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Beki
e o Vice Squad
Originária
da cinzas de velhas bandas como The Contingent e TV Brakes, o Vice
Squad foi formado na cidade inglesa de Bristol no início de 1979,
com a seguinte formação: Beki Bondage - vocal, Dave Bateman - guitarra,
Mark Hambly - baixo e Shane Baldwin - bateria.
Depois de apenas três shows turbulentos, eles conseguiram uma participação
na coletânea "Avon Calling", que saiu pela Heartbeat Records, que
foi o selo que deu origem ao selo da banda, chamado Riot City Records.
Depois de abrir shows para bandas como The Damned e The Ruts, recebendo
grandes elogios da imprensa britânica, principalmente pelo visual
de Beki, sempre trajando roupas de couro e um puta visual punk,
o Vice Squad lançou seu primeiro EP chamado "Last Rockers", no começo
de 1981.
Com o apoio do DJ John Peel e do jornalista Carry Bushell da Sounds,
o single "Last Rockers" chegou ao top 1 da parada das bandas independentes,
levando a banda a uma posição de destaque na primeira divisão do
punk rock mundial em questão de semanas! O EP "Ressurection", lançado
em maio de 1981, também seguiu os mesmos passos do EP anterior e
detonou o primeiro lugar nas paradas independentes, fazendo com
que a EMI se interessasse pela banda ao ponto de contratá-la,
englobando o selo Riot City. |
| A
determinação da gravadora EMI em reproduzir o sucesso da banda
nas paradas independentes, para as paradas oficiais do Reino
Unido logo deu resultados, sendo que o single "Out of Reach"
alcançou a posição número 68 na parada Top 75 inglesa, concedendo
à banda seu hit de maior sucesso. |
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Este
estouro preparou o caminho para o lançamento do primeiro LP da banda,
chamado 'No Cause For Concern'. Este LP esteve por mais de 5 semanas
nas paradas e chegou à posição número 32, o que foi uma super surpresa,
tendo em vista que este LP foi gravado e produzido em apenas três
dias. Depois do lançamento deste álbum, a banda fez uma extensa
turnê pela Inglaterra, inclusive com um show em Londres, no dia
do casamento do Príncipe Charles com a falecida Princesa Diana.
Este álbum trazia ainda uma versão da música "The Times Are Changing",
de Bob Dylan e foi realmente um marco em termos de produção musical
no estilo punk rock. |
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No
começo deste ano Beki e Paul se juntaram ao jornalista e famoso
historiador musical Alan Parker no também famoso estúdio Abbey
Road (aquele dos Beatles), para os últimos retoques no mais
novo CD do Vice Squad, chamado "Bang to Rights", que foi lançado
em maio deste ano.
Este CD foi lançado pela EMI/Capitol Records e pode ser encontrado
nas melhores lojas de CDs importados do país, inclusive na
loja de CDs do Portal do Rock. Dentre as faixas encontram-se
as clássicas "Rock & Roll Massacre", "Last Rockers", e "Evil",
com qualidade superior às versões encontradas em outras coletâneas
da banda. |
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Além
destas clássicas, ainda estão no CD outras 10 músicas inéditas e
o que é mais interessante, uma fantástica entrevista em áudio, onde
Alan Parker entrevista Beki Bondage, sendo que esta é a única entrevista
gravada em muitos anos de afastamento de Beki da mídia.
A Entrevista
Portal: Como estavam as coisas e o clima em Bristol no final
dos anos 70, no que diz respeito à juventude, bandas, música e porque
você entrou naquela onda do punk rock?
Beki: A maioria dos carinhas que estavam comigo na escola
estavam curtindo discoteque ou bandas tipo Deep Purple e Dr. Feelgood,
mas tinha uns amigos que já curtiam punk e eu achei que o punk rock
era muito mais interessante, mesmo porque eu sempre amei o som de
guitarras elétricas, mas nas bandas de heavy metal a presença feminina
era limitada na época, pois as banda de metal eram um pouco machistas.
Por isso também o punk me atraiu. No punk rock era diferente, tinha
minas como Siouxie, Poly Styrene, Gaye Advert, etc. Eu era também
meio rebelde desde pequena e me amarrei muito na idéia de anarquia
do punk. |
Portal:
Como era ser mulher, punk e vocalista de banda, no final dos
anos 70, na Europa?
Beki: Na verdade a gente começou a aparecer mesmo no
começo dos anos 80. Era muito legal em diversos aspectos,
porque éramos jovens e ingênuos, mas eu fazia um monte de
beteiras, como beber até cair, tomar drogas e sair por ai
com pessoas mais velhas, sendo expulsos de bares, etc. Eu cai
de quatro pelo movimento punk e deixei prá lá a escola e só
queria saber de cantar. A gente fazia vários shows em diferentes
lugares de Bristol naqueles tempos, sempre em colégios, o
que me fez conhecer o nascimento de várias bandas punks.
Portal: Fale um pouco sobre suas influências musicais
no começo da carreira (quando tocava no Vice Squad) e as de
agora.
Beki: Eu curti muito The Clash, The Damned e Sex Pistols,
mas sempre tentei cantar como a Siouxie e a Poly Styrene.
Eu acredito que todo vocalista começa a carreira imitando
alguém. Hoje eu ainda curto as mesmas bandas mas também gosto
de cantores com vozes potentes como Little Richard, Noddy
Holder, Aretha Franklin e Janis Joplin.
Portal: Quando você estava cantando no Vice Squad porque
vocês decidiram criar seu próprio selo e como foi o contrato
com a EMI? Foi bom? Você aconselharia bandas a terem seus
próprios selos?
Beki: Na verdade a gente não era os donos do selo,
a gente bancou toda a gravação de nosso primeiro EP e apenas
demos o nome do selo, que era “Riot City Records”. O dono
era um cara chamado Simon Edwards. Quanto ao contrato com
a EMI eu posso dizer que foi bom, pois eles não interferiram
na nossa criação artística. Não sei dizer se é melhor para
uma banda ter seu próprio selo. Eu aconselharia as bandas
a jamais deixar de ouvir o conselho de um advogado antes de
assinar qualquer contrato ou passar as músicas para qualquer
gravadora. Falo isso, pois passei muitas músicas minhas no
nome da gravadora e me ferrei. |
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Portal:
Porque você saiu do Vice Squad e como está a banda hoje?
Beki: Eu acho a maior deprê ter que responder esta pergunta,
pois ela só me leva de volta ao passado! Eu sai da banda porque
não me dava bem com o manager e com o resto da banda naqueles tempos
e estava buscando uma maior independência. Eu não desejo nenhum
mal aos antigos integrantes da banda e olhando para tudo o que produzimos
juntos no passado, vejo que eles eram pessoas talentosas e compuseram
excelentes músicas. Como eles não estão mais no ramo da música,
quando eu resolvi voltar com o Vice Squad eu não quiz tocar com
eles novamente. Não sei o que eles têm feito hoje em dia, a não
ser pelo Dave que casou e trabalha em outro ramo e o Shane, que
acabou virando jornalista. Quanto ao Mark, eu não sei o que ele
está fazendo hoje. Eu entendo as razões que os fizeram abandonar
a música. É muito difícil sobreviver com uma banda de rock, ao menos
que você seja muto bem sucedido. Você tem que lutar contra rejeições,
preconceitos e manter um padrão de vida bem humilde. |
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Portal: Você poderia citar alguma turnê que vocês tenham
feito ao lado de alguma banda, que vocês curtiram tocar juntos?
Beki: A turnê Social Chaos USA 1999, nos EUA, foi a
melhor de todas. Foi uma turnê muito difícil ao lado de outras
14 bandas, que resultou em muitas brigas e confusões, devido
aos problemas de má alimentação e poucas horas de sono. Mas
tudo acabou bem e foi muito gratificante. Senti muitas saudades
de todas as outras bandas quando a turnê acabou. As bandas
eram: T.S.O.L, Sloppy Seconds, Anti-Heroes, L.E.S Stitches,
The Business, UK Subs, One Way System, D.R.I e DH Pelligro,
entre outras. |
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Portal:
Você chegou a conhecer os Sex Pistols? Eles fora influências para
você ou não? E os Ramones? Você curtia o som deles?
Beki: Não cheguei a conhecer os Pistols pessoalmente e
nunca os vi tocando pois eu era muito nova na época. Eu vi os
Ramones ao vivo. Na verdade, o single da música "Sheena is a Punk
Rocker" foi o primeiro disco que eu comprei.
Portal:
Você conhece alguma banda brasileira e você alguma vez pensou em
tocar no Brasil?
Beki: Claro! Eu sei que a cena metal no Brasil é muto boa
e nossos amigos do Varukers acabaram de fazer uma turnê pela América
do Sul e disseram que a cena punk está detonando também. A gente
adoraria tocar no Brasil. |
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