Bandas em Destaque
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O Motor do Rock!
O COMEÇO
"Nós
somos considerados uma banda da Heavy Metal só porque usamos cabelos
compridos. Se você tem cabelos compridos então você é Heavy Metal.
Nós somos apenas uma banda de rock'n'roll". Lemmy Kilmister, o
poderoso fundador, baixista e frontman do MOTORHEAD, disse isso
numa longa entrevista para a revista inglesa "One Two Testing
Zig Zag", em 1989, ano de lançamento do álbum ORGASMATRON. Porque
começar a escrever sobre umas das mais poderosas bandas do planeta
com uma declaração desse tipo? Simples, justamente para esclarecer
esse grande erro que é chamar o Motorhead de banda de Heavy Metal
e, nada melhor do que uma declaração do "pai da criança" para
acabar com esse mal entendido. Motorhead é com certeza a mais
pesada banda de Rock'n'roll do planeta e tem servido como referência
para muitas bandas, inclusive de Heavy Metal e até Punk. A confirmação
final de que o " Motor" é Rock&roll vem das suas maiores influências,
nada mais do que Jimmi Hendrix, com quem Lemmy trabalhou e, outro
monstro sagrado dos 70, a banda CREAM, que tinha na sua formação,
entre outras celebridades, aquele que um dia foi chamado de "God"
(Deus), o magnífico ERIC CLAPTON, que devido a sua técnica suave
mas vigorosa é também chamado de "SLOWLY HANDS" ("Mãos Lentas").
Tudo
começou da seguinte forma: Era uma vez uma camarada que entre
muitas coisas na vida, foi roadie do maior guitarrista que Seatle
já produziu, pra não dizer, que o mundo já produziu. Esse cidadão
ilustre foi, conforme o já citado, Jimmi Hendrix. Durante uns
tempos, exerceu a mesma função em uma banda anarco-psicodélica
de nome HAWKWIND. Numa noite em que a banda se apresentaria e
o baixista simplesmente não apareceu, Lemmy se oferece como substituto.
Inclusive, ele vinha a meses vendendo o seu peixe para o pessoal
da banda, dizendo que era um grande baixista. Na verdade, antes
daquela noite, ele nunca havia tocado baixo na sua vida. Sua única
experiência musical tinha sido numa banda de nome THE ROCKING
VICARS, como guitarrista. Depois daquela primeira experiência,
Lemmy ficaria como baixista do Hawkwind até 1975, quando saiu,
ou foi saído, a história é meia confusa, para formar o MOTORHEAD
( "CABEÇA MOTORIZADA"), que é o nome de uma das músicas do Hawkwind,
escrita por Lemmy .
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| Lemmy
tinha 28 anos em 1975. Essa informação é interessante só para
exemplificar que nunca é tarde para se começar alguma coisa
e também nunca é hora de sair de cena porque, se fizermos
as contas, o grande Kilmister tem hoje 53 anos na mais plena
atividade e com certeza não passa pela cabeça dele acabar
com o Motorhead tão cedo. A medida de alguma coisa meus camaradas
é sempre as batidas do seu coração: enquanto ele estiver funcionando
o tempo é apenas uma referencia cronológica. Mas, voltemos
a história. Alem do Lemmy o Motorhead tinha na sua primeira
formação LARRY WALLIS na guitarra e LUCAS FOX na bateria,
portando, já nasceu power trio, situação que mudaria mais
tarde, como veremos em seguida. As primeiras gravações da
banda seriam feitas na major United Artists, para quem não
sabe, empresa fundada pelo grande e único CHARLES CHAPLIN
que no ínicio era apenas produtora de filmes. |
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Essa
gravações ficaram durante vários anos engavetadas pela gravadora,
apesar da insistência da banda em ver o material lançado, o que
só aconteceria em 1979, de forma oportunista pela UA, depois que
a banda já havia alcançado o estrelado, no álbum ON PAROLE (expressão
em inglês que significa "em condicional"). Nesse meio tempo Lucas
Fox é substituído por PHIL "ANIMAL"TAYLOR. A banda decide então
contratar um quarto membro. Esse quarto membro se materializa
na figura do guitarrista EDDIE "FAST"CLARK. Larry Wallis, que
vinha se alternando como guitarrista tanto do Motorhead como de
uma outra banda, decide abandonar o grupo em favor da segunda.
A outra banda era a PINK FAIRES, uma vigororosa e infelizmente
desconhecida banda de Hard Rock dos anos 70, entre tantas outras
do mesmo calibre e também com o mesmo destino, ou seja, o anonimato.
Mais tarde Larry reconheceria a decisão como um grande erro.
Nessa
época a imprensa não via a banda com bons olhos. Sem conseguir
gravar, Lemmy e "comparsas", tocavam em todos os festivais que
apareciam pela frente. STIFF RECORDS, uma pequena gravadora, sinalizou
a possibilidade da banda gravar um single , mudando de idéia logo
em seguida, mesmo depois do material gravado que saiu apenas em
compilações. Mas a história do Motorhead estava próxima de ser
mudada . Uma amigo de Lemmy de nome Ted Carrol dono da CHISWICK
RECORDS ofereceu dois dias de estúdio para a banda, tempo suficiente
para a gravação de um single (compacto, muito comum na época).
Acontece que, devido aos incessantes ensaios e também às muitas
apresentações do grupo, as músicas estavam praticamente nas pontas
dos dedos. Esses dois dias acabaram sendo suficientes para a gravação
de sete faixas e mais o compacto. Devido a grande desenvoltura
exibida pelo grupo que impressionou muito a Ted Carrol, ganharam
mais um tempo de estúdio, onde finalmente conseguiram finalizar
o tão batalhado álbum. Nome do álbum: "MOTORHEAD".
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A
imprensa , tão ávida em massacrar a banda, se rendeu às qualidade
do álbum e a uma bem sucedida tour, enquanto os MOTORHEDBANGERS,
ou seja, os fãs da grupo, aumentavam em progressão geométrica.
Assinariam logo em seguida com a BRONZE RECORDS ( mesma gravadora
do fudíssimo URIAH HEEP) onde gravariam um single com a música
"Louie, Louie" que havia feito um estrondoso sucesso em 64
com o grupo Inglês KINGSMEN ( essa música seria regravada
dezenas de vezes no futuro). |
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Em decorrência do sucesso alcançado com o compacto, gravariam
sem muita perda de tempo o demolidor "OVERKILL" em 79, com porradas
tais como "Overkill" e "Metropolis". O próximo álbum. "BOMBER"
colocaria o Motorhead entre os grandes em venda e acrescentaria
mais clássicos na carreira do Motorhead, o que seria um lugar
comum na carreira da poderosa "Cabeça Motorizada". Sem dúvida,
a mais fudida desse disco é "Stone Dead Forever" .
No
disco "Bomber" Lemmy colocaria muito daquilo que ele mais aprecia,
que é assuntos referentes a guerras, principalmente a 2° Guerra
Mundial. Lemmy é fanático por história e, não é raro encontra-lo
lendo algum livro ou assistindo vídeos sobre assuntos diversos.
Para ele, a figura que mais interferiu na história do mundo nos
últimos tempos foi Adolf Hitler, ele mesmo, uma das maiores bestas
de todos os tempos. É bom explicar que isso não tem nada a ver
com admiração mas, simplesmente uma conclusão óbvia a respeito
de um indivíduo que comprou uma treta braba em escala mundial,
matando milhões, responsável também por gigantescas mudanças geográficas
sendo a maior delas, a divisão da Alemanha em dois pedaços e contribuindo
para que os Estados Unidos da América se transformasse na nova
Roma que é hoje, visto que o início da sua hegemonia data do final
dessa guerra.
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| O
logo do Motorhead, uma espécie de caveira com corrente e tudo
o mais, tem uma certa semelhança com aquelas medalhas distribuídas
por atos de bravura na guerra e foi desenhada por Lemmy. Voltando
ao "Bomber" ("Bombardeio"), o avião da capa do disco é um
W.W. II Heinkel 111, muito utilizado... na 2° Guerra, é claro!
Uma curiosidade nesse trabalho é a faixa 8, "Step Down", onde
quem canta não é o Lemmy mas, Eddie Clarke. O próximo disco
da banda "ACE OF SPADES" é considerado por uma massa muito
grande de fãs, como o melhor disco do Motorhead. Gravado entre
Agosto e Setembro de 1980, o novo trabalho traz na capa, Lemmy,
Phil Taylor e Eddie Clark, paramentados como que saídos de
algum filme de Sergio Leone, praticamente o criador daquilo
que foi chamado no Brasil de "Bang Bang a Italiana", perdido
em algum deserto do velho oeste ( a foto foi feita em uma
pedreira na própria Inglaterra!), uma foto que já faz parte
da história do rock. |
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| A
clássica das clássicas que da nome ao disco ,"Ace Of Spades" ( "If
you like to gamble/ I tell you i'm your man/ You win some/ Lose
some/ It's all the same to me/ The pleasure is to play/ Makes no
difference what you say"- "Se você gosta de jogar/então eu sou quem
você procura/ Você ganha algumas vezes/ Perde outras/ É tudo igual
pra mim/ O prazer esta em jogar/ Na faz nenhuma diferença o que
você diz"), resume muito bem a banda. Muito embora uma primeira
leitura menos avisada nos remeta a um jogo de cartas qualquer, na
verdade "Ace of Spades" ("As de Espadas") tem mais a ver com a própria
história e a postura do Motorhead. Afinal de contas, a vida é ou
não é uma merda de um jogo, onde às vezes blefamos e precisamos
escolher muito bem as cartas pra não se ferrar de verde e amarelo?
O disco também dá continuidade a outra fissura de Lemmy que é a
fascinação pelas histórias que rolavam no oeste americano da época
das diligências, como é demostrado pela capa do "Ace of Spades"
e também nas letras, tema que já havia sido explorado de certa forma
no "Bomber". Finalmente, "Ace os Spades" foi com certeza o disco
que colocou o Motorhead no patamar das grandes bandas de todos os
tempos. |
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TERREMOTO
Um terremoto estava a caminho e ele atingiria a banda durante
a tour do álbum "Iron Fist" de 1982. Porem, antes que isso
acontecesse, a banda lançou em 81 o disco ao vivo "No Sleep
'Til Hammersmith", com 11 faixas, entre elas "Ace os Spades",
"Metropolis", "Overkill", "Bomber" e "Motorhead". Mas, vamos
ao terremoto. Produzido pela própria banda, "Iron Fist" contém
todo o poderio do grande "Motor", seja nas letras, nas melodias
ou na fúria instrumental do grande trio. Como não poderia
ser de outra forma, o novo álbum agregaria no mínimo mais
seis clássicos a um universo já bem grande de musicas poderosas.
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O
disco abre na melhor tradição baixo devastador de Lemmy na música
"Iron Fist" ( "Punho de Ferro"), que lembra muito os acorde iniciais
de "Ace of Spades". Não respire, "Heart Of Stone" é a próxima.
Fast Eddie detona sobre nós uma riferama inigualável, solos na
velha escola pentatonica (escala de blues), com direito a Cry
Baby ( Wha, Wha), efeito imortalizado por Jimmi Hendrix. "I'm
The Doctor" é puro "drugs" onde o doutor Lemmy prescreve como
sair da depressão. Tem também, "Go To Hell", "Loser", "Sex Outrage",
etc. é um disco inspirado, onde não existe nenhuma faixa tapa
buracos. É para se ouvido inteiro, com uma bela garrafa de vodka,
muitas cervejas e uma mina que aprecie a banda e outros detalhes
que você com certeza sabe.
A
tour do "Iron Fist" foi uma das mais caras da história do Motorhead.
No fundo do palco, uma mão gigante que se abria e vários adereços
pendurados no teto. O problema sísmico começou ai. Alem de ter
custado muitos Dollars, era muito trabalhoso carregar todo o palco
para os diversos lugares onde a banda se apresentou. As coisas
ficaram mais pretas ainda durante a tour de lançamento nos Estados
Unidos (O Motorhead, claro que você já sabe, é uma banda Inglesa).
Depois de meses de estrada, Lemmy resolve parar tudo para gravar
uma música ( "Stand By Your Man") com a vocalista da banda "PLASMATICS"
Wendy Orleans Williams (que morreu a poucos anos), o que desagradou
e muito o guitarrista Fast Eddie, que abandona a banda. Para o
seu lugar é arregimentado o ex-THIN LIZZY ( Outra grande banda,
referencia para muitos grupos) Brian Robertson, para ajudar na
finalização da estadia americana. Era o fim do famoso power trio.
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| O
que deveria ter sido temporário, durou muito mais do que o
esperado. Depois de uma temporada no Japão, a banda resolve
voltar aos estúdios, ainda com Brian na formação, para gravar
um novo álbum de nome "Another Perfect Day"("Mais Um Dia Perfeito").
Estamos em 1983. Muito embora Brian Robertson fosse um grande
guitarrista, ele não conseguiu um bom relacionamento com o
público, mesmo porque ele se negava a tocar os velhos sucessos
do Motorhead. Um outro agravante era o fato do disco novo
não funcionar bem ao vivo. |
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Então, de forma amigável, Brian deixa a banda. Depois dessa experiência,
Lemmy decide não mais contratar figuras reconhecidas no circo
do rock , decidindo por desconhecidos. Depois da audição de dezenas
de demo tapes, decide não por um mas, por dois guitarristas: Phil
Campbel e Wurzel. Mas, o terremoto ainda não havia acabado. Logo
após uma apresentação na BBC de Londres com a nova formação, Phil
Animal Taylor abandona a banda. No seu lugar entraria o ex-SAXON
Peter Gill (contrariando a premissa de não mais colocar gente
famosa no grupo). Nesse meio tempo a Bronze Records resolve lançar
no mercado um compilação dos discos da banda. Depois de muita
insistência, para provar que a banda não estava morta, Lemmy consegue
inserir nesse trabalho, quatro faixas com a nova formação. "No
Remorse", um álbum duplo, foi lançado em 1984 e rendeu um Disco
de Platina.
Novamente
em estúdios, após o sucesso de "No Remorse", o quarteto gravaria
"Orgasmatron", depois do qual, Peter Gill abandonaria a banda.
Quem tem o vinil desse disco sabe que um dos seus lados é muito
bom e o outro, quase muito bom. Esse lado muito bom , no meu entender,
é aquele contendo "Build for Speed", "Ridin' With The Driver",
"Doctor Rock" e "Orgasmatron". "Build For Speed" e "Doctor Rock"
são como juramentos de fé ao velho Rock&Roll e "Ridin" With The
Driver" as implicações que esse amor impõe, ou seja, quando você
monta em uma "locomotiva", você está longe se um cara comum com
as possibilidades dos caras comuns, tais como cachorro, família,
residência fixa, etc. "Orgasmatron" é aquele riff pesado e arrastado,
regurgitado de alguma entranha cheia de raiva. São três estrofes
sobre três pragas básicas criadas pelas mãos dos homens: Religiões,
políticos e guerras. "Eu sou chamada religião, sádica sagrada
prostituta", provoca Lemmy, depois de desfilar um glossário de
calamidades provocadas pelas religiões desde de ontem e sempre.
"Eu falsifico a verdade, eu governo o mundo, eu sou a própria
fraude", é só o início da estrofe "dedicada" aos políticos. A
última fala de "Mars" (Marte), mitológico Deus da guerra , sem
no entanto perder o fio da realidade. "Orgasmatron" é também a
música que deu uma boa alavancada na carreira do maior grupo Brasileiro
em termos de reconhecimento mundial, o "SEPULTURA".
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Voltando a saída de Peter da banda, advinha quem ocuparia
a sua vaga? Se você disse Phil Animal Taylor, acertou na mosca.
Com a volta de Phil o Motorhead gravaria "Rock'n'Roll". Uma
das músicas desse disco , a fantástica "Eat The Rich" ("Coma
os Ricos"), rendeu um filme com o mesmo nome, onde o herói
era um travesti , Lemmy aparece como ator e trilha sonora
tem músicas do grupo.
O Motorhead sempre teve uma grande aceitação tanto por parte
dos tradicionais Headbangers, como também pelos Punks. Em
vários vídeos da banda é possível verificar essa verdade.
Constatei isso pessoalmente quando o VARUKERS, uma das maiores
bandas de Hardcore da Inglaterra, esteve no Brasil, numa conversar
com BIFF, o guitarrista do grupo, que confessou adorar o Motorhead
alem de usar camisetas com o logo da banda. Joey Ramone, SEMPRE
usou camisetas do Motorhead. É, portanto, uma das raras bandas
que consegue esse tipo de unanimidade. Lemmy com certeza sabe
disso. Tanto que no disco "1916", lançado em 91, uma das músicas
leva o nome de "Ramones". A faixa cinco do álbum, "Going to
Bazil" ("Indo Para o Brasil"), é uma espécie de homenagem
da banda para com o país onde o "Motor" tem uma gigantesca
legião de fãs. |
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O
CD de capa totalmente Preta e logo Branco "March or Die" ("Marche
ou Morra"), tem várias participações especiais, uma cover de Ted
Nugent e um novo baterista , Mikkey Dee ( ô raça difícil gente!
Brincadeira...), ex-MERCYFULL FAITH (epa! Outro famoso!). Nessa
época a banda já estava morando nos Estados Unidos da América.
Esse álbum tem coisas "estranhas" como um balada "I Ain't No Nice
Guy" ( "Eu não sou nenhum cara agradável"), que começa com Lemmy
no violão, rola um pianinho e tem Ozzy Osbourne num dueto com
o Sr. Kilmister e também Slash ( ex-Guns and Roses") na guitarra
solo. Tem também a música "Hellraiser", composta a três mãos,
por Ozzy, Lemmy e o fantástico guitarrista Zakk Wylde, que durante
um tempo fez parte da banda de Ozzy Osbourne. Na faixa 9 "Too
Good To Be True" ("Muito bom para ser verdade"), um Lemmy romântico
com um instrumental que lembra muito o NWOBHM. ("Nova Onda do
Metal Britânico") . "You Better Run" ("É melhor você correr"),
é um blusão também com a participação de Slash. A faixa que dá
titulo ao disco "March Or Die" segue o estilo arrastado e letra
quilométrica da música "Orgasmatron" com a voz de Lemmy soando
como a própria besta anunciando o Armagedom. Uma grande faixa
para fechar um grande disco.
ANOS 90
Os anos noventa ainda teriam mais quatro álbuns de estúdio do
incansável Motorhead, vários ao vivo e muitos piratas. Os de estúdio
são: SACRIFICE, OVERNIGHT SENSATION, SNAKE BITE LOVE, e o último
WE ARE MOTORHEAD. Procurei o "Sacrifice" e o "Snake Bite Love"
na Galeria do Rock ( Rua 24 de Maio, 62- Região central de São
Paulo) e não achei em lugar nenhum, portando vou ficar devendo
algum comentário a respeito. Alias, aqueles que eu não comentei
é porque eu não os tenho e devo confessar que comprei pelo menos
quatro nessas últimas semanas de 2000 para poder fazer um trabalho
com o mínimo de informação que vocês merecem. Um desses foi o
"Overnight Sensation" de 96 , que conta apenas com o Wurzel na
guitarra.
A primeira faixa "Civil War" é uma porrada que lembra muito JUDAS
PRIEST com a guitarra de Wurzel Pesando toneladas! "Eat the Gun",
a faixa quatro é quase Hardcore, 2:13 minutos verdadeiramente
massacrantes. Vou cometer a heresia de dizer que esse é o disco
do Motorhead menos Motorhead que eu já ouvi. Em algumas faixas,
da mesma forma que eu disse que a primeira parece Judas , se você
é fã do SAXON, vai até poder dizer "Pôrra, essa parece com o Saxon"
e não vai estar errado, como é o caso da faixa 7 "Broken". Sabe
aquela história de que o Motorhead é Metal, desmentida pela boca
do próprio Lemmy? Nesse CD, esquece. Tá Metal pra caralho! Você
já ouviu alguma música do Motorhead com pedal duplo na bateria?
Nãaao!! Nem eu! Melhor, não tinha ouvido porque, Mikkey Dee, aquele
do "March Or Die" usa e abusa do mesmo na faixa 10, "Shake the
World". Por último, a faixa 11, "Listen To Your Heart" trás Lemmy
novamente ao violão. Então, não demore tanto quanto eu para comprar
esse trabalho de 96. Buy now! (Quanto ao último, "We Are Motorhead",
já que a minha grana acabou, vocês vão ter que correr o risco
my friends! De garantia o fato de o velho Kilmister nunca ter
"faiado".)
MOTORHEAD NO BRASIL
O Motorhead já esteve quatro vezes no Brasil. Na primeira, em
1989, tocou no Ibirapuera e no falido Projeto SP. No Ibirapuera
a banda de abertura foi o VIPE. Lá pelas tantas do show deu um
pane na aparelhagem e Lemmy teve que declamar as ultimas frases
de "Orgasmatron". Na verdade , os dois shows eram pra ter acontecidos
no Ibirapuera mas, devido ao problema citado acima, justamente
no segundo dia de show, o mesmo foi transferido para o Projeto
SP, valendo o mesmo convite. A segunda foi no Olímpia em 92, onde
infelizmente não pude ir. Em 96 foi a vez da banda se apresentar
no Monsters Of Rock, ocasião em que estive presente. A ultima
foi agora em 2000 no Credicard Hall ( que merda! Não fui também!).,
onde a banda tocou um clássico do "Sex Pistols", "Good Save the
Queen" ( Lembra? Motorhead/Punk Punk/Motorhead...), faixa também
do último CD do grupo "We are Motorhead", citado acima. Um amigo
meu de São Caetano do Sul, ABC Paulista, que assistiu à apresentação
da banda, disse que a aparelhagem estava horrível e que por esse
motivo não foi um grande show. Imaginem vocês se tivesse sido
a apresentação de uma banda iniciante. Com certeza sairia do Credicard
Hall queimadíssima! Até quando vamos ter que aguentar amadores
num quesito importantíssimo que é o de equipamentos para shows,
entre outras pisadas na bola?
FUTURO
FUTURO Fica difícil falar do futuro quando nem ao menos podemos
prever no almoço o que comeremos na janta. Entretanto, existem
certos fatos que nos permitem algumas especulações. Lemmy tem
tatuado no braço a frase "Born to lose, live to win" ("Nascer
para perder, viver para ganhar") e a história do Motorhead tem
provado ser verdadeira essa premissa, pelo menos a parte que fala
de ganhar. Quando o famoso power trio se dissolveu logo depois
do disco "Iron Fist", até os mais otimistas pensaram que seria
o fim. Muitos anos depois, não sem mais problemas enfrentados
no caminho, a história continua. A banda não debandou para o popismo
fácil como é o caso do Metallica. Nem mesmo as drogas assumidas
por Lemmy, que é o elemento mais devastador e de maior peso para
o fim de várias bandas, conseguiu detonar o monstro. Nem as cinco
décadas e picos de idade da alma do Motorhead conseguiu interferir
na vida do mito. Eis os fatos. Portanto não é absurdo antever
ainda muitos e muitos anos de vida para o Motorhead, inclusive
tocando ao vivo aqui para nós. Acredito que é esse o desejo dos
verdadeiros fãs dessa que é uma das bandas mais amadas no cenário
da música pesada. LONGA VIDA MOTORHEAD!!
Niva dos Santos - especial para o Portal do Rock - Janeiro
de 2001
SITE
OFICIAL DO MOTORHEAD
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