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Entrevista
Exclusiva
08/04/2003 - São Paulo - SP
É com grande satisfação que o Portal do Rock
traz para vocês esta entrevista exclusiva com George, guitarrista
e vocalista da banda punk rock paulistana Holly Tree. Satisfação
maior ainda para mim, em poder conversar com um amigo que considero
muito e que acredito ser na atualidade um dos maiores talentos
do rock brasileiro. George é um cara simples e humilde, ao contrario
do que muitas pessoas pensam e polemizam. Mas ele conseguiu, com
seu trabalho e dedicação ao punk rock e a música, construir um
nome para si e para sua banda, que acabou se tornando em uma espécie
de 'mito', que alguns adoram e outros odeiam. Esta entrevista,
que na verdade foi mesmo um bate-papo de amigos, regado a punk
rock e cerveja, foi feita na casa de George, mais especificamente
no apartamento que ele mora com seus pais e com seu irmão em São
Paulo (curiosidade: ele divide um beliche com seu irmão num dos
quartos do apartamento).
Às vésperas da banda embarcar para Los Angeles, EUA, onde tentarão
a carreira internacional, George se despede por enquanto dos fãs
brasileiros e fala sobre os planos para o futuro do Holly Tree.
Neste mesmo dia tivemos a alegria de poder ouvir as novas e inéditas
músicas da banda, já com o novo baterista, Paul Cooko, que por
sinal ficaram excelentes e bem ao gosto punk rock 77. Parece mesmo
que a gravação do disco "Greatest
Shits" influenciou no modo de compor dos Trees e eles
estão mais punk rock do que nunca. Este CD demo com as novas músicas
será o cartão de visitas da banda nos EUA.
Portal: Bom, vocês três da banda estão mesmo indo pra Los
Angeles? Vocês têm já alguma coisa esperando por vocês lá ou vão
mesmo atrás de tudo?
George: Da outra vez que fomos pros EUA a gente foi com
uns contatos, mas muito prematuros, numa roubada mesmo, meio que
arriscando tudo. Não dá pra saber ainda se dessa vez não vai ser
outra roubada, mas acho que vai ser legal, porque tem um pessoal
lá que quer ajudar a gente faz um bom tempo.
Portal:
Quanto tempo vocês pretendem ficar por lá?
George: A princípio uns três meses. Mas a gente ainda
não sabe, depende dos resultados.
Portal: Então é uma espécie de turnê que vocês vão
fazer por lá?
George: A gente quer fazer uns contatos bons por lá,
divulgar bastante nosso som. Los Angeles é um centro mundial
para o rock, seja ele de qualquer estilo: punk rock, metal,
pop, etc. Pra gente vai ser uma experiência boa, cantamos
em inglês, devemos tocar com algumas bandas que a gente gosta.
Mas ainda não temos datas de shows definidos, apenas propostas
e algumas idéias.
Portal: Vocês vão trabalhar enquanto estiverem nos
EUA?
George: gente não sabe. Não sabemos bem o que vamos
encontrar lá.
Portal: Mas vocês têm grana pra passar esses três meses
pelo menos?
George: A gente tem, mas nossos contatos lá nos garantiram
um local pra morar e comida. Então passar fome a gente não
vai, mas vai ser punk! |
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Portal: E como que ficam as coisas por aqui? Família, namoradas,
fãs?
George: Isso tudo vai ficar na saudade. O nosso contato
com os fãs vai continuar, através do site na Internet. A gente
nunca conseguiu atualizar direito o site, mas agora estamos levando
ele com a gente. Sou eu e o Tito quem atualizam o site e vamos
ficar colocando as novidades, direto de Los Angeles, pra galera
daqui acompanhar. Os fãs de São Paulo podem sentir mais, mas os
fãs de outros locais do Brasil nem vão sentir muito porque não
é sempre mesmo que tocamos fora de SP.
Portal: Mas os fãs em geral estão sentindo muito a ausência
do Holly Tree não é de hoje. Primeiro quando vocês resolveram
abandonar a carreira da banda e acompanhar o Supla
e agora com essa viagem repentina para os EUA.
George: Eu posso explicar isso melhor hoje. Quando a gente
aceitou tocar com o Supla,
a gente já tinha este objetivo, que era tentar captar recursos
para um dia poder fazer o que estamos fazendo agora, sair pra
fora do país com o Holly Tree e tentar nossa carreira internacional.
Eu e o Tito, sempre quando a gente tocava com o Supla, a gente
dava até a última gota de sangue pensando somente no futuro do
Holly Tree. A gente tentou, apesar de que muita gente acha que
não conseguimos, não deixar que o projeto do Supla
fosse confundido com o do Holly Tree. Quem conhece mais a gente
e está mais próximo entendeu bem isso, mas quem sempre esteve
distante da gente e não nos conhece bem, pensava diferente. Mas
agora eu estou afirmando que foi isso que rolou! Tanto é que a
gente lançou recentemente um disco, "Greatest
Shits", do qual a gente se orgulha muito de ter lançado,
somente com covers de bandas punk rock clássicas. Gravamos também
algumas músicas novas do Holly Tree, ainda inéditas, com o novo
baterista Paul Cooko. O clima na banda tá bem legal agora, o que
é fundamental pra qualquer banda.
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Portal: Melhorou o clima agora com o novo batera?
George: Melhorou não, está ótimo!
Portal: E o pessoal de São Paulo, quando pode esperar
pra ver o Holly Tree ao vivo novamente por aqui?
George: A gente espera que eles acompanhem a banda
pela Internet. E mesmo que um dia a gente acabe morando de
vez nos EUA, todos os anos estaríamos fazendo shows no Brasil,
o que é óbvio. E espero mesmo que todos torçam pra gente se
dar bem e qualquer dia destes a gente volta pra fazer uns
shows bem legais pra eles. |
Portal: O que vocês vão sentir mais falta daqui do Brasil,
fora as mulheres?
George: (muitos risos) Não sei ainda. Mas a coisa que eu
sou mais apegado na vida há muito tempo é a banda e tocar. Pra
falar a verdade eu tenho esta vontade de sair do Brasil pra tocar
na Europa ou EUA há muito tempo. Eu gosto do Brasil pra caralho,
mas eu queria muito morar lá fora uns tempos.
Portal: E o lance do convite pra vocês tocarem no festival
Holidays in The Sun na Inglaterra este ano? Como foi que rolou
e vocês vão mesmo?
George: O lance foi o seguinte, a gente chegou nessa história
um pouco atrasado. O Darren, que é o organizador do festival,
quer muito que o Holly Tree toque, mas como ele ficou sabendo
da nossa banda há pouco mais de 2 meses, o orçamento dele para
trazer bandas de outros países ficou apertado. Então ele disse
que a gente está convidado pra tocar, mas teríamos que pagar as
passagens aéreas, sendo que lá na Inglaterra eles cuidariam da
gente. Então se alguém ler essa entrevista e quiser bancar nossas
passagens, por favor entrem em contato, estamos aceitando patrocínio.

Portal: O CD de covers punk rock que vocês lançaram teve
uma excelente aceitação por aqui e muita gente falando bem. Vocês
tiveram algum retorno ou crítica favorável de alguém de fora do
paás, por exemplo de alguma banda que vocês homenagearam no disco?
George: Tivemos sim. O pessoal dos Carpettes gostaram muito
e a gente acabou ficando muito amigos. Eles acharam demais mesmo
e a gente decidiu até fazer o primeiro clipe deste CD com a cover
dos Carpettes, da música "Frustation Paradise", que por sinal
ficou pronto hoje e deve estar rolando na MTV em breve. O Adicts
também recebeu nosso CD e eles gostaram muito da versão dub que
fizemos pra "Viva La Revolution". O Arturo do Lurkers também adorou
a versão que fizemos pra "Pick Me Up" e curtiu o CD inteiro. Fora
outras pessoas nos EUA que a gente mandou, que gostaram muito
do disco, inclusive saiu num jornal de Nova York falando muito
bem da gente e tal.
Portal: Deste tempo todo que vocês tem de carreira com
a banda, sete anos, qual o balanço que vocês fazem do Holly Tree
na cena rock brasileira? Vocês acham que o som de vocês é direcionado
pra cá ou é feito mesmo pro mercado lá de fora?
George: Eu comecei a tocar numa banda com 11 anos e com
16 anos já com o Holly Tree, a gente tocava nas noites de São
Paulo. A gente tocava no Café Aurora, Borracharia, aquelas coisas.
Naqueles tempos eu pensava que se eu conseguisse chegar aonde
cheguei hoje, já seria bom demais. Mas hoje eu cheguei aqui e
vejo que podemos fazer mais e ir mais longe. Tenho 22 anos e é
meio complicado pra mim porque até agora eu tenho vivido exclusivamente
de música. Mas pra sobreviver eu tive que tocar com outra pessoa.
Eu acho que do ponto de vista de bandas e pessoas, tem uma molecada
bem legal por aqui que lá fora não tem. Por isso que muitas bandas
gringas querem vir pra cá, porque sabem que os shows aqui são
muito mais quentes. Mas por outro lado é muito mais confortável,
pra uma banda, por exemplo como o Marky Ramone, que vem pra cá,
faz seus shows, com aquela energia e tal, depois volta pros EUA,
que é um lugar onde o rock é um meio de vida, um trampo como outro
qualquer. É uma realidade que dá pra garantir o dia a dia. Enquanto
a gente toca nos fins de semana e volta pra nossa realidade medíocre,
com os dias da semana muito esquisitos, trampando em escritórios,
fábricas e tal. E isso não é legal. A maioria das bandas que a
gente toca junto tem outros empregos, porque é muito difícil para
um roqueiro se manter apenas com a música no Brasil. Por isso
que acredito que nos EUA a carreira para um roqueiro é mais fácil,
porque se você faz uma coisa legal, dificilmente você vai precisar
fazer outra coisa pra sobreviver e você poderá até viver da música.
E vejo que desde quando a gente começou e mais agora quando a
gente tava tocando com o Supla, o Holly Tree sempre teve propostas
para gravar em português. A gente poderia até ter feito um disco,
ganho uma grana e pronto. Mas não era isso que a gente queria.
A gente sai agora do Brasil com a cabeça erguida, deixando um
trabalho, que é este CD "Greatest
Shits", que é a nossa resposta a tudo que ouvimos nestes
anos todos.

Portal: Vocês sabem que agora tem um pessoalzinho por aí
que pensa que inventou a roda, dizendo que o lance é sexo, drogas
e rock and roll, coisa que desde os anos 70 se faz no planeta
e que de novo não tem nada. Será que um dia ainda vou ouvir o
Holly Tree ou mesmo você dizendo que virou "poser" e que adora
Guns & Roses, Motley Crue, Skid Row, etc.?
George: Poser? Hahahahahaha! O Guns & Roses, o Motley Crue
e o Skid Row você pode jogar na privada e apertar a descarga,
porque eu vou ficar olhando eles irem esgoto abaixo. São umas
merdas! A única música do Guns que eu gosto é uma que eu não sei
o nome, que é de um disco que também não sei qual é, que também
não me interessa! Eu queria mesmo é saber se o Slash realmente
fuma aquele cigarro tosco? Essa pergunta eu sempre tive na minha
cabeça. Mas eu acho uma merda isso tudo!!!
Portal: Mas agora aqui no Brasil, mais especificamente
neste mundinho chamado São Paulo, virou hype dar uma de "poser",
o que acaba confundindo a cabeça da galera e levando muita gente
pro caminho errado. Em vez de ir pra frente, acaba dando ré (risos).
O que você acha disso?
George: A molecada que ouve música pop vai sempre ouvir
a modinha pop do momento. Já a molecada que ouve música independente
ou underground não vai pra modinha porque independente nunca está
na moda realmente, mas eles vão acompanhar a "onda" da hora. Pode
ser uma onda de melódico ou de "poser". Mas esperto é aquele que
souber peneirar algo de bom disso tudo. Por isso, é legal as pessoas
ficarem mais críticas e chatas e prestarem mais atenção nas bandas
que estão acontecendo por aí. Não é porque uma banda é legal e
toca na MTV que eu tenho que gostar dela. E também não é porque
uma banda é um lixo e não toca na MTV, que eu devo gostar. Deixe
os rótulos de lado e preste mais atenção nas coisas ao redor.
Valeu e até mais!!!
O Holly Tree embarcou para Los Angeles no último dia 10/04/2003.
Para maiores informações acessem o site
oficial do Holly Tree
Marcio Faveri - da redação
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