Bandas em Destaque

O primo pobre do Grunge

Por muito tempo a banda americana Mudhoney tem sido considerada como uma grande força do estilo grunge dos anos 80 e 90, levando a sério o estilo popularizado por grandes bandas como Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e Alice in Chains, colocando uma pitada especial de podridão, lixo e porrada, característicos da banda. Até hoje muitos ainda dizem que o Mudhoney é o primo pobre do grunge. Talvez seja mesmo, pois dentre todas as famosas bandas citadas acima, nenhuma delas foi capaz de levar tão ao pé da letra o estilo e a palavra grunge, como fez o Mudhoney.

 
 
 
 

Com guitarras retorcidíssimas e com os gritos estridentes do líder Mark Arm, o Mudhoney coloca mais elementos punks no grunge e faz um som que com certeza influenciará várias gerações de roqueiros, por muitos e muitos anos.

  O Mudhoney foi formado em 1988, na cidade americana de Seattle, por Dan Peters (bateria), Mark Arm (vocal e guitarra), Matt Lukin (baixo) e Steve Turner (guitarra). Mas para entender a história do Mudhoney é preciso voltar ao início da década, quando Mark Arm criou uma banda chamada Mr. Epp and the Calculations. A banda não fazia shows, não compunha, apenas espalhava pôsteres anunciando os shows, que por acaso não eram realizados. O improvável aconteceu: eles foram convidados a tocar de verdade e precisaram correr atrás de instrumentos, porque nem isso eles tinham. Viraram uma banda de verdade, gravaram uma demo e fizeram shows.
 
 
 
 
Naquela época, Mark ainda entrou em outra banda, a The Limp Richards. O guitarrista Steve Turner, que tocava no Stone Gossard (que mais tarde se tornou Pearl Jam), foi chamado para tocar nas bandas de Mark, mas a parceria não durou muito porque ambas encerraram as atividades em seguida. O jeito foi criar outra banda e nasceu o Green River, mas Steve teve problemas com alguns integrantes e logo saiu, mesmo assim, a banda continuou forte e alcançou um sucesso que os projetos anteriores não conquistaram. O Green River gravou alguns álbuns, mas na hora de assinar um contrato os problemas começaram. Parte queria assinar com uma grande gravadora, parte preferia continuar como independente. Foi o fim do Green River.

Mudhoney 1

Steve e Mark, amadurecidos musicalmente, estiveram envolvidos em outros projetos após o fim da banda, mas que não satisfizeram a dupla. Tudo mudou em um encontro com os músicos Matt Lukin e Dan Peters, também ativos na cena musical de Seattle. Daquela reunião, no primeiro dia do ano de 1988, nasceu o Mudhoney, nome que foi tirado do título do filme do diretor ‘trash’ Russ Meyer. A estréia no palco aconteceu em abril e pouco tempo depois já estavam no estúdio para gravar dois singles, que foram lançados pela Sub Pop.

“Touch Me I’m Sick” e “Sweet Young Thing”, chamaram a atenção e foram aprovados pela crítica. O Mudhoney conseguiu ainda gravar um EP no mesmo ano, “Superfuzz Bigmuff” e eles aproveitaram para lançar uma compilação em EP, “Swallow My Pride”, que incluiu ainda algumas músicas do Green River e do The Thrown-Ups.

“Swallow My Pride” fechou o primeiro ano de muito trabalho e o Mudhoney saiu em turnê norte-americana, mas antes participou do Berlim Independence Days Music Festival. Uma turnê completa pela Europa aconteceu alguns meses depois, quando eles abriram os shows do Sonic Youth. A receptividade, porém, não foi boa e eles não viam a hora da turnê acabar.
 
 
 
De volta aos Estados Unidos, a banda entrou em estúdio para gravar o primeiro álbum, “Mudhoney”, que teve produção de Jack Endino. Em julho, eles participaram do festival da Sub Pop e tocaram ao lado de Nirvana.

Mudhoney 2

Em 1990, a banda viajou para a Austrália para uma série de shows. Na volta, Steve estava cansado e queria terminar o curso de antropologia na Universidade de Washington. Já o baterista Dan foi convidado a tocar com o Nirvana, mas não aceitou. O boato de que a banda teria chegado ao fim foi inevitável, mas em 1991 eles entraram em estúdio para gravar o segundo álbum, “Every Goog Boy Deserves Fudge”, lançado pela Sub Pop. Durante um ano, a banda fez shows de divulgação pela América do Norte, Ásia e Europa. O conflito com a Sub Pop fez com que o Mudhoney deixasse o selo e assinasse com a Reprise Records, subsidiária da Warner. Na nova gravadora, a banda lançou “Piece of Cake”.


 
A popularidade do Mudhoney aumentou com o lançamento da trilha sonora do filme “Singles”, só com bandas de Seattle. Além do Mudhoney, estavam Alice in Chains, Pearl Jam e Soundgarden. O disco vendeu muito bem e rendeu uma turnê extensa pelos Estados Unidos. Dois novos trabalhos foram lançados nos anos seguintes, “Five Dollar Bob’s Mock Cooter Stew” e “My Brother the Cow”, com intensas turnês em seguida.
 
 
 
 
 
O ritmo enlouquecido das turnês e gravações dos últimos anos resultou em dois anos de descanso, a banda continuou apenas a tocar esporadicamente em Seattle e os integrantes se dedicaram aos projetos paralelos. Em 1998, o Mudhoney voltou ao estúdio e gravou “Tomorrow Hit Today”. A turnê chegou a incluir o Japão e a Austrália, mas não na mesma proporção que antes, pois a parada recente da banda refletia na dificuldade de reconquistar o prestígio. A crise, porém, só estava começando. Matt largou a banda e eles pararam mais um tempo. Com um novo baixista, Guy Maddison, o grupo voltou em 2000 com o lançamento de uma coletânea com mais de 50 músicas, “March to Fuzz”.

Mudhoney 3

Logo depois a banda volta para a SubPop e toca no Brasil, em 2001. Em 2002, novo disco: Since We've Become Translucent, muito bem recebido pelos fãs e pela crítica. Quem toca baixo no lugar de Lukin é Guy Maddison, ex-Lubricated Goat. Wayne Kramer, ex-MC5, toca baixo na música Inside Job, gravada ainda em 2000.

Depois disso, a banda passa algum tempo fazendo shows e participando de projetos paralelos - Mark Arm, por exemplo, vem ao Brasil com o MC5 para se apresentar no Campari Rock de 2005. No final deste mesmo ano, volta com sua banda original para abrir os históricos shows do Pearl Jam em Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo.

Mudhoney 3

Novo disco, somente em 2006: Under a Billion Suns, saudado pelo público como um dos mais pesados da banda. Outro fator que chama a atenção são as letras de Mark Arm, que trazem pela primeira vez certo teor social, passando pelas inevitáveis críticas a política guerrilheira de George W. Bush.

Agora em pleno ano 2007, a banda se prepara para aterrizar novamente em solo brasileiro, para o deleite dos fãs fiéis! Eles fazem um show exclusivo e único na cidade de São Paulo, no dia 01 de junho, na casa Clash Club. Eles também se apresentam o festival Porão do Rock, no dia 02 de junho, em Brasília.

A formação do Mudhoney que vem ao Brasil conta com o líder Mark Arm (guitarra/vocal), Steve Turner (guitarra), Guy Maddison (baixo) e Dan Peters (bateria). Desta formação apenas o baixista Guy não faz parte da formação original que deu início à banda, os demais são integrantes originais e fundadores do Mudhoney.