Entrevistas
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Tatola
e Maia
Locutores da Brasil 2000 FM
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O Portal
do Rock esteve na sede da Rádio Brasil 2000 FM, uma das mais
importantes rádio rock do Brasil, que fica na cidade de São Paulo.
Fomos
até lá para fazer uma entrevista com o "Homem Enciclopédia",
o famoso Maia, que juntamente com seu companheiro Tatola
(um dos melhores locutores de rádio rock do Brasil), nos recebeu
muito bem, respondendo com muita espontaneidade e atenção às nossas
perguntas.
Portal
do Rock: Vocês têm autonomia sobre a programação musical na
Rádio ou existe algum tipo de acordo com gravadoras, produtoras,
no sentido de promover alguns artistas em especial ou até mesmo
boicotar outros ?
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Maia:
As vezes as pessoas pensam que a gente fica preso a determinadas
coisas, mas na verdade nós dependemos muito do mercado, sendo
que no Brasil existe muita limitação quanto a lançamentos. Por
exemplo, a gente lança muita coisa nova, mas o acesso fica muito
limitado. Obviamente que com a internet a divulgação de uma
banda fica muito mais fácil. Porém, o rádio ainda tem uma maior
abrangência do que a internet. Ocorre que as vezes as pessoas
ouvem alguma coisa muito inédita que a gente toca aqui e depois
elas não conseguem encontrar o material da banda para comprar,
o que acaba sendo uma frustação. Então, como o mercado é muito
limitado, parece que a gente sofre uma pressão da gravadora,
mas não é verdade. É simplesmente a falta de produto, a falta
de opção. Nós aqui da Brasil 2000 até que ousamos muito, mostrando
coisas inéditas das gravadoras, mas acaba sendo um trabalho
muito solitário. |
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PR:
É possível uma Rádio sobreviver fazendo uma programação baseada
somente em Rock e suas vertentes ou ela tem que ceder e rolar outros
estilos mais populares e mais comerciais ?
Maia:
Isto depende muito. Esta coisa sobre o que é mais popular ou mais
comercial é muito relativa. Ninguém que trabalha em uma rádio, com
sinal aberto, pode ser completamente hermético. Quando você tem
um público como o da cidade de São Paulo, que é uma cidade muito
eclética, você tem que ter uma programação mais abrangente, com
coisas mais audíveis para que a grande massa possa conhecer. Senão
você acaba falando para um grupo muito pequeno. Isto não justifica
você estar sobrevivendo comercialmente, porque você tem um sinal
aberto e vários custos envolvidos. Quando você vai para lugares
como na Europa, EUA, que possui comunidades menores e definidas
musicalmente, você tem as extratificações, as rádios comunitárias,
as college radios, que só atingem aquela comunidade, o que é uma
coisa muito pequena, atingindo 2 ou 3 mil pessoas, podendo se dar
ao luxo de fazer uma programação específica e direcionada para aqueles
ouvintes.
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PR:
Como é a visão da Brasil 2000 sobre as bandas de rock independentes?
Quais os espaços para elas na Rádio? Como uma banda independente
pode vir a ter seu som rolando na Brasil 2000?
Maia:
É como eu falei agora há pouco. O caminho do rock independente
tem que se extratificar. Tem que começar com fanzines, portais
de internet sobre rock, locais para shows e somente depois
partir para um trabalho que tenha uma abrangência maior e
mais popular. A gente tem uma preocupação com as bandas independentes.
A gente mostra determinadas bandas, por exemplo no programa
do Osmar, que é o Brasileiro e Brasileiras, onde as bandas
vêm tocar ao vivo. Mas isso é muito pouco. Não adianta você
pegar uma banda independente e começar só você a tocar a música
dela, se ela tem uma distribuição independente você acaba
perdendo tempo e desgastando a banda.
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A
gente já fez muito isso, inclusive com bandas que têm um certo apelo,
público e nome, como o Violeta de Outono e com o Vultos, que eram
bandas que tinham até uma carreira, que estavam lançando discos
independentes. Então ficava aquela mesma frustação, pois não tinha
como se comprar o CD das bandas. Por isso que eu acho que o crescimento
de uma banda independente tem que vir aos poucos. O papel da internet
é fundamental, haja vista o lance do mp3, que possibilita gerar
um arquivo com a música da banda e as pessoas podem conhecer o trabalho
da banda. Definindo, eu acredito que as bandas deveriam começar
pela internet, divulgando seu som em tudo o que for portal ou site
de música, distribuindo seus mp3 para os internautas e para as gravadoras.
Outra coisa importante para a banda é a conscientização quanto à
qualidade musical. Normalmente as bandas entram no mercado meio
acéfalas. Os integrantes da banda se juntam, gravam uma demo e se
esquecem da qualidade. Uma banda se faz após muito tempo de estrada
e vários shows. Um problema grave também para as bandas é a falta
de casas de shows para elas se apresentarem. É chato comparar, mas
se pegarmos o mercado americano ou o europeu, as bandas de lá conseguem
fazer 200 shows antes de amadurecer e gravar alguma coisa. Aqui
no Brasil ainda estamos com um certo preconceito com relação às
casas que tocam rock.
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Então
está coisa de você saber gerenciar um negócio, tratar o rock como
um business, é fundamental. Porque no final, tudo é business, até
a mais forte ideologia, até mesmo um livro de filosofia é business.
As pessoas tem que pensar nisso. Eu também acho que enquanto as
pessoas não fizerem as coisas no rock de maneira profissional, nada
vai para frente.
PR:
Falando sobre internet, a Brasil 2000 relançou seu website recentemente.
Quais são as pretensões da Brasil 2000 em termos de internet, ou
seja, quais os principais objetivos do site ?
Maia:
Na verdade o que a internet traz de benéfico para uma rádio é ser
um complemento da programação da rádio. Principalmente este lance
de que as vezes a sua programação passa desapercebida em alguns
detalhes, você pode ter na internet tudo o que rolou, disponível
para as pessoas. Por exemplo, no caso da gente, que lança muita
coisa, todo dia tem lançamento, é muito interessante ter no nosso
site esta relação de lançamentos. É imprescindível para uma rádio
ter um website que tenha um verdadeiro arquivo com tudo o que rolou
na programação. Porém, este negócio da rádio virar uma fonte de
informação na internet é muito relativo e difícil. Existem sites
especializados em informações, como é o caso do site de vocês e
seria a mesma coisa se uma rádio tentasse colocar no site um jornalismo
muito quente, sendo que existem sites especializados somente em
jornalismo e de ótima qualidade. Você não pode querer se meter naquilo
que você não sabe fazer. Definindo, eu acho que o básico de um site
de rádio seria ser mesmo o complemento da programaçào da rádio.
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