|
Entrevista
com Johnny Pisano
Vocalista/Baixista da banda Marky Ramone &
The Intruders
Nova York - 02/12/2000
Depois
de passar quase 2 meses fora de casa, em turnê pela América
do Sul, com a banda Marky Ramone & The Intruders, Johnny Pisano
conta em entrevista exclusiva ao Portal do Rock, como foi a maratona
de shows sulamericanos
 |
 |
Portal: Qual a diferença em tocar nos EUA, Europa e América
do Sul?
Pisano: Tocar nos EUA é o mais difícil para nós. Eu acho
que as pessoas aqui são mais críticas, a gente nem começa tocar
e eles já estão gritando e criticando. Mas também há lugares da
hora, onde as pessoas tem a mente mais aberta, tais como Austin,
no Texas e algumas partes da Califórnia e de Nova York.
O local mais legal para tocar na Europa é a Alemanha, que tem
uma platéia punk rock bastante restrita, pois o metal ainda impera
por lá. Na Itália, as pessoas são mais violentas. A Holanda é
um dos lugares mais legais do mundo. Eu acho que os europeus têm
passado maus momentos, mas eles sabem que a música é tudo.
A América do Sul é, sem dúvida, o local onde as pessoas são mais
apaixonadas por música do mundo. Eles sempre querem saber as letras
das músicas, mesmo tendo que traduzi-las, pois eles querem saber
o que elas significam. Eu acho que o resto do mundo deveria aprender
muito com as pessoas de lá.
Eu não gosto de quem cospe . . . A maioria dos argentinos e em
algumas partes do Brasil, as pessoas acham que estão no ano de
1977, por isso eles costumam cuspir na gente. Bem, o que eu posso
dizer é que estas pessoas precisam se atualizar, pois ninguém
gosta de levar cuspe na cara.
Portal: Você poderia nos contar algum fato interessante
que aconteceu durante a turnê e que você não vai esquecer tão
facilmente?
Pisano: Esses dias, fomos chamados para tocar na TV, no
programa Musikaos, onde tocamos músicas mais leves. Pediram que
tocássemos 5 músicas. Havia uma platéia de cerca de 600 pessoas
e no intervalo de cada música foi combinado que eles nos entrevistariam
ou fariam alguma pintura esquisita ou qualquer merda. Na última
música, nós já estávamos tocando pelados, menos o Marky, só eu
e o Alex. Foi muito engraçado e as pessoas ficaram completamente
doidas. O Alex jogou sua cueca suada para a platéia e o Marky
destruiu sua bateria. Quando eles se deram conta, resolveram cortar
o som . . .
Portal: O que você acha das bandas que abrem seus shows?
Você teria alguma coisa a dizer sobre alguma banda em especial?
Pisano: Nós tocamos com grandes bandas e outras não tão
famosas. Já tocamos com o Zumbis do Espaço e com o Tequilla Baby,
eles são realmente demais. O Forgotten Boys é uma banda punk rock
estilo das antigas, parecido com os Heart Breakers - eles têm
sons do caralho . . . Uma noite o baterista Arthur (Forgotten
Boys) pegou uma mina e quando ele se deu conta, ela tinha mijado
nas calças. Ele sempre encontra esse tipo de encrenca. Bom, também
gosto dos Inocentes e do Attaque 77.

Portal: Quais foram os resultados da turnê? Foram os que
vocês esperavam? Em termos de dinheiro, foi bom ou poderia ter
sido melhor?
Pisano: Bom, o dinheiro pode sempre ser melhor, somos uma
banda punk, que em sendo punk atua no circuito underground, onde
a verba é curta, mas faz parte do punk. Ninguém gostaria de vir
a um de nossos shows e me ver vestindo uma camisa de $200, o que
seria muita falsidade. Muitas pessoas pensam que se você tem uma
banda e está em turnê, você é rico, isso também é falso. Se nós
fôssemos famosos como o Green Day ou Raimundos eu não teria que
trabalhar no meu emprego durante o dia aqui nos EUA. Mas, se fôssemos
muito famosos, minha atitude continuaria a mesma. Sou quem eu
sou e se você não gosta, não precisa me ouvir.
Quanto aos resultados da turnê, foram excelentes. As pessoas realmente
adoraram nossos shows e demosntraram muito entusiasmo e reconhecimento.
Antes e depois de cada show, eu costumo sempre andar no meio da
galera, conversando com as pessoas agradecendo pela presença.
Eu não sou do tipo que atua somente em cima do palco.
Portal: Vocês planejam voltar ao Brasil em breve? Já têm
alguma data definida?
Pisano: Sempre temos planos de voltar, nunca queremos partir.
Temos estado no Brasil todo ano, entre os meses de setembro e
outubro. Acredito que em 2001 não seja diferente.
Portal: Vocês estão trabalhando no novo CD? Já têm algumas
músicas novas? Quais?
Pisano: Sim, temos cerca de dez músicas, incluindo uma
música que eu fiz chamada "Sao Paulo Streets". Eu adoro o Brasil,
país que me deu a inspiração que eu precisava para retribuir minha
gratidão às pessoas e São Paulo me lembra Nova York em vários
aspectos. É como se fosse estar em casa fora de casa. Às vezes
passamos mais tempo em São Paulo do que em qualquer outro lugar.
Portal: Você poderia dizer algo especial para os fãs brasileiros?
Pisano: Obrigado pelos bons momentos! Caso alguém se interesse,
estou tocando em uma outra banda de NY chamada Bellvue (www.bellvuemusic.com)
e meu e-mail é johnnypie69@hotmail.com.
Se você machucar seu nariz, não limpe o sangue no sofá. Beba-o,
é melhor para o meio ambiente! - Johnny Pisano
Marcio Faveri - da redação
ENTREVISTAS
|