| Entrevista
Exclusiva

São Paulo - 22/08/2005
Formada em 1997, a banda mescla vários
estilos dentro do metal/ thrash tradicional (riffs pesados e distorcidos)
mesclando, desde elementos da música eletrônica,
rock alternativo, rap, industrial e percussões afro-brasileiras.
A banda se prepara para fazer o show mais importante de sua carreira
até o momento, no Chimera Music Festival, ao lado de nomes
de peso do metal mundial, como Slipknot, Sepultura e Korzus.
Mais sobre a banda vocês conferem na entrevista a seguir.
Portal: Qual a formação atual da banda? E
há quanto tempo existe a banda?
Jamil: A banda hoje é: Shark - vocal e percussão,
Ayka Zero - Baixo e backing, Ronny - Guitarra e Backing, Bozzo
- Guitarra, Alê - samples, Jhaba - percussão e eu
na bateria. A banda existe desde novembro de 97.
Portal:
Vocês tocavam em outras bandas certo? Fale um
pouco sobre essas bandas que vcs já tocaram e como
começou realmente o Chipset Zero?
Jamil: Então eu e o Bozzo éramos da
banda Sórdidos, banda respeitada na cena aqui da
cidade e em Sampa tb tinha um certo conhecimento. O Shark
e a nossa primeira guitarrista a Claudia eram da banda Ódio.
O Ayka tocou no Visible Factor, o Ronny teve uma banda que
não chegou a tocar em muitos lugares e o Jhaba era
batera da banda Sly. Só o Alê que nunca teve
banda!!!! O Chipset Zero começou de um modo mudo
bacana, existia uma "pseudo" rincha entre eu e
o Tubarão... ele achava que eu não gostava
dele e eu achava que ele não gostava de mim, e as
nossas bandas acabaram mais ou menos no mesmo tempo coisa
de meses e ele numa atitude muito foda veio conversar comigo
e perguntar se eu não queria montar uma banda com
ele e a Claudia. O Ayka já entrou na banda no primeiro
ensaio porque o baixista que chamamos furou... e logo depois
entrou o Alê Ramos que fazia samples pra gente (isso
em 97) depois de um tempo a Claudia deixou a banda e logo
em seguida o Alê Ramos tb, trocamos 6 vezes de guitarrista
até entrar o par de guitarras Bozzo e Ronny (em 2001)
e depois o percussa Batata que gravou o Deep Blue mas ele
deixou a banda nessa época adcionamos por último
o Alê nos samples. O Batata deixou a banda entrando
o Henrique que tocou por um tempo também e deixou
a banda substituído pelo Jhaba antes de irmos ao
Chile completando o time. |
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Portal:
De quem foi a idéia do nome da banda? Fale um pouco sobre
ele. Vocês chegaram a pensar em outro nome?
Jamil: O nome da banda foi algo muito bem pensado... demoramos
como uns 3 meses pra chegarmos em Chipset Zero a idéia
véio do Tuba que chegou até nós com o nome
"Chipset" e juntamos a ele o "Zero". O nome
Chipset é o nome dos co-processadores de computador e pra
nós ele significa a máqui9na a tecnologia... o Zero
é zero mesmo e pra nós simboliza o homem e seus
defeitos e virtudes... Muitos dizem que nós perguntam se
somos contra a técnologia e como que podemos ser assim...
na verdade não entendem que não somos contra a tecnologia
e sim contra o deslumbre à tecnologia... e a intensificação
da tecnologia em nossas vidas sendo como uma cancer corroendo
as bases da sociedade colocando o homem como um zero a esquerda...
quantas pessoas não são desempregada por um simples
pedaço de silício ... é óbvio que
não podemos negar o benefício que ela nos traz também
porém não podemos perder as rédias de tudo
isso... preferimos o meio do que os extremos. Sim por um certo
tempo (os três meses) chegamos a chamar Genetic`Pain mas
achamos uma merda!!! auhauahaah e trocamos pra Chipset Zero.
Portal: Quais as influências da banda e o que de
"novo" vocês andam escutando?
Jamil: Pergunta difícil essa porque escutamos diversas
coisas porém o básico posso dizer que é metal
dos anos 90, eletrônico, rock alternativo e também,
pop, jazz, rap, hip hop. De novo a gente curte as bandas que o
pessoal não gosta!!! uahauahauh e chamam de "falso
metal", eu particularmente procuro saber o que tem rolado
de novo tenho escutado Devildriver, Machine head, Trivium, e as
veiaria como sempre, Pantera, Meshuggah, Slayer, Fear Factory,
Rammstein, Depeche Mode, Obituary, Nine Inch Nails.

Portal: Qual a sua opinião sobre o underground nacional
e quais bandas vocês destacariam?
Jamil: O under nacional é muito precário
e tem muita gente que "acha" que sabe fazer alguma coisa...
mas não falo isso por mal não, as pessoas não
tem direcionamento, não temos investimento e isso acaba
prejudicando no geral, mas acho que as bandas, que são
as responsáveis pelo cenário underground, tem que
procurar sempre o melhor... melhores equipos a melhor gravação
só assim o nível tende a crescer. Precisamos de
profissionalismo nesse meio. E pararmos de tocar por tapinha nas
costas. Posso destacar o cenário paulista que é
o que eu conheço bem... temos o Choldra que é uma
banda de caras da véia, temos o Threat, C-Real que é
uma banda relativamente nova e vem crescendo legal... e mais uma
série de bandas que estáo se preocupando em crescer!!!
Tem o pessoal do Rio o El Efecto que é uma banda bem legal,
e tem muitas outras por ae que eu num me recordo agora.... o under
tá cheio de bandas boas agora...
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Portal: Sobre a turnê na Argentina e no Chile,
como pintou a oportunidade e como foram os shows por lá?
E a receptividade do público, como foi?
Jamil: Então pra Argentina foi um ex-vocalista
que viajou pra lá e fechou alguns contatos... meu avô
tinha um ônibus e o Ayka tinha uma grana porque tinha
saido do trampo e recebeu a recisão... a gente ajuntou
uma grana e fomos bancamos do bolso e fomos divulgar o trampo
foram 40 dias na Argentina e 11 shows. Agora pro Chile a gente
também bancou as passagens e o rango... ficamos na
casa de um parente de um amigo... e foi bem legal também,
fomos muito bem tratados e tivemos nos dois países
uma ótima receptividade. |
Portal: Você acha que os espaços para bandas
que seguem a linha do new metal são poucos aqui no Brasil?
Ayka: Sim, mas aos poucos esse quadro vai mudar, tem muita
coisa boa surgindo por ai, não tem como conter esse crescimento
não são pessoas que gostam do som por que toca na
radio ou na tv e sim por que curtem mesmo .... essa fidelidade
está abrindo espaço na base da "cutuvelada"
!!!
Jamil: Na verdade o tal do New Metal tem muito preconceito
aqui no Brasil, eu não sei o porque sendo que tem uma legião
de mulecada que curte esse som. Infelizmente os donos das revistas
são muito "cabecinhas" e muitos imparciais bom
o azar é o deles né? Eles deixam de vender revistas!!!!
Portal: Qual a importância da internet e da mídia
especializada para a banda?
Ayka: Da Internet o que posso dizer é q 98% de toda
divulgação e correria do Chipset Zero é pela
internet fotologs, blogs, sites especializados, foruns). Agora
eu acho que a unica midia especializada em metal moderno é
na própria internet mesmo, pra dizer verdade nao acredito
que tenha uma revista se quer que fale de metal moderno ou atualidade
aqui no Brasil como uma Kerrang(UK) por exemplo, todas as revistas
falam sempre da mesma coisa, ou é Heavy Metal Melódico,
Black Metal ou Hardcore e Punk Rock então o que acaba acontecendo
é que a galera que curte um som desse tipo ja nao compra
mais revistas como acontecia no início dos anos 90, tipo
desencanaram por que nunca falam nada e quando falam descem o
pau por serem diferentes do "Metal Verdadeiro"....bom
até o Hermes e Renato fala q metal moderno é "Falso
Metal" hahahaha. Falando sério, acho que eles são
muito burros por que o que nao falta são bandas boas desse
estilo por ai e estão deixando de vender o produto deles
por serem radicais nesse sentido.
Portal: O que acha do termo nu metal, dado para bandas
como Korn, Limp Bizkit, Slipknot, etc? O Chipset Zero poderia
ser considerado um grupo nu metal?
Ayka: Pra mim é mais um "rótulo"
que vc tem q por num produto, como vc classificaria por exemplo
o Korn, em qual categoria o cd estaria na pratilera? Rap ??, Heavy
Metal?, Funk Metal?, Thash?, Industrial? .... a Industria fonográfica
precisa de rotulos para vender seus produtos.. o mesmo pode se
falar das outras bandas citadas. Tirando o preconceito que hoje
em dia já contido nesse termo "new metal" nao
vejo problema nenhum em dizerem que somos ou não new metal,
alternametal, metal moderno ou aggro-metal como somos chamados
no Chile .... na verdade a pessoa que ouvir Chipset Zero vai ver
q apesar de termos influência das bandas citadas acima não
soamos igual .... sempre buscamos fazer o som com a nossa cara
e buscando uma identidade... por que "rótulos"
vem e vão não é mesmo?.
Portal:
Você acha que existe preconceito por parte da mídia
e do público de bandas brasileiras que cantam em inglês?
Ayka: Da mídia sim, agora não me pergunte
porque, eu não entendo, na rádio e na tv tocam musicas
cantadas em inglês o tempo todo independente de estilo,
então qual o problema de uma banda brasileira cantar em
inglês?? O Sepultura que é considerada o maior banda
de metal do brasileiro e cantava em inglês e aposto que
eles venderam muito aqui no Brasil. Agora quanto ao público,
não vejo nenhum preconceito deles pra conosco por cantarmos
inglês, pelo contrário.
Portal: Quais os temas abordados nas letras da banda?
Ayka: As letras do Chipset Zero abordam diversos temas,
Desde o Caos tecnologico corroendo o ser humano sem que percebamos,
temas politicos da atualidade mas que sempre se repetem o tempo
todo e também assuntos sobre o quão autodestrutivo
é o ser humano, seus sentimentos e ideias "mirabolantes"
mas extremamente de mau gosto. Tentamos dar uma mensagem que vc
pode ser melhor mesmo que no dessa escória toda ao seu
lado.
Portal:
Como surgiu a oportunidade de participar no Chimera Music Festival?
Jamil: Se falarmos as pessoas não vão acreditar,
geralmente as bandas que tocam nesse esquema ou são bandas
que fecharam com uma gravadora e a mesma ta bancando pra "alavancar"
a banda ou a banda paga um "cachê", pra ter a
"honra" de abrir o show de uma banda gringa (é
absurdo mas é o real praticado no cenário musical
brasileiro) é nós somos tão sortudos que
fomos convidados pra participar do evento... através de
uma amiga nossa que apresentou o nosso Cd pro pessoal da produtora
que nunca nem tinha ouvido falar da banda, vale lembrar que as
produtoras e produtores desse tipo de show devem abrir mais espaço
pras bandas nacionais poderem se mostrar e crescermos no cenário
nacional. O melhor é que vamos estar lá representando
as bandas independentes do cenário underground do metal
moderno.
Portal: Para o festival vocês estão preparando
alguma surpresa para os fãs?
Ayka: Daremos o melhor de nós... essa é a
nossa supresa!
Jamil: Bom os nossos fãs vão nos prestigiar
e vamos dar o gás no show... vamos dar o nosso máximo,
o legal é que vamos mostrar o som pra uma par de gente
que nunca ouviu falar do Chipset Zero.
Portal: Agora o Portal do Rock deixa o espaço livre
para a banda Chipset Zero!
Jamil: Gostaríamos de agradecer o espaço
cedido e pedir pra que as pessoas prestem mais atenção
nos shows undergrounds, tem muita banda ruim... mas tem muita
gente batalhando pra ter um trampo bom.... comprem Cds e camisetas
vão aos shows... apoiem o underground nacional !!! Só
estamos a 8 anos na estrada justamente pelo apoio do público
!!!! Se num fosse isso já teríamos desistidos a
muito tampo.
s
entrevista especial feita por Ernane Carvalho e Bruno Zenatte |