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Entrevista
Coletiva: Sepultura - Revolusongs
10/12/2002 - FNM - São Paulo -SP
A
banda de metal Sepultura realizou uma coletiva de imprensa em
São Paulo, para apresentar seu mais novo lançamento, um CD EP,
com sete covers de bandas que de alguma forma influenciam ou fazem
a cabeça dos integrantes da banda.
Este disco se chama Revolusongs e traz as seguintes faixas:
1. Messiah
(Hellhammer), 2. Angel (Massive Attack), 3. Black Seel In The
Hour Of Chaos (Public Enemy), 4. Mongoloid (Devo), 5. Moutain
Song (Jane's Adiction), 6. Bullet The Blue Sky (U2) e
7. Piranha (Exodus).
Gravado em São Paulo
e produzido pelo norte-americano Steve Evetts (que já havia trabalhado
com o grupo no álbum “Nation”), “Revolusongs” está sendo lançado
simultaneamente na Europa (pelo selo SPV), no Japão e Asia (pela
JVC) e no Brasil pela gravadora FNM, que está colocando o álbum
no mercado em dois formatos: em LP e em CD. A versão em LP será
limitadíssima e quem é fã de carteirinha tem que ficar atento
para não perder essa preciosidade!
A entrevista rolou num clima bem descontraído e os jornalitas
puderam falar com todos os integrantes da banda individualmente.
O Portal do Rock falou sobre este novo CD basicamente com Igor
Cavalera, baterista da banda. Igor disse que a escolha
das músicas rolou numa boa. "Cada integrante fez uma relação
de músicas preferidas e em comum acordo a banda escolheu as que
produziriam versões melhores e que fossem de bandas que o Sepultura
nunca tivesse gravado ou tocado muito ao vivo", disse Igor.
Eles
optaram por não incluir bandas brasileiras neste disco, porque
já haviam feito covers de algumas, como por exemplo do Ratos de
Porão e do Titãs. Tinham uma extensa relação de músicas e as escolhidas
foram, segundo Igor,
"as menos previsíveis".
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Na
cover do Public Enemy, “Black Steel in the Hour of Chaos”,
a banda contou com a participação do rapper brasileiro Sabotage.
"A indicação do nome de Sabotage partiu do DJ Zé Gonzales
(Planet Hemp, Racionais MC’s e outros)", disse Igor.
Outra potência do metal internacional, Slayer, já havia feito
uma homenagem à banda de rap Public Enemy, sendo que está
virando "moda" esta fusão de rap com metal, nada
a ver com o new metal comercial, mas sim com uma união de
elementos bem mais estruturados. |
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Perguntado
sobre o relacionamento com a nova gravadora, depois do rompimento
com a Road Runner, Igor disse: "Estamos tendo o apoio
de gravadoras em vários países do mundo para que possamos distribuir
bem nosso próximo trabalho. Pelos contratos que assinamos, iremos
ter um suporte muito grande para a próxima turnê. No caso
da nossa gravadora aqui no Brasil, a FNM, posso dizer que ela
está nos dando toda força, acreditando e apoiando todas as nossas
idéias, inclusive a do lançamento deste CD EP de covers, com essa
versão em vinil também".
Igor
disse ainda que a banda não fará shows exclusivos para divulgar
este CD Revolusongs. "Como vamos gravar um novo álbum com
músicas inéditas em janeiro de 2003, preferimos deixar para apresentar
algumas músicas do Revolusongs ao vivo, junto com as do novo álbum,
quando sairmos em turnê".
Falando
sobre o novo álbum de inéditas do Sepultura, Igor adiantou que
serão 12 músicas bem ao estilo Chaos A.D., ou seja, mais voltado
à uma das fases preferidas pelos fãs da banda. O disco também
terá a proução de Steve Evetts e deve sair em meados de 2003 (provavelmente
em junho)
Dentre as músicas de Revolusongs, a primeira escolhida para a
produção de um videoclipe foi "Bullet the Blue Sky",
do U2.
Perguntamos ao Igor qual a razão da escolha desta música para
o primeiro videoclipe e indagamos se seria por causa da repercussão
que a gravação de um clipe de uma banda ultra famosa em todo o
planeta, como é o U2, faria nos quatro cantos do mundo. Igor disse
que existiu essa preocupação "comercial" sim, mais pelo
lado da gravadora do que por eles. Para eles a música do U2 representa
muito em termos de som e eles ficaram muito felizes com o resultado
que obtiveram gravando este som.
Nós
do Portal do Rock tivemos a oportunidade de assistir ao clipe
em primeira mão, clipe agora que já começa a ser veiculado na
MTV. No clipe o vocalista do Sepultura, Derrick Green, aparece
correndo pelas ruas de São Paulo, numa espécie de perseguição
frenética, dirigida por Ricardo Della Rosa e roterizada pelo próprio
Derrick.
Igor revelou ainda que eles pretendem enviar as covers que fizeram
neste disco às bandas homenageadas, porém de uma forma personalizada,
via e-mail (mp3), inclusive para que as bandas possam disonibilizar
em seus sites as versões que o Sepultura fez. Perguntamos se não
foi possível incluir alguma música neste disco por algum motivo.
"Íamos colocar uma
música do Chico Science e Naçao Zumbi neste disco, mas pelo fato
do Soulfly ter gravado uma deles antes, optamos por deixar de
fora deste disco, mas curtimos demais o som da Nação Zumbi",
disse Igor.
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Perguntamos
se eles agora estão de vez sediados no Brasil ou se pretendem
voltar a morar fora do país. "Preferimos ficar morando
por aqui mesmo no momento, ao lado de nossas familias, aproveitando
ao máximo o tempo que temos livre ao lado das pessoas que
amamos", comentou Igor.
No final das coonversas sobre o novo CD, tivemos a oportunidade
de bater um papo mais pessoal com Igor Cavalera, falando de
bateria, bandas e outros assuntos, que vocês conferem a seguir: |
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Portal:
Quais eram suas principais influências em termos de bateristas
no começo de carreira e quais os bateras que você curte atualmente?
Igor: No começo eu gostava muito de bateras como o do Hellhammer,
umas coisas lá do começo da carreira, bem "tosquera"
mesmo. Como eu comecei a tocar muito cedo, com sete anos, desde
pequeno eu tive uma overdose de técnica, dessas coisas que acabam
estragando os bateristas. Meu pai me colocou numa escola de bateria,
mas depois de um tempo eu percebi que não era aquilo que eu queria.
Eu preferia ficar tocndo com as baquetas no sofá, do que ficar
lendo partituras. Então estes bateristas mais toscos, sem técnica,
foram os que mais me influenciaram, porque eu ouvia eles tocando
e até me arrepiava com a originalidade dos caras. Também tive
muita influência de hardcore, como a banda Discharge, que apesar
de achar que a bateria sempre estava sem sincronia com o resto
da música, eu posso dizer que o som que aquele cara fazia era
demais mesmo, porque funcionava muito bem na música. Hoje eu ouço
de tudo, mas o último cara que me impressionou foi o baterista
do Blink-182, Tom Delonge, que inclusive lançou uma banda em projeto
paralelo chamada Box Car Racer. Eu comprei o CD dos caras que
vi que felizmente tem alguém tentando fazer uma batida diferente,
tentando inovar, fazendo algo original na batera.
Portal: E bateristas como Neil Peart do Rush?
Igor: Claro que o cara é bom, mas não é o tipo de bateria
que eu curto. Eu fui no show ro Rush em SP e vi que o público
ficou alucinado vendo o Neil tocar, mas não é o tipo do som que
eu fico ouvindo no meu carro ou em casa. Mas posso afirmar com
certeza que o Rush é o cara, o Rush é o Neil Peart.
Portal: E o Sepultura é você? O Sepultura é o Igor?
Igor: Os caras da banda sempre deram um puta valor e espaço
para que eu sempre pudesse criar. No Sepultura sempre que a gente
ia fazer músicas, pensava em bateria antes de pensar em guitarra,
como ocorre com outras bandas. Então não temos aquela coisa meio
viciada, onde o cara faz um rife de guitarra e pede pro batera
se virar e encaixar algo legal. Às vezes eu chego no ensaio fazendo
um batida nova ou mesmo um som bem doido e o Andreas começa a
fazer uma base em cima e de repente sai uma nova música.
Portal: O Agnostic Front esteve tocando no Brasil neste
ano e o guitarrista da banda, o Vinny Stigma estava com uma camiseta
do Sepultura. No final do show nós falamos com eles e eles disseram
que até mesmo o hardcore americano tem muita influência do Sepultura.
Como você vê essa coisa?
Igor: Pra mim isso é um motivo de orgulho total, porque
o Agnostic Front é uma das bandas mais poderosas e fudidas do
mundo, fazendo uma cena toda que é o hardcore americano. Hoje
em dia eles estão voltando às raízes deles, voltando pro básico
total. Pra mim ouvir este tipo de comentário de uns caras como
o Agnostic Front é bem mais importante do que ouvir um elogio
de qualquer outro bam-bam-bam da música. Eles não têm porque puxar
o saco de ninguém e falam da gente porque sentem isso e nós sentimos
o mesmo por eles. Eu cresci ouvindo Agnostic Front e não tenho
nem o que falar deles. O Vinny Stigma é sinônimo de poder no hardcore.
Eu fui num show deles em Nova York uma vez e a guitarra dele quebrou
logo no começo do show e ele ficou lá tocando sem guitarra mesmo.
Só a presença dele no palco já era motivo de loucura pra galera.
Ele é chamado de "chefão" do hardcore de Nova York.
Portal: Alguma outra bandas punks ou hardcore que você
curte?
Igor: Gosto muito do GBH e do The Exploited. Eu tive a
oportunidade de ir em shows destas bandas nos EUA, bem antes deles
pensarem em tocar no Brasil. Lá eu pude ver o quanto fudida essas
bandas são. Ainda bem que agora essas bandas punks e hardcores
mais das antigas estão començando a vir tocar no Brasil.
Formação:
Andreas Kisser (guitarra), Derrick
Green (vocal), Igor
Cavalera (bateria) e
Paulo Jr. (baixo).
Discografia:
Bestial
Devastation (1985), Morbid Visions (1986), Schizophrenia
(1987), Beneath the Remains (1989), Arise (1991),
Chaos A.D. (1993), Refuse/Resist (1994), Roots (1996),
The Roots of Sepultura (1996), B-Sides (1997), Against
(1998), Nation (2001), Under
a Pale Grey Sky (2002) e Revolusongs (2002).
Vídeos:
Under
Siege (1991), Third World Chaos (1995), We Are What
We Are (1997) e Chaos DVD (2002).
Algumas
covers já gravadas pelo Sepultura: “Polícia”
(Titãs), “Orgasmatron” (Motorhead), “Symptom
of the Universe” (Black Sabbath), “Bela Lugosi’s Dead” (Bauhaus),
“Rise Above” (Black Flag), “Annihilation”
(Crucifix), “A Hora e A Vez do Cabelo Crescer” (Mutantes),
“Drug
Me” (Dead Kennedys), “Crucificados
Pelo Sistema” (Ratos de Porão), “War”
(Bob Marley), “Procreation (Of the Wicked)” (Celtic Frost),
“Monólogo ao Pé
do Ouvido” (Chico Science) e “Gene
Machine/Don’t Bother Me” (Bad Brains).
Site
Oficial da banda: www.sepultura.com.br
Marcio
Faveri - da redação
Fotos & Arte: Paulo Vinícius
Veja
também outras matérias, entrevistas,
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Entrevista
Coletiva - Sepultura - 02/03/2001
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- Nation - Matéria
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- Under a Pale Grey Sky (Resenha)
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