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Entrevista
com Mary's Band
10/11/2000
- São Paulo
Neste
último dia 10 de novembro, sexta-feira, o Portal do Rock esteve
batendo um papo com Rodrigo, guitarrista da banda de rock mineira
Mary's Band.
A Mary's Band acaba de lançar seu primeiro CD, chamado "Tô Virado",
pela gravadora Sony Music, fazendo um rock estilo Green Day, ou
seja, com uma postura de banda punk rock, mas com um som feito
na medida certa para agradar a galera e conquistar as emissoras
de rádio e programas de TV. A primeira música de trabalho da banda,
"Happy birthday fuck you", já está nas primeiras posições das
paradas das principais rádios rock do Brasil.
A formação da banda é a seguinte:
Rodrigo (guitarra), Gustavo (guitarra), Orlando (baixo/vocal)
e Terence (bateria)
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Portal:
Quando a banda se formou e quais foram as principais influências
(bandas) de vocês no início?
Rodrigo: Bom, a gente se conhece desde criança, pois
todos somos da cidade de Passos/MG e desde 1985 nós saíamos
juntos na mesma turma, curtíamos som juntos e aprontávamos
juntos por lá. Mas a banda se formou mesmo em 1996, ainda
na cidade Passos. |
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A banda tinha um outro nome, que era Mary's Band Ruana. Mas este
nome causava muito preconceito nos diretores de colégios e donos
de casas noturnas onde a gente queria tocar e como estávamos em
plena polêmica do Planet Hemp, sobre o lance da maconha, as pessoas
achavam que nós também incentivávamos o uso da droga. O nome vinha
de Marijuana, que é maconha em inglês. Em 1998, a gente de mudou
definitivamente para Belo Horizonte para tentar a vida com a banda.
Decidimos mudar de nome, passando a adotar o nome Mary's Band e
começamos a deslanchar. Neste mesmo ano abrimos um show para o Capital
Inicial em Betim/MG e tivemos a felicidade de abrir o show do Green
Day em BH. Tocamos muito no circuito de BH e ficamos muito conhecidos
na cidade. Com relação às influências, a gente era como a maioria
dos adolescentes da época, curtindo Guns & Roses, Metallica e outras
bandas de rock que estavam no topo. Mas aos poucos, começamos a
curtir bandas melhores e com mais história, como Sex Pistols, New
York Dolls e Stray Cats, que realmente influenciaram o som da banda
no começo e até hoje.
Portal: Na música "Tô Virado", faixa título do primeiro CD
de vocês, vocês falam "prefiro morrer de vodka do que de tédio".
O que dá mais tédio em vocês?
Rodrigo: O que dá mais tédio na gente é não curtir a vida,
não ser feliz. A gente só faz o que gosta, de coração. A gente dá
o sangue em tudo e sempre procura sair da mesmice e ser feliz. Esta
música que acabou virando o título do CD, foi feita em uma noite,
quando estávamos gravando no estúdio do Sideral em Belo Horizonte.
(Sideral é Wilson Sideral, irmão do vocalista do Jota Quest).
Portal: Na faixa "Não seu se voltou ou revolto", fica meio
evidente uma forte influência de Oasis, até mesmo nos vocais. Existe
esta identificação com os irmãos Galagher?
Rodrigo: Interessante cara, mas você é a primeira pessoa
que diz isso. Não temos nenhuma influência do Oasis. Se fôssemos
nos inspirar neles, seria melhor pegar alguma coisa dos Beatles,
que é o que o Oasis mais copia. Eu prefiro Beatles. Mas sei lá,
de repente existe esta mania das pessoas em comparar bandas às outras.
A gente não se liga em Oasis não. Mas o que é mais interessante
é que depois que você perguntou isso que eu me liguei que a gente
vai tocar no Rock in Rio na mesma noite do Oasis. (risos)
Portal: Qual a melhor definição do estilo musical da banda?
Rodrigo: Punk Rock. Pelo menos nossa atitude é punk rock.
Nós somos adeptos do "faça você mesmo" criado pelo Sex Pistols.
Portal: Mas punk rock não é só isso, vocês têm alguma preocupação
social ou ideologia nas músicas de vocês?
Rodrigo: Bom, a gente tem umas 40 músicas próprias. Claro
que temos letras que abordam temas mais críticos, que metem o pau
no governo e que fazem bem o estilo ideológico do punk. Mas neste
primeiro CD estas músicas não entraram. Talvez elas entrem no próximo
trabalho.
Portal: Mas vocês tocam ao vivo estas músicas? E covers,
vocês fazem covers de qual banda nos shows?
Rodrigo: Não, ao vivo estamos tocando só as músicas do CD.
Quanto aos covers, tocamos Joanna D'Arc (Camisa de Vênus), Até quando
esperar (Plebe Rude), Dacing with myself (Billy Idol), basicamente
é isso.
Portal: Como vocês conseguiram chegar aonde chegaram, com
um contrato com a Sony?
Rodrigo: Nosso som é bem conhecido em BH. Tocamos prá caramba,
exaustivamente por lá. Abrimos o show do Green Day, o que nos ajudou
muito. Muita gente fala que somos o Green Day brasileiro. Várias
bandas nos ajudaram e nos empurraram para cima. Bandas como Jota
Quest e outras de BH, nos deram a maior força e nos indicaram para
a gravadora. Foi uma camaradagem mesmo.
Marcio Faveri - da redação
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