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Entrevista
- Buzzcocks
26.06.2001 - Musikaos - São Paulo - SP
Mais
uma vez o Portal do Rock traz para os amantes do velho e bom rock
and roll, mais especificamente do estilo punk rock tradicional,
uma preciosidade em termos de informação e curiosidades sobre
esta, que sem dúvida nenhuma foi e continua sendo uma das mais
importantes bandas inglesas do Século 20.
O Buzzcocks, como todos sabem, fundou o punk rock ao lado de bandas
como Sex Pistols, Vibrators, The Clash e um grupo seleto de bandas
que realmente fizeram história, revolucionaram costumes, conceitos
e detonaram a bomba do "do it yourself" (faça você mesmo), que
pregava que qualquer pessoa podia ter uma banda e tocar rock and
roll, bastava querer!
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Mas
no caso do Buzzcocks, eles não foram apenas mais uma banda,
eles foram "a banda", que inovou com rifes e melodias bem
trabalhadas, letras inteligentes, poesia e uma pitada de pop
em seu som. Se quando o Buzzcocks nasceu existisse MTV, internet,
mp3 e outras cositas da vida moderna, daria pena do Green
Day, Offspring, Blink-182 e uma leva de bandas pseudo-punks
que claramente chuparam tudo o que fazem dos Buzzcocks.
Além destas bandas pseudo-punks, outras como Soup Dragons,
Supergrass e Happy Mondays também tentaram reinventar o estilo
Buzzcocks de fazer música, mas hoje são lembradas apenas como
tentativas. |
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Nossa
entrevista exclusiva rolou no SESC Pompéia em São Paulo, local
onde o Pete Shelley (vocal/guitarra), Steve Diggle (vocal/guitarra),
Tony Barber (baixo) e Phil Barker (bateria), atual formação do
Buzzcocks, gravaram participação para o programa Musikaos da TV
Cultura, que sem sombras de dúvida é o melhor programa musical
da televisão brasileira na atualidade, principalmente graças ao
carisma de seu apresentador Gastão (ex-MTV), que comanda o programa
sempre com muita coerência e precisão nas informações, além de
contar com o apoio de uma equipe de produção competente, que tem
como destaque o Clemente, vocalista da banda Os Inocentes.
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Pete
Shelley: A gente não tinha idéia de nada. Era só diversão
mesmo. Fazíamos o que estávamos com vontade de fazer. Se acontecesse
algo, tudo bem, senão acontecesse nada, tudo bem também. Se eu
tivesse noção do que o punk rock iria se tornar, eu teria patenteado
a idéia e estaria rico hoje. Ninguém pode dizer que tinha idéia
de alguma coisa naquela época.É
o mesmo que prever o futuro. Malcolm McLarem (primeiro empresário
dos Sex Pistols) diz que a patente do punk é dele (risos). Antes
de existir o punk rock, as pessoas que curtiam rock and roll e
música em geral, costumavam apenas sonhar com as coisas, sonhar
ter uma banda, sonhar gravar um disco, sonhar fazer shows e sonhar
chegar a fazer sucesso um dia. O punk foi diferente. Nós não ficamos
esperando os sonhos se realizarem, fomos e fizemos o que queríamos
fazer e provamos para nós mesmos que era possível. Se você fica
sonhando muito, o tempo passa e você não faz o que tem que fazer
naquele momento.
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Portal:
Falando um pouco de Howard Devoto (fundador do Buzzcocks junto
com Pete Shelley). Porque ele saiu da banda?
Pete: Até hoje não sabemos. Ele apenas chegou um dia e
disse: "vou sair e montar outra banda". Ele é um cara muito fechado
e até hoje a gente não conversa sobre este assunto. Ele na verdade
é um pouco tolo e toma umas atitudes que não dá para entender.
Steve: Acho que ele fez a melhor coisa que poderia ter
feito. Assim o rock ganhou duas e não apenas uma banda, pois ele
montou o Magazine que foi uma excelente banda. Mas na verdade
ele saiu na hora certa. A gente estava no começo e não tivemos
muitos traumas. Se ele tivesse saído alguns meses mais tarde,
talvez a banda não teria sobrevivido, pois sua influência seria
maior.
Pete: Acho que a história seria diferente se Howard fosse
mulher! Como será que teria sido? (risos)
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Portal:
Nas suas músicas vocês falam muito de amor. Qual o significado
de amor para vocês e como seria o amor ideal?
Pete: É algo muito difícil de dizer, mas tenho certeza
que eu posso mostrar a você o que é amor (muitos risos - oops...).
O amor é fundamental para qualquer pessoa. Sem amor você se
torna mal, não consegue dormir, trabalhar, raciocinar e não
consegue viver. Não ter alguém para amar ou não ser amado
por alguém é pior que não ter dinheiro, sucesso e pior que
tudo na vida. O amor é essencial. |
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Portal:
"Ever fallen in love? (with someone you should not have fall in
love with)" (Você já se apaixonou? por alguém que não deveria se
apaixonar?). Este é o título de uma de suas músicas, certo? Eu faço
agora esta mesma pergunta para vocês.
Pete: Sim. Isto acontece na vida de cada pessoa, pelo menos
uma vez.
Steve: Isto acontece o tempo todo, você anda na rua, conhece
alguém e de repente está apaixonado. Você pode se apaixonar todo
dia se quiser. A paixão é muito rápida na forma que vem e na forma
que vai. Eu mesmo encontro pessoas e as vezes sinto atração por
elas e depois percebo que não posso fazer nada. Isto é a vida. Eu
também faço esta mesma pergunta para você e tenho certeza que você
vai responder sim.
Pete: A gente poderia ter escrito música contemplando o suicídio,
mas a gente prefere algo mais positivo quando compomos nossas músicas. |
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Portal:
Como é o processo de composição das músicas?
Pete: Primeiro a gente faz as melodias e depois fazemos
as letras. Para uma banda como a nossa é muito difícil fazer primeiro
a letra e depois colocar uma música. Às vezes uma letra pode inspirar
uma melodia, mas é muito difícil.
Portal:
Vocês, particularmente, preferem tocar músicas novas ou antigas
em seu shows?
Pete: A gente prefere mesmo as antigas. Acontece que não
temos um grande repertório de músicas novas. Nossos maiores sucessos
têm mais de 20 anos. Vir tocar no Brasil e deixar de tocar músicas
como "What do I get", "Orgasm Addict" e "Fast Cars" por exemplo,
para tocar músicas novas, seria uma ofensa aos nossos fãs. Acho
que faz uns cinco anos que não tocamos "Fast Cars" ao vivo. Mas
vamos tocar aqui no Brasil, é claro.
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Portal:
Que guitarras e pedais vocês usam?
Pete: Eu sempre toquei e toco com uma Golden Smith,
sem pedais.
Steve: Eu toco com uma Gibson Les Paul e com uma Fender
Telecaster. Também não uso pedais de efeito.
Portal: Existe alguma banda tocando hoje que vocês
gostam ou estão ouvindo atualmente?
Pete: Radiohead, Magazine. |
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Portal:
E Travis? Você gosta deles?
Pete: Não, não, não. Nem diga o nome desta merda.
Tony: (o baixista acordou para a conversa nessa hora) O
Travis é uma bosta! Como pode alguém gostar destes caras? Eles
são produtos enlatados, feitos pela gravadora.
]Portal:
Mas eles são sucesso absoluto de público e crítica na Inglaterra
e em vários países e alguns críticos até dizem que eles são o
novo rock inglês.Dizem que eles estão superando até o Oasis na
popularidade. O que vocês dizem?
Tony: Porra nenhuma! O Oasis é até legal, conheço o Noel
Galangher e ao contrário do que dizem o cara é bem legal.Portal:
Vi uma entrevista com Liam do Oasis e ele disse que o som deles
é uma mistura de Beatles, Sex Pistols, The Smiths e The Jam. O
que vocês acham?
Steve: É muita pretensão, mas até que eles são legais.
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Portal:
Quando alguém diz a palavra "Brasil", o que vem às suas cabeças?
Buzzcocks (unanimidade): Café! Mas o que vem mesmo
é a imagem de uma mulher, com penas e plumas na cabeça, um
cacho de bananas e muitas frutas penduradas, dançando tchá,
tchá, tchá e samba. O Brasil lembra logo mulheres gostosas,
nuas e dançando samba. Mas a gente ainda não viu nenhuma!
Tony: Acho que vocês deveriam fazer um samba-punk,
com guitarras distorcidas e mulheres nuas dançando!
Marcio Faveri - da redação |
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| Nota:
"Considero uma idiotice a atitude do baterista do Buzzcocks,
que chutou o bumbo da batera no meio da gravação.
Inclusive acho que ele como baterista é muito fraco. Nem mesmo outro
baterista de uma bandinha da esquina faria uma coisa dessa em show
nenhum, quanto mais em uma gravação do Musikaos! |
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Se o fizesse iria ficar muito mal para ele e talvez a banda
nunca mais tocasse novamente por conta de uma idiotice dessa.
Eu sou baterista e já aconteceu comigo coisas muito piores
do que o bumbo andar, como por exemplo o banco cair, ou um
prato despencar em cima da batera, ou coisas piores. Mas nunca,
nunca mesmo eu deixei de tocar ou parei a música no meio.
Isso para mim e para muitos músicos que se prezam é inadmissível.
Outra coisa, achei ele muito arrogante para quem toca tão
pouco, por mais que ele tenha a honra de tocar com os Buzzcocks.
Tenho dito." Paulo Vinícius - da redação |
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