| Entrevista
Exclusiva

São Paulo - 11/04/2005
Fazia tempo que eu queria entrevistar o Carbona
e a hora chegou! Não perguntei a eles a origem do nome
"Carbona", mas acredito que como fãs e pupilos
incondicionais dos Ramones, eles só podem ter tidado o
nome da da música "Carbona Not Glue", ou mesmo
de alguma outra das várias letras dos Ramones onde eles
mencionam este composto químico alucinógino.
Quem responde a esta entrevista exclusiva é Henrique Badke,
guitarrista e vocalista da banda. Devo dizer que sempre tive um
pé atrás com bandas que se parecem muito com seu
ídolos, sendo que é inevitável pensar em
Carbona sem pensar nos Ramones. Mas estes cariocas formam talvez
a única banda que eu conheço que é capaz
de soar muito Ramones bubblegum e ao mesmo tempo ser original.
Sim, porque eles encabeçam a lista de uma série
de bandas nacionais e internacionais que seguem à risca
a cartilha do punk rock bubblegum. Só que o Carbona faz
isso com muita competência!

Conheço pessoalmente todos os integrantes do Carbona e
posso dizer que a simpatia e humildade destes caras também
são suas marcas registradas, o que torna justo o merecido
sucesso que eles vêm alcançando na cena rock underground
brasileira há anos. Eles estão agora lançando
seu novo disco chamado "Cosmicômica" e com certeza
ainda têm muita lenha pra queimar e muito chiclete pra grudar
no cérebro de seus fãs!
Mais sobre a banda vocês conferem na entrevista.
Portal:Primeiramente gostaria de perguntar pra você
sobre as influências da banda. Claro que os Ramones
influenciam muito o som do Carbona, mais quais outras fontes
alimentam a inspiração da banda?
Henrique: Devo apontar as lookout bands (Screeching
Weasel, The Queers, MR T Experience) , a banda curitibana
EX LAX e o disco Roberto Carlos Canta para a Juventude,
este último principalmente na fase em português.
Portal: Como você vê a cena rock alternativa/underground
hoje em dia? Qual a diferença da cena de hoje com
a do tempo em que vocês começaram?
Henrique: Acho que as coisas melhoraram muito. Antes
de tocar com o CARBONA, eu toquei no Barneys na década
de 90. Tempos de fanzine de xerox e cartas no correio. A
internet simplesmente não existia. Hoje além
de facilidade de divulgação, vejo uma conscientização
das próprias bandas quanto a valorização
de seus trrabalhos. A estrutura independente vem se fortalecendo
e isso é animador. |
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Portal:
Vocês conseguem hoje, com a boa vendagem de cds que tem
e com os muitos shows que fazem, viver da banda? Vocês têm
outros trabalhos paralelos?
Henrique: Ainda não vivemos mas a idéia é
alcançar isso. Quando vc dedica mais tempo a banda, você
naturalmente tem mais retorno financeiro dela. O que a gente faz
não nos sustenta mas é o suficiente pra sustentar
o sonho de viver de banda. A gente segue em frente trabalhando
forte , de olho nos objetivos mas tentando aproveitar o presente
da banda também! Eu estou trabalhando atualmente só
com a banda.
Portal: Muita gente fala que o som bubblegum, que é
a marca registrada de bandas como o Carbona, é pouco criativo
e fraco em termos de musicalidade, com acordes e arranjos muito
parecidos sempre. O que você tem a dizer sobre isso?
Henrique: Isso me soa um pouco como dizer que pintura abstrata
é só um monte de rabiscos e que qualquer um faz.
Na verdade a música esbarra sempre no gosto de cada um.
Música boa pra mim é aquela que me emociona. Eu
me emociono ouvindo sons como Ramones, Queers, Muzzarellas e outras
bandas que trabalham elementos semelhantes aos nossos. Vejo que
a gente emociona também muita gente com nosso som pois
os shows estão sempre animados e os discos rodam por ai.
Acho que é por aí. Cabe a gente procurar aquilo
nos emociona! Não me grilo com essa visão e respeito
quem acha simplório e sem graça! Eu sigo fazendo
meu som por que eu gosto pra caralho do que faço!

Portal: Vocês tiveram uma experiência diferente
em termos de som recentemente, gravando 4 covers de bandas gringas
para o tributo Punk Rock Classics do selo Ataque Frontal. Como
foi essa experiência pra vocês e o que os fãs
do Carbona acharam dessas músicas qeu vocês gravaram?
Henrique: Eu curti muito gravar por que são músicas
que eu já escutei centenas de vezes. A gravação
foi feita em Sampa num estúdio diferente do que agente
está acostumado a gravar e isso foi muito legal. Achei
o resultado bacana e a galera que curte a banda tb. Muita gente
pede pragente tocar here Comes The Summer nos shows. Além
disso, me sinto honrado de participar de um projeto da Ataque
Frontal que é um grande selo, de tradição
e de trabalho sério.
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Portal: O cd novo de vocês está pronto.
Ele já está à venda? Fale um pouco sobre
este novo trabalho e sobre as expectativas que vocês
têm com este novo disco.
Henrique: O disco novo chama-se Cosmicômica e
tem 19 faixas , foi lançado pela 13 RECS! O disco está
na rua, está saindo bem e agradando os fãs.
Fiquei feliz de poder fazer uma tour de divulgação
de 25 shows por que ajuda pra caramba e ainda é uma
espéice de recompensa ao trabalho todo feito no disco
até aqui. A expectativa é rodar esse brasilsão
fazendo rock cantanbdo as músicas com a galera! Acredito
nesse modelo de trabalho.
Portal: Quais os próximos passos e metas na
carreira da banda?
Henrique: Nossas metas são claras. Fazer o rock
que agente curte buscando a cada ano aumentar a estrutura
da banda e tocar para um número de pessoas cada vez
maior. Dessa forma a gente consegue tbter mais retorno financeiro
, até agente chegar num momento em que agente viva
só para a banda! |
Portal: Vocês já tocaaram no exterior? Como
foi? Pretendem voltar a tocar fora?
Henrique: Nós tocamos nos EUA e Canadá em
1998. Fizemos 15 shows por lá, foi muito legal, muito legal
mesmo. Uma puta experiência. Mas hoje em dia a gente ta
100% focado no que pode ser feito aqui dentro, no Brasil. Gostaria
muito de poder voltar mas no momento não é o foco
do nosso trabalho.
Portal: Quais bandas gringas vocês têm ouvido
hoje em dia, alguma banda gringa nova que vocês curtam?
Henrique: Acho que a última banda que eu mais ouvi
foi o Strokes. O disco novo é muito bom!Muito bom mesmo!
Banda nova gringa? Não me lembro de nada agora.
Portal:
E na cena brasileira? Quais bandas vocês acham legais e
acham que mereçam um lugar ao sol?
Henrique: Lugar ao sol merecem todas que trabalham sério
e ralam pra conquistar o lugar ao sol. Acho importante a gente
diferenciar gosto de trabalho sério . Tem muita banda que
eu admiro pelo trabalho, mas não gosto do som. Agora falando
de som que eu ouço em casa direto : Muzzarellas,Zumbis
do Espaço, Tequila Baby, Magaivers, Baia e Rock Boys, Banda
Seres (soul) e algumas outras.
Portal:
Alguma mensagem especial para os fâs do Carbona?
Henrique: Obrigado pelo suporte ao longo dos anos. Fã
é energia vital para o trabalho de uma banda. Paz e rock!

Marcio Faveri - da redação |