Entrevistas
ENTREVISTA COM HECTOR PAPPA
(BATERISTA DA BANDA ARGIES)


No dia da apresentação da banda Argentina ARGIES, no Hangar 110, em São Paulo, no dia 01 de Setembro de 2000, aproveitamos a oportunidade e conversamos com o baterista da banda, Hector Pappa. ARGIES é uma banda com grande influência da banda inglesa CLASH, que foi um referencial dentro do Punk Rock mundial. Influência não significa cópia, o que comprovamos durante a apresentação do grupo, tanto no Hangar (vide matéria sobre o show ) como também no MERCOSUL INDIEROCK PARTE 5, no Zero 13 Bier Rock (Av. D. Pedro I, 3671- Santo André-SP-Tel/Info: 717-4704), juntamente com mais 13 bandas, entre elas, MUERTE LENTA (Também argentina. Leia mais sobre essa banda na mesma matéria sobre o show no Hangar e na entrevista com Tano, vocalista da banda ), SUBVIVENTES, PÁTRIA ARMADA, EXCESSO BÉLICO, DESERDADOS, LAMBRUSCO KIDS, ULSTER, entre outras. Hector não tem nada do estereótipo de arrogante apregoado aos Argentinos, comprovando mais uma vez que qualquer generalização é uma grande erro. Segue entrevista.

Portal do Rock - Quando foi que a banda começou?
Hector Pappa - Argies começou no ano de 86. Em 95 mudamos para Buenos Aires (capital da Argentina) , foi quando a banda tomou uma direção mais forte.

Portal - A banda começou em que cidade?
Hector - Em rosário, província (estado) de Santa Fé.

Portal- Quem são os membros da banda e o instrumento de cada um?
Hector - Gustavo, guitarra e voz; David Balbina, vocal principal e segunda guitarra; Andres, baixo e, eu, Hector Pappa na bateria.

Portal- Quais são os assuntos abordados nas letras da banda?
Hector - São temas sociais. Falamos do que acontece no mundo.

 
 
 
Portal - Existe uma espécie de hostilidade entre Brasileiros e Argentinos. Alguns Argentinos culpam o Brasil pela situação econômica ruim da Argentina. O que você pensa a esse respeito?
Hector - Isso é uma merda de políticos Argentinos que não sabem conduzir bem a economia Argentina e botam a culpa nos outros países. Isso sempre acontece. Quando eu estive em Tequila, no México, a economia era péssima na Argentina e diziam que a culpa era do México. Isso sempre dizem os políticos, mas o povo não. Nós estamos pela quarta vez no Brasil e para nós isso é muito importante. Temos muitos amigos aqui e sabemos muito bem como é o povo Brasileiro e sabemos que não é assim. É tudo mentira dos políticos. Em todos os países os políticos são a mesma merda!
 

Portal - Como está o movimento Punk na Argentina? Existem muitas bandas?
Hector - Sim existem muitas bandas mas, o movimento Punk não está bem na Argentina. Há muita violência nos shows e também muita divisão entre as bandas e organização, por problemas de violência e por problemas de todos os tipos.

Portal - Existem brigas entre Punks e Headbangers, o pessoal do metal, por exemplo?
Hector - Não porque cada um cuida do que gosta em separado. Não existem problemas.

Portal - E os Skinheads, são muitos na Argentina?
Hector - Não, são poucos. O que acontece é que agora está proibido na Argentina, shows com grupos Skinheads, porque houve muita violência entre Punks e Skins, esse tipo de coisa. São poucos, são sempre os mesmos. São iguais em qualquer parte do mundo.

Portal - Quanto às bandas Brasileiras? Quais são as bandas que você mais gosta?
Hector - Nós gostamos muito da banda SUBVIVENTES, do ABC Paulista e também de DESERDADOS, CÓLERA. Existem muitas bandas boas no Brasil.

Portal - Valeu Hector. Obrigado pela entrevista.
Hector - Obrigado e muita sorte.

 
 
 
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ENTREVISTA COM TANO
(VOCALISTA DA BANDA MUERTE LENTA)

Em tour com a banda ARGIES (vide entrevista e matéria sobre o show no Hangar), os também Argentinos do MUERTE LENTA, fazem um Hardcore com pitadas de Ska e Reggae, entre outras influência. O "ML", foi a banda de abertura no dia 01 de Setembro de 2000 no Hangar 110, em São Paulo (vide matéria), juntamente com Cólera, Lambrusco Kids e, claro, como já foi citado, a banda ARGIES. Falamos com Tano, vocal do "ML", logo depois que a banda se apresentou, infelizmente, para um público de pouco mais de 30 pessoas, o que não intimidou a banda , fazendo uma boa apresentação. Segue entrevista.

Portal do Rock - Vocês são muito amigos?
Vocês se conhecem a quanto tempo?
Tano - Somos quase irmãos. Fazemos muitas turnes juntos. Faz mais de cinco anos que fazemos shows juntos.

Portal - Como vocês se conheceram?
Tano - Argies é de Rosario, interior da Argentina. Conhecemos a banda em Buenos Aires (capital da Argentina). Profissionalmente crescemos muito juntos, só que o Argies cresceu muito mais. É uma banda muito legal. muito respeitada.

 
Portal- É a primeira vez que vocês tocam juntos no Brasil?
Tano - Não, não. É a segunda vez. Estivemos aqui juntos em Fevereiro, no MERCOSUL TOUR.

Portal - Qual é a temática da banda?
Tano - Letras sociais, políticas. Mas nós não tomamos nenhuma posição política. Somos contra a política, contra a opressão, contra o racismo. Nos interessamos pelos problemas da gente da rua, com o que passa com as pessoas das ruas. MUERTE LENTA não é uma banda que inventa histórias, fazemos letras da vida real, tudo que acontece na vida real.

 
 
 
 
 

Portal - Eu conheço uma banda Argentina que se chama V8 (na verdade, não existe mais). Você gosta da banda V8?
Tano
- V8 foi uma banda, muito, muito legal. Muito respeitada na história do Heavy Metal Argentino.

Portal - Como se chamava o membro da banda que cometeu suicídio?
Tano - Osvaldo Civile (guitarrista). Ele morava próximo de onde eu moro. Ele era uma pessoa que lutou muito, muito pelo Heavy Metal. Era muito respeitado.

Portal - Você sabe qual foi o motivo do suicídio?
Tano - Não ficaram muito claros os motivos. Ele bebia muito e tinha problemas com drogas. Realmente, os motivos não ficaram muito claros.

Portal - Têm uns merdas que dizem que Argentino não gosta de Brasileiro. O que você pensa à esse respeito?
Tano - Eu fiquei muito, muito agradecido com os brasileiros, principalmente de São Paulo, muito contente com o público do Brasil. Umas pessoas muito legais, muito atenciosas com as bandas Argentinas. Eu sou muito mais agradecido ao público do Brasil, de São Paulo, do que ao público da Argentina. Na Argentina acontece muitas brigas, muitas separações.

Portal - Acontece algo muito interessante no Brasil. Quando a banda não é conhecida, as pessoas prestam muita atenção enquanto a banda toca mas não agitam. Muitas vezes quem está tocando pensa que não esta agradando.
Tano - Na primeira vez no Brasil eu fiquei meio chateado achando que não estávamos agradando mas, depois eu percebi que eles (o público) gostavam do Muerte Lenta e, aqui estamos pela segunda vez.

 

Portal - E como está o cenário Punk Argentino?
Tano - Para tocar na Argentina está muito, muito difícil. Ninguém quer fazer show com as bandas Punks devido às muitas brigas. Em São Paulo é muito mais fácil tocar.

Portal - Argentina mudou de presidente, era Menen agora é De La Rua.
Tano - Eu penso que de "Rua", ele só tem o nome (Nota: "rua" em espanhol é "calle"). Ele não conhece nada da rua. Ele não tem nem idéia do que existe na rua.

Portal - Ele pertence a um partido conservador?
Tano - Ele pertence a um partido mais de centro (quando não é esquerda nem direita). Mas qualquer governo vai estar sempre do lado dos americanos. Não só Brasil e Argentina mas, toda a América Latina, somos escravos dos Estados Unidos.

 
Portal - Eu sempre digo que é a nova "Roma" (que governou praticamente todo o mundo conhecido na época que era um império).
Tano - Todos os presidentes latino americanos não passam de empregados dos americanos.

Portal - Bill Clinton é o novo "César". Não sei se você pensa igual.
Tano - Sim, sim. Eu penso.

Portal - Mudando de assunto, e as bandas Brasileiras?
Tano - Minha preferida é a Subviventes, uma banda com muita atitude. Também gostamos de Deserdados.

Portal - Tano, eu gostei muito da banda e do show. Para mim o Muerte Lenta é uma mistura de Ska com Hardcore...
Tano - Sim, é justamente o que nós fazemos. Uma mistura de Punk Rock, com Ska, com Reggae também. Nós fazemos músicas que são combativas, com uma mensagem. Não queremos fazer música que não tenha uma mensagem.

Portal - Tano. muito obrigado, Gostei muito de conversar com você.
Tano - Muito obrigado, mas muito obrigado para todas as pessoas que nos trataram muito bem, muito obrigado a todo o público de São Paulo.

Niva dos Santos - Setembro de 2000

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