Entrevista Exclusiva com Wilson
baixista do Brigada do Ódio

06/12/2001 - Capone´s Bar - São Bernardo do Campo - SP

Esta é a terceira entrevista feita no Capone's Bar em São Bernardo Do Campo, ABC Paulista, no dia 06 de Dezembro de 2001. Os shows do Capone foram parte da turnê brasileira da banda finlandesa RIISTETYT. Tocaram também as bandas QI?, ULSTER e BRIGADA DO ÓDIO. Wilson, baixista da BRIGADA, é outro amigo de velha data, da mesma forma que o Vlad do ULSTER (leia entrevista e matéria sobre os shows) e, por esse motivo, a chamada entrevista ficou, também, mais com cara de conversa entre dois velhos brodas tomando umas brejas num bote.

PORTAL DO ROCK - A clássica pergunta, quando a banda começou?
WILSON - Começou em 83, com uma parte da banda INFRATORES mais o Luis que tocou com o ULSTER e o OLHO SECO.

PR - Outra clássica, qual era a formação na época?
WILSON - Eu no baixo, o Magrão na guitarra, Luis nos vocais e Sérgio na bateria.

PR - Nessa última formação alem de você, quem mais era da formação antiga?
WILSON - O magrão, o guitarrista.

PR - O sartana (atual baterista), tocou no OLHO SECO?
WILSON - Tocou no OLHO SECO e eu toquei com ele numa fase meio estranha do OLHO SECO, que tinha também o Luizão na guitarra e, a gente levou adiante o nome do OLHO SECO.

PR - Você tocou de 83 até que ano no BRIGADA?
WILSON - Esporadicamente até 87/88. A primeira banda de Punk do ABC que teve registro em vinil foi a gente.

PR - Vocês tocam GRINDCORE, o que é que vocês tocam?
WILSON - A gente toca o que vem na mente porque, quando a gente tocava originalmente, só se falava de Punk. Aí começaram a falar de Hardcore, Grindcore, mas, se você for se preocupar com isso, você vai ter que fazer uma pós-graduação, porque eu não estou entendendo mais nada. Então a gente toca o que vem na alma, o principio Punk que nós temos é esse o que a gente toca, o que a gente sabe, o que a gente conhece, o que a gente tem competência para tocar.

PR - Vocês voltaram quando?
WILSON - A gente voltou meio no acidente. Eu e o Vlad (que também é do ULSTER), a gente estava tentando fazer uma banda a uns quatro anos atrás e a gente conseguiu falar com o Sartana e o Magrão, que também estavam com vontade de voltar a tocar. Então, há um ano atrás, nós começamos a ensaiar, nós fizemos umas gravações em estúdio e agora nós estamos mixando. (Nem é preciso dizer que a banda que eles estavam "tentando fazer" resultou na volta do BRIGADA).

PR - Espero que vocês não parem mais!
WILSON - Obrigado cara, essa é a vontade que a gente tem também. Isso é uma coisa importante para nós como pessoas. Nós achamos importante a construção humana, a nossa própria construção, ser o autor de nossas vidas. E essa nossa construção passa por essa experiência importante pra caralho que foi e é o Punk, uma experiência de liberdade. É isso que a gente está querendo conservar. Como o Vlad falou (Wilson acompanhou o bate papo com o vlad que você também pode ler em "Entrevistas"), a gente passa todo dia por uma fudida incoerência que é fazer parte de um sistema capitalista. Nós não somos europeus que enche a cara e vive com um salário do governo. É filhinho de papai do governo e vive xingando todo mundo. Não, nós somos trabalhadores, peão à margem do sistema.

PR - Apesar das contradições, a gente tem certos valores que precisam ser preservados.
WILSON - A nossa contradição é todo dia sair pra luta, entre aspas, trabalhar, saber que é explorado, tendo consciência disso. É isso que sangra a gente por dentro, mas, cara, a gente tem que fazer alguma coisa! É uma merda fazer uma banda, mas é o que eu posso fazer. Se eu tivesse condição de mudar alguma coisa eu faria. Por isso que a gente acredita numa construção humana e social. Quem sabe, quando isso acontecer a gente não tenha 500 do nosso lado para mudar alguma coisa.

PR- Eu escrevi para colocar no site da minha banda (www.patriaarmada.hpg.com.br), sobre um festival que rolou aqui em São Bernardo, no Projeto Meninos E Meninas De Rua, que um dos motivos da gente ter voltado (1999) é a função, sem demagogia, "social", no sentido de denuncia, que a gente quer dar pra banda.
WILSON - Se a gente tivesse banda com outros olhos, a gente estaria tocando outras coisa, pedindo pelo amor de Deus para sermos entrevistados pelo Gordo (da MTV, RATOS DE PORÃO), nada contra o Gordo, ele está seguindo o caminho dele, eu quero seguir o meu, ia estar pedindo pra ir ao Faustão (a banda QI? está no palco e começa a tocar)... Começou a barulheira, vamos lá!

PR - É, começou. Vamos lá!
WILSON - Vamos. Obrigado Niva valeu!

Niva dos Santos - especial para o Portal do Rock




Entrevista com Riistetyt

Entrevista com Vlad (Ulster e Brigada do Ódio)

Matéria do show do Riistetyt