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Entrevista
Exclusiva
Boston - 31 de outubro e 2002
O
Portal do Rock tem um grande orgulho em apresentar esta entrevista
exclusiva e em primeira mão, com a banda mais promissora
e competente do street punk americano e mundial. Esta banda
de Boston, EUA, vem conquistando fãs e mais fãs
por todo planeta, a cada show e a cada acorde de seu som raivoso
e direto. |
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Portal:
Qual o verdadeiro significado de “Dropkick Murphys”?
Matt: Dropkick Murphy era um cara de Boston que vivia jogando
futebol americano e às vezes lutando. Sua especialidade era conhecida
como “dropkick” (chute sem-pulo), daí o seu nome. Entre os anos
30, 40 ou 50, ele abriu uma clínica primitiva para reabilitação
de alcoólatras em Boston. Aparentemente era um lugar muito rústico
e simples, onde as pessoas acabavam morrendo por causa dos tratamentos
primitivos, tremores, delírios, muitas vezes recebendo injeções
de tranqüilizantes para cavalo!!! Então, a clínica, chamada
Dropkick Murphys, tornou-se uma espécie de lenda na cidade, sendo
que os nossos avós viviam dizendo: "não comece a beber, ou você
vai acabar na Dropkick Murphys também!". Portanto, com uma história
dessas, pensamos que o nome seria perfeito para um bando de caras
de Boston.
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Portal:
Como pode ser definido o som do DKM e quais as principais
influências da banda?
Matt: Nosso som é punk, mas mesclado com muitos elementos,
tais como: música folclórica americana e irlandesa, punk rock
77 e Oi!. Temos influências de grandes bandas como Rose Tattoo
e AC/DC, Ramones, Stiff Little Fingers, Clash, Sex Pistols,
Macc Lads, rock and roll clássico como Who, Chuck Berry, Rolling
Stones, CCR (deve ser Credence?), BTO, etc, etc...Lembrando
o que disse Bill Close do FREEZE, o DKM é como o "Stiff Little
Fingers dando uma surra nos Ramones". Apenas tocamos o que
sai das nossas cabeças e esperamos que seja bom! |
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Portal:
A banda foi formada em 1996 e agora em menos de 7 anos vocês conseguiram
lançar mais de 5 discos neste curto espaço de tempo. Como foi
possível?
Matt: Bom, na verdade são apenas 3 discos full ((Do or
Die, Gang's All Here, and Sing Loud...) e o outro que estamos
terminando agora. Depois temos um duplo ao vivo e uma coletânea
com coisas antigas (primeiros singles e demos ao vivo). Não temos
tantas músicas assim. Mas agora a banda é o nosso principal emprego
e compor músicas virou nosso trampo! Quando se está em turnê na
estrada, as músicas ficam pipocando na cabeça.
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Portal:
Vocês também têm várias participações em coletâneas
e em alguns CDs split. Vocês acreditam que estas coletâneas/splits
são importantes para uma banda iniciante e mesmo para uma
banda que já está bem na cena?
Matt: Bom, estes discos são definitivamente mais importantes
para uma banda iniciante. Duas bandas pequenas muitas vezes
conseguem vender mais discos se gravarem um split do que se
tivessem lançado o disco sozinhas; e uma banda pequena junto
com uma banda maior, no mesmo disco, tem também mais chance
de aparecer do que se lançasse um disco sozinha. Agora neste
lance de bandas grandes gravando splits o que rola mesmo é
a amizade e não importa muito a grana, mas sim estar no mesmo
disco. |
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Portal:
O que vocês acham do retorno de antigas bandas à cena, como por
exemplo todas estas bandas punk rock inglesas e o que vocês acham
do fato de que o chamado “emocore” está sendo considerado o retorno
do punk rock para algumas pessoas?
Matt: Bom, sou meio cético sobre as verdadeiras razões
que levam essas bandas a retornarem: Hmmm...., a cena está maior
agora do que antes, existem mais fãs que antes....então eles podem
estar pensando: "vamos voltar com a banda e ganhar uma grana!!!"
Ou vendo por outro lado: estas bandas nunca tiveram nenhum respeito
quando começaram a tocar e agora a galera adora o som deles...Porque
NÃO tocar pra galera e curtir o momento? De tudo o que é dito
e feito o que fica mesmo é a MÚSICA! Agora, este lance de bandas
"emo", foda-se esta merda! O Ian MacKaye montou uma banda chamada
Embrace depois que o Minor Threat acabou e a banda era considerada
"emo". Pelo menos a banda dele soava como punk e dos bons. Estas
bandinhas "emo" de hoje não passam de bandas ruins de colégio,
formadas por "frutinhas" ricas suburbanas..Não tenho nada de bom
para dizer dessa droga. O cara que chama o "emo" de retorno do
punk deve estar com a cabeça enfiada no cú.
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Portal:
O que seria então o retorno do punk rock pra vocês? Existe
mesmo um retorno?
Matt: Acredito que no meio dos anos 90 ocorreu uma
renovação do punk rock, street punk, oi! e do verdadeiro hardcore
nos EUA e Europa. Boston participou dessa renovação com bandas
como Ducky Boys, the Unseen, the Showcase Showdown, the Trouble,
All Systems Stop, etc. Isso realmente foi o grande retorno
do Punk, mas todas essas bandas acompanharam um líder que
foi a banda Swingin' Utters, que recomeçou o punk com seu
disco "Streets of San Francisco" e seus sons mais antigos.
Hoje ninguém fica se rotulando de "punk rock" ou "oi!", etc.....é
tudo "Rock and Roll". As coisas morreram desde o ressurgimento
do punk nos EUA e agora as revistas de moda, os v.jays da
MTV e os pop stars estão usando um visual punk também, embora
eles todos estejam atrasados cerca de 5 ou 6 anos. A mídia
faz piada de tudo e eles vão acabar destruindo o punk também. |
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Portal:
Vocês poderiam nos dizer como é a cena nos EUA e o que vocês vivenciaram
em outros países que tocaram recentemente, com relação aos punks
e skinheads curtindo juntos? Existem brigas nos shows ou os punks
e skins curtem juntos numa boa nos shows?
Matt: Bom, nos EUA existem tantas bandas que muitos punks
e skins nem vêm mais aos nossos shows. Quando começamos a tocar,
ainda éramos "coisa nova", sempre estavam lá os punks e os skins;
e eles curtiam tudo juntos numa boa. Claro que haviam brigas também
(e ainda existem), mas a galera estava e está mais interessada
em cantar com a banda do que ficar brigando entre si.
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Portal:
Aqui no Brasil temos este problema. Os punks e os skins não
se bicam e não curtem juntos os shows, quando se encontram
sempre rolam brigas. O que você acha que as bandas que tocam
para punks e skins deveriam fazer para convencer os caras
a se unirem? Vocês têm alguma mensagem para os punks e skins
do Brasil?
Matt: Não é problema nosso fazer com que eles se dêem
bem. A galera da cena deveria se policiar e tomar conta um
dos outros. Nossa política é: todo mundo é bem vindo ao show
do DKM; mas quando forem entrar, deixem suas ideologias e
armas na porta...Estamos aqui para curtir e cantar algumas
músicas e esperamos que vocês estejam aqui pelo mesmo motivo.
Existem muitas pessoas que devemos lutar contra lá fora, portanto
venham aos nossos shows apenas para curtir. Já vimos e participamos
de inúmeras brigas, portanto não fique espantado se tivermos
que parar nosso show e quebrar a cara de alguém! |
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Portal:
Vocês gravaram alguns videoclipes e fizeram alguns programas de
TV também. Algumas pessoas aqui, principalmente alguns punks e
skins mais radicais, consideram isso um absurdo e eles acham que
uma banda punk ou skin jamais deveria fazer isso. O que vocês
têm a dizer para essas pessoas?
Matt: Não assisto muito a TV, muito menos canais de clipes..Nem
condeno nem defendo essas idéias, mas em países diferentes as
bandas fazem as coisas de formas diferentes. Na Europa, Paul Bearer,
dos infâmes Sheer Terror, apresentava um programa na MTV Europa....agora
nos EUA, isso nunca aconteceria! Tenho certeza que ninguém ficou
tirando o cara por causa de seu programa!! Também, é muito comum
para bandas punks e hardcore terem seus clipes na TV na Europa.
Sei lá, imagino que punks e skins radicais nem tenham TVs, por
isso não ficam poluindo suas mentes com canais de clipes, certo!
Então, como eles ficam sabendo das bandas que têm clipes na TV???
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Portal:
O DKM foi escolhido pelo Sex Pistols para tocar no show
Jubilee Reunion em julho deste ano em Londres. Como foi
isso e qual o significado dos Pistols para o DKM?
Matt: Ficamos surpresos e felizes pelo convite. As
pessoas dizem que eles voltaram pela grana, etc....Bom,
claro, mas mesmo assim eles detonam!! Fiquei apreensivo
em encontrá-los e tocar com eles, pelas coisas que eu tinha
ouvido sobre a banda, mas eles são caras bem legais e tocam
muito. Eles até convidaram a gente pra uma festinha particular
depois do show, com amigos e família. Obviamente o Sex Pistols
foi e é uma grande influência para todos da nossa banda..e
foi uma honra tocar com eles.
Portal:
E o relacionamento do DKM com o Agnostic Front? Vocês têm
um CD split com eles. O que vocês acham da nova banda de
Roger Miret (vocal), The Disasters? Algum fato interessante
pra nos contar sobre algum show que vocês fizeram juntos?
Matt: Fizemos um split EP com o Agnostic Front alguns
anos atrás, que está completamente fora de catálogo. Foi
muito bom em termos de concepção e execução. A banda The
Disasters é muito boa, mais para o lado punk 77, nada a
ver com o Agnostic...é mais melódico, talvez estilo britânico.
Ouça o CD! Ainda não tocamos com The Disasters e acho que
eles só fizeram uns dois ou três shows juntos...Tivemos
grandes momentos tocando com o Agnostic Front nas turnês
pelos EUA e Europa em 1998...alguns dos nossos melhores
momentos, cara.....
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Portal:
Quais bandas vocês gostariam de sair em turnê juntos?
Matt: Tommy and the Terrors (de novo), the Unseen (de novo),
Cock Sparrer, the Reducers SF, Super Yob, The Spitzz, Iron Maiden,
the Crack, Troopers, the Boils, Slapshot, Blood for Blood (de
novo), Rose Tattoo, AC/DC, Discipline, Skint, ah, esta lista não
tem fim!
Portal: Falem um pouco do novo disco que estão lançando,
"LIVE ON ST. PATRICK'S DAY FROM BOSTON, MA". Como foi concebido
e como foi a experiência?
Matt: Fizemos três shows seguidos nos dias 15, 16 e 17
de março deste ano e pegamos as melhores versões de músicas dos
três shows. Estávamos querendo fazer um disco ao vivo há tempos,
mas que captasse o calor da galera nos nossos shows. E acho que
conseguimos captar o suor, a cerveja e os corpos voando e botamos
no disco. Foi muito estressante saber que estávamos sendo gravados
e que qualquer cagada seria lembrada para sempre! Mas tudo rolou
no maior diversão, muita diversão!
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Portal: Vocês já pensaram em tocar no Brasil e que idéia
vocês têm do nosso país? Conhecem alguma banda brasileira?
Os fãs podem esperar uma turnê brasileira do DKM em breve?
Matt: Sempre quisemos tocar na América do Sul e esperamos
que isso role num futuro próximo. Eu conheço algumas bandas
do Brasil: Ratos de Porão, the Skulls, Ulster, Virus 27, Histeria.
É isso! |
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Portal:
Alguma mensagem especial para os fãs e as pessoas do Brasil?
Matt: Sim, obrigado pelo apoio e por escreverem pra gente.
Sejam pacientes, estaremos no Brasil em breve!!! Apoiem a cena
local, as bandas, as casas de shows, os zines, etc.!
Tenham fé!
Matt Kelly (baterista), Dropkick Murphys
Marcio Faveri - da redação
Paulo
Vinicius - Arte
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do Dropkick Murphys
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