Entrevista Exclusiva
Londres - Inglaterra - Setembro de 2004
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É com grande orgulho e satisfação que trago para vocês mais uma entrevista exclusiva e histórica, com uma banda que sempre esteve entre as minhas preferidas e com certeza entre as preferidas daqueles que curtem o verdadeiro rock inglês, contaminado pelo estrondo de Detroit nos anos 60 e pela explosão do punk rock da década de 70. Eddie & The Hot Rods é uma banda única, com uma melodia fantástica e criativa, capaz de fazer você chorar de raiva e de amor ao mesmo tempo, apenas mudando de uma faixa para a outra.


Formação atual: Simon Bowley (bateria), Dipster (baixo), Barrie Masters (vocal),
Richard Holgarth (guitarra) e Chris Taylor (guitarra)


Guardo até hoje o LP Teenage Depression, lançado no Brasil em 1977, pela saudosa gravadora Phonogram, licenciada da multinacional Island Records. Este LP sem dúvida rodou muito nas minhas vitrolas desde os idos de 1988 quando o comprei e sem dúvida é uma boa amostra do que estes caras de Essex conseguiam fazer ao misturar rock de pub com blues, tudo temperado com rebeldia adolescente e atitude inspiradas em mestres como Iggy Pop e MC5. Mas vamos falar um pouco sobre a história da banda, antes de passarmos à entrevista.



Formada em 1975, na cidade de Essex, Inglaterra (terra natal de Dr. Feelgood), a banda Eddie and the Hot Rods começou sua carreira tocando para idosos em casas de bingo. Eles tocavam covers de bandas de blues. A primeira formação da banda trazia Barrie Masters (vocal), Dave Higgs (guitarra), Pete Wall (guitarra), Rob Steel (baixo) e Steve Nichol (bateria). Infelizmente Pete Wall e Rob Steel não queriam seguir em frente com a banda, a qual estava com tudo pronto para se mudar para Londres, em busca do sucesso.

  A banda então colocou um anúncio em um jornal, procurando por um "baixista novo e mais confiável", para formar um quarteto. Um carinha de 15 anos de idade, chamado Paul Gray, que ainda estava no colégio, respondeu ao anúncio. Dave Higgs perguntou a ele: "Você sabe tocar rápido?". "Sim", disse Paul, sem nunca ter tocado em banda nenhuma! "Então você está na banda", disse Dave. E assim começava a carreira de uma das mais influentes bandas do início do punk rock.

Nessa mesma época, Lew Lewis também entrou na banda como tecladista. Mas ele logo saiu e a banda voltava a ser um quarteto, aumentando sua reputação graças aos seus shows sempre energéticos e explosivos, graças ao manager Ed Hollis, que direcionou o som da banda na linha de lendas de Detroit, como os Stooges. No começo de 1976, eles lançaram seu primeiro single, "Writing On The Wall," pela Island Records.

Mais tarde em 76, eles se tornariam a banda de pub rock mais popular da cena londrina, quebrando todos os recordes de público no Marquee Club naquele mesmo ano. Um EP ao vivo foi gravado durante estes shows no Marquee e lançado no final de 76.

Live At The Marquee quase entrou para o Top 40 inglês e os Hot Rods continuaram a crescer. Ainda no final de 76 "Teenage Depression" se tornou o primeiro single de sucesso deles, alcançando a posição 35 nas paradas inglesas, seguido por um álbum full, também chamado Teenage Depression, que inclusive foi lançado em vinil no Brasil.
 

"Do Anything You Wanna Do", um poderoso single pop seria a nova cara dos Hot Rods, que se tornou o primeiro grande e genuíno sucesso da banda, alcançando o Top 10 inglês no verão de 1977. Vale lembrar que em 2002 a banda brasileira Lambrusco Kids fez em seu disco de estréia uma versão em português para este clássico do Eddie and the Hot Rods, que acabou ficando com o nome de "Não Temos Nada A Perder". Em 2003, outra banda brasileira, o Holly Tree, também gravou sua versão para "Do Anything You Wanna Do", mantendo a letra original em inglês. Embora o sucesso de "Do Anything You Wanna Do" tenha sido grande, infelizmente o álbum que trazia a música, Life on The Line, foi lançado na fase áurea do punk rock, o que ofuscou um pouco o disco, considerado menos cru e agressivo do que os demais álbuns punks da época.



A banda continuou a fazer seus shows, mas seu público começava a desaparecer. O disco Thriller, de 1979, foi praticamente ignorado pelo público e pela mídia em geral, o que fez com que a gravadora Island Records demitisse a banda. Eles então se mudaram para a EMI. No começo de 1980, Gray deixou a banda e entrou para o the Damned. Ele foi substituído por Tony Cranney. Nessa confusão toda com a troca de alguns integrantes, a banda lançou um último disco, Fish 'N' Chips, em abril de 1981, que também foi desprezado e ignorado na Inglaterra, resultando na dissolução da banda. Barrie Masters se juntou aos Inmates e Steve Nichol entrou para a banda One The Juggler.



Em diversas vezes eles foram capa de importantes revistas musicais, apareceram no programa de TV inglês Top of the Pops e figuraram nas paradas com as músicas "Teenage Depression”, a top 10 "Do Anything You Wanna Do" e "Quit this Town”. Eles também fizeram covers de artistas consagrados mundialmente, como a música "Gloria", de Van Morrison, "Get Out Of Denver" de Bob Seger e "Woolly Bully', de Domingo Samudio.



Mesmo agora em pleno ano 2004, a banda continua fazendo tours e shows com a nova energia adquirida. Mais recentemente, eles foram classificados pela famosa revista Mojo, como uma das 100 mais influentes bandas britânicas de todos os tempos. O vocalista e membro fundador dos Hot Rods, "His Master Voice" - Barrie Masters, continua firme no front e no comando de sua banda, ao lado de Richard Holgarth (guitarra), Chris Taylor (guitarra), Dipster (baixo) e Simon Bowley (bateria), detonando nos palcos, com seu estilo R&B de alta energia, cada vez mais levando o público ao delírio, sempre com 2 ou 3 pedidos de bis.

Em janeiro de 2004 eles gravaram seu mais recente disco, “Better Late Than Never”, com 12 faixas e design gráfico por Simon Thorp, artista da VIZ Comic. O resto da história da banda vocês conferem nessa entrevista histórica e exclusiva! As respostas foram coletadas por Simon Bowley, baterista desde 1996 nos Hot Rods, que repassou as perguntas para Barrie Masters, vocalista original e líder da banda.


  Portal: Quando eu digo a palavra "Brasil", qual a primeira coisa que lhe vem à mente?
Simon Bowley: Quando você diz "Brasil" eu me lembro do sol, mulheres bonitas e do melhor festival de rock do mundo (nota: Rock In Rio)

Portal: Como está a banda hoje em dia? Quem são os integrantes originais ainda tocando e como estão os shows?
Simon Bowley: A banda está indo muito bem, o vocalista Barrie Masters é o único integrante original ainda na banda, mas acabamos de gravar um novo álbum e estamos em processo de estudo para lançamento em outros países. Os shows estão indo bem também, estamos prestes a começar uma turnê pela França em outubro e depois voltamos para a Inglaterra para promover o disco até 2005. Então seguiremos para a Itália e o restante da Europa na seqûencia.

Portal: Nos primeiros anos da banda, Eddie and the Hot Rods era considero parte do movimento punk inglês. Mas a banda insistia em afirmar que nunca foi parte daquele movimento. Que tipo de música era feito pela banda no começo da carreira e o que vocês fazem hoje?

Simon Bowley: No começo a banda tocava um rock bem rápido, com toques de R&B (Rhythm and Blues) e era influenciada pelo MC5, o que fez com a que a mídia a classificasse como "punk". Mas nunca estivemos do lado "fashion" do punk. Hoje em dia a banda ainda toca rock and roll de alta energia e não mudou muito, se comparada com o começo.

Portal: Quais bandas vocês gostam de tocar juntos no mesmo palco e com quais bandas vocês gostariam de tocar algum dia?
Simon Bowley: Gostamos de tocar com todo mundo que possa fazer um bom show. Tocamos muito com o the Damned, mas gostaríamos de tocar com o Aerosmith também, o que seria bem legal.
 

Portal: Como vocês vêem o rock britânico de hoje? Existem bandas originais ou tudo não passa de cópia do passado?
Simon Bowley: Existe rock britânico hoje? Todo mundo comportadinho, com vida "saudável" e tendo boas atitudes? Não penso que exista algo original hoje em dia não. Tudo vem sendo copiado do que foi feito antes, mas eles dizem que não. Pra mim, desde 1976, quando o punk explodiu, nada de novo ou original realmente aconteceu no rock britânico.

  Portal:Em 1976 a banda teve seu primeiro LP lançado, chamado "Teenage Depression'. Este disco foi o único registro de Eddie and The Hot Rods lançado no Brasil. Porque isso aconteceu e porque não tiveram outros lançamentos por aqui?
Simon Bowley: Não faço a mínima idéia da razão pela qual "Teenage Depression" foi o único disco lançado no Brasil. Deve ter sido por causa da gravadora.

Portal: Em 1978 a banda fez uma turnê pelos EUA com os Ramones e os Talking Heads. Como foi essa experiência e qual foi a importância de uma banda como os Ramones para vocês?
Simon Bowley: Fazer a turnê com os Ramones foi muito legal. Já havíamos feito uma pequena turnê com eles antes na Europa, então já conhecíamos os caras. Mas eles não tinham nenhum significado especial para nós naqueles tempos. Era apenas mais uma banda de rock and roll que gostava de curtir. Já o Talking Heads foi um lance diferente, porque eles nunca tocaram um rock mais direto. Mas mesmo assim nos demos bem com eles.




Portal: Vocês acham que a turnê com os Ramones foi responsável pela inclusão da música "Teenage Depression" na trilha sonora do filme deles, Rock and Roll High School? Falem sobre isso.
Simon Bowley: Sim, provavelmente foi isso que rolou, mas não temos muito o que falar sobre isso não. Os managers dos Ramones estavam falando sobre a idéia de um filme e nos perguntaram sobre a música "Teenage Depression". Logo depois ficamos sabendo que a música havia entrado no filme, muito legal.

Portal: Em 1981 a banda acabou. Quais foram as razões? Foi algum problema com a EMI?
Simon Bowley: A banda acabou porque todos os integrantes perderam o interesse por ela. A cena musical havia mudado. A EMI nao estava interessada no nosso tipo de música e cada um da banda quiz experimentar outros projetos.
 

Portal: Depois de 1990, a banda começou a lançar vários álbuns e CDs por diversos selos. Porque isso não aconteceu no começo? É mais fácil trabalhar com pequenos selos?
Simon Bowley: Os vários álbuns que foram lançados foram todos sem o conhecimento da banda, porque não somos donos dos direitos das músicas. Qualquer pessoa pode comprar estes direitos e lançar como quiser. E foi isso o que aconteceu.

Portal: Onde a banda é melhor? No palco ou no estúdio?
Simon Bowley: A banda é e sempre tem sido uma banda de show. Gostamos de gravar, mas adoramos tocar ao vivo!

Portal: Vocês têm planos de tocar no Brasil ou em outro país sulamericano? Vocês conhecem alguma banda brasileira?
Simon Bowley: Não, não temos planos de tocar no Brasil, mas tocaríamos se algum promotor quiser nos contratar para tocar lá. E para ser franco, não conhecemos nenhuma banda brasileira.
 

Portal: Alguma mensagem final para seus fãs brasileiros (vocês têm muitos aqui!!!)?
Simon Bowley: Muito obrigado pelo apoio e muito amor pra todos!



Para maiores informações acessem o site oficial do Eddie & The Hot Rods

Marcio Faveri - da redação

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