Comportamento

O Terror nosso de cada dia!

Qual é a pior forma de violência?

   

Aquela praticada por um indivíduo, por um grupo ou por um país? É possível quantificar o terror pela número de pessoas atingidas em um determinado ato de violência ou a morte de uma criança nas mãos de um pedófilo é tão terrível quanto a morte de cem, mil, milhares de pessoas? Esse exercício de sofrimento foi colocado a todos de forma contundente, no dia 11 de setembro de 2001, quando o mundo assistiu ao vivo, ao sacrifício de milhares, nos atentados impetrados contra os Estados Unidos da América com deus próprios aviões.

 
 
 
Nem mesmo aquele com maior capacidade de abstração, deve ter sido capaz de imaginar a imensa dor sentida pelas indefesas vítimas, frente a um inimigo invisível, cruel e, o pior de tudo, sem nenhum medo de morrer junto às suas presas. O predador surgido, metaforicamente, do céu, onde a esperança de muitos está depositada. E os motivos?
A grande nação americana, sem dúvida nenhuma, a única super potência do planeta, é o país mais invejado, mais admirado, mais temido e mais odiado desse nosso pobre planeta em declínio. A inveja e a admiração e o medo que o país desperta, vem de motivos muito óbvios, não carecendo de muitas explicações. O ódio, esse sim carece de esclarecimentos. Com certa freqüência, o inimigo mora ao lado e, conseqüentemente, o ódio também.

Nessa forma doméstica, pode vir, como já veio, de um alucinado qualquer, que explode prédios e mata dezenas de pessoas. Pode vir de facções mafiosas, de donos de cartéis de droga, etc., que reagem violentamente quando sentem que os seus "negócios" estão sendo ameaçados pelo establishment.
 
 
 
 
 
  Os mais devastadores, entretanto, até prova em contrário, costumam partir de inimigos externos.Os americanos consideram inimiga, por exemplo, a Coréia do Norte, que segue ideologia diferente dessa comandada por eles e que deu nesse embrólio chamado globalização. Note bem que, não se trata de apontar o melhor ou o pior, mas se eu não penso como você, logo, no mínimo, você vai me olhar com desconfiança.

O projeto de defesa "Guerra Nas Estrelas" ressuscitado por Bush, visa segundo ele, proteger o seu país de Estados como a Coréia citada, mas teria sido ineficaz, caso estivesse operacional, contra os aviões que se chocaram contra o World Trade Center e o Pentágono.
 
 
 

Mas, o inimigo pode ser também, aquele já comeu na sua mão, o que nos remete a uma outra questão, muito comum entre as várias nações da terra, que é a falta de memória.

Forjado ou não, existe um "esquecimento" generalizado de que, alguns dos que são hoje considerados inimigos capitais dos americanos, foram um dia armados e treinados por inquilinos da Casa Branca. Sadam Hussein é um deles, abastecido com o melhor da tecnologia de guerra estadunidense, durante a guerra contra o Irã.
 
A milícia Taleban, que "hospeda" num destroçado Afeganistão, o milionário fundamendalista Bin Laden, acusado de vários atentados terroristas, inimigo juramentado dos americanos, também, quando lutavam contra os invasores da ex-União Soviética. A milícia taleban foi, inclusive, caracterizada em um dos filmes da série "Rambo". Parte desses antigos "amigos", mais precisamente, os fundamentalistas, enxergam nos americanos, o grande Satã, encabeçando uma legião de países ocidentais, que visariam impor ao mundo muçulmano, valores que eles abominam, além de serem vistos como os responsáveis por todas as mazelas do mundo. O alinhamento EUA./Ocidente com Israel, em qualquer circunstância, fomenta ainda mais esse ódio.

Mas, os americanos, ao longo da sua história, não pouparam e nem poupam esforços em arrumar inimigos em todo o globo. No quesito interno, os primeiros grandes inimigos foram os seus próprios índios, invadidos e aniquilados em suas terras, sem falar dos negros que, até muito recentemente, eram tratados como cidadãos de terceira classe. A guerra civil entre o Norte e o Sul, pode se dizer, ainda hoje não foi totalmente digerida. E a guerra sempre fez parte do cotidiano americano. Durante aquela que travou contra o México (1846-1848), duas novas estrelas foram anexadas à sua bandeira: as dos estados da Califórnia e Novo México, que representavam mais de 50% das terras mexicanas, mais a anexação da então República do Texas. A condição de beligerante, só aumentou depois da guerra contra a Espanha, no final do século XIX, onde ocorreu a independência de Cuba, ocasião em que ganhou o status de potência mundial, baseada na "Doutrina Monroe", que pregava "América para os americanos".

E os EUA sempre cobiçaram a ilha de Fidel. Quando Cuba fazia parte das colônias espanholas, chegaram até a propor a compra da mesma dos espanhóis colonizadores. Visavam com isso controlar a rota comercial do Mar do Caribe e a produção açucareira da ilha. Mais tarde, apoiariam a sangrenta ditadura de Fulgêncio Batista. Em 1961, já com Fidel no poder, Kennedy autorizou o ataque à Cuba, através da Bahia dos Porcos, por dissidentes cubanos, resultando num imenso malogro e, até hoje, os Estados Unidos persistem no embargo econômico imposto à ilha, a mais de 40 anos, com o apoio dos seus aliados.
 
Em Agosto de 1945, com a alegação de que era necessário apressar o fim da guerra com o Japão, que negava a se render, bombardeou Hiroshima e Nagasaki com armas nucleares, matando 250.000 pessoas. Participou da Guerra da Coréia (1950-53), onde morreram 4 milhões . Apoiou vários golpes militares na América Latina, inclusive o do Brasil, conforme prova documentos recentemente revelados, em nome da luta contra o Comunismo. Ainda hoje, por motivos econômicos e estratégicos, continua apoiando várias ditaduras, tais como a do Kuwait, Egito, Arábia Saudita, etc.

A maior desastre da história americana, foi a guerra do Vietnã (1959-1975). Os americanos entraram no conflito em 1964 e, no auge da guerra, haviam mais de 500 mil soldados americanos em solo vietnamita. A guerra do Vietnã foi um imenso laboratório de testes de armas para os americanos. O desfoliante Tordon, mais conhecido como Agente Laranja, foi desenvolvido nessa época e, era utilizado para destruir a cobertura vegetal das florestas e plantações de alimentos.
 
 
 
 
  Aviões B52 despejavam dia e noite toneladas de desse veneno, alem de bombas e napalm sobre aquele país. Depois da guerra, foram constatadas alterações genéticas e mutação de cromossomos em pessoas expostas ao Tordon. O saldo dessa guerra: 2 milhões de vietnamitas e 57 mil americanos mortos, aproximadamente. Nas duas últimas décadas do século XX, foram inúmeras as intervenções americanas em diversos países, reforçando ainda mais a imagem do país como "polícia" do mundo. Muitas dessas intervenções tiveram o respaldo de organizações como a ONU.

Mas, é claro que os Estados Unidos não são o único país com um histórico de guerras, invasões, etc.
 
 
 

Os sete restantes, das oito maiores economias do planeta, por exemplo, têm também as mãos manchadas com muito sangue e assim vai ser até o final dos tempos já que a história não pode ser apagada. Inclusive, alguns deles participaram de ações muito recentes ao lado dos americanos, com a morte de muitos inocentes. Muitos também possuem bases americanas em seus territórios.

 

Porem, mesmo estando muito longe ser o único com uma lista enorme de culpas no cartório, como é país mais rico e mais poderoso (armas) da terra e portanto, hegemônico, considera qualquer assunto em qualquer parte do planeta como sendo do seu interesse justificando dessa forma a sua condição de intervencionista. Diante desse quadro, entende-se perfeitamente porque os americanos atraem tantos sentimentos conflitantes, como admiração, medo, inveja e o ódio que os transformam em um alvo em potencial. Mas, nada justifica o terrorismo. Nada justifica a matança de inocentes. A primeira manifestação do presidente George W. Bush em rede mundial logo após os atentados foi para prometer vingança. E vingança a qualquer preço, é o que deseja o povo estadunidense, seus aliados e o grosso da mídia mundial (essa última, mesmo que de forma subliminar).|

Esse tipo de comportamento emotivo é esperado de um pai que perde um filho num assalto, por exemplo, mas não do presidente da maior nação do planeta. Eleito presidente de forma confusa, depois dos atentados, ganhou status de líder mundial. Fortalecido, pleiteou e recebeu poderes especiais do seu congresso para agir com todo o vigor contra pessoas, grupos ou países que apoiem de alguma forma grupos terroristas, sem limite de gastos. Exige das nações ditas amigas, no mínimo, a autorização para o vôo de aeronaves americanas sobre o respectivo espaço aéreo. Alguns países já ofereceram até tropas para ajudar os americanos na "guerra". Num país com orçamento de defesa de 300 bilhões de Dólares, investigações para descobrir os responsáveis feitas pela CIA e pelo FBI, que foram incompetentes em prever e prevenir os atentados do dia 11, mesmo não sendo conclusivas, apontam para o saudita Bin Laden, refugiado no Afeganistão, como já foi dito. Esse por sua vez nega a autoria dos atentados, assim como os demais grupos fundamentalistas.

Por culpa dos fatos daquele dia 11, dizem que o mundo nunca mais será o mesmo. Esses fatos também comprovaram que as instituições são bem mais frágeis do que aparentavam. Por força das promessas de vingança feitas por Bush, um alvo precisa se escolhido com urgência e ele já deslocou tropas, aviões, navios, etc. para o Golfo Pérsico, na costumeira demonstração de força, numa operação que teve até um nome provisório de "Justiça Infinita" (modificado depois). Nesse espiral de tragédias presentes e futuras, as bolsas de valores do mundo todo tiveram vigorosas quedas. O dólar americano teve baixa na Europa e alta no Brasil. O preço do barril de petróleo subiu significativamente e pode aumentar mais, dependendo do tamanho do conflito (Oriente Médio = Petróleo).

Aquele que parece ser o principal alvo dos Estados Unidos, o Taleban, conclamou os muçulmanos para uma "Guerra Santa", caso os americanos ataquem o Afeganistão e, o Paquistão (que tem armas nucleares) fechou os 900 quilômetros de fronteira com esse país para evitar a entrada daqueles que estão fugindo dos previsíveis ataques. Árabes muçulmanos que vivem nos Estados Unidos já estão sendo hostilizados por conta de tablóides que pedem a "morte dos bastardos". Num mundo onde a história foi decretada como morta, ela parece mais viva do que nunca e, talvez seja oportuno fazer uma última pergunta: depois de iniciado um processo (guerra), alguma força na terra, militar ou moral, terá meios de abortar esse processo, quando o mesmo se mostrar fora de controle? "Justiça Divina" x "Guerra Santa". Hollywood deve estar morrendo de inveja da realidade.

 
Niva dos Santos - especial para o Portal do Rock

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