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Destaque
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O
guitar hero do Toy Dolls!
Londres
- Agosto de 2003
É com enorme satisfação que o Portal do Rock apresenta este
especial dedicado a Michael Algar, mais conhecido como Olga,
guitarrista e vocalista da banda inglesa Toy Dolls, sem
dúvida uma das mais criativas e brilhantes bandas da cena
punk rock em todos os tempos. Particularmente para mim,
estar fazendo este especial e esta super entrevista exclusiva
com Olga, é uma realização pessoal de um sonho de adolescente,
lá dos meus 15 anos, quando conheci essa banda incrível,
que mudou definitivamente meus conceitos sobre punk rock
e rock em geral. |
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Um pouco da História do Toy Dolls
O Toy Dolls foi formado em outubro de 1979 na cidade de Sunderland,
norte da Inglaterra, tendo na primeira formação: Pete Zulu (Peter
Robson) no vocal, Olga (Michael Algar) na guitarra, Flip (Philip
Dugdale) no baixo e Mr.Scott (Colin Scott) na bateria.
A primeira apresentação ao vivo do Toy Dolls foi no Millview Social
Club, na cidade inglesa de Sunderland, em 20 de outubro de 1979.
Após tocarem em vários shows (quase sempre vazios), Pete Zulu saiu
da banda para formar a sua própria banda, Zulu & The Heartaches. |
Então eles recrutaram rapidamente um tal de 'Hud' para os
vocais, um carinha com um visual a la Billy Idol, que nunca
havia cantado antes! Hud saiu da banda depois de um único
show no Thornaby Club, em 25 de novembro de 1979. O Toy
Dolls tinha um show marcado para os próximos dias, em Sunderland
mesmo, no Wine Loft,
então Olga assumiu os vocais e a banda passou a ser um trio,
deslanchando de vez.
Com
a estabilidade da banda, um empresário local decidiu bancar
o primeiro single do Toy Dolls, que foi da música "Tommy
Kowey's Car", com a clássica "She Goes To Finos"
como lado B deste disco. Este compacto vendeu as 500 cópias
iniciais rapidamente, mas a banda nunca teve grana para
prensar mais cópias. |
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O posto de baterista sempre foi crítico no Toy Dolls, com várias
mudanças e problemas com os que ocuparam esta função na banda. Mesmo
assim, no começo de 1980, o Toy Dolls já acumulava uma legião de
fãs e seguidores em sua região e a imprensa nacional começava a
falar bem dos shows da banda, com boas críticas, principalmente
feitas por jornalistas musicais de peso, como Garry Bushell, que
naquele época escrevia para o periódico "Sounds". A mídia
local, de Sunderland, também adorava o Toy Dolls. Mas mesmo com
todo este apoio, a banda se via estagnada, sendo obrigada a ficar
tocando em sua região, no nordeste inglês e sem nenhum contrato
com gravadora. |
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Se algo não acontecesse seria mesmo fim do Toy Dolls. Mas
Olga e seus asseclas não se renderam e com muito esforço e
determinação eles gravaram seu primeiro EP, com recursos próprios.
Este disco é histórico, se chama Toy Dolls EP e foi lançado
em 1981, contendo as músicas "She's a Worky Ticket",
"Everybody Jitterburg", "Teenage in Love",
"I've Got Asthma" e "Tommy Kowey's Car". |
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Logo a banda ganhou status de revelação da cena punk rock inglesa
e não demorou para que assinassem um desastroso contrato com a EMI
Records (nota: A EMI Records realmente fodeu com quase todas as
bandas punks). Pela EMI eles lançaram apenas o single "Everybody
Jitterbug". Acabaram logo o contrato com a EMI e assinaram
com a Volume Records, por onde lançaram o clássico single "Nellie
The Elephant" (versão 1982) e o primeiro LP da banda, chamado
Dig That Groove Baby, de 1983.
A primeira grande chance de uma turnê nacional aconteceu graças
aos amigos da banda Angelic Upstarts, que chamou o Toy Dolls para
abrir os shows de sua turnê inglesa em 1982. Logo, no ano seguinte,
o Toy Dolls faria a sua primeira turnê nacional pela Inglaterra,
como banda principal. |
| Em
1984 eles regravaram e lançaram uma nova versão para o single
"Nellie The Elephant". Este single vendeu a impressionante
marca de 535 mil cópias no Reino Unido, colocando a banda
na posição número 4 da parada pop inglesa! |
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Sem dúvida o grande destaque da banda em todos os tempos é o vocalista
e guitarrista Olga, que conseguiu acabar de vez com o conceito
de que punk não sabe tocar mais que três acordes. Ele é considerado
um dos maiores guitarristas de todos os tempos e introduziu características
novas e próprias ao punk rock e ao rock mundial. Vale a pena para
os amantes do rock and roll ter discos do Toy Dolls em suas discotecas
básicas, pois a banda representa o que há de melhor no punk inglês.
A
Entrevista
Portal: Você incomoda se eu perguntar qual a sua idade,
se é casado e se tem filhos?
Olga: Não me incomodo não! Não sou tão jovem quanto aparento,
mas...certamente sou mais novo que Charlie Harper (vocal do UK
Subs). Não, não sou casado, mas tenho uma namorada e não tenho
filhos. Não gosto de ter coisas para tomar conta, como filhos,
peixes, cães, plantas, etc! Gosto de poder sair em turnê e me
concentrar nos shows, sem se preocupar com as coisas da casa.
Eu já tive um cachorro, chamado Ashbrooke, ele era legal, até
coloquei ele pra fazer os vocais em alguns discos, vocês poderão
ver a foto dele no novo website oficial do Toy Dolls, que logo
estará online. Ashbrooke morreu em 1993, sinto muita saudade dele
por isso não quero ter outro cachorro. |
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Portal:
Quando você começou a tocar guitarra? E qual foi a sua primeira
guitarra?
Olga: Comecei a tocar com 13 anos, ou seja, seis anos
atrás! Minha primeira guitarra foi uma Audition Sunburst Electric.
Era difícil tocar, as cordas e as claves eram muito separadas
e altas, sempre prendia meus dedos entre as cordas. Quebrei
as cordas no primeiro dia e levei a guitarra de volta na loja
para reclamar! Claro que eles me disseram que aquilo era normal! |
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Portal: Quais marcas e modelos de guitarra você mais gosta?
Olga: Gosto de Fender, modelos Telecaster, com captadores
Seymour Duncan. Gosto também de Gibson, modelos Les Pauls e SGs.
Quanto a baixos, gosto de tocar com baixo Music Man, pois são ótimos.
No estúdio eu uso uma Les Paul e uma Telecaster.
Portal: Porque você teve a idéia de formar uma banda e qual
o sentido do nome Toy Dolls?
Olga: Tive a idéia de formar uma banda porque eu estava entediado
na escola. A banda era uma válvula de escape para mim. Também queria
que as pessoas me admirassem em vez de ficarem me zoando. O primeiro
vocalista do Toy Dolls escolheu este nome e eu nunca perguntei a
ele o porquê! |
Portal:
No começo de sua carreira com o Toy Dolls, você pensou em
ter uma banda ligada ao lance do punk rock e tal ou você queria
mesmo era estar numa banda de rock? O Toy Dolls é uma banda
punk rock?
Olga: As minhas primeiras influências musicais foram
bandas como Sweet, Slade, T. Rex etc. Em seguida todas as
primeiras bandas do punk rock. Se não fosse pelo Punk não
acredito que o Toy Dolls teria sobrevivido. O Punk deu às
bandas e aos músicos, que não eram na verdade músicos exímios,
a chance de se expressarem. Sou um vocalista terrível, o pior
da banda, mas por causa do Punk, a minha voz única, embora
aguda e acentuada, foi aceita! Quanto a pensar em ligar a
banda ao Punk, Rock & Roll ou o que seja, nunca nos preocupamos.
Nós fazemos mesmo Toy Dolls Music (música estilo Toy Dolls). |
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Portal: Quais bandas você costumava ouvir no final de 70,
na época que você formou a banda?
Olga: Oh, eram tantas, algumas delas: Suzi Quatro, Slade,
T. Rex, Sweet, Mud, a primeira fase do The Jam, Sex Pistols, Ruts,
Eddie & The Hot Rods, Skids, Vibrators e Buzzcocks.
Portal: E hoje, quais bandas você gosta de ouvir e quais
são as suas prediletas de todos os tempos?
Olga: Outra pergunta difícil! São tantas! Odeio Disco Music
(música de discoteque), sempre odiei e sempre vou odiar! Bandas
prediletas: Abba, Angelic Upstarts, Sham 69, Mozart, Strauss, The
Boys, Rezillos, Foo Fighters e Wildhearts. |
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Portal:
Acho que já sei mais ou menos a resposta, mas não custa perguntar,
quais são seus guitarristas favoritos?
Olga: Oh! Aqui estão alguns: Del da banda Peter & The
Test Tube Babies, o cara do Ruts, Ginger do Wildhearts, Frankie
Stubbs do Leatherface, Dave do Sham 69, o cara do Green Day
(Billy Joe), além de Stan e Dave do The Dickies. |
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Portal:
Quando eu digo a palavra "Brasil", qual a primeira coisa que vem
a sua cabeça?
Olga: Com certeza o soco que tomei na cara, no palco em São
Paulo, de um skinhead, que depois do show veio me parabenizar pelo
excelente show! |
Portal:
Você conhece ou gosta de alguma banda brasileira? O que você
conhece da cena punk rock brasileira?
Olga: Estou ansioso para ouvir o CD do Lambrusco Kids!
Realmente não conheço muito sobre a cena punk rock brasileira,
mas gostaria de saber mais. |
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Portal:
Quais são os melhores públicos (países) para o Toy Dolls?
Olga: Falar de um único país seria injusto. Cada país é legal
por diferentes razões. Acredito que o público espanhol é o mais
agitado, é ótimo! O público japonês é basicamente feminino, ótimo
também! Já sobre o público alemão, holandês e centro-europeu em
geral, penso que eles são os mais leais. Mas que nada, o melhor
público está em todas as partes! |
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Portal:
Como é seu relacionamento com os skinheads? Sei que todos
eles adoram o Toy Dolls. Qual a razão para essa forte atração
deles pela banda? Fale-nos de como este amor começou.
Olga: Skinheads, punks ou o que seja, a gente se dá
bem com todos eles! Sabe lá deus porque eles nos amam! |
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Portal:
Como você vê a cena punk hoje? Você gosta dessas bandas chamadas
"emo", como Blink-182 e Sum 41? O que acha delas?
Olga: Bom, para ser sincero prefiro punk rock 77 inglês,
não somente pelo fato de eu ser inglês, mas porque prefiro a fúria
real do som punk inglês. Entretanto, ainda assim gosto de Sum 41,
Green Day, Offspring e Foo Fighters. Eles conseguiram fazer mais
sucesso do que as bandas inglesas e desejo toda a sorte do mundo
pra eles, embora eu prefira ouvir HURRY UP HARRY! |
Portal:
Existe alguma banda como o Toy Dolls no planeta?
Olga: Havia uma banda japonesa tributo ao Toy Dolls.
Esqueci o nome deles, mas quero mesmo esquecer porque eles
eram exatamente iguais a gente, porém melhores!
Portal:
E com qual banda você gostaria que o Toy Dolls se parecesse?
Olga: O Toy Dolls é exatamente o tipo de banda que
eu quero que seja. Se eu não estivesse feliz com a banda,
não estaria mais na banda!
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Portal: Fale como foi tocar com o Adicts e porque você saiu
da banda agora?
Olga: O Adicts foi uma experiência, os caras foram legais
e tivemos bons momentos, fazendo shows pelos EUA e tal. Eu era apenas
o baixista reserva, esperando até que Mel (baixista oficial) retornasse,
depois de uns tempos de afastamento. Desejo boa sorte a eles daqui
pra frente. Adoro tocar baixo, é tão diferente de tocar guitarra.
Sempre quis ser um baixista mesmo! |
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Portal: Quando podemos esperar um novo disco do Toy
Dolls e uma nova turnê pelo Brasil? Você tem novas músicas?
Pode revelar alguns nomes dessas músicas? E o disco, qual
será o nome?
Olga: O novo disco do Toy Dolls será lançado entre
abril e julho de 2004. A turnê mundial começa em outubro de
2004 e esperamos incluir o Brasil no nosso roteiro! Mas ainda
não temos nenhuma data definida. Sim, posso revelar alguns
nomes de músicas: "Our Last Intro?", "Davey`s Days" e "Tony
Talks Tripe". O disco será chamado OUR LAST ALBUM? |
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Portal:
Porque você gravou uma música do Ricky Martin (aquele que era Menudo)
e você conversou com o Ricky para saber o que ele achou da versão?
Olga: Para ser sincero, não tínhamos músicas suficientes
para este disco, então pegamos essa música do Ricky Martin para
zoar mesmo! Ele nunca ouviu essa versão, sorte dele! |
Portal:
Você tem mesmo asma?
Olga: Sim, tenho asma desde os 14 anos. Sofri muito
no passado, mas pelo menos consegui fazer uma música sobre
isso no final das contas.
Portal: Você sempre canta sobre animais, como em "Nellie
the Elephant" (Nellie o elefante), "Rupert the Bear" (Rupert
o urso), etc.. Seria isso uma espécie de "Revolução dos Bichos"
do punk rock? Você gosta de George Orwells? (nota: "Revolução
dos Bichos" é um livro clássico escrito por George Orwells)
Olga: Nunca pensei nisso dessa forma. Você esqueceu
de mencionar a música "Deirdre's a Slag", este também é outro
animal! Sim, adoro a "Revolução dos Bichos". |
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Portal:
Alguma mensagem ou comentário final que você gostaria de mandar
para seus milhares de fãs brasileiros e latino-americanos?
Olga: Milhares!? Bem que eu gostaria...mas, obrigado por
esperar tanto tempo pelo novo disco e, o mais importante, obrigado
por esperar pela nossa volta ao Brasil. A gente tem a maior consideração
por isso! Espero estar com vocês em breve! Olga.
Marcio
Faveri - da redação
Arte
- Paulo Vinicius
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