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Entrevista
Exclusiva

São Paulo - 15/06/2004
Sempre
que penso em fazer uma entrevista com uma banda nova, tento procurar
por aquelas que tenham realmente algo de novo a mostrar e a somar
na cena rock nacional. Digamos que entrevistar grandes bandas
e ícones do rock seja pra mim mais fácil e "na boa" do que tentar
extrair de bandas iniciantes algo que possa chamar a atenção de
vocês que lêem minhas entrevistas e que podem se interessar pela
banda entrevistada.

No caso do Eighteen Street, a idéia da entrevista veio naturalmente
e coincidiu com um pensamento que eu sempre tive: nem tudo que
é novo no rock nacional e que esteja de alguma forma ligado ao
punk rock é necessariamente cria do CPM 22 ou de outros pseudo
pop-punks tupiniquins.
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O Eighteen Street é prova viva disso. Banda nova, formada
em 2002 e liderada por dois irmãos (Fernando e Patrícia
"Paty") que conseguem produzir um som original
e novo, mesclando influências clássicas, como The Clash,
Toy Dolls, Ramones, Rolling Stones, etc.
Mais sobre a banda vocês conferem na entrevista.
Portal: Primeiramente, gostaria de saber qual o significado
do nome Eighteen Street?
Paty: Quando começamos a tocar, a rua que nos morávamos
(eu e Fernando) era conhecida como Rua 18 e sempre chamavam
a gente de "banda da Rua 18". Aí acabou ficando.
Portal: Quem teve a idéia de montar a banda e o que
vocês tinham (ou ainda têm) em mente quando resolveram montá-la?
Paty: Eu e o Fernando montamos a banda, mas no começo
era mais brincadeira mesmo. Tocávamos covers de bandas que
a gente gosta. Nessa época tínhamos um baterista e eu tocava
guitarra. Depois que o batera saiu e eu fui pra bateria,
começamos a fazer músicas próprias e ficou mais sério. A
gente sempre quis tocar bastante, fazer shows e isso tá
rolando legal agora. |
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Portal:
Quais as principais influências da banda e quais as bandas que
mais servem de exemplo para o trabalho de vocês?
Fernando: É meio difícil ficar comparando nosso som. A
gente tem influencias bem variadas. Cada um com as suas, as que
temos em comum são The Clash, Ramones, Toy Dolls e The Boys.
Portal: Quem faz as músicas e como é o processo de composição?
Primeiro letra ou primeiro melodia?
Paty: Geralmente eu e o Fernando fazemos as músicas. Começamos
pela melodia, às vezes tenho uma melodia legal, mostro pra ele
e a gente acaba fazendo a letra juntos.

Portal: Quais os temas mais abordados em suas letras e
porque a opção em cantar em inglês e não em português?
Fernando: Falamos do cotidiano ou experiências que já passamos.
Começamos cantando em inglês, mas agora estamos compondo em português
e tá ficando legal. Estamos seguindo o mesmo estilo só que em
português.
Portal: Como rolam seus ensaios e quantas vezes por semana
vocês costumam ensaiar ou se encontrar para fazer as músicas da
banda?
Paty: Ensaio rola pela menos uma vez por semana, mas como
eu e o Fernando somos irmãos e moramos juntos, estamos sempre
fazendo músicas novas em casa.
Portal: Vocês lançaram um CD Demo com 6 músicas. Qual
o retorno que este CD deu para a banda e o que mudou desde
o lançamento dele até agora?
Fernando: A demo ajudou na divulgação da banda. Começamos
a fazer mais shows, as pessoas tiveram oportunidade de conhecer
melhor nosso som.
Portal: Como vocês vêem a cena rock hoje em dia, tanto
no mainstream como na cena independente? Existe espaço para
bandas iniciantes e quais os principais desafios e problemas
que vocês enfrentaram e ainda enfrentam, estando no começo
da carreira?
Paty: A cena tá crescendo bastante, tem vários locais
pras bandas tocarem e tem bastante banda também...rs. Pra
nos que estamos começando até que tá rolando legal. Problemas
que enfrentamos às vezes é ter que vender ingressos pra tocar,
praticamente pagar pra tocar e ainda tocar em um lugar sem
estrutura, sem equipamento, então você acaba pagando e levando
todo equipamento pra poder tocar. Isso é o mais foda!
Portal: Quais bandas nacionais que fazem parte da cena
independente vocês se identificam bastante e quais aquelas que
vocês acreditam estarem fazendo um trabalho mais sério visando
um lugar ao sol?
Fernando: Tem bastante banda boa na cena, Os Excluídos,
Lambrusco Kids, Hats, Borderlinerz. Essas bandas fazem um bom
trabalho, fazem um som legal.
Portal: E o que vocês fazem para estar nessa lista de banda
que merecem este lugar ao sol?
Paty: A gente faz tudo sozinho, corre atrás de shows, estamos
sempre ensaiando pra fazer o melhor possível no show, procuramos
todo tipo de divulgação, curtimos muito isso, tocamos com o coracão...rsss.
Portal:
Vocês têm uma baterista na banda, que por sinal chama muito a
atenção, não somente por ser raro ver uma baterista mulher no
rock independente, mas também pelo fato de ser uma bela baterista.
Isso atrapalha a banda ou desvia o foco das pessoas que vão aos
seus shows? Como é o assédio da galera, principalmente masculina,
nos shows de vocês?
Fernando: Atrapalhar não atrapalha. Claro que sempre acaba
desviando a atenção, ainda mais dos homens...rsss.
Paty: Mas isso é uma coisa que marca a banda, todo mundo
fala "a banda da mina na batera" e acabam ouvindo o som. Às vezes
rola de pessoas irem no show por curiosidade e acabam curtindo
o show e a banda. E isso é legal! Assédio sempre rola, no silencio
de uma música pra outra acaba-se escutando alguns comentários
do publico masculino...rsss.
Portal:
É claro que várias bandas do mundo todo se beneficiam destes "atributos
pessoais" de alguns de seus integrantes, citando por exemplo bandas
como Hole, Garbage, Kittie, The Corrs, No Doubt, Elastica, entre
outras. Vocês têm consciência que fatores deste tipo podem ser
trabalhados pela banda e revertidos de forma positiva, para elevar
inclusive o nome da banda na cena?
Fernando: Com certeza, isso pode ajudar a levantar a banda
e até já ajuda, mas também não queremos só uma banda com uma baterista
bonita. É legal pra marcar a banda, mas a gente quer que as pessoas
curtam o som também. E a Paty também não é só um rostinho bonito.
Está na banda por merecer...hehehe.
Portal:
Quais os planos e interesses imediatos da banda e quais os projetos
para o futuro?
Fernando: Nosso maior interesse no momento é fazer shows
e mais shows pra divulgar mais a banda. Começar a gravar o CD
e em breve lançá-lo com força total.
Portal: Para quando podemos esperar o lançamento do disco
de estréia?
Paty: Já estamos com varias músicas novas, queremos lançar
um disco em breve, mas não temos data de lançamento ainda.
Portal: Algum recado para as pessoas que já conhece e acompanham
a banda? E para aqueles que tem interesse em conhecer melhor o
trabalho de vocês?
Paty: Pra quem já conhece nosso trabalho espero que estejam
curtindo e pra quem quiser conhecer melhor a banda, entrem no
site www.eighteenstreet.com.br.
Ele está sempre atualizado, veja nossa agenda e compareça aos
nossos shows!
Marcio Faveri - da redação |