Bandas em Destaque

Cockney Rejects
Punk Rock Puro Sangue!

Falar sobre uma banda como o Cockney Rejects é sempre um prazer, porque assim como o Cock Sparrer, Peter & Test Tube Babies, Sham 69 e Angelic Upstarts, os Rejects fazem com certeza parte do grupo das dez bandas que mais gosto. Estes caras sempre tiveram o espírito das ruas em suas veias e sempre fizeram do rock, ou melhor, do punk rock, a trilha sonora de suas brigas, festas, baladas, histórias de amor e ódio, tão comuns nas vidas dos jovens de todo o planeta.

Depois do surgimento da primeira onda das bandas punk rock clássicas, como Sex Pistols, The Clash e Buzzcocks, foi a vez da segunda onda tomar conta da cena, onda essa que considero a VERDADEIRA onda do punk rock, bem representada por nomes como os acima citados Sham 69 e Angelic Upstarts e mais adiante pelos Cockney Rejects, não menos dignos de serem considerados parte fundamental desta onda punk rock!

Os Rejects eram na essência tudo o que a primeira onda de bandas punks fingiam ser. Mas com a diferença que eles realmente representavam os garotos da rua, suburbanos, seus empregos de merda e sua sina de viver eternamente na fila da sorte. Com os Rejects não tinha meio termo, eles eram mesmo o espírito vivo e original do punk de rua!
 
Com o tempo, essa segunda onda do punk inglês ganhou o nome de "street punk", que também passou a ser chamado de Oi!, por causa de uma música do próprio Cockney Rejects, "Oi! Oi! Oi!", de 1980.
  A banda foi formada por vagabundos indesejáveis da zona leste de Londres, que rapidamente chamaram a atenção da indústria da música, com suas músicas toscas e seus hinos de torcida de futebol, que tornaram-se o lema de milhares de garotos suburbanos trabalhadores de toda a Inglaterra. Depois do sucesso estrondoso com o lançamento de um single por um selo minúsculo e desconhecido, rapidamente assinaram contrato com a gigante EMI. Esta parceria resultou em três discos Top 30 e seis singles Top 50, sendo um deles, da música "I'm Forever Blowing Bubbles" (hino do time de futebol inglês West Ham F.C.), que apesar de ter sido o mais vendido da banda, acabou sendo também o responsável pela queda brutal e incontrolável da carreira dos Rejects, graças a toda a raiva e gana que esta música despertava em alguns grupos mais radicais.
Em sua primeira formação, o Cockney Rejects trazia o vocalista Jeff "Fedido" Turner, o guitarrista Micky Geggus, o baixista Vince Riordan e o baterista Andy Scott. Os primeiros dois álbuns da banda foram lançados em 1980, com os cômicos nomes de Greatest Hits (Maiores Sucessos), Volumes 1 e 2. Logo em seguida eles lançaram o terceiro volume da série, chamado Greatest Hits Vol. 3 (Live and Loud), trazendo versões ao vivo de suas músicas mais conhecidas (na verdade gravadas em um estúdio com uma platéia de amigos e fãs).
Da mesma maneira que uma legião de fãs se formou em torno da banda, uma outra legião de inimigos crescia com a mesma velocidade, muitos destes de times de futebol rivais e muitos ex-fãs da banda que viraram casaca. Sérios incidentes violentos nas cidades de Liverpool e Birmingham fizeram com que a banda fosse recusada por todas as casas de shows do Reino Unido.  
Enquanto tudo isso acontecia, muitas pessoas ignoravam o imenso talento musical da banda, especialmente o do guitarrista Micky Geggus, que era, e ainda é, brilhante em se tratando de guitarra e estilo punk rock, sendo que ele poderia facilmente fazer parte de qualquer banda de rock de sucesso, se quisesse, graças ao seu grande talento e criatividade musical. Se você quer uma prova disso, ouça o excelente disco dos Rejects, chamado "Wild Ones", que embora seja uma mudança brusca do punk para o rock pesado, foi muito aceito pelos fãs leais da banda e foi inclusive produzido pelo ex-baixista do UFO, Pete Way, que sempre reconheceu o talento de Micky e seus comparsas.
  Já de saco cheio com as brigas nos jogos de futebol, a banda resolveu parar com os shows e se fechou num estúdio para gravar o maravilhoso, porém estranho disco "Power and the Glory", que confundiu de vez a cabeça dos fãs, com algumas músicas muito "pop". A razão principal para aumentar ainda mais esta confusão foi a última faixa do disco "Greatest Hits Vol. 3 - Live & Loud". Uma versão maníaca da música "Motorhead", que fez com que muitas pessoas acreditassem que a banda partiria para este estilo mais metal no futuro. Assim como "Power and the Glory" passou, a banda também passou, passando também os fãs "leais" da banda, que começaram a se ligar mais em outras bandas, que tocavam um som que os Rejects com certeza poderiam fazer melhor. Mas essa escolha da banda tinha mesmo uma razão de ser: repelir e tentar parar a avalanche de violência e má reputação que assolava a carreira da banda.
Em 1985 a banda acabou, mas uma série de coletâneas com material inédito e ao vivo dos Rejects foi lançada nos anos seguintes, dentre essas, destaques para os discos "Unheard Rejects" (1985), "Live & Loud" (1987), que trazia as fitas demos gravadas ao vivo na casa noturna The Bridgehouse. A banda ainda se reuniria em 1990 para gravar o disco "Lethal", que fracassou em tentar fazer uma volta da banda à cena.
Agora em 2003, o verdadeiro Cockney Rejects está de volta aos velhos tempos!!! Eles lançaram um disco com músicas inéditas (o primeiro em 13 anos), chamado "Out of The Gutter", que traz um Cockney Rejects amadurecido, fazendo o punk rock das ruas que o consagrou no começo da carreira, com algumas músicas influenciadas pelo rock pesado de bandas como Motorhead e AC/DC. Na formação atual estão os originais Micky Geggus e Jeff Turner, além do guitarrista do Red Alert, Tony Van Frater (no baixo) e o ex-baterista do Red Alert, Les Cobb (na bateria).  
Estes "ingleses rejeitados" ainda têm muita lenha pra queimar e prometem ressuscitar de vez o grito das ruas, entalado na garganta dos fãs há décadas!!! Como diria Micky Geggus ao fazer seu primeiro ensaio em 9 anos completamente afastado de sua guitarra: WE ARE BACK!!!

Marcio Faveri - da redação