Entrevista com The Queers
17/04/2001 - Sesc Pompéia - São Paulo

Esta entrevista com Joe "King"Queer, vocalista da banda americana de punk rock bubble gum, feita minutos antes da apresentação da banda no palco do programa Musikaos da TV Cultura, foi para mim uma grande surpresa.

Tenho que expressar minha opinião a vocês, independentemente do que os fãs mais ardentes da banda possam pensar. Joe foi um tanto quanto arrogante, talvez o mais arrogante que eu já entrevistei. Ele simplesmente ignora o punk rock inglês, não querendo comentar nada sobre bandas como Vibrators, Buzzcocks, Lurkers (a qual ele diz não conhecer), entre outras. Tudo bem, gosto é gosto, mas a partir do momento que você se encaixa no punk rock, algumas bandas são referências para todas as demais, certo?

  Ele disse que não tem nenhuma influência do punk rock inglês em sua música, que nunca tocaria em um festival com bandas inglesas, porque sua banda não costuma abrir shows para outras bandas ou tocar no meio, só fecham os shows que tocam.

Bom, desculpem-me novamente se peguei um pouco pesado com ele, mas foi o que eu senti, falando com Joe. O que rolou na entrevista, vocês conferem agora.
 
 
Portal: O que vocês esperam dos shows no Brasil?
Joe: A gente não tem a menor idéia do que vai rolar, é nossa primeira vez no Brasil. Não tenho muitas expectativas e o que queremos mesmo é nos divertir. Espero que os shows sejam bons e que tragam bons resultados para que possamos voltar no ano que vem.

Portal: Você já ouviu alguma banda de punk rock brasileira ou mesmo alguma banda de rock brasileira? O que você acha delas?
Joe: A gente recebe algumas cartas de fãs do Brasil, alguns que até tocam em bandas. Mas para falar a verdade não conheço nenhuma banda punk brasileira e nenhuma banda de rock do Brasil também. Não sei quais são as grandes ou as pequenas bandas brasileiras. Não sei nada sobre o rock brasileiro.

Portal: Pelo menos o Sepultura você conhece?
Joe: Mas o Sepultura não é uma banda americana? Eu pensei que eles fossem americanos.

Portal:
Talvez seja porque eles cantam em inglês e fazem muito sucesso nos EUA?
Joe: Então eles são brasileiros? Ah, ok. Sabe, é muito divertido estar aqui no Brasil e conhecer novas pessoas (o cara mudou de assunto)

Portal: Quais foram as bandas que dividiram o palco com vocês em todo este tempo de carreira, que vocês realmente gostaram de tocar juntos?
Joe: Eu gostei muito de tocar com algumas bandas como o Muphys, de Los Angeles, o Rancid foi bem legal também, tocamos também com Joey Ramone e a banda que ele estava tocando ultimamente, chamada The Independents. Tocamos com The Dickies, NOFX.

Portal: Alguma banda inglesa, daquelas do começo do punk rock, que você possa dizer que teve orgulho de tocar junto?
Joe: Não, a gente preferiu nunca tocar com estas bandas porque o Queers sempre encabeça todos os shows, ou seja, sempre fecha os shows.

Portal: Nem em algum festival de bandas punks?
Joe: A gente não costuma tocar em festivais pelo mesmo motivo. A gente só fecha os shows que toca.

Portal: Nem com o The Undertones? Pelo que sei vocês têm grande influência desta banda, tanto é que até regravaram a música "Get Over You" deles.
Joe: Infelizmente não tocamos com eles. Eu adoraria, mas não rolou. Fiquei sabendo que eles estão voltando. Quem sabe a gente consiga tocar com eles. A gente toca algumas músicas deles de vez em quando.

 
 
 
 
 


Portal: E sobre Joey Ramone? O que significou para você perder um cara como ele e o que de melhor Joey trouxe para o som que vocês fazem na banda?
Joe: Foi uma coisa terrível. É triste de qualquer forma, mas o que fica é que Joey era um cara muito ligado à cena punk rock americana até o final de seus dias. Ele sempre vinha aos nossos shows quando o chamávamos. Estava sempre me ajudando com novas músicas, letras. Ele sempre insistia para que eu seguisse carreira solo. Eu estava me programando para isso e eu dizia para ele que queria fazer um som estilo anos 50 e 60, tipo The Turtles. Ele falava que queria fazer a mesma coisa. Quase sempre eu via Joey nas casas noturnas de Nova York, assistindo aos shows, falando com as pessoas. Ele era muito aberto e dócil. Toda vez que eu convidei Joey para sair para falar sobre música ou qualquer outro assunto, ele veio sem falta. Era um cara muito legal e foi uma perda irreparável para mim e para o mundo. O que eu aprendi de melhor e mais importante com Joey e com os Ramones foi a maneira como eles mantiveram seu som original do princípio ao fim. Eles eram uma banda que topava qualquer parada. Se tivesse um show com bandas pequenas e os Ramones fossem convidados para tocar, lá estavam eles. Eles nem se importavam com quem iria abrir ou fechar os shows. O que não acontece com a gente. Nós não abriríamos shows nem para os Ramones (pelo visto Joe não aprendeu isso com os Ramones).

Portal: Mudando de assunto, o que vocês estão achando das garotas brasileiras? Como vocês devem ter notado, aqui elas têm peito pequeno e bumbum grande, ao contrário das dos EUA.
Joe: Vou te dizer uma coisa, pelo que vi até agora posso garantir que as garotas brasileiras são bem melhores que as americanas. Olha só para estas meninas que estão aqui perto da gente e você entenderá o que falo (as americanas que ele conhece devem ser feias mesmo, pois as meninas que estavam passando quando ele disse isso eram umas barangas!) Quanto aos peitos pequenos que você diz que as brasileiras têm, eu discordo, pois acho que elas têm uns peitinhos bem avantajados.

Portal: Essas são as com silicone.
Joe: Não me importo, o importante é a fantasia.

Portal: E a cerveja brasileira? Você gosta? Dizem que é uma das melhores do mundo.
Joe: Eu não bebo mais cerveja. Mas ouvi falar que é muito boa.

Portal: Porque você não bebe? Religião, alcoolismo? Você não bebe nada de álcool?
Joe: Não bebo nada.

Portal: Mas você fez várias músicas falando de cerveja, beber até cair, etc.
Joe: Por isso. Bebi tanto que tive alguns problemas. Não posso mais beber. Deixo minha cota para o Dave (baixista), que é novo e agüenta o tranco.

A banda é formada hoje por Joe (vocal/guitarra), Dave (baixo/backing vocal) e Lurch (bateria).

Bom, depois da entrevista, fomos conferir o som da banda no Musikaos. Foi uma excelente apresentação. Os caras realmente detonam um punk rock estilo Ramones de primeira qualidade.

Quem for aos shows da banda nessa turnê pelo Brasil, com certeza não vai se arrepender. Valeu!

Marcio Faveri - da redação

ENTREVISTAS