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Entrevista
Exclusiva com Vlad
Ulster e Brigada do Ódio
06/12/2001
- Capone´s Bar - São Bernardo do Campo - SP
Vlad é mais um dos veteranos do Punk brasileiro.
Fez parte daquela famosa primeira leva de bandas Punks, numa época
em que era difícil arrumar uma simples K7 das bandas que rolavam
lá fora. É um daqueles que também não desistiu apesar de todos
os problemas enfrentados durante esses vinte anos e picos. Essa
entrevista, feita durante a apresentação da banda no Capone's
Bar, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, no dia seis de
Dezembro durante a turnê do RIISTETYT, banda Finlandesa de Hardcore,
na verdade foi uma conversa entre dois amigos, já que eu conheço
o Vlad há um tempo quase igual à existência da banda. Nesse dia
também tocaram a BRIGADA DO ÓDIO (onde ele é vocalista) e, a banda
QI?
PORTAL DO ROCK - Quando foi que o ULSTER começou?
VLAD - O USLSTER começou em 1979 com o nome M19 e ficou muito
tempo ensaiando sem se apresentar e aí apareceu outra banda com
o mesmo nome e teve a alteração para o nome ULSTER em 1980, ano
em que nós fizemos a primeira apresentação. Nós tocamos até 83,
quando a banda teve que dar uma parada, retornando só em 94 com
a formação original, que foi mudando até chegar no que é atualmente.
PR - Qual foi a primeira formação?
VLAD - Era o Marcão nos vocais, Luiz na guitarra, eu no baixo
e o Betão na bateria.
PR - O Luiz do OLHO SECO?
VLAD - É, ele tocou no OLHO SECO e depois fundou a BRIGADA DO
ÓDIO.
PR - Vocês voltaram em 94?
VLAD - É, nós voltamos em 94 com a formação original. Aí foi alterando,
entrou o Fábio do OLHO SECO, ele tocou com a gente um tempo e
então, alguns motivos obrigaram a gente a fazer algumas alterações.
PR - Depois que vocês voltaram, não pararam mais?
VLAD - Parar não. Teve alguns períodos de pouca atuação, mas parar
não. Na verdade a gente só ensaiou. Nós fomos fazer um show em
98 com o OLHO SECO.
PR - Quer dizer, vocês não pararam, mas mantiveram a banda como
uma espécie de passatempo?
VLAD - Esse é o termo certo. Era mais uma coisa de prazer.
PR - Eu trabalhava na Macisa (uma empresa em São Bernardo do Campo,
ABC Paulista) e você na Proquigel (que ficava do lado da Macisa)
e a gente enchia a cara no almoço e voltava bêbados pra trabalhar
e (risos), eu sei que você hoje não bebe mais nada, eu sei que
a gente está em constante mutação, mas foi uma fase boa né?
VLAD - Olha, eu me recordo dessa fase, eu tenho uma saudade que
você não pode imaginar o tamanho dela. Eu tenho saudade porque
eu respeito tudo o que foi feito, as coisas boas e as que não
foram muito legais. (Alguém interrompe para cumprimentar o Vlad).
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PR
- Eu também sinto muita saudade.
VLAD - Porque aquilo ali (é claro que ele não estava falando
só das cachaças), foram as coisas mais autênticas que nós
já fizemos (eu tocava na banda DEVOTOS DE NOSSA SENHORA
APARECIDA). A gente era aquilo mesmo, a gente era de verdade.
Era o Niva de verdade, o Vlad de verdade, a gente não fazia
tipo. Hoje a gente também é de verdade, a gente mudou um
pouco, a gente assume as nossas mudanças, o cara que para
no tempo e se acha o dono da verdade, esse cara não cabe
na cena Punk. |
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PR
- Hoje eu vejo o seguinte. Tem gente que fala que antigamente
a cena punk era melhor. Antigamente você ia num lugar e só saía
treta. Eu fui no COMEÇO DO FIM DO MUNDO e, saiu treta, você sabe,
vocês tocaram nele. Eu fui na PUC (Universidade Católica de São
Paulo em um festival que rolou no início dos anos 80) e saiu treta
também (o ULSTER também tocou). Existem alguns que criticam o
pessoal que tem um pouco mais de grana e freqüentam shows de Punk.
Eu não concordo. Eu acho que essas pessoas ajudam a injetar sangue
novo na cena.
VLAD - Eu concordo com tudo o que você está falando. Pra ser Punk
não precisa necessariamente ser pobre, branco, negro, nada. Pra
ser Punk você precisa ter o espírito de liberdade e solidariedade.
Você tem que ser inconformado com os absurdos que essa sociedade
apronta pra cima da gente e, eu considero um cara assim, um cara
que luta pela igualdade, pelas minorias. A nossa banda é uma pequena
porta voz disso. Eu também acho que a cena hoje é muito melhor.
PR - Hoje tinha cabeludo, tinha todo mundo aqui...
VLAD - Isso é maravilhoso! Se eu vejo um cara com a camiseta do
Raul (seixas), curtindo no meio dos caras, eu fico muito feliz.
A gente tem que buscar a pluralidade na musica. A respeito das
tretas, eu acho que o OLHO SECO disse uma frase em 1982 no festival
A UM PASSO DO FIM DO MUNDO e, a gente ajudou a proliferar isso:
"Olha, nós não somos da Zona Norte e nem da Zona Sul, nós não
somos da Zona Leste, da Zona Oeste nem do ABC. Nós somos Punks".
Então, hoje o AUSTER tenta passar essa idéia e, felizmente, parece
que essa idéia já está consolidada. Não existe mais regionalismo
e todo mundo se sente como uma família.
PR - Aquela rixa entre São Paulo e ABC que até hoje eu não entendi
o porquê.
VLAD - É, começou com uma briga entre grupos com idéias diferentes
e foi se proliferando, porque o que é ruim infelizmente é mais
fácil de se multiplicar. Difícil é multiplicar alguma coisa boa,
alguma coisa positiva. Mas eu acho que a gente ta conseguindo
um pouquinho disso aí, essa multiplicação de coisas positivas
dessa cena Punk.
PR - Eu acho que hoje a cena está muito melhor do que era antigamente.
Hoje tocar Punk não é mais caso de polícia.
VLAD - Concordo com você. Acho que tocar Punk hoje é um privilégio.
É um cara que não é alienado, é um cara que não é robotizado.
Acho que o conteúdo político e ideológico que tem nas letras de
hoje está bem mais consistente.
PR - Eu tenho dito sempre que, um dos motivos da PÁTRIA ARMADA
(banda onde esse seu camarada participa) ter voltado, foi para
poder gritar contra esses políticos de merda, esses conchavos.
O PA é a forma da gente gritar contra todas as coisas erradas.
Eu acredito que o ULSTER também pensa dessa forma. A postura de
vocês no palco. Não é só musica, é um todo.
VLAD - Uma coisa que eu gostaria de colocar em relação a essas
bandas que fizeram alguma coisa no passado e estão fazendo de
novo é o seguinte. Vira e mexe um ou outro aí é chamado de oportunista.
Eu queria saber que oportunismo é esse. Numa banda você gasta
muito, espera quase uma noite para tocar e não ganha dinheiro
nenhum. A gente só gasta dinheiro do bolso com instrumentos, com
divulgação de show, com gasolina, com telefone, com correio, com
o caralho a quatro. Então, a gente gasta tudo isso porque faz
de coração, então não tem oportunismo nenhum nisso.
PR - É amor véio...
VLAD - É amor puro. É acreditar que a gente pode mudar alguma
coisinha, por pequena que seja. E o que alinha todas essas idéias
é a amizade. Eu estou encontrando gente aqui de vinte anos atrás.
Você vê tocador de pagode fazendo isso? Isso aqui é irmandade,
isso aqui é sangue.
PR - Vlad, é o seguinte cara, obrigado. Eu conheço você faz milianos
e eu tenho o maior respeito por você e pelo ULSTER e eu sei que
você tem o maior respeito pelo PA e também pelas bandas antigas
e novas e, vamos ai né véio!
VLAD - Esse respeito, com certeza, é recíproco . A consideração
que eu tenho pelos amigos é muito grande e o ULSTER é uma banda
humilde, a gente taí sempre a disposição e, quem sabe a gente
não faz um show junto.
PR - Nós tocamos pô, no "A Um Passo Do Fim Do Mundo" (25 e 26
de Novembro no "Tendal Da Lapa", em São Paulo. Leia matéria).
VLAD - É, foi foda mas, vamos fazer um negócio menor, uma festa
em breve.
Em tempo. A formação atual do ULSTER é a seguinte: Vlad na guitarra,
Borela no baixo, Fábio nos vocais e Junior na bateria.
Niva dos Santos - especial para o Portal do Rock
Veja
entrevista com Perttu, baterista do Riistetyt!
Veja
entrevista com Wilson, baixista do Brigada do Ódio!
Veja
matéria do show do Ulster com a banda Riistetyt
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