Entrevista com Warren Cuccurullo
Guitarrista do Duran Duran

No último dia 10 de outubro, o Portal do Rock teve o privilégio de participar da coletiva de imprensa do grande guitarrista da banda inglesa Duran Duran, Warren Cuccurullo, que esteve no Brasil para ajudar na promoção e divulgação do mais novo trabalho de sua banda, o CD "Pop Trash", lançado no Brasil pela Sun Records e Roadrunner.

O cara realmente é uma figura muito simpática e espontânea, respondendo as perguntas com muita atenção, o que resultou em uma coletiva muito produtiva, pelo nível profissional do cara.

Ele deixou claro que quando está compondo, costuma ouvir muito Beatles e David Bowie e tenta captar o som puro das guitarras daquela época. Disse também que tem muita influência de Ravi Chankar, músico indiano Mestre em Sitar. Estas fortes e determinantes influências marcam o estilo desta fera da guitarra.

Nós também fizemos várias perguntas a Warren, que segundo críticos, é um dos maiores guitarristas do mundo, tendo sido discípulo e parceiro da lenda Frank Zappa.

Veja algumas partes da coletiva:

Imprensa: A cada novo disco do Duran Duran, o trabalho com as guitarras vem ficando cada vez mais a frente dos arranjos, sobressaindo perante os outros instrumentos. Eu gostaria de saber se no caso do novo CD "Pop Trash", isto aconteceu no momento das composições da músicas ou na hora da gravação do CD?

Warren: Normalmente todas as nossas composições começam pelo violão. É uma coisa natural da banda este lance de dar um destaque maior às guitarras. Porém, quando iniciamos o processo de overdubbing, tentamos sincronizar o bom som das guitarras com os sintetizadores, para conseguirmos a qualidade que queremos.

Portal do Rock: Como é para você tocar ao lado de estrelas como Simon Lebon e Nick Rodes?

Warren: Já faz muito tempo que estou com eles. Hoje posso dizer que é um saco ! (risos). Brincadeirinha ! Na verdade nós temos hoje uma amizade muito sólida e já estivemos juntos em várias partes do mundo em dezenas de turnês.
 
 
 
 
 
 


Imprensa: Está havendo um revival dos anos 80 no som das bandas de hoje. Como você sente isso?

Warren: Eu sinto muito bem ! Todo mundo me pergunta isto há muitos anos. Mesmo em 1993, em uma coletiva que eu dei, os jornalistas me perguntaram isto. E nós fomos muitos indagados sobre este revival quando lançamos os CDs "Medazzaland" e "Thank You". Mas nunca nos consideramos revivalistas. A maioria das bandas que estão fazendo revival dos anos 80 estão sem gravar algo novo há muitos anos. No nosso caso é diferente. A cada dois ou três anos lançamos um novo trabalho e procuramos inovar nosso som. Mas isto não quer dizer que nós também não façamos nosso próprio revival. Quando tocamos ao vivo, levamos as pessoas às décadas de 90 e 80 com as diversas fases do Duran Duran.

Imprensa: Gostaria de saber como foi o trabalho de composição e gravação do CD "Pop Trash" e como você situa este trabalho na carreira do Duran Duran.

Warren: Bom, este trabalho foi algo novo. Pela primeira vez em 20 anos concebemos e gravamos um CD como se fossemos uma banda independente, sem contrato ou acordos com nenhuma gravadora. Foi um CD alto-financiado. Mas isto não muda a base de nosso trabalho. Nós temos um padrão. Quando terminamos uma turnê, damos um tempo e voltamos ao trabalho de composição de novas músicas e preparação de um novo CD. Tenho que ressaltar que para uma banda que tem mais de 20 anos de estrada, lançar um CD como "Pop Trash", que tem várias músicas que com certeza serão sucesso, é algo que deve ser comemorado pois não é fácil. Este novo CD é um trabalho baseado em composição clássica e pura. Ao ouvir o CD as pessoas podem identificar a evolução da banda em diversos níveis.

Imprensa: Qual foi a grande lição que você aprendeu durante os períodos que você tocou com Frank Zappa e com o Missing Persons, musicalmente falando?

Warren: A maior lição que aprendi com Frank foi saber que eu posso fazer o que quero com a guitarra. Sentia-me como uma criança, que ele jogou na piscina e disse: "nade". E eu percebi que sabia nadar. No caso do Missing Persons, a lição que aprendi foi que a gente não pode ter medo de arriscar. Pela primeira vez eu estava numa banda sem Frank Zappa e tinha que fazer as vezes da guitarra principal. Também teve o fato de que deixando o Frank, eu perdi toda a segurança que eu tinha, até mesmo do ponto de vista financeiro. Era um novo trabalho, nova banda, tudo novo. E funcionou!

Portal do Rock: Porque o Duran Duran não está tocando "b sides" na nova turnê ? Músicas como "I Believe", "All I Need To Know" e "You Bad Azzizi".

Warren: Nós tocamos alguns "b sides" em nossa turnê mas não nos EUA. Mas nós tocamos músicas como "Late Bar" por exemplo. Essas músicas aparecem de repente em nossos shows. É uma coisa automática. Os fãs querem ouvir todas as músicas e temos que escolher aquelas que sentimos na hora do show.
  Imprensa: Como você avalia esta mais recente turnê da banda?

Warren: A do "Pop Trash" ? Ah, foi fantástica. Nós nos divertimos muito. As pessoas gostaram muito de nossos shows. As melhores críticas relacionadas às nossas turnês aconteceram nesta turnê. A produção também foi excelente.

Imprensa: Pelo fato de vocês terem concebido e gravado o novo CD de forma independente, você diria que sentiram alguma diferença nos resultados, dada a falta de pressão da gravadora?

Warren: Não. Nunca tivemos nenhum tipo de pressão por parte de gravadora. Para nós as coisas fluem naturalmente. E mesmo nos outros CDs, tivemos total liberdade de criação, mesmo porque esta é uma cláusula importante de nossos contratos. A pressão existiria se nós fossemos como algumas bandas, que tem que fazer um novo álbum a cada três meses.
 
 
 
 

Portal do Rock: Sabemos que o Duran está reformulando o site oficial da banda que é o www.durandurancom. Falando sobre a questão do Napster, eu gostaria de saber se vocês são a favor do Napster e se a banda pretende disponibilizar músicas para download gratuito para os internautas.

Warren: Acredito que disponibilizar trechos de músicas para que as pessoas possam ouvir e conhecer o som da banda e se interessar em adquirir o CD é uma coisa saudável. Mas disponibilizar as músicas na integra é algo que não apoiamos. No que se refere ao Napster, este lance de compartilhar arquivos com músicas, tecnologia, etc., não passa de uma grande trapaça. Uma banda ou uma empresa perde anos trabalhando em um novo projeto, um novo produto. Daí eles percebem que todo este trabalho está sendo consumido por milhões de pessoas que não pagam nada por isso. O artista acaba perdendo todo o direito autoral sobre sua arte. Só porque hoje tudo está digital não quer dizer que eu posso entrar na conta bancária de alguém, por exemplo, ver tudo o que está acontecendo lá e transferir o dinheiro para a minha conta. Isto é ilegal. Onde isso vai parar? Mas realmente não tem como se ver livre deste tal de Napster e mp3. Chegamos da era digital, onde logo logo não teremos mais os CDs. Talvez os CDs durem 10 ou 15 anos, mas a realidade é que os artistas e os verdadeiros músicos têm que se adaptar com esta nova tecnologia e tentar sobreviver.

Outros Pontos Abordados

Em outras partes da coletiva, Warren falou da falta que JohnTaylor (ex baixista do Duran) fez à banda. Falou também da gravação do novo videoclipe da banda, que foi feito utilizando-se tecnologia Flash, que é bem usada no design de websites.

Disse que a banda que mais curte atualmente no rock inglês é o Blur e que não curte bandas como Travis e Oasis, sendo que as únicas coisas que curte no Oasis são as brigas dos irmãos Galagher.

Seus guitarristas preferidos e que o influenciaram são: Jimmy Hendrix, Jimmy Page, Frank Zappa e Mick Ronson (ex guitarrista de David Bowie).

Ele deixou claro que o Duran Duran não tem planos de tocar no Brasil a curto prazo e que o Rock in Rio está descartado, pois estarão em turnê pela Russia em janeiro de 2001. Segundo Warren, o Duran poderá estar se apresentando por aqui por volta de março/abril de 2001. Estamos torcendo para que isto aconteça!!!

Marcio Faveri - da redação

Volte ao Índice de Entrevistas