entrevista exclusiva
edinburgo - novembro de 2006
english

nunca pude imaginar que um dia estaria entrevistando essa banda, a qual considero uma das mais originais (talvez a mais original de todas) as bandas punks que já existiram! mas para mim o rezillos é mais que uma simples banda de punk rock, considero eles um conceito musical, um estilo de música que devemos respeitar e chamar simplesmente de rezillos. eles estão prestes a fazer três shows no brasil este mês, pisando em terras brasileiras pela primeira vez em suas vidas. rezillos ao vivo no brasil? se alguém dissesse isso a você uns anos atrás, você talvez iria rir muito e chamar o cara de mentiroso! mas o improvável torna-se realidade neste já histórico mês de novembro de 2006! chega a ser bizarro pensar nos rezillos, a lenda viva, a originalidade mestre, tocando ao vivo nos palcos do brasil.

e seus fãs brasileiros? onde eles estão??? que eles saiam das catacumbas do ócio e do tédio do tempo e renasçam das cinzas para pagar reverência a esta grande banda, pois essa poderá ser sua primeira e única chance da vida! porque um raio destes com certeza não cai no mesmo lugar duas vezes!!!


fay fife, eugene reynolds, marcio faveri e ali paterson no wasted 2005 (uk)

biografia

o rezillos explodiu na cena rock em 1976, depois que seus integrantes se conheceram na faculdade de artes de edinburgo, capital da escócia, cidade natal da banda. o nome rezillos foi tirado de um hq da marvel, onde rezillos era o nome de uma cafeteria.

a formação inicial do rezillos contava com alan forbes (bateria e vocal), dave smythe (baixo), jo callis (guitarra principal) e mark harris (guitarra base). mas essa formação só fez alguns ensaios e logo eles resolveram adotar nomes artísticos, convidar novos integrantes e principalmente uma dupla de vocalistas bem afinadas, tanto na voz como no visual.

então a formação considerada a mais original e importante da banda passava a ser: eugene reynolds (ex-alan forbes), fay fife (ex-sheila hynde) e gayle warning - todos vocalistas, william mysterious (ex-ali donaldson) - saxofone, luke warm (ex-jo callis) - guitarra principal, hi-fi harris (ex-mark harris)- guitarra base, dr. dk smythe (ex-dave smythe) - baixo e angel paterson (ex-ali paterson) - bateria.



nascidos do cruzamento do rock garageiro dos anos 60 e da glam rock de bandas como the ronettes e shangri las, o rezillos foi absorvido pela onda punk do final da década de 70 e pela new wave do começo dos anos 80. seu single de estréia, da música "i can't stand my baby", catapultou a banda de uma pequena fama no meio underground, para as paradas de sucesso do programa do lendário john peel, na famosa rádio bbc inglesa. seus clássicos "my baby does good sculptures", "top of the pops" e "destination venus" se tornaram rapidamente as obras primas da banda e deram ao rezillos o destaque merecido na cena rock britânica.

os maiores e mais renomados críticos de música afirmam que os rezillos mudaram a face da new wave e chegaram a ser a maior influência para nomes poderosos da pop music, como b52's e devo, além de uma leva de outras bandas que vieram depois, como supersuckers, elastica, dee lite, radio 4, futureheads e até mesmo nomes quentes do momento, como hot hot heat, bloc party e franz ferdinand.

"os rezillos? eles são punks? eles são new wave? eles são ambos! o melhor disco que a sire records já lançou até hoje e o baixo mais quente de todos os tempos!" john mascis, revista sounds, 1980.

o álbum de estréia da banda, chamado can't stand the rezillos e lançado em 1978, entrou rapidamente para o top 10 das paradas inglesas. a banda participou por duas vezes do também lendário programa de tv "old grey whistle test" e alcançaram o top 20 com o single da música "top of the pops", uma sátira ao programa de tv da bbc inglesa, que tinha o mesmo nome da música. bastou a banda subir nas paradas com essa música, pra eles serem convidados para tocar no programa top of the pops!



eles eram tão bons que chegaram a colocar medo em bandas como ramones e o blondie, que por um momento sentiram que sua supremacia no punk rock estava ameaçada por estes lunáticos escoceses.

naquele mesmo ano de 1978 eles gravaram e lançaram um álbum ao vivo, chamado "mission accomplished...but the beat goes on". mas logo a banda decidiu pendurar as guitarras, para a tristeza geral dos fãs e críticos musicais.

o grupo acabou no final de 1978, mas dois meses depois, lá estavam eugene reynolds e fay fife de volta á cena. a gravadora disse que daria problemas se eles retornassem com o mesmo nome, o que levou o rezillos a mudar o nome para revillos. e assim eles voltavam com tudo a cena! a banda era tão genial e promissora que a gravadora virgin fez um selo com a temática da banda (o selo snatzo), exclusivamente para lançar os discos dos revillos. o grupo terminou realmente em 1984 e logo depois fay fife criou a banda chamada destroy all men, que não durou muito tempo. depois ela ainda tentou ser roterista de cinema, produtora e finalmente se tornou atriz de uma série norte-americana chamada "commander taggart". jo callis entrou para a banda the human league, clássica banda da new wave britânica.

na década de 90 a música o rezillos voltou com tudo à cena rock mundial, com suas músicas incluidas em várias coletâneas que contam a história da new wave, fazendo com que a banda firmasse seu status no underground e nas college radios, principalmente nos estados unidos, além de inúmeros fanzines de rock que traziam matérias sobre a banda. e o interesse pelo rezillos não pára de crescer, devido ao lançamento em cd de todos os seus álbums no ano de 1993 e à crescente procura por material da banda na internet.



levando tudo isso em conta, o rezillos resolveu voltar à atividade na véspera do ano novo de 2002, com um show de volta pra lá de quente e agitado, em sua cidade natal edinburgo, tocando para mais de 150 mil pessoas. o sinal estava dado e já estava mais do que na hora da banda se juntar novamente pra valer, sair em turnês pelo mundo e começar a trabalhar em um novo disco.

apoiado por resenhas e críticas positivas, a banda volta definitivamente à ativa e embarca para uma turnê de 12 shows pelos estados unidos em 2003. o fato curioso é que até então a banda havia feito apenas um único show em terras americanas, no (agora extinto) cbgb de nova york, nos idos de 1978.

além dessa turnê americana, os rezillos fizeram shows esgotados na noruega e na frança e conquistaram uma nova geração de fãs espanhóis em madri, barcelona e valença. os shows do reino unido, incluiram dois shows esgotados no famoso astoria em londres, fato este que lhes devolveu o título de uma das mais entusiasmantes bandas em atividade atualmente, com uma pegada e energia de darem vergonha a muitas bandas novas e mesmo às consagradas. em março de 2003, o tão esperado filme "jackass, o filme", foi finalmente lançado no reino unido e a música matadora do rezillos "somebody's gonna get their head kicked in tonight" foi incluída na trilha sonora, o que resultou na aparição da banda em não menos que cinco revistas americanas, no mesmo dia do lançamento do cd com a trilha sonora nas lojas dos eua.




tendo chegado ao século 21 tocando o mesmo som frenético que tocavam no século 20, eles ainda mantém a contemporaneidade, tanto musical como conceitual.

os anseios do rezillos? abocanhar sua merecida fatia de mercado no planeta rock!

a formação atual do rezillos conta com quatro dos principais integrantes originais, sendo eles eugene reynolds (vocal/guitarra), fay fife (vocal), jo callis (guitarra principal), angel paterson (bateria) e johnny terminator brady (baixo).

"nunca confie em quem não gosta dos rezillos", kurt cobain.

a banda the rezillos vai fazer dois shows na cidade de são paulo, sendo o primeiro no dia 16/novembro (quinta-feira), na cultuada casa de shows hangar 110, na festa de 20 anos da loja london calling. e o segundo show no dia 18/novembro (sábado), também no hangar 110, na edição 2006 do festival punk rock invasion, realizado todos os anos pela ataque frontal.

no dia 17/novembro (sexta-feira) a banda se apresenta na casa 92 graus, na cidade de curitiba, como a atração principal no conceituado festival anual national garage, em sua edição 2006.

a formação atual do rezillos e que vem ao brasil conta com quatro dos principais integrantes originais, sendo eles eugene reynolds (vocal/guitarra), fay fife (vocal), jo callis (guitarra principal), angel paterson (bateria) e johnny terminator brady (baixo).

confiram agora a entrevista exclusiva:


portal: acredito que esta seja a primeira entrevista de vcs para o brasil, certo? quando vcs ouvem a palavra “brasil” do que vcs se lembra?
fay fife: castanhas, grandes montanhas que as pessoas escalam, ritmos interessantes.
eugene: floresta amazônica, um país bastante diversificado, fãs de rock!
jo callis: futebol, salsa, carnaval, ritmos latinos, rock, ladrões de trem exilados (ronnie bigs, etc), sol, amazônia, pessoas bonitas, goooooooooooool!!!

portal: vcs já haviam pensado em visitar o brasil ou algum de vcs já esteve no brasil?
jo callis: nunca estive, sempre quis conhecer, conheci muitos brasileiros em londres.
fay fife: parece que existe um interesse pela gente, sempre quis conhecer o brasil.
eugene: nunca pensei que poderia existir algum interesse no brasil pela gente, até a chegada da internet que nos ajudou a tornar isso possível. o mais perto que cheguei do brasil foi quando estive na venezuela! portanto nunca estive no brasil antes.

  portal: quando vcs formaram a banda mais de 30 atrás, quais foram as principais razões que os uniram para formar a banda?
jo callis: as coisas de sempre: conhecer garotas, ganhar dinheiro, viajar pelo mundo, sair do tédio, aparecer, tentar se divertir e, claro, sacanear as pessoas!
eugene: para cada ação existe uma reação. nós reagimos contra a musica que outras bandas estavam fazendo em nossa cidade e de um modo geral, em nosso país. a personalidade veio antes da musica para nós. é vital ter uma “química” entre os integrantes da banda. se tiver pau e pedra rola a faísca, que se torna fogo e faz com que a música se torne quente.
fay fife: eugene quebrou uma vidraça contra sua cabeça, se exibindo. então pensei que cara louco! quero ser assim!!!

portal: naqueles tempos, o punk rock era apenas uma coisa nova em folha, com as principais bandas surgindo em londres. como os rezillos se envolveu neste movimento musical e qual foi o impacto do punk rock na cena musical da escócia?
jo callis: eu inventei o punk no meu quarto quando eu era apenas uma pequena criança, usando uma calça jeans velha, duas camisetas, uma gilete, três alfinetes e um pouco de alvejante caseiro. e o trabalho se desenvolveu com bastante sucesso durante minha infância, me proporcionando um começo promissor. e conforme os anos se passavam eu continuava com minhas experiências. já na idade adulta, eu aperfeiçoei minha criação usando as minhas melhores qualidades e em 1976 decidi que seria o momento adequado para testar meu projeto, perante a nação que até então era conhecida como inglaterra.
as coisas se saíram ainda melhores que o previsto, superando minhas expectativas. logo o medo e o pânico tomou conta da nação porque o punk começava a absorver tudo que entrava em contato com ele. ele se alastrou então em direção ao norte de forma assustadora e logo ameaçaria conquistar a própria escócia. eu criei um monstro que não podia mais controlar. “escute-os”, eu costumava dizer a mim mesmo, naquelas longas noites de inverno. oh crianças da noite....que música eles fazem. então cai em um profundo e perturbado sono.
 

as coisas foram longe demais e eu tive que colocar um ponto final nessa loucura de uma vez por todas. então naquele momento, eu me juntei a um grupo de amigos cientistas renegados e formamos uma organização a qual chamamos de the rezillos e achamos uma maneira de penetrar no estômago desta besta. e como heróis nós queimamos no fogo de sua indecência. mas o destino nos preparava uma missão curiosa, nos permitindo sobreviver àquela maldição infernal. e ficamos exilados na selvageria durante muitos e difíceis anos, até que conseguimos encontrar nosso caminho de volta à luz e à realidade. essa árdua jornada nos revestiu de um poder ainda mais forte do que nunca. isso meus amigos foi numa era distante e sempre foi citado pelos “antigos”, aqueles que vieram antes, mas agora...estamos de volta! oh não!!!
fay fife:
foi zeitgist. zeitgist não seguia nada, apenas surgiu das entranhas da terra.
eugene: e eu não diria que as “principais bandas” vieram de londres. absolutamente não! os buzzcocks são de manchester, que tinha uma cena grande naqueles tempos. e a escócia foi ignorada nos primeiros anos. a razão pela qual as pessoas tendem a pensar de forma errada que as melhores bandas são de londres é simplesmente porque a mídia musical em geral e os canais de tv são de lá. mas os fanzines ajudaram a quebrar o monopólio que a mídia tinha. mas de muitas formas a mídia ajudou na criação do punk rock. depois que a mídia deu uma cobertura negativa sobre os sex pistols, logo surgiram milhares de bandas punks que nunca existiram antes. a maioria das bandas punks eram apenas um bando de pessoas pegando uma carona no rótulo punk, como uma forma de impulsionar suas carreiras.

  portal: vocês pretendiam ser rotulados como uma banda de punk rock ou isso apenas aconteceu? isso ajudou ou atrapalhou vcs? pergunto isso porque eu penso que a musica dos rezillos está bem além das fronteiras do punk rock.
fay fife: exatamente, a gente está além das fronteiras. chegamos onde nenhuma criatura sã chegou antes.
eugene: naturalmente, somos mais do que uma banda punk. todas as bandas punks mais antigas e duradouras são mais que isso. não pretendíamos ser rotulados de punk. mas nos ajudou naquele momento e a gente se inspirou de certa forma no movimento punk. hoje o rótulo punk não nos ajuda, talvez até afaste nosso público verdadeiro. as bandas puramente punks de 1977 não fizeram, na minha opinião, uma música que durasse. as pessoas dizem que nossa música ainda soa contemporânea, o que é uma honra. mal posso tocar a maioria da musicas punks dos primeiros anos, porque hoje isso parece tão desatualizado. mas foi bastante relevante naqueles tempos.

jo callis : nos denominávamos uma banda beat quando começamos e então decidimos: “ok, agora somos new wave! e agora dizemos que somos punk....” mas mais do que isso, eu quero ser glam rock!



portal: como vcs se classificariam em termos de estilo musical?
eugene: não gosto de rótulos. rótulos acabam enfiados em gavetas empoeiradas e esquecidos.
jo callis: barulho fudido e doentio. também sei tocar sintetizador como vcs sabem.
fay fife: garagem barulhento terráqueo + baladas + punk circense + arte = mutante espacial com pés na terra.



portal: a banda começou em 1976. em menos de 2 anos vcs conseguiram chegar no top 10 do reino unido, em menos de 2 anos vcs atraíram a atenção da mídia e das gravadoras, em menos de 2 anos vcs assinaram contrato com uma grande gravadora e em menos de 2 anos a banda acabou. quais seriam as razões daquele fim depois do começo fantástico que vcs tiveram?
jo callis: bom, desde que a gente voltou com a banda, faz 5 anos, nem no top 20 chegamos (nossa maior posição nas paradas inglesas foi número 17), não conseguimos atenção da mídia e das gravadoras, não assinamos com nenhuma gravadora, mas não não terminamos com a banda novamente! isso não é irônico?
fay fife: seria o número 2 significante? bom, temos que ter cuidado com isso. nossos egos podem ser auto combustíveis.
eugene: muitas coisas em pouco tempo.
 

portal: certa vez, em 1979, vcs declararam: “odiamos o sistema da indústria da música. é tudo muito fora de controle. eles perderam contato com a gente. eles apenas querem fazer a máquina andar, enquanto a gente quer pensar em perfeição” vcs ainda pensam dessa forma? quais são as principais mudanças do rezillos de 1979 para o de 2006?
eugene: isso foi eu e a fay que dissemos. não seria bem “perfeição”, mas sim a implementação de um conceito, um som da nossa cabeça. eu vislumbro um novo rezillos como sendo simplesmente a extensão do que éramos, mas ainda reconhecidos musicalmente e relevante para o presente. mas somos mais realista hoje em dia e achamos maneiras de aceitar os defeito e anseios dos outros.
jo callis: nunca declarei isso, mas meus sentimentos sim. provavelmente ainda pensamos dessa forma, mas percebemos que a “industria da música” é um mal necessário. de qualquer forma eles não estão interessados pela gente agora e eles andam por caminhos estranhos hoje em dia...então eles estão na deles!
fay fife : perfeição + máquinas? isso precisaria de uma longa explicação, um romance ou talvez uma tese filosófica.

portal: o rezillos criou sua própria música, seu próprio estilo de se vestir e visual, seu próprio mundo. vcs realmente planejaram todo este visual, toda essa performance de palco e toda essa sonoridade? ou isso tudo apenas aconteceu naturalmente?
fay fife: não acho que tive muitos anos planejados. foi tudo do tipo “faça primeiro e pense depois”.
eugene: apenas aconteceu. não rolou nenhuma intenção consciente de criar um visual, mas era parte do nosso anti-visual para cutucar o jeito que as pessoas se vestiam no geral naqueles tempos. as pessoas ainda se vestem muito mal ainda hoje em dia! acho que jo se sente feliz quando anda com seu modelito “laranja mecânica”. na verdade, ele se sente ainda mais feliz quando ele acaba de sair do banheiro.
 

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jo callis: ...............desculpe pela demora, eu estava no banheiro. como david bowie um dia disse: “prefiro ser uma tv em cores do que um rádio”. temos uma filosofia parecida - nossa intenção original sempre foi se destacar no meio da multidão e ser completamente o oposto dos caras chatos e das bandas sacais de nossa cidade. também tínhamos muito interesse pelo conceito do “universo alternativo” e “teoria da corda“, mas a gente não compreende muito bem estes conceitos. ao criar nosso próprio universo alternativo esperávamos conseguir um melhor entendimento destas teorias. quando estamos no palco apenas fazemos o que nos vêm à mente de forma natural e espontânea. e que isso fique bem claro meus pequenos droogies, malchicks e devotchkas.



portal:
falando um pouco do começo da banda, quais foram as bandas que vocês curtiram tocar juntos e conhecer? existiam muitas bandas “inimigas”?
fay fife: não existiam não. mas estávamos no nosso próprio mundo e pensávamos que o sol brilhava apenas pra gente.
jo callis: existiam algumas bandas locais de edinburgo e glasgow que compartilhavam algumas de nossas atitudes e que sempre gostavam de tocar com a gente. mas de modo geral eu acho que nós éramos detestados e mal vistos pelos nosso conterrâneos. mas não tinha nada que pudéssemos fazer quanto a isso, afinal nós planejamos tudo isso dessa forma.
eugene: todas as outras bandas representavam o inimigo no sentido musical. era guerra no palco. nossas performances e nossa música e atitude eram nossas armas. a banda the stranglers sempre nos tratou bem e a gente abria os shows deles. a merda rolava quando a gente abria shows para bandas grandes e acaba ganhando o gosto do público do show. eu me lembro que os ramones odiaram o fato do público dos shows deles terem adorado nossa banda, quando abrimos os shows da turnê deles.

portal: quem são os maiores filhos da puta no punk rock em todos os tempos? e quem são os heróis do punk rock em todos os tempos para vocês?
jo callis: maiores filhos da puta? ...errr. angel paterson, eugene reynolds, fay fife e william mysterious. mas meu herói punk era o joe strummer.

eugene: não consigo pensar em qualquer banda que tenha sido filha da puta. mas existiam muitos filhos da puta na indústria da música. mas isso rola em todos os campos. haverá idiotas na indústria alimentícia, na indústria automobilística, na industria farmacêutica, na industria de produtos para bebê, em tudo! mas sem sombras de dúvida, o maior filho da puta que eu já conheci foi o road manager (gerente da turnê) dos ramones em 1978. nem vou citar o nome dele. talvez ele já esteja morto agora com a atitude que ele tinha.
fay fife: gosto pessoalmente de dolly parton. e detestava sydney devine.

portal: quais foram as principais influências dos rezillos no começo e quais bandas vocês curtem atualmente?
eugene: minhas influências pessoais foram doctor feelgood com wilko johnston (disco ao vivo), o antigo roxy music e alguma coisa de beat music dos anos 60.
jo callis: antes e sempre: johnny kidd and the pirates, dr. feelgood, ike & tina turner, sly & the family stone, the yardbirds, the easybeats, the who, the rolling stones, geno washingon and the ram jam band, roxy music, david bowie, mick ronson, the shangrilas, wilson pickett, t. rex, the kinks, the new york dolls, eddie cochrane, gene vincent, ennio morricone, john barry, the shadows, the sweet, the beatles (penso que todos do rezillos tiveram um pouco de influência deles), barry gray, the ramones, the saints, iggy pop claro, johnny thunders & heartbreakers, todd rundgren, the pretty things, chas & dave, além de 378 outras bandas dos estilos funk/punk/soul/glam/metal/orchestral/rock. ah, e jackson pollock pelo disco cover. hoje em dia: qualquer coisa que seja legal. gosto do outkast, the go team, mary j blige, the white stripes, daft punk e muitos outros artistas modernos e seus discos. pessoalmente eu gostei muito da música “sign” do snoop dog dog e justin tinberlake, mas onde está o verdadeiro hard rock hoje em dia???
fay fife : antigo shangri-las. garage music sempre e em todos os seus acordes já feitos!.

portal: em 1976 vocês fizeram alguns shows com os ramones e tocaram no famoso show deles no rainbow, que acabou virando o primeiro disco ao vivo deles, chamado “its’ alive”. como foi tocar som os ramones? como foi a receptividade dos ramones com vocês? vocês foram influenciados por eles também?
fay fife: honestamente? eles berravam nos microfones, pareciam paranóicos e tinham uma postura e vibração violenta. mas tudo bem, eu entendo, eram uns caras rebeldes mesmo.
jo callis: ainda amo os discos dos ramones. eu assisti a todos os shows deles com a gente do lado do palco, mas fomos tratados como merdas naquela turnê. acho que eles tinham medo da nossa reputação, que para nós funcionou de forma negativa naqueles tempos, mas usando as palavras de iggy pop, foi uma turnê “no fun”. por outro lado, quando fizemos dois shows com os stranglers no mesmo ano, fomos tratatos com respeito e consideração.
eugene: o engraçado é o fato dos ramones terem medo de tudo e todos os aspectos relacionados ao reino unido. eles se sentiam mais seguros tocando nos eua. eles odiavam a comida daqui e sentiram um certo choque cultural. eles acharam a cena punk inglesa estranha e ficaram bastante desconfortáveis. estranha sim, mas verdadeira! gosto de algumas coisas dos ramones, claro. mas de modo geral é cansativo. era difícil curtir um show inteiro deles porque depois de um certo tempo uma música soava igual as outras.

portal: eu vi duas novas músicas do myspace oficial do rezillos. existem mais músicas novas? quando deve sair o novo disco?
fay fife: estamos fazendo algumas experiências com novas músicas neste momento.
jo callis: não temos nenhum contrato com gravadora e nenhuma gravadora interessada no momento, neste obscuro mercado e gravadoras e selos punks britânicos, mesmo porque não é por este caminho que desejamos promover nossa banda. então como bem disse a fay, estamos gravando um single neste momento às nossas próprias custas, mas sem ninguém ainda para lançá-lo. temos muitas musicas novas e ainda faremos outras músicas novas melhores ainda (tenho cerca de um disco completo pronto na minha cabeça).
eugene: existem vários outros sons novos, talvez um disco completo. colocamos algumas musicas novas no myspace para dar aos nossos fãs a chance de nos darem uma opinião. e tem sido ótimo ver que as pessoas estão gostando. o fato de que o rezillos terminou de forma prematura deixou várias coisas inacabadas do ponto de vista da criação. agora o lance é fazer músicas novas e não apenas refazer as antigas. entretanto, pensamos que nossos fãs terão um certo preconceito quando ouvirem nossas musicas novas, uma vez que eles só conhecem nossas musicas antigas e nosso primeiro disco, que são suas referências. assim pensamos em ir introduzindo as novas musicas gradativamente. quando tivermos as novas músicas disponíveis, ficará fácil para nossos fãs se familiarizarem com a nossa nova cara.



portal: quais as suas expectativas sobre os shows no brasil?
eugene: recebemos muitos emails de nosso fãs do brasil e nosso myspace também tem muitas mensagens do brasil. então esperamos que isso seja um indício de interesse dos brasileiros pela gente e tocando no brasil desejamos atingir este público.
jo callis: espero apenas que consigamos atender a todas as suas expectativas. como eugene disse recebemos sempre um número descomunal de emails e mensagens do brasil, para o nosso site www.rezillos.com e nosso myspace. talvez se as coisas saírem bem, em vou me mudar para o brasil! o clima e o governo são uma merda por aqui. estamos muito entusiasmados, porque nenhum de nós jamais esteve no brasil.
fay fife: eu acho que vai ser foda!

portal: o que vocês conhecem sobre musica brasileira ou rock brasileiro? alguma banda que conheça ou goste? alguma banda que desejem conhecer mais?
fay fife: eu não conheço nenhuma, mas gostaria de ouvir algumas!
eugene: este será um excelente aprendizado...
jo callis: acho que o sepultura é do brasil, certo? sabemos que vocês curtem rock e a gente curte muito os ritmos latinos também.

portal: além de tocar no brasil, tem mais algumas coisas que vocês gostariam de fazer enquanto estiverem no brasil?
jo: gostaria de conhecer o rio e são paulo mais de perto. eu vou chegar no brasil com o eugene alguns dias antes dos shows para isso. também gostaria de experimentar um pouco da noite brasileira, oh yess!!
fay fife: quero ver os pontos turísticos.
eugene: ficarei frustrado de alguma forma, porque sei que quando estamos em turnê é quase impossível de ser absorver a verdadeira essência do país. essa é a razão que me fez pensar em chegar ao brasil alguns dias antes dos shows, para conhecer um pouco mais. geralmente em turnês o que se vê é ônibus e hotel.

portal: alguma mensagem especial para os fãs brasileiros dos rezillos?
jo: já amamos todos vocês. deixem a gente curtir com vocês, os melhores do mundo.
eugene: estamos ansiosos para ver a reação das pessoas e estamos entusiasmados de ter a oportunidade de tocar ao vivo para vocês. acho que todos na banda acreditam que essa será a primeira de muitas viagens ao brasil!
fay fife: seres alienígenas existem em forma de mutantes. mas eles sabem cantar como fadas e anjos de luz? hein? seres extra terrestres vindos das profundezas e que até agora permanecem intocáveis, desconhecidos e escondidos, cuidado!

love and kissies from planet rezillo. xxxxx

os ingressos promocionais para os shows do rezillos em são paulo estão à venda nas lojas london calling (www.londoncalling.com.br) e estrondo (www.estrondohardcore.com.br), em são paulo. os ingressos para o show do rezillos em curitiba já estão à venda na casa 92 graus, informações pelo fone: (41) 3223-5982.

a produtora ataque frontal, em parceria com o site ticketronic, colocou os ingressos para os dois shows do rezillos em são paulo à venda pela internet, pelo link www.ticketronics.net. além de poder comprar no site da ticketronic e receber seu ingresso em casa pelo correio, o internauta poderá também comprar pessoalmente os ingressos em um dos pontos de vendas da ticketronic, em cidades como o rio de janeiro. basta acessar o site da ticketronic e procurar por pontos de venda.

the rezillos em são paulo

show the rezillos no hangar 110
festa de 20 anos da loja london calling
abertura: inocentes + tor + supla
dia:
16/11/2006 (quinta-feira) - horário: 20 horas - censura 14 anos
local:
hangar 110 - rua rodolfo miranda, 110
bom retiro - são paulo - sp
ingressos:
r$ 50,00 (
preço promocional nas lojas london calling e estrondo) - r$ 70,00 (na porta) e ingressos com desconto para estudantes a r$ 35,00 (à venda apenas no hangar 110, das 15hs às 17hs - obrigatório a apresentação de carteirinha une ou ubes e rg original tanto na compra como na entrada do show)
informações:
tel: 11-3229-7442 - www.hangar110.com.br

ingressos pela internet: www.ticketronics.net


show the rezillos no hangar 110
punk rock invasion 2006
abertura: muzzarelas + os excluídos + as mercedes
dia:
18/11/2006 (sábado) - horário: 19 hs às 23h45min - censura 14 anos
local:
hangar 110 - rua rodolfo miranda, 110
bom retiro - são paulo - sp
ingressos:
r$ 50,00 (preço promocional nas lojas london calling e estrondo) - r$ 70,00 (na porta) e ingressos com desconto para estudantes a r$ 35,00 (à venda apenas no hangar 110, das 15hs às 17hs - obrigatório a apresentação de carteirinha une ou ubes e rg original tanto na compra como na entrada do show)
informações:
tel: 11-3229-7442 - www.hangar110.com.br

ingressos pela internet: www.ticketronics.net

the rezillos em curitiba

show the rezillos no 92 graus
festival national garage 2006
abertura: lambrusco kids + no milk today + chernobilies + evil idolls
dia:
17/11/2006 (sexta-feira) - horário: 19 horas
local:
92 graus - rua visconde do rio branco, 294 - curitiba - pr
ingressos:
r$ 25,00 (200 primeiros ingressos) - r$ 30,00 ((restante e porta)
informações:
tel: 41-3223-5982 - www.92graus.com
reservas de ingressos: 92graus@92graus.com




para maiores informações acessem o www.rezillos.com e www.myspace.com/officialrezillos

marcio faveri - da redação

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