir, o Accept tocou com a formação quase original, Udo que antes do show estava no backstage acompanhado do seu filho(um Udo em miniatura), o publico formado por banger entre 20 e 40 anos esperavam de forma ansiosa e eles entraram com tudo, das musicas tocadas Udo e sua trupe desfilaram clássicos, como Metal Heart, Breaker, Love Child, Rebel, o publico agitava e gritava ACCEPT sem parar, o legal era as performaces bem metal da banda em que Udo balançava a cabeça entre o guitarra e o baixista, apesar do guitarrista Wolf ter errado em algumas musicas, o show foi emocionante e prova que o Accept tem um publico fiel, estouros no palco e o Accept se despede, mas ainda faltava musicas e eles voltam com Fast a as Shark e Balls to the Wall, encerrando o show de forma brilhante, poderia acabar ai o festival mais ainda teríamos o Sentenced infelizmente a chuva atrapalhou um pouco, já que o publico se encolheu, muito se falou da banda Sentenced, na Europa eles devem ser queridos já que foram umas das ultimas bandas, com sua mistura de metal com Gótico eles fazem um som na praia do Moonspell, mas confesso que não achei grande coisa e muita gente concordou com a minha tese, o show foi apagado.



No final o Onkel Tom um projeto realizado pelo vocal do Sodon que além de covers de bandas clássicas, tocou também musicas do folclore alemão. Outros destaques do festival foram o Mob Rules, o Holy Moses com a vocalista Sabine abusando dos vocais o Fintroll que com seu metal extremo chegou a roubar pessoas do Show do Marduk já que as duas bandas tocaram na mesma hora, e a banda holandesa Goddess of Desire que faz um rock super teatral-poser e com umas barangas seminuas no palco, depois dos shows rolava som mecânico ate 6:00. E isso o Wacken e um espetáculo para fãs de todo os tipos de Heavy Metal, já estou ansioso para o ano que vem.

Melhores Shows (opinião particular)
1) Accept
2) Candlemass
3) Samael
4) Dissection

Melhores Palcos

1) Withim Tempatition
2) Hammerffall

Show que atraiu mais gente
Machine Head

Piores Shows (opinião geral)
1) Dragonforce
2) Oomph
3) Sonata Ártica

Texto e Fotos: Adriano Coelho - especial para o o Portal do Rock