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Entrevista
com Marilyn Manson
Entrevista Coletiva - EUA - 22/11/2000
Qual
seria o problema de Marilyn Manson, tirando suas roupas esquisitas,
suas músicas polêmicas, seu relacionamento com Rose McGowan, uma
péssima atriz que insiste em estar nos shows mais importantes
só para aparecer?
Se você perguntar ao roqueiro magricela vestido de preto, tudo
isso nem se compara ao inferno que ele está vivendo neste último
ano.
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Na
noite de lançamento da turnê "Guns, God, and Government",
Manson, 31 anos, estava no camarim do Orpheum Theatre, em
Minneapolis, quando concedeu uma entrevista coletiva a uns
20 jornalistas que disputaram uma credencial para ouvir o
desabafo da estrela. Para um auto-entitulado astro anticristo,
ele mais se parece com um bichinho acuado do que com aquela
pessoa extravagante que rasga o verbo sobre política, filosofia
e a influência da mídia, aparência esta que o forçou a dar
um tempo após o massacre da Escola Columbine.
O último álbum de sua banda, o Holy Wood (In the Shadow of
the Valley of Death), segundo ele, é uma resposta direta àqueles
que tentaram derrubá-lo sem motivo. Neste álbum, ele faz comparações
entre ele mesmo e mártires populares, tais como Jesus Cristo,
John Kennedy e John Lennon.
Veja abaixo, trechos da entrevista exclusiva concedida por
Manson, no dia 22 de novembro. |
É verdade que você se isolou num sótão por três meses enquanto
produzia este álbum?
Marilyn Manson: Com certeza. Eu precisava refletir muito após
o triste episódio de Columbine. Muitas pessoas fecharam a porta
na minha cara. Também tive muita ajuda nessa época. Após esse
acontecimento, eu passei três meses isolado só escrevendo e o
resultado foi este álbum, chamado Holly Wood, que será minha volta
por cima. Foi uma experiência terrível. Posso dizer que eu renasci.
Você não saiu de casa nenhuma vez?
Algumas vezes, eu saía sem rumo, a única coisa que eu levava comigo
era a presença da morte. Eu não tinha certeza se estava seguro,
pois havia várias pessoas que queriam me condenar por algo que
eu não fui responsável. O motivo principal de nós termos parado
com a turnê, foi a nossa segurança e a de nossos fãs. Houve muitas
ameaças de morte e eu não queria que ninguém saísse machucado.
Você
acha que vestindo jeans e camiseta as pessoas iriam reconhecê-lo?
É claro que não, eu nunca iria mudar meu estilo para agradar
alguém. Eu não queria ver o mundo. O que eu queria era transformar
algo negativo em algo positivo. Então, para mim, o fato de
eu ter composto pra caramba, foi uma ótima experiência.
Mesmo se sua vida desse uma virada, você não mudaria
sua maneira de vestir?
Eu não gostaria de mostrar quem eu sou realmente a ninguém.
Você acredita que, depois de tudo o que aconteceu em
Columbine, as pessoas possam estar com medo de te ver novamente?
Eu acho que alguém tinha que ser bombardeado . Foi no final
dos anos 90, mas foi como no final dos anos 60. A mídia se
utilizou do episódio de Columbine para poder tornar Manson
um assassino, então, eu era o que mais aparecia na televisão,
pois eu tinha cara de alguém que fosse culpado. A mídia está
vendendo pavor, principalmente por meio da televisão, pois
as pessoas gostam de assistir a desgraça alheia, por isso
compram tudo o que passa nos intervalos comerciais. Eu sou
um exemplo de bom garoto que espalha o terror. |
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Segundo
eles, o principal motivo de minha acusação, foi o fato daqueles
garotos serem meus fãs. O que é mentira. Mesmo se eles fossem,
ainda não haveria razão para me colocarem como principal responsável
do caso. Eu não quis falar com ninguém, pois eu achei que isso
acabaria piorando a situação. Se os EUA ouvissem o que aqueles
garotos tinham para falar, ao invés de dizerem o que falar, coisas
desse tipo não aconteceriam. Foi o que eu tentei fazer com a música,
pois a música não julga ninguém.
Mas, isso não é um tipo de auto-defesa, o que faz com que
o caso Columbine seja comentado em toda entrevista que você faz
sobre este álbum?
As pessoas estão sempre querendo trazer isso à tona e eu estou
simplesmente rebatendo o que você disse. E é assim que as coisas
funcionam. Este é um momento importante da história, assim como
qualquer outro acontecimento chocante. Assim como o assassinato
de Kennedy, os assassinatos de Manson, a crucificação de Cristo.
Qualquer uma destas coisas. Isso leva a América a uma reavaliação.
Infelizmente, uma parte importante do tema deste álbum é o fato
das pessoas quererem reavaliar a moral, querendo levar tudo na
brincadeira.
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Parece
que você tem algo importante a dizer, mas ninguém vai levá-lo
muito a sério, por causa do jeito que você fala. Você gosta
de ser do contra?
Absolutamente. Eu não vejo meu trabalho num sentido restrito.
Eu não o vejo somente como fazer música ou pessoas ouvindo
música. Eu tento olhar como se eu estivesse num caos, como
se eu estivesse no meio de um tornado, por exemplo. E isso
é essencial numa cultura pop. Eu acho que todas as artes
têm que ser do mal para inverter as coisas e fazer com que
as pessoas as enxerguem diferente. Quando eu dou por mim
e percebo minha criação, vejo que ela não é somente um álbum
ou um vídeo, mas sim como ela vista no mundo inteiro.
Cada
pessoa tem sua teoria, mas qual a coisa mais diabólica sobre
Marilyn Manson?
Eu simplesmente não consigo admitir definições de deus ou
demônio que me são atribuídas. Apenas aponto coisas que
estão relacionadas com o bem ou com o mal. Mas se você procurar
a definição correta no dicionário, verá que a arte tem que
ser diabólica e os artistas devem ter um pouco de mal dentro
de suas almas. Isto não significa que você deva ser uma
má pessoa, mas significa que você seja reprovado por qualquer
religião. A arte é um polo oposto à religião. Eu estudo
muito filosofia e procuro manter minha mente sempre aberta,
não caindo em falsos dogmas. Como minha mente é aberta,
consigo abrir a mente de outras pessoas também.
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