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Morrissey
sangue irlandês, coração inglês e alma internacional!

Por ser uma das figuras mais influentes no rock alternativo, a sensibilidade legendária e a personalidade melancólica de Morrissey fez dele um ícone altamente polêmico, incomodou muitos com a mesma intensidade que inspirou seus fãs incondicionais. Como vocalista e líder dos Smiths, indiscutivelmente a banda indie mais importante da Inglaterra dos anos 80, as letras poéticas e a performance teatral de Morrissey – falando de romantismo, alienação social e a falta de juízo – chamaram profundamente a atenção de uma legião igualmente sensível da juventude alienada. Apesar da maioria de seus fãs o respeitarem, Morrisey também foi muito criticado – algumas vezes brandamente, outras não – pelo seu visual bastante melancólico e autêntico (que não deixava de lado sua feminilidade).






  Os Smiths se tornaram estrelas na Inglaterra, avançando rapidamente para outros países e permanecendo por muitos anos como artistas cult do mundo underground. Com o tempo Morrisey se estabeleceu com sua carreira solo. Nessa época, o cult havia crescido tanto que ele se tornou mais popular nos EUA do que em sua própria terra natal, onde ele era constantemente criticado pela sua controversa. A opinião crítica que prevalece sobre seus álbuns solos assegura que eles não estão à altura de seu melhor álbum com os Smiths, ainda que Mozzer (como ele foi carinhosamente apelidado) produziu músicas o suficiente para manter o seu número de fãs.


Stephen Patrick Morrissey nasceu no dia 22 de maio de 1959 em Manchester, Inglaterra. Era um adolescente tímido e acuado que se tornou obcecado por música e filme, tanto que escreveu um fanzine sobre o New York Dolls (ele era o presidente do fã clube da banda na Inglaterra), além de um tributo a James Dean e várias matérias para um jornal de música semanal, o Melody Maker.

Durante a explosão do punk na década de 70, Morrissey fez um teste para ser vocalista da banda punk Slaughter & the Dogs, mas foi dispensado. Ele também foi vocalista por pouco tempo de uma banda chamada Nosebleeds.
 

Ele conheceu o guitarrista Johnny Marr em 1982 e os dois começaram a compor músicas juntos, forjando um dos mais produtivos padrões britânicos pop. O álbum de lançamento do The Smiths, de 1983, “Hand in Glove”, trazia canções de amor com fortes referências ao homossexualismo, o que fez deles uma sensação underground da Inglaterra. E como Morrissey era o que mais chamava à atenção, ele demonstrou seu talento para manipular a mídia.


 

Suas entrevistas eram repletas de alfinetadas, com opiniões imprevisíveis e declarações intencionalmente chocantes. Sua notoriedade não foi afetada pela sua presença de palco (ele atuava usando um áudio-fone e flores que ele tirava de seu bolso de trás) ou pelo seu celibato auto declarado, numa onda de muita especulação sobre sua sexualidade.

Detentor de uma tendência obscuramente cínica como compositor, ele era constantemente mal interpretado por defender algumas coisas mais perturbadoras que ele cantava e isso só aumentou o furor ao redor da banda. O lançamento do disco homônimo The Smiths, de 1984, foi um choque para a Inglaterra naquela época. Morrissey começou a promover suas opiniões políticas, criticando duramente Margaret Thatcher e defendendo o vegetarianismo (tanto que o título do disco seguinte foi Meat is Murder). The Queen Is Dead (1986) foi considerado uma obra-prima, mas o atrito entre Morrissey e Marr foi aumentando. Marr deixou a banda depois de Strangeways, Here We Come, de 1987, e Morrissey rompeu com o resto da banda para seguir sua carreira solo.

Sentindo-se traído pela saída de Marr, Morrissey canalizou sua frustração na criação de um novo material com o produtor Stephen Street. Seu primeiros dois singles solos “Suedehead” e o suntuoso “Everyday Is Like Sunday” foram hits significantes na Inglaterra em 1988 e seu primeiro álbum, Viva Hate (esse título é uma referência à quebra do Smiths), foi comercial e criticamente bem recebido.



Ele lançou vários outros singles de boa qualidade, inclusive “The Last of the International Playboys” e “Interesting Drug”, mas passou um desordenado período de tempo trabalhando no seu próximo álbum, que resultou na coletânea Bona Drag, de 1990.


Nesse meio tempo, a moda de Manchester estava se estendendo para a música indie britânica, quando o demorado Kill Uncle foi finalmente lançado em 1991, isso só aumentou a decepção.

Os críticos britânicos repreenderam Morrissey, sugerindo que essa gravação marcava o final de seus dias de glória e que ele nunca conseguiria competir com as músicas que ele tinha composto junto com Marr.

Uma relação mal entendida com o nacionalismo (prejudicada por algumas caricaturas aparentemente raciais em suas canções mais recentes) manchou ainda mais a sua imagem na imprensa inglesa em 1992, tornando ainda mais freqüentes as matérias sobre sua rixa com os empresários, sócios e ex-companheiros de banda.
 

Toda essa controversa ofuscou o fato de Mick Ronson ter produzido Your Arsenal, de 1992, que foi um retorno desastroso para sua carreira; Morrissey utilizou sua nova guitarra junto com Alain White (quem co-produziu a maioria de seu material) e Boz Boorer (da banda rockabilly Polecats) para gravar um trabalho glamuroso.


  Isso certamente marcou a fase mais difícil de sua carreira, ele estava ofuscado na Inglaterra; já nos EUA, os ingressos para sua turnê estavam vendendo como água, ele conseguiu lotar o Hollywood Bowl de Los Angeles mais rápido do que os Beatles.

Com sua confiança renovada pelo sucesso nos EUA (ao ponto dele se mudar definitivamente para Los Angeles), Morrissey lançou um disco igualmente forte em 1994, chamado Vauxhall, que o levou ao Top 50 da parada de singles norte-americana, com a música “The More You Ignore Me, the Closer I Get", que recebeu grande apoio da MTV.

Uma coletânea de sucessos chamada The World of Morrissey, foi lançada em 1995, sendo que logo após Morrissey mudaria de selo (da Sire para a RCA), pela primeira vez desde o lançamento do primeiro disco com os Smiths.

Também lançado em 1995 foi o disco Southpaw Grammar, que confundiu muita gente e talvez tenha sido o responsável pela pausa no crescimento da legião de fãs do cantor nos EUA. Em 1996, ele mudaria novamente de gravadora, agora se alinhando com a Island, para lançar Maladjusted, em 1997. O disco só vendeu bem entre o grupo de fãs de Morrissey, sem alcançar outros horizontes, fazendo com que seu namoro com a Island terminasse em 1998. Nos anos seguintes, Morrissey manteve-se como uma das figuras mais populares da música poop mundial em carreira solo, apesar de não conseguir um novo contrato com uma nova gravadora.

Então Morrissey passou o final da década de 90 esperando a chegada do novo milênio. Enfim, em 2003 ele conseguiu fechar um novo contrato, como o selo Attack Records, que é uma divisão ligada a Sanctuary Records.
 

Finalmente em 2004 sai o disco You Are The Quarry, o primeiro disco solo inédito de Morrissey em sete anos, lançado no dia 18 de maio. O disco foi gravado em Londres e Los Angeles, com muito uso de teclados, guitarras marcantes e muita base indie rock inglesa, marca registrada de Morrissey. Também foram utilizados bandolins, flauta, harpa e piano de calda, com Morrisey explorando novos territórios.


 
”Não existem links com o passado. Este é um disco muito mais brilhante do que todos os meus outros trabalhos. Estamos virando a página com este album. Ele é dinâmico e eu não poderia estar mais feliz”, disse Morrissey recentemente.

You Are The Quarry foi produzido por Jerry Finn, um dos mais requisitados produtores do momento, que é responsável pela produção de campeões de venda, como os discos das bandas pop-punk Blink-182, AFI e Green Day.

”Eu queria um som mais alto pra este disco”, disse Morrissey. “Fui apresentado ao Jerry por um amigo em comum. Ele me passou muita credibilidade. Ele é um cara que não se convence facilmente e não engole qualquer coisa. Ele sabia exatamente o que queria fazer. Então ele me ajudou a materializar no disco o som que estava na minha cabeça”.
 

O impacto que Morrissey causou na pop music é inegável. Como líder e vocalista dos Smiths, uma das mais influentes bandas dos anos 80, ele traçou os caminhos de mais de uma dúzia de bandas atuais de rock que estão nas paradas. Ele vendeu milhões de discos em todo o planeta, tanto em carreira solo como com os Smiths. Os ingressos para os shows de Morrissey se esgotam em minutos e em 2002, apesar do fato de que Morrissey não tinha lançado nenhum disco novo desde 1997, ele tocou em um show com ingressos esgotados em Anaheim, para milhares de fãs alucinados. Com este novo disco You Are The Quary, ele se prepara para atrair milhares de novos fãs.



”Este é o disco que eu tinha vontade de fazer há tempos”, declarou Morrissey, acrescentando: “Nunca quis fazer as mesmas coisas repetidamente, isso é muito chato”.

Marcio Faveri - da redação